Afórmula de fazer simplesmente rock brasileiro

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duofox-aformulaFazendo Rock com levadas swingadas, a banda Afórmula do Rio de Janeiro, mostra um som bem desenvolto e sem pretensão para rótulos, formada por Gustavo Peçanha – Baixo e Vocal, Roberto Crespo – Guitarra e Vocal e Salles Casagrande – Bateria, o power trio segue numa pegada funkeada, porém com riffs ganchudos com certeza são alunos da escola do Hendrix, James Brown e por aí vai, confiram o som destes caras:


10 coisas que Rafael Crespo pode nos ensinar sobre rock independente

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Elroy

Quando ouvi pela primeira vez o Polara – Não use o termo, pensei “que som foda” como esta guitarra soa assim? Sem um “zilhão de notas” ou “sem afinações em C”. Não imaginava que Rafael Crespo assumira não só as baquetas (no início da banda), como depois as guitarras, que nos próximos discos ficaram incríveis. Tocava não só no Polara, como no Elroy e no Aspen. Na época que comecei ouvir o Polara, editava um fanzine chamado El Obrero, que corria o interior de SP, infelizmente não conseguia fazer resenhas de bandas, pela falta de acesso etc. Posso dizer que com esta entrevista, que nunca imaginei que poderia acontecer, sinto uma realização pessoal, entrevistei um guitarrista que é versátil e econômico, formador de opinião e que gravou inúmeras bandas que dispensa comentários como Garage Fuzz, Againe, Pin-ups etc.

1-Quem é Rafael Crespo?
Filho de Seu Wilson e Dona Marília, carioca de nascimento, paulista por afinidade. O resto são conjecturas.
2-Fale um pouco sobre sua iniciação musical, primeiro instrumento e as primeiras bandas?
Comecei querendo tocar bateria, mas acabei ganhando uma guitarra. Meus irmãos ouviam muito rock e eu cresci impregnado por essa cultura.

3-Lembro-me de ter lido numa Guitarplayer ou Cover guitarra (não me lembro ao certo) que você gostava muito do grunge e que inclusive gostava muito do Mudhoney?
Era Guitar Player. Foi umas das bandas mais influentes pra mim, e um dos melhores shows que já assisti.

4-Como funciona na prática, o Polara? Sei que o Carlinhos mora no sul, como vocês ensaiam e compõem?
Isso é um segredo jamais revelado. A gente fica enrolando o maior tempo possível sem fazer nada, até que um não aguenta e marca alguma coisa. Por hora, é só o que eu posso revelar.

5- Gosto muito do Elroy, inclusive tenho um k-7 do primeiro disco. Há possibilidade de vermos uma reunião?
Sim, já teve a reunião aliás. Fizemos uma música nova recentemente e em breve vamos gravar, deve rolar mais alguns shows.


6-Como é a rotina de trabalho na Spicy Record’s?
Hoje em dia não existe mais a Spicy Recs, mas enquanto existiu tinha uma rotina bastante extenuante. Consistia em, sair todos os dias em busca de aventura em diversão: Shows, festas, ensaios, bares, exposições, mostras, etc… enfim, nossa rotina era viver o mais intensamente possível cada dia, e lançar discos nos momentos de folga.

7-Fale sobre algumas bandas do selo?
O selo começou lançando o primeiro disco do Againe “Songs about week here, other places, other thoughts”, primeiro porque começava com a letra “A”, e nada melhor do que começar pelo princípio. Eu e o Carlos (guitarrista) dividíamos um apartamento, e eu ia sempre nos shows do Againe e nos ensaios, então era a banda mais próxima e natural que fosse o primeiro lançamento.

Depois veio o Garage Fuzz, que na real, quando fechei com o Againe, acabei fechando com o Garage também, pelos mesmos motivos, o Farofa era muito amigo e andávamos juntos, além de ser as duas bandas que eu mais gostava na época. Tendo lançado o Garage Fuzz, o Pin-Ups foi uma escolha natural também, além de conhecer a banda a muito tempo e ter acompanhado a trajetória deles desde o princípio, era muito amigo do Flávio (baterista) e da Eliane (guitarrista) e a Alê (baixo e vocal) era mulher do Farofa, logo éramos todos amigos, e sim, se quiser, pode chamar “da mesma panela”. E por aí vai…..

