Cardápio Underground 2014, programação completa !!!

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arte_cardapio-duofoxMais um edição deste festival incrível que chega em sua 11ª edição, O Cardápio Underground é Festival multicultural que acontece todos os anos em Bragança Paulista, evento da Oscip Espaço Edith Cultura. Que conta com artes e música de ótima qualidade, segue a programação musical desta edição.

14.09.2014 – Domingo – 16h – Ciles do Lavapés

Shows com:

Belgrado(Espanha)
Camarones Orquestra Guitarrística (Natal -RN)
Molho Negro ( Belém -PA)
Corazones Muertos (São Paulo – SP)
Devont’s (Bragança Paulista -SP)

15.09.2014 – Segunda – 19h às 22h – Mini Mis

Oficina com Carolina Nóbrega
Coletivo Cartográfico (SP)
Intervenção Urbana
Inscrição gratuita através do email: chrisfecampos@gmail.com

16.09.2014 – Terça – 19h – Mini Mis – Cineclube

Curta – HIATO

Diretor: Vladimir Seixas 2008

Sinopse: Em agosto de 2000, um grupo de manifestantes organizou uma ocupação em um grande shopping da zona sul da cidade do Rio de Janeiro. O episódio obteve grande repercussão na imprensa nacional e ainda hoje é discutido por alguns pensadores. O filme recuperou imagens de arquivo e traz entrevistas de alguns personagens 7 anos após essa inusitada manifestação.

Longa – SURPLUS

Diretor: Erick Gandini 2003 Sinopse: é um documentário sueco do realizador Erik Gandini. O filme, lançado em 2003, foi editado à maneira de vídeo-clip, utilizando-se da repetição (rewrite) de imagens e sons para destacar fatos que marcaram o mundo no início do século XXI e discutir questões relacionadas ao consumismo e à globalização, sob a perspectiva do filósofo anarco-primitivista John Zerzan.

17.09.2014 – Quarta – 19h – Mini Mis – Cineclube

Curta – CÃO ANDALUZ

Diretores: Salvador Dali e Luis Bunuel 1929

Sinopse: Filme surrealista com sequencia de alucinações oníricas.

 

Longa – SPELLBOUND

Diretor: Alfred Hitchcock 1945

Sinopse: Psiquiatra chega ao hospital que irá chefiar, e lá começa a fazer descobertas sobre si mesmo.

 

18.09.2014 – Quinta – 15h às 19h – Mini Mis

Oficina de Fotografia Urbex
com Vitor Carvalho 20 vagas
Inscrição gratuita através dos emails:
piconstencil@gmail.com ou vitorcarvalho@ig.com.br

19.09.2014 – Sexta – 19h às 22h – Mini Mis
Oficina com Carlos Canhameiro
Cia Les Commediens Tropicales (SP) Intervenção Urbana
Inscrição gratuita através do email: chrisfecampos@gmail.com

20.09.2014 – Sábado – Mini Mis
14h – Intervenção Urbana
Coletivo Cartográfico, Cia Les Commediens Tropicales e participantes das oficinas
16h – Oficina de Sticker com SHN 20 vagas
Inscrição gratuita através do email: piconstencil@gmail.com

19h – Abertura da Exposição de Artes Visuais

CHÃ (São Paulo – SP)
SHN (Americana – SP)
XOXU (São Paulo – SP)
DIEGO ESPONDABURU (Uruguay)
COLECTIVO FUERA (Uruguay)
DANIEL MELIM (São Bernardo do Campo – SP)
SESPER (Santos – SP) MURILO POMMER (Leme – SP)
RAEL BRIAN (Brusque – SC)

20h – Ensamble Noise ao Vivo
Virgin Assault (Argentina)
El Perro del Pantano (Uruguay)
Animal Cracker (São paulo)
Sonora Scotch (Atibaia)

21.09.2014 – 16h – Ciles do Lavapés

Shows com:

Test (São Paulo – SP)
D.E.R (São Paulo – SP)
Maguerbes (Americana – SP)
Lo-Fi (São José dos Campos – SP)
Silent Cell (Bragança Paulista – SP)
Kollision (Bragança Paulista – SP)

 

TODOS OS EVENTOS SÃO DE ENTRADA GRATUITA

Os Shows Acontecem no CILES DO LAVAPÉS
Avenida dos Imigrantes, 3237.

 

As Oficinas, intervenções, cineclube e exposição de artes visuais acontecem no MINI MIS: Casinha do Lago

Lago do Taboão Bragança Paulista.

Curadoria Musical: João Guilherme Della Vecchia
Curadoria de Artes Visuais: Matias Picón
Produção de Oficinas de Artes Visuais: Matias PicónPro
dução de Oficinas de Intervenção Urbana e Teatro: Chris Campos
Curadoria Cineclube: André La Salvia
Produção Geral Executiva: Vitor Carvalho
Design Gráfico: Flavio Bá
Imprensa e Divulgação: Shel Almeida
Realização: Edith Cultura
Apoio Cultural: Secretaria de Cultura e Turismo de Bragança Paulista
Projeto realizado com o apoio do Governo do Estado de São Paulo

 

Maiores informações:
Cardápio Underground
edith.cultura@yahoo.com.br
http://www.espacoedithcultura.blogspot.com.br/

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Thiago Cervan, Engajamento, Cultura e Poesia em Atibaia

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Por Laura Aidar

Thiago Cervan nasceu em São Bernardo do Campo/SP em 1985 e vive em Atibaia/SP. É educador popular, roteirista, poeta e um dos idealizadores do Sarau do Manolo, evento que acontece mensalmente em Atibaia/SP. Também co-organiza o Atibaia Slam Clube, evento literário que mistura literatura e esporte. Em 2012 publicou o livro Sumo Bagaço pelas Edições Maloqueiristas e em 2014 lançará o seu segundo livro, Dentro da Betoneira.

1-Quando a literatura começou a fazer parte de sua vida?