8- O Aspen ainda está na ativa?
Não, o Aspen foi um projeto que durou três anos e terminou a dois.


9- 5 livros, 5 filmes e 5 bandas?
– Livros :

1) o que eu vou escrever
2) On the Road – Jack kerouac
3) Fome – Knut Hamsun
4) Nove Historias – J.D. Salinger
5) O Vinho da Juventude – John Fante

– Filmes:

1) O Processo – Orson Welles
2) Acossados – Jean-Luc Godard
3) Era uma vez no oeste – Sergio Leone
4) Laranja Mecânica – Stanley Kubrick
5) Manhattan – Woody Allen

– Bandas:

1) Fugazi
2) Superchunk
3) Rolling Stones
4) The Who
5) Sonic Youth


https://www.facebook.com/aspenmusicas

Nenê Altro, Dance of Days e Antimidia? 10 motivos para conhecê-los neste instante!

dance of days
dance of days
Dance of Days na Moxei 01/05/14

1-Quem é Nenê Altro?

Sou tipo o moleque que decidiu sair da fila da escola, enquanto todos seguiam, pensei… “não é por aí não” … e decidi escrever o meu próprio caminho. E foi assim que entrei no movimento punk, na música e no anarquismo.

2-De que forma você conheceu o fanzine? Qual foi sua primeira publicação?
Conheci o fanzine em meados dos anos 80, do gótico ao independente (todo movimento alternativo daquela época) faziam zine.O zine era o facebook dos anos 80, todos compartilhavam, xerocavam e passavam para frente. Peguei um…WC zine dos anos 80.
Eu falei “eu posso fazer isso”, fiz o primeiro, um bem punkinho, zine revolta, autodidata, bigorna e o antimidia. Em breve vamos lançar um livro, coma entrevistas do antimídia.

3- Conte sobre a história do Antimidia.

Fiz zine em xerox a vida inteira, sempre gostei de fazer zine e tal. Só que que quando comecei a me corresponder com as pessoas de fora, principalmente E.U.A, comecei a ter contato com o zine impresso, pois por aqui era pouco comum. Vi que era possível, consegui apoio em anúncios, juntei uma grana, caso precisasse para pagar os periódico. Foi assim que surgiu o antimidia, entrevistei as bandas que eu queria, dos meus amigos, o que era muito legal.

4-Qual o fluxo de trabalho para escrever os livros e Antimidia?

Escrevo todos os dias, escrevo até coisa que não público. Acordo de manhã, faço o café e escrevo. É rotina diária, as vezes fico aqui na cozinha ou subo em cima da laje. Geralmente vira letra, livro e geralmente são interligados. O último livro, foi uma letra que virou 40 páginas, daí saiu o livro, é tudo interligado, um universo só. Uso muito para desabafar, para colocar para fora. Por isso Dance of Days é tão confessional, tão verdadeiro. Porque não consigo cantar letra de outra pessoa, me embanano todo. Eu tenho um sentimento para poder cantar. Sinto que aquela letra passa e coloco para fora. Quando é uma letra que não possui muito significado, acabo me perdendo, não funciona.

5-O que mudou nos fanzines, após a invasão dos blogs?

Teve um enfraquecimento, isso não podemos negar. Diminuiu muito, as pessoas pararam de fazer zines para fazer blogs. Mas é mentira falar que fanzine morreu, tem muita gente fazendo fanzine, só não é mais tão popular como antes. Tem a UGRAPRESS que possui um anuário de fanzines. Tem zine para caralho, o Douglas faz um trabalho fodido catalogando zines. Para fugir deste discurso que o Zine acabou, acabou nada, é mesma coisa que dizer que o show de garagem acabou, acabou não, é só as pessoas que pararam de se interessar. Na verdade isso foi uma coisa muito boa, do mesmo jeito que em 2004 e 2005 teve uma explosão musical, o EMO se popularizou e muitos vieram para o Hardcore como trampolim para grandes gravadoras. Isso acabou descaracterizando o meio, hoje em dia a onda acabou e todos foram fazer forró universitário, só ficou quem é, que veio por causa disso e se encantou com o meio e é autentico, faz a coisa. O mesmo aconteceu com o fanzine. Teve muita gente que começou fazendo blog, conheceu o zine e começou a fazer zine. Hoje o Flavio Grão, grande artista e que também faz zines, está aqui e isso é o legal o movimento independente.