Minha educação formal foi razoável. Pegava livros na biblioteca da escola para ler e ia muito à biblioteca do Clube Recreativo Esportivo Cultural Baeta Neves (CREC), em São Bernardo. Sempre estudei na rede pública, fui aluno durante os anos 90 onde o processo de sucateamento da educação no Estado de São Paulo já sinalizava a destruição que hoje podemos constatar. Talvez eu faça parte da última geração que saiu da escola pública ao menos alfabetizada. Como a música, a literatura, de uma forma ou de outra, sempre esteve presente.

2-O que levou você a cursar Publicidade?

Em 2002 prestei o ENEM (Exame Nacional do Ensino Médio), quando este dava somente alguns pontos para o ingresso em universidade públicas. Depois em 2003 começou o Prouni (programa que transfere dinheiro público pra faculdades privadas de péssima qualidade) onde conquistei uma bolsa devido à nota do ENEM obtida no ano anterior). Na região que eu morava não tinha muitas opções de curso ou era Administração, Direito e Publicidade. Escolhi Publicidade, mas não sabia o que estava fazendo. Na real nem queria estudar, mas minha tia Cleide me pilhou e acabei indo. Hoje nem trabalho mais com publicidade, o que é uma benção.

3-Fale um pouco sobre seu novo livro Dentro da Betoneira?

Os poemas deste livro foram escritos entre os anos de 2011 e 2014 e estão divididos em quatro partes: pedra, água, areia e cimento. Cada uma das partes representa elementos que são utilizados na betoneira – que é uma máquina de fazer concreto utilizada na construção civil. Procurei escrever um livro em que a forma e o conteúdo estivessem em consonância, mas não sei se consegui isso, quem irá dizer isso são os leitores.

4- Que espaço a literatura ocupa no seu cotidiano?

Sempre tenho algum livro na mochila. Tenho lido cada vez mais poesia; a prosa tem me interessado menos.

5- Que livro os brasileiros deveriam ler com extrema urgência?

Tribunal Popular: O estado brasileiro no banco dos réus é uma boa indicação.

6-Como é seu fluxo de trabalho como escritor?

Não escrevo diariamente. Geralmente fico alguns dias trabalhando em um mesmo poema, depois o guardo e o leio alguns dias depois. Grosso modo, demoro para terminar um poema, sempre mudo algo. Acredito muito na construção poética: no escrever, reescrever, jogar fora, reciclar. Penso que, como tudo na vida, escrever é um exercício e, quanto mais você escrever/ler, mais repertório, mais habilidades você desenvolverá e consequentemente poderá melhorar a sua escrita.

7- 5 livros, 5 filmes que deveríamos ler/assistir antes de morrer?

Livros: Dentro da noite veloz de Ferreira Gullar; A rosa do povo de Carlos Drummond de Andrade; Malagueta, Perus e Bacanaço de João Antônio; Marighella : o guerrilheiro que incendiou o mundo de Mário Magalhães e Homens e Caranguejos de Josué de Castro.

Filmes: O encouraçado Potemkin de Sergueï Eisenstein; A língua das mariposas de  José Luis Cuerda; O capital de Costas-Gavras; Roma Cidade Aberta de Roberto Rossellini e A Batalha de Argel de Gillo Pontecorvo.

8 – Qual candidato à presidência ficará com a cereja do bolo?

Não tenho ideia, sempre votei nulo, mas dessa vez meu voto é do candidato Mauro Iasi que pertence ao PCB (Partido Comunista Brasileiro), que não aceita financiamento de empresas em suas campanhas eleitorais e tem propostas que mexem com a estrutura da sociedade brasileira como reforma agrária, descriminalização das drogas, reforma urbana, dentre outras.

9- Em tempos de pós-copa do mundo, o que poderá acontecer com a economia do país?

O capitalismo mundial está em crise. A Europa está falida, os problemas sociais do EUA estão vindo cada vez mais à tona, a África fora dizimada e Israel está praticando uma política de extermínio do povo palestino, ou seja, o barato tá loko. O Brasil está nesse mesmo contexto caótico, acredito que as tensões sociais se acirrarão, pois diversos direitos trabalhistas estão sendo surrupiados; há uma crescente criminalização dos movimentos sociais e também é crescente a militarização do estado brasileiro, sem contar todos as demandas da população que não são atendidas, tais como saúde, moradia, educação. Porém é nos momentos de crise que a humanidade se reinventa, acredito que a população terá a chance de dar um salto de qualidade na construção de um novo processo, porém não acredito em teorias mágicas: só a autorganização dos trabalhadores e trabalhadoras será capaz de barrar a destruição do capitalismo que já se demonstrou um modelo societário falido, ou isso se efetivará, ou a barbárie continuará até a extinção da raça humana.

 

10-Dica para os marinheiros de primeira viagem? Como começar a escrever com estilo? Se possível, indique uma gramática ou livro que inspire a escrever.

Ler muito, pesquisar, cotejar autores e mais, entender que a literatura não é algo apartado da vida, é um bom começo. Para leitura, recomendo o livro A necessidade da arte de Ernst Fischer.

https://www.facebook.com/thiagocervan

Robson Helton e o reduto artístico de Bragança Paulista

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1-Quem é Robson Helton?

Um cara simples e tranquilo, completamente apaixonado por arte em diferentes gêneros, Ilustrador e designer, nascido em Bragança Paulista. Trata-se de mais um, que resolveu se aventurar no Universo louco das artes e não parou mais.

2-Qual foi o motivo que te impulsionou para trabalhar com design?

Sempre fui envolvido com desenho, no entanto, sabia o quanto era difícil viver disso numa cidade do interior, profissionalmente falando. Pensando dessa maneira, percebi que a arte digital era algo que me atraía muito. Foi aí que passei a me envolver com design, era uma maneira de fazer arte e conseguir ter um emprego rsrs.

3-E quando você percebeu que queria fazer arte?