6-Suas canções possuem muitas referências literárias, qual é o intuito disto?
Eu sempre li, desde moleque, odeio futebol e esporte na verdade, então na minha adolescência fui lendo, como sempre tive muito esta visão do autodidata, aprendi com os anarquistas, Jaime Ribeiros, sempre me orientou de você aprender sozinho, de você conhecer o que você quer conhecer. Isso sempre me encantou e desde aquela época sempre li e isso acaba refletindo no jeito de escrever e na bagagem cultural. O legal é que incentiva as pessoas pesquisarem. Mas isso é colocado não como uma fórmula, com sai é espontâneo. Pois não gosto de seguir formula, a música tem que ser verdadeira, independente de ser simples ou complicada tem que ser verdadeira.

7-Li em seu livro Clandestino que você utiliza o software Adobe Pagemaker para diagramar.É possível ainda trabalhar com este software de 2001?

É.. já não posso mais. A gráfica do Antimidia não utiliza mais. Há 3 anos atrás tinha feito um zine com pagemaker.Mas agora, havia ligado para fazer a nova edição do antimidia, e eles disseram “nós fazemos, mas só temos este programa por sua causa, ou você se adapta ao Indesign ou não faremos seu jornal”, apanhei mas aprendi. É coisa de velho resistente.

😯 Clandestino é um livro mais esperançoso em relação aos anteriores, o que melhorou após 40 anos?

O Clandestino é o primeiro livro que escrevo como uma necessidade de sobrevivência, em relação aos livros anteriores, estava numa fase ruim da vida, então colocava a poesia para fora, para não ficar fritando na cabeça e me sentia um pouco aliviado quando escrevia. Foi uma fase muito difícil. Foi uma batalha para sair daquilo, que rendeu 3 discos, Lírios aos anjos, Insônia e. a Dança das Estações. E a partir do Disco Preto começou a mudar. Acredito que o caminho natural é com o tempo você escrever coisas positivas. Fui melhorando, batalhando dia após dia e hoje estou bem.O Clandestino me possibilitou escrever de uma maneira sem sofrimento.

10-Dicas para fanzineiros de primeira viagem?

Tentem fazer sem computador, é muito mais legal, com xerox e máquina de escrever, quanto mais roots mais legal. Claro que o Antimidia é feito no computador, mas o lance artístico está no paste-up, cortar e colar e fazer acontecer. É aí que está a arte.

11-Diz aí, 5 discos, 5 zines e 5 livros que uma pessoa tem que ouvir/ler antes de morrer?

Mano Chao
Lifetime
Avail
….
Gabriel Garcia Marquez
Mutarelli


http://danceofdays.com.br/site/
http://www.nenealtro.com.br/
https://www.facebook.com/nenealtrodod
http://nenealtro.tumblr.com/
http://instagram.com/nenealtro

Jair Naves e a sútil arte de encantar com apenas violão e voz

duofox-jair-naves
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Show de Quintal na Moxei com Dance of Days

Eis uma entrevista inesperada, fomos ao show do DOD na casa do Nenê Altro, sabíamos que o show do Jair Naves iria ser intenso, intimista e cativante. Só não sabíamos, que haveria a chance de entrevistá-lo. Não tínhamos sequer um roteiro ou esboço do que poderíamos perguntar, e ainda havia mais um agravante, adoro o Ludovic e havia assistido show deles no festival Sinfonia de Cães, vi Jair e sua trupe quebrar literalmente tudo, olha que na época (2004) havia Hurtmold, Marcos Butcher e outra bandas de peso da cena paulista. Jair não só nos concedeu uma entrevista muito interessante, como foi muito bacana e nos tratou muito bem. Agradeço desde já a empatia, o carisma e a motivação que nos mostrou em apenas 5 minutos de conversa e em seu show, que foi contagiante.

De onde saiu a ideia do nome para o novo disco? 