Tudo começou com meu gosto pela ilustração, era algo que fazia o tempo todo desde muito novo, parecia uma criança doida, enquanto todos jogavam bola na rua, gostava de desenhar e também lia muitos quadrinhos, à partir daí fui cada vez mais me envolvendo com arte, percebi que era isso que eu queria para a minha vida.

Após já estar íntimo do desenho, também parti para o lado da música e depois do teatro. Senti que era dentro do campo da arte que deveria me encaixar, de todas as maneiras que conseguisse, porque era ali na arte, onde conseguia ver sentido para as coisas.

5-Você se considera um artista? Daqueles tipos esnobes de galeria, que colocam o indicador no queixo e faz pose de “fodão”?

Jamais. Tanto que eu acredito que poucos desses tipos são artistas de verdade. Nem sei se também posso me considerar artista, acho isso um tanto relativo. Existem pessoas que chamam meu trabalho de arte, mas também pode não ser aos olhos de outros indivíduos, e aí a gente pensa sobre o que faz o cara ser artista, ou qual é o tipo de trabalho que o torna artista, o que faz a gente cair numa discussão infinita.

Principalmente hoje em dia se vê muita gente que quer ter uma pose, como se a arte fosse um grande símbolo de status ou algo assim, acredito que o artista se forma de maneira natural e você pode chamar alguém de artista por diversos motivos, no entanto acho que o que faz o artista é a essência do seu trabalho e não ficar horas admirando um quadro branco buscando conceitos rebuscados, fazendo pose e tudo mais. Nada contra quem faz isso, mas acho que ser artista vai muito além do que a pessoa faz para parecer artista.

6-Quais são suas influências, tanto na arte como na música e aproveitando o barco, cinema também?

Nossa, são muitas! Além de ídolos incontestáveis como Salvador Dalí, por exemplo, também tenho alguns artistas que me inspiram mesmo fazendo uma arte diferente da minha, como Banksy, Naoto Hattori, Art Spiegelman, Matt Groening, entre tantos, tenho também influencias nacionais, como André Dahmer, Angeli, Laerte e essa galera dos quadrinhos de humor.

Na música sou muito influenciado pelo Rock progressivo e as bandas dessa fase mais psicodélica, mas ouço muita coisa, além de diferentes gêneros do Rock também me inspiro muito com Jazz e Blues. No cinema tenho como influência Tim Burton, mas também gosto muito de Stanley Kubrick, Hitchcock e Chaplin.

7-Quando e como você desenvolveu esse estilo de desenhar? Que por sinal é muito peculiar e mistura várias vertentes e estilos de arte.

Meu estilo sempre foi muito puxado para o Cartoon.O realismo e a simetria nunca funcionaram muito bem com meu traço, esse lance do desenho humorístico, dos exageros e traços espessos sempre me passaram um tipo de liberdade criativa onde eu conseguia desenvolver meus desenhos com naturalidade.

Foi nesse caminho que meu traço adquiriu determinadas características, essa coisa da possibilidade de fluidez sem a necessidade do simétrico, do reto, do “quadradão” dentro da ilustração me possibilitaram brincar com as linhas de uma maneira que eu me sinto bem.

Muitas vezes eu começo um desenho sem ter a mínima ideia de como ele vai ficar ou qual é o seu tema, mas isso faz as ideias se desenvolverem de forma mais natural e trabalhar nessa maneira me deixa muito a vontade.

8-Como é o seu fluxo de trabalho atualmente? Como é a rotina do trabalho, seria mais uma dia de porre ou como fazer um viagem para Machu Picchu? Trabalha como Freelancer ou para algum estúdio?

Atualmente trabalho em uma agência de publicidade como diretor de arte mas também atuo como freelancer na área de ilustração, naturalmente é necessário seguir uma rotina extremamente frenética e dinâmica para conciliar tudo e chegar nos devidos resultados.

É muito corrido, mas é uma correria que me agrada, é muito café o dia todo para manter a energia e o modo “multitask” sempre ativado, mas não vejo essa rotina como algo que me prejudica, está mais como “fazer uma viagem para Machu Picchu” mesmo, pois é uma rotina que circunda o mundo das ideias e quando estamos sempre criando algo a nossa mente vai longe e não deixa tempo para as características negativas dessa rotina.

9-Quais são as dicas para quem está começando, onde pode encontrar referências fora da internet (livros, revistas ou fanzines) e como poderia utilizar estas no dia a dia?

Existem muitas maneiras de buscar referências, a internet deixou tudo muito cômodo mas tem muita coisa boa fora da internet que é muito válida para qualquer processo criativo, eu recomendo visitas a brechós e sebos, sempre acaba-se encontrando um livro bacana ou aquelas revistas MAD bem das antigas que tinham um conteúdo tão peculiar e interessante. Além disso, sugiro para quem está começando, que visite ambientes que tenham fanzines sendo distribuídos, para ficar por dentro dos conteúdos regionais, os artistas próximos de nós também tem muito a nos ensinar.

10-Diga alguns sites, livros, bandas e filmes que você tenha visto, lido ou ouvido atualmente?

Atualmente tenho lido muitas tirinhas online, sempre me interessei e a internet deixou o acesso a esse material mais prático, é aonde perco um bom tempo na internet, fora isso eu gosto de estar sempre pesquisando sobre Design e arte, tem uma revista online ótima que se chama Obvious [www.obviousmag.com.br] que eu gosto muito, e o site ideafixa [www.ideafixa.com.br] também tem muito conteúdo interessante, estou sempre visitando estes e similares.

Quanto a livros tenho lido algumas coisas do Jack Kerouac e o mestre Charles Bukowski, a companhia de teatro que faço parte fará um curta baseado em um conto dele e é muito bom estar sempre com a referência fresca.

Na música atualmente tenho ouvido muito indie rock, eu demorei para aceitar completamente as bandas e gêneros “novos”, até pouco tempo atrás eu só ouvia coisas de 80 para trás, mas hoje em dia tenho conhecido muitas bandas legais que são de décadas mais recentes.

Em questão de cinema estou mais atualizado com animações independentes, tem muita coisa boa perdida por aí, já o filme mais recente que me marcou foi Donnie Darko, do diretor Richard Kelly, fazia tempo que eu não via um filme e ficava pensando horas nele depois e issoaconteceu nesse caso.

11-Dicas para marinheiros de primeira viagem?

Para quem está iniciando nessa área, sugiro em primeira instância naturalidade, é importante também estar sempre disposto a absorver as coisas e tomar tudo como repertório, tudo que a gente vê como conteúdo online, livros, revistas, filmes e músicas são coisas que vão compor a nossa visão de mundo, e a partir disso é que as ideias se desenvolvem dentro de um projeto artístico.

É importante saber também que as nossas referências podem estar em todo lugar, o mundo todo é uma grande galeria com muitas obras de arte acontecendo o tempo todo, é só questão de lançar um olhar mais demorado sob algumas coisas, isso ajuda muito.

Além disso eu recomendo que o cara tenha a humildade, saiba aprender e ensinar, é importante que o indivíduo saiba que a arte não é um ambiente acima do normal, cheio de pessoas cultas, intelectuais e com todo tipo de conhecimento tomando chá com dedinho levantado em um galpão com pilares dourados.

Nada disso, a arte é algo que está muito mais próximo de nós, de todos nós, e isso é algo necessário para se ter consciência. Basicamente sugiro isso e que o cara se envolva completamente com o que está fazendo, todo processo artístico só acontece quando o artista se vê totalmente dentro daquilo que ele está criando, pois o artista não consegue afetar ninguém, se ele próprio não for afetado pelo que faz.

Para conhecer um pouco mais sobre o Robson


Patrulha do Espaço no 13º Festival de Inverno de Bragança Paulista

duofox-avoid-this-trioMais uma noite excepcional neste 13º Festival de Inverno em Bragança Paulista, que iniciou-se com Remorse tocando Metallica e chegou chutando o balde logo no início do show.

Logo depois, o grande Avoid This Trio, banda da casa, que tocou um Stoner pesadíssimo com uma pegada dos anos 90. Confira aqui esta e outras bandas de Bragança paulista, na coletânea do Rarozine, Bragança Resiste.

duofox-avoid-this-trioPara fechar e esquentar a noite, O Patrulha do Espaço, do baterista Rolando Castello Júnior, destruiu, com um peso dificilmente visto no Hard rock.

E tocar com 2 bumbos não é para qualquer um, pode ter certeza. Marta Benévolo com vocal afiado, levou todas canções em parceria dos backings de Danilo Zanite, com maestria. Resumindo, show magnifico e quem perdeu pode conferir aqui no Duofox.

Blue Jasmine, mais uma boa comédia de Woody Allen

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blu-jasmine-duofoxEste fim de semana assisti Blue Jasmine, filme do Woody Allen, com minha esposa.
Como de praxe, é um dos poucos diretores que fazem com que morra de rir sem sentir culpa. Suas piadas, sempre com uma sacada esperta, agradam sempre.
Apesar da fórmula dos filmes do Woody Allen serem sempre parecidas, achei bem convincente.

Uma Cate Blanchett (Jasmine) impecável no papel de uma socialite decadente, cujo marido, um ricaço picareta, perdeu tudo e a deixou apenas com algumas dúzias de bolsas Louis Vuitton.

Ao falir completamente, Jasmine deixa sua vida luxuosa em NY, nos moldes de qualquer romance de Fitzgerald, para morar com a irmã no subúrbio. Entre pílulas e centenas de doses de Martini, ela entra em colapso nervoso, fala sozinha na rua e tenta, sem sucesso, trabalhar em um consultório de dentista, como recepcionista.

Não contente, tenta sem sucesso estudar um curso básico de informática para se formar decoradora pela internet, ir a festas e arrumar um bom partido para suprir todas necessidades financeiras.

O filme é repleto de um moralismo sarcástico, quando mostra claramente que Jasmine é uma pessoa que só consegue enxergar cifras e oportunidades. Sem happy end, Woody Allen retorna com seu humor magnifico e uma trilha sonora que muito boa. Para cinéfilos de plantão, que gostam de boas risadas, confira o trailer abaixo:

Sarau do Manolo + Atibaia Slam = Lançamento do Livro Dentro da Betoneira²

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Mais uma edição do Sarau do Manolo, que para quem não conhece, é um dos eventos culturais, mais bacanas da região. O Sarau do Manolo contará com a presença de integrantes do Movimento Palestina Para Tod@s (MOPAT), movimento que surgiu da necessidade de organização e unidade nas ações em defesa da luta do povo palestino. Também haverá mais uma edição do Atibaia Slam Clube, além do lançamento do segundo livro de poemas de Thiago Cervan, intitulado Dentro da Betoneira, que contou com o apoio cultural da Incubadora de Artistas para sua realização.

Quando
Sexta-feira, 29 de Agosto às 18:00

Onde?
Incubadora de Artistas
Praça Claudino Alves, 78 (Praça da Matriz), 12940-800 Atibaia – SP

Para participar, basta clicar na imagem abaixo:
sarau do manolo

Lançamento do Livro Além dos Olhos de Guilherme Moura Brito no dia 16/08

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O evento contará com uma esquete e uma exposição fotográfica, ambas relacionadas aos temas abordados no livro.

O livro é composto de versos brancos, carregados de temáticas introspectivas e autobiográficas, questionamentos existenciais que se fundem com abstrações do escritor.

Noite de lançamento do livro Além dos olhos.

– Exposição fotográfica
– Teatro

Quando?
Sábado, 16 de Agosto às 19:00

Onde?
Câmara Municipal de Bom Jesus dos Perdões /SP
Rua Nossa Senhora da Consolação, 295 – Centro – CEP 12955-000

Abaixo, um dos poemas do livro Além dos Olhos

Dos belos propósitos

Talvez eu esteja enjaulado por direções que me fogem
Inerte, os olhos de um corpo contrário miram o branco dos horizontes
E entre uma música e outra, entre uma arte e outra, falsamente se adoça a alma
Açoitada pela própria conformidade

E nessa dança fria que se nega a cada instante
As emoções são incapazes de denunciar
O que transcorre nesse corpo que é mais que melancolia
E derrama no desejo que é mais que alusivo

Em ansiedade se desloca o deleite
Resiste, se defende, se alucina e se cobre de saudade
E se sustenta por um amor, que mais que conforta
É mais que carícia e divina pureza

É estado de realização onde se rasga toda a angústia
Necessidade explícita e mais que vital
Espelho regado de plenitude e paixão
É delírio, presente, sincero e total

7 coisas que você deveria saber sobre publicação de livros por Tim Marvim

1-Quem é Tim Marvim? Tim Marvim é o pseudônimo que utilizei para escrever um romance de aventuras na esteira de Dan Brown, intitulado “666 – Caçadores de Demônios”, que foi traduzido para o inglês com o título de “666 – The Devil Stalkers” e também um livro de contos de terror, que dei o nome de “Contos Macabros à Luz de Velas”, inspirado nas histórias da série “Além da Imaginação” (The Twilight Zone). 2-Quando a literatura começou a fazer parte de sua vida? Ao contrário da maioria dos escritores que conheço, não comecei escrevendo poesia, mas contos. Há uns vinte e cinco anos, entrei pela primeira vez em um concurso literário, realizado no Paraná. Tratava-se de um concurso de nível nacional e, para minha surpresa, o meu conto acabou ficando em primeiro lugar. Isto foi um grande incentivo para mim, vencer um concurso logo em minha “estreia” literária. Por essa época, eu editava um fanzine de literatura, que enviava a diversos escritores e poetas em todo o Brasil. Era o início dos anos 90, época em que também comecei a escrever meu primeiro romance. Como eu estava apenas acostumado a escrever contos e não conhecia muito bem a técnica específica do romance, levei oito anos para concluir uma obra de apenas 150 páginas. Contudo, foi um excelente aprendizado. Meu segundo romance, com mais de 300 páginas, foi escrito em pouco mais de um ano, pois eu já conhecia melhor o caminho a ser trilhado. Depois deste, escrevi um romance histórico, que demandou imensa pesquisa a respeito das invasões que a cidade do Rio de Janeiro sofreu nos anos de 1710 e 1711 por piratas franceses. Todo o esforço valeu a pena, pois o romance foi o vencedor do Prêmio Manaus de Literatura em 2007, tendo sido publicado pela prefeitura daquela cidade em uma belíssima edição de mil exemplares. 3- Fale um pouco sobre sua editora? E como é possível manter uma editora no Brasil? Isso ainda é apenas um projeto. Por enquanto, a editora existe apenas na minha cabeça. Apesar de muitos escritores estarem migrando para os chamados e-books, como eu próprio, creio que o livro de papel sempre continuará a existir. Imagino que uma editora deve ser gerida com a mesma responsabilidade e honestidade que qualquer outra empresa. Partindo destes dois princípios, não há por que motivo não dar certo. Eu sempre acreditei que o Brasil possui um enorme potencial para venda de livros, basta educar mais o povo, conscientizá-lo de que a leitura é um “bem” necessário. 4- É possível viver de suas obras no Brasil? Assisti uma entrevista com Carlos Heitor Cony dizendo que escritor só consegue viver de sua obra nos USA ou na França, você acredita nisto? Na atual conjuntura brasileira, acho muito difícil, mas não impossível. Vender livros é como vender qualquer outro produto. Se tiver um marketing adequado e cair no gosto das pessoas, o livro vende, mesmo sendo ruim. Não vi a entrevista do Cony e não sei em qual contexto ele disse isto, mas não me parece totalmente correto. Pelo menos, tal afirmação se me afigura muito generalizada. Veja o caso da J. K. Rowling. Ela não é nem americana, nem francesa. E garanto que vive muito bem com o sucesso que a sua série do Harry Potter obteve. Aliás, recentemente, divulgou-se que ela havia se tornado a primeira escritora bilionária da história. 5- Como é seu fluxo de trabalho como escritor? Cada escritor possui uma maneira própria para escrever. Há aqueles que o fazem de um só fôlego, como se alguém lhes ditasse no ouvido as frases já prontas. Depois que põem as ideias no papel, quase mais nenhum trabalho eles têm, pois praticamente não há o que se corrigir. Neste grupo, encontram-se os gênios como Pascal, que compunha tudo dentro de sua cabeça e, graças à sua memória excepcional, somente se dispunha a escrever quando o texto já estava acabado no interior do cérebro. Infelizmente, pouquíssimos escritores podem se dar ao luxo de usar tal método. A grande maioria dos mortais, porém, costuma sofrer bastante durante a confecção de um texto artístico, principalmente se quem escreve possui um elevado senso crítico. Eternamente insatisfeitos com os próprios escritos, estes escritores passam a vida se torturando em busca da frase perfeita, do vocábulo preciso. É o meu caso. Gasto horas, às vezes dias, para escrever uma única página. 6 - 5 livros e 5 filmes que devemos ler/assistir antes de morrer? Livros 1. Memórias Póstumas de Brás Cubas 2. Cem Anos de Solidão 3. O Deserto dos Tártaros 4. O Primo Basílio 5. Ilíada. Filmes 1. O Poderoso Chefão 2. Ao Mestre com Carinho 3. Tomates Verdes Fritos 4. Janela Indiscreta 5. A Noviça Rebelde. 7- Dica para os marinheiros de primeira viagem? Como começar a escrever com estilo? Ter paciência e perseverança. Inúmeros escritores me dizem que escrevem como falam, pondo em prática aquela velha tese pregada, entre outros, por Miguel de Unamuno. Pois não venham reclamar depois que as pessoas não dão o devido valor a seu trabalho. É óbvio que quem procede dessa maneira acaba trazendo para a língua escrita todos os detritos típicos da modalidade oral da língua. E muitos daqueles que seguem o exemplo do ex-reitor da Universidade de Salamanca não o fazem apenas porque se identificam com o pensamento do mestre espanhol, mas simplesmente porque não possuem o espírito paciente e perseverante que o gênio artístico exige. Querem fazer tudo para ontem, apressadamente, como se a obra de arte fosse latrina de rodoviária, cuja existência estriba-se na urgência e na desocupação rápida. O texto mal escrito, mal meditado e mal corrigido parece que lhes queima os próprios dedos. Esquecidos do conselho de Guimarães Rosa, que dizia para o artista construir pirâmides e não fazer bolinhos, eles preferem comer o bolinho frio do dia ao enorme trabalho de erguer uma obra consistente e duradoura. Segundo Théophile Gauthier, “somente a arte robusta goza da eternidade”. Veja que mais nada restou da grande Grécia além de poucas ruínas. Mas suas obras literárias aí estão, resistentes como bronze. É difícil para um americano entender que seus imensos arranha-céus viverão menos do que Edgar Allan Poe. Dia virá que ninguém mais falará nos panzers alemães, mas Mozart permanecerá no coração dos homens eternamente. Muitas vezes, toda essa afobação provém do fato de possuir o autor um ego maior do que o próprio talento. Pessoas há que escrevem e posam de escritores apenas para alimentar a própria vaidade doentia, buscando um conforto duvidoso em elogios vazios e, na maioria das vezes, falsos. Mal põem ponto final num texto e já o atiram na cara dos amigos, famintos para receber algumas migalhas de aprovação e louvor. Não são escritores, mas mendigos da pena, que buscam angariar simplesmente o troco reles da glória miúda. É próprio dos apressados deixar as coisas inacabadas. Se o escritor abandona seu texto após o primeiro esboço, ele terá grande chance de parir um aleijão. Escrever é como construir uma casa. Você pode até morar nela logo após levantar as paredes e concluir o telhado. Mas todos sabem que a casa não está pronta. É necessário fazer o acabamento, revestir as paredes, assentar o piso, pintar os muros para que a sua aparência se torne mais agradável. O mesmo ocorre com um texto literário. Dá-los ao público sem maior meditação, corresponde a habitar uma casa inacabada.

1-Quem é Tim Marvim?  	Tim Marvim é o pseudônimo que utilizei para escrever um romance de aventuras na esteira de Dan Brown, intitulado “666 – Caçadores de Demônios”, que foi traduzido para o inglês com o título de “666 – The Devil Stalkers” e também um livro de contos de terror, que dei o nome de “Contos Macabros à Luz de Velas”, inspirado nas histórias da série “Além da Imaginação” (The Twilight Zone).  2-Quando a literatura começou a fazer parte de sua vida?  Ao contrário da maioria dos escritores que conheço, não comecei escrevendo poesia, mas contos. Há uns vinte e cinco anos, entrei pela primeira vez em um concurso literário, realizado no Paraná. Tratava-se de um concurso de nível nacional e, para minha surpresa, o meu conto acabou ficando em primeiro lugar.   Isto foi um grande incentivo para mim, vencer um concurso logo em minha “estreia” literária. Por essa época, eu editava um fanzine de literatura, que enviava a diversos escritores e poetas em todo o Brasil. Era o início dos anos 90, época em que também comecei a escrever meu primeiro romance.   Como eu estava apenas acostumado a escrever contos e não conhecia muito bem a técnica específica do romance, levei oito anos para concluir uma obra de apenas 150 páginas. Contudo, foi um excelente aprendizado. Meu segundo romance, com mais de 300 páginas, foi escrito em pouco mais de um ano, pois eu já conhecia melhor o caminho a ser trilhado.   Depois deste, escrevi um romance histórico, que demandou imensa pesquisa a respeito das invasões que a cidade do Rio de Janeiro sofreu nos anos de 1710 e 1711 por piratas franceses. Todo o esforço valeu a pena, pois o romance foi o vencedor do Prêmio Manaus de Literatura em 2007, tendo sido publicado pela prefeitura daquela cidade em uma belíssima edição de mil exemplares.  3- Fale um pouco sobre sua editora? E como é possível manter uma editora no Brasil?  Isso ainda é apenas um projeto. Por enquanto, a editora existe apenas na minha cabeça. Apesar de muitos escritores estarem migrando para os chamados e-books, como eu próprio, creio que o livro de papel sempre continuará a existir.   Imagino que uma editora deve ser gerida com a mesma responsabilidade e honestidade que qualquer outra empresa. Partindo destes dois princípios, não há por que motivo não dar certo. Eu sempre acreditei que o Brasil possui um enorme potencial para venda de livros, basta educar mais o povo, conscientizá-lo de que a leitura é um “bem” necessário.   4- É possível viver de suas obras no Brasil? Assisti uma entrevista com Carlos Heitor Cony dizendo que escritor só consegue viver de sua obra nos USA ou na França, você acredita nisto?  Na atual conjuntura brasileira, acho muito difícil, mas não impossível. Vender livros é como vender qualquer outro produto. Se tiver um marketing adequado e cair no gosto das pessoas, o livro vende, mesmo sendo ruim.   Não vi a entrevista do Cony e não sei em qual contexto ele disse isto, mas não me parece totalmente correto. Pelo menos, tal afirmação se me afigura muito generalizada.   Veja o caso da J. K. Rowling. Ela não é nem americana, nem francesa. E garanto que vive muito bem com o sucesso que a sua série do Harry Potter obteve. Aliás, recentemente, divulgou-se que ela havia se tornado a primeira escritora bilionária da história.   5- Como é seu fluxo de trabalho como escritor?  Cada escritor possui uma maneira própria para escrever. Há aqueles que o fazem de um só fôlego, como se alguém lhes ditasse no ouvido as frases já prontas.   Depois que põem as ideias no papel, quase mais nenhum trabalho eles têm, pois praticamente não há o que se corrigir. Neste grupo, encontram-se os gênios como Pascal, que compunha tudo dentro de sua cabeça e, graças à sua memória excepcional, somente se dispunha a escrever quando o texto já estava acabado no interior do cérebro. Infelizmente, pouquíssimos escritores podem se dar ao luxo de usar tal método.   A grande maioria dos mortais, porém, costuma sofrer bastante durante a confecção de um texto artístico, principalmente se quem escreve possui um elevado senso crítico. Eternamente insatisfeitos com os próprios escritos, estes escritores passam a vida se torturando em busca da frase perfeita, do vocábulo preciso. É o meu caso. Gasto horas, às vezes dias, para escrever uma única página.  6 - 5 livros e 5 filmes que devemos ler/assistir antes de morrer?  	Livros 1.	Memórias Póstumas de Brás Cubas 2.	Cem Anos de Solidão 3.	O Deserto dos Tártaros 4.	O Primo Basílio 5.	Ilíada.  Filmes 1.	O Poderoso Chefão 2.	Ao Mestre com Carinho 3.	Tomates Verdes Fritos 4.	Janela Indiscreta 5.	A Noviça Rebelde.  7- Dica para os marinheiros de primeira viagem? Como começar a escrever com estilo?  Ter paciência e perseverança. Inúmeros escritores me dizem que escrevem como falam, pondo em prática aquela velha tese pregada, entre outros, por Miguel de Unamuno. Pois não venham reclamar depois que as pessoas não dão o devido valor a seu trabalho.   É óbvio que quem procede dessa maneira acaba trazendo para a língua escrita todos os detritos típicos da modalidade oral da língua. E muitos daqueles que seguem o exemplo do ex-reitor da Universidade de Salamanca não o fazem apenas porque se identificam com o pensamento do mestre espanhol, mas simplesmente porque não possuem o espírito paciente e perseverante que o gênio artístico exige.   Querem fazer tudo para ontem, apressadamente, como se a obra de arte fosse latrina de rodoviária, cuja existência estriba-se na urgência e na desocupação rápida.   O texto mal escrito, mal meditado e mal corrigido parece que lhes queima os próprios dedos. Esquecidos do conselho de Guimarães Rosa, que dizia para o artista construir pirâmides e não fazer bolinhos, eles preferem comer o bolinho frio do dia ao enorme trabalho de erguer uma obra consistente e duradoura.   Segundo Théophile Gauthier, “somente a arte robusta goza da eternidade”. Veja que mais nada restou da grande Grécia além de poucas ruínas. Mas suas obras literárias aí estão, resistentes como bronze. É difícil para um americano entender que seus imensos arranha-céus viverão menos do que Edgar Allan Poe. Dia virá que ninguém mais falará nos panzers alemães, mas Mozart permanecerá no coração dos homens eternamente.  Muitas vezes, toda essa afobação provém do fato de possuir o autor um ego maior do que o próprio talento. Pessoas há que escrevem e posam de escritores apenas para alimentar a própria vaidade doentia, buscando um conforto duvidoso em elogios vazios e, na maioria das vezes, falsos. Mal põem ponto final num texto e já o atiram na cara dos amigos, famintos para receber algumas migalhas de aprovação e louvor. Não são escritores, mas mendigos da pena, que buscam angariar simplesmente o troco reles da glória miúda.   É próprio dos apressados deixar as coisas inacabadas. Se o escritor abandona seu texto após o primeiro esboço, ele terá grande chance de parir um aleijão. Escrever é como construir uma casa. Você pode até morar nela logo após levantar as paredes e concluir o telhado. Mas todos sabem que a casa não está pronta. É necessário fazer o acabamento, revestir as paredes, assentar o piso, pintar os muros para que a sua aparência se torne mais agradável. O mesmo ocorre com um texto literário. Dá-los ao público sem maior meditação, corresponde a habitar uma casa inacabada. Duofox tem o imenso prazer de entrevistar um dos maiores escritores de Atibaia-SP, dono de uma técnica de escrita  rica, objetiva e versátil.Escreve contos, poemas e romances, como poucos de sua idade.

1-Quem é Tim Marvim?

Tim Marvim é o pseudônimo que utilizei para escrever um romance de aventuras na esteira de Dan Brown, intitulado “666 – Caçadores de Demônios”, que foi traduzido para o inglês com o título de “666 – The Devil Stalkers” e também um livro de contos de terror, que dei o nome de “Contos Macabros à Luz de Velas”, inspirado nas histórias da série “Além da Imaginação” (The Twilight Zone).

2-Quando a literatura começou a fazer parte de sua vida?

Ao contrário da maioria dos escritores que conheço, não comecei escrevendo poesia, mas contos. Há uns vinte e cinco anos, entrei pela primeira vez em um concurso literário, realizado no Paraná. Tratava-se de um concurso de nível nacional e, para minha surpresa, o meu conto acabou ficando em primeiro lugar.

Isto foi um grande incentivo para mim, vencer um concurso logo em minha “estreia” literária. Por essa época, eu editava um fanzine de literatura, que enviava a diversos escritores e poetas em todo o Brasil. Era o início dos anos 90, época em que também comecei a escrever meu primeiro romance.

Como eu estava apenas acostumado a escrever contos e não conhecia muito bem a técnica específica do romance, levei oito anos para concluir uma obra de apenas 150 páginas. Contudo, foi um excelente aprendizado. Meu segundo romance, com mais de 300 páginas, foi escrito em pouco mais de um ano, pois eu já conhecia melhor o caminho a ser trilhado.

Depois deste, escrevi um romance histórico, que demandou imensa pesquisa a respeito das invasões que a cidade do Rio de Janeiro sofreu nos anos de 1710 e 1711 por piratas franceses. Todo o esforço valeu a pena, pois o romance foi o vencedor do Prêmio Manaus de Literatura em 2007, tendo sido publicado pela prefeitura daquela cidade em uma belíssima edição de mil exemplares.

3- Fale um pouco sobre sua editora? E como é possível manter uma editora no Brasil?

Isso ainda é apenas um projeto. Por enquanto, a editora existe apenas na minha cabeça. Apesar de muitos escritores estarem migrando para os chamados e-books, como eu próprio, creio que o livro de papel sempre continuará a existir.

Imagino que uma editora deve ser gerida com a mesma responsabilidade e honestidade que qualquer outra empresa. Partindo destes dois princípios, não há por que motivo não dar certo. Eu sempre acreditei que o Brasil possui um enorme potencial para venda de livros, basta educar mais o povo, conscientizá-lo de que a leitura é um “bem” necessário.

4- É possível viver de suas obras no Brasil? Assisti uma entrevista com Carlos Heitor Cony dizendo que escritor só consegue viver de sua obra nos USA ou na França, você acredita nisto?

Na atual conjuntura brasileira, acho muito difícil, mas não impossível. Vender livros é como vender qualquer outro produto. Se tiver um marketing adequado e cair no gosto das pessoas, o livro vende, mesmo sendo ruim.

Não vi a entrevista do Cony e não sei em qual contexto ele disse isto, mas não me parece totalmente correto. Pelo menos, tal afirmação se me afigura muito generalizada.

Veja o caso da J. K. Rowling. Ela não é nem americana, nem francesa. E garanto que vive muito bem com o sucesso que a sua série do Harry Potter obteve. Aliás, recentemente, divulgou-se que ela havia se tornado a primeira escritora bilionária da história.

5- Como é seu fluxo de trabalho como escritor?

Cada escritor possui uma maneira própria para escrever. Há aqueles que o fazem de um só fôlego, como se alguém lhes ditasse no ouvido as frases já prontas.

Depois que põem as ideias no papel, quase mais nenhum trabalho eles têm, pois praticamente não há o que se corrigir. Neste grupo, encontram-se os gênios como Pascal, que compunha tudo dentro de sua cabeça e, graças à sua memória excepcional, somente se dispunha a escrever quando o texto já estava acabado no interior do cérebro. Infelizmente, pouquíssimos escritores podem se dar ao luxo de usar tal método.

A grande maioria dos mortais, porém, costuma sofrer bastante durante a confecção de um texto artístico, principalmente se quem escreve possui um elevado senso crítico. Eternamente insatisfeitos com os próprios escritos, estes escritores passam a vida se torturando em busca da frase perfeita, do vocábulo preciso. É o meu caso. Gasto horas, às vezes dias, para escrever uma única página.

6 – 5 livros e 5 filmes que devemos ler/assistir antes de morrer?

Livros
1. Memórias Póstumas de Brás Cubas
2. Cem Anos de Solidão
3. O Deserto dos Tártaros
4. O Primo Basílio
5. Ilíada.

Filmes
1. O Poderoso Chefão
2. Ao Mestre com Carinho
3. Tomates Verdes Fritos
4. Janela Indiscreta
5. A Noviça Rebelde.

7- Dica para os marinheiros de primeira viagem? Como começar a escrever com estilo?

Ter paciência e perseverança. Inúmeros escritores me dizem que escrevem como falam, pondo em prática aquela velha tese pregada, entre outros, por Miguel de Unamuno. Pois não venham reclamar depois que as pessoas não dão o devido valor a seu trabalho.

É óbvio que quem procede dessa maneira acaba trazendo para a língua escrita todos os detritos típicos da modalidade oral da língua. E muitos daqueles que seguem o exemplo do ex-reitor da Universidade de Salamanca não o fazem apenas porque se identificam com o pensamento do mestre espanhol, mas simplesmente porque não possuem o espírito paciente e perseverante que o gênio artístico exige.

Querem fazer tudo para ontem, apressadamente, como se a obra de arte fosse latrina de rodoviária, cuja existência estriba-se na urgência e na desocupação rápida.

O texto mal escrito, mal meditado e mal corrigido parece que lhes queima os próprios dedos. Esquecidos do conselho de Guimarães Rosa, que dizia para o artista construir pirâmides e não fazer bolinhos, eles preferem comer o bolinho frio do dia ao enorme trabalho de erguer uma obra consistente e duradoura.

Segundo Théophile Gauthier, “somente a arte robusta goza da eternidade”. Veja que mais nada restou da grande Grécia além de poucas ruínas. Mas suas obras literárias aí estão, resistentes como bronze. É difícil para um americano entender que seus imensos arranha-céus viverão menos do que Edgar Allan Poe. Dia virá que ninguém mais falará nos panzers alemães, mas Mozart permanecerá no coração dos homens eternamente.

Muitas vezes, toda essa afobação provém do fato de possuir o autor um ego maior do que o próprio talento. Pessoas há que escrevem e posam de escritores apenas para alimentar a própria vaidade doentia, buscando um conforto duvidoso em elogios vazios e, na maioria das vezes, falsos. Mal põem ponto final num texto e já o atiram na cara dos amigos, famintos para receber algumas migalhas de aprovação e louvor. Não são escritores, mas mendigos da pena, que buscam angariar simplesmente o troco reles da glória miúda.

É próprio dos apressados deixar as coisas inacabadas. Se o escritor abandona seu texto após o primeiro esboço, ele terá grande chance de parir um aleijão. Escrever é como construir uma casa. Você pode até morar nela logo após levantar as paredes e concluir o telhado. Mas todos sabem que a casa não está pronta. É necessário fazer o acabamento, revestir as paredes, assentar o piso, pintar os muros para que a sua aparência se torne mais agradável. O mesmo ocorre com um texto literário. Dá-los ao público sem maior meditação, corresponde a habitar uma casa inacabada.

Livros do autor à venda no Amazon:

1)    666 – Caçadores de Demônios
2)    A Noite Negra
3)    Memorial do Bruxo – Conhecendo Machado de Assis
4)    Contos Macabros à Luz de Velas
5)    Histórias do Fim do Mundo
6)    As Muito Fabulosas Aventuras do Barriga
7)    Manual do Poeta Aprendiz – Aprenda