E Você Se Sente Numa Cela Escura, Planejando A Sua Fuga, Cavando O Chão Com As Próprias Unhas é um disco que fala sobre a vida adulta basicamente, dedicar  maior energia da sua vida, no trabalho. O disco é muito sobre relações humanas e profissionais depois de uma certa idade da vida.

Qual a diferença do Jair Naves (solo) para o Jair Naves (Ludovic)?

È uma outra etapa da vida, é uma continuação, não são coisas tão distintas, o Ludovic foi minha iniciação musical. Comecei a tocar, porque gostava muito de Punk Rock e acreditava que todo mundo pode se expressar artisticamente e musicalmente. Na época não tinha tanto domínio técnico do instrumento que tocava e nem da minha própria voz, era quase uma terapia do grito, uma coisa terapêutica mesmo. Hoje em dia tenho um conhecimento musical maior e um pouco mais amadurecido. Influências mais novas e estou um pouco mais velho, fazendo há muito tempo isso, adquiri algumas coisas. Acho que a veia Punk Rock que prioriza a parte emocional e passional, a técnica continua presente e é isso que me norteia ainda.

5 livros, 5 filmes, 5 bandas?

Capitão de Areia – Jorge Amado
Uma temporada no inferno – Arthur Rimbaud
Reparação – Ian McEwan
O Ateneu – Raul Pompéia
O filho eterno – Cristovão Tezza

A Estrada da Vida – Federico Fellini
Tarnation – Jonathan Caouette’s
Paris, Texas – Wim Wenders
Caso dos Irmãos Naves – Luís Sérgio Person
Barry Lyndon – Stanley Kubrick

The Smiths
The Beatles
Nirvana
Joni Mitchell

Como você vê a influência da banda na vida das pessoas?
Minha motivação maior e o que me comove, não é nem que as pessoas tatuem meu nome ou conhecer mulheres, não é isso. Acho que o maior papel de um artista na minha condição e na condição de outras bandas independentes é muito de estímulo, sabe… sinceramente não teria criado coragem para fazer minhas músicas, senão fosse as bandas dos anos 90 independentes, como Dominatrix e outras bandas clássicas brasileiras. Pois quando era adolescente, era super-tímido e inseguro, ouvia as pessoas fazendo isso e me sentia muito estimulado e DOD tem este papel muito importante de encorajamento. O que mais me comove, é quando alguém diz “fiz uma música porque vi você tocando e tive vontade de falar uma coisa que senti”. Todo resto é secundário…

Site:http://www.jairnaves.com.br/

O que Zé Merquinho pode nos ensinar sobre Storytelling

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Sabe aquela história que você ouvia quando pescava com seu avô?
Que seu pai contava antes de dormir? Ou aquela história de assombração que você ouvia ao lado da fogueira, comendo batata doce?

Contar histórias é assim, é dar forma as palavras e sentido a imaginação.
É tornar a falácia cotidiana em literatura ou poesia.

Contar uma história no mundo dos negócios, repleto de empreendedores nem se fala, é profissão de alto escalão, palestrantes sempre tiveram bons salários, pois contar histórias e fazer com que as pessoas reflitam sobre as mesmas, não é para qualquer um, logo vemos  uma nova/velha profissão chamada  Storytelling.

Deixando a conversa de lado, um amigo muito querido Amauri do Amaral, entrevistou um dos mais célebres moradores de minha cidade natal, Bom Jesus do Perdões, o grande pequeno Zé Merquinho.

Que na entrevista, ensinou como contar história sem tropeço, sem bibliografia, sem referência acadêmica. Que só os gênios do futebol de várzea sabem contar, driblando as dificuldades e lembrando de todos os gols e aventuras percorridas em mais de 80 anos.

Coisa velha, do passado e que ninguém liga, contar história está fora de moda, Mas o engraçado disto tudo, é que todos tentam copiar a simplicidade e não conseguem.
Pois o conhecimento deste grande pequeno prodígio é de raiz e vivência, inexistentes atualmente, assistam a entrevista comendo queijo fresco e tomando um bom cafezinho, pois é que fazemos por aqui, foi o que aprendemos com os mais velhos, felicidade e simplicidade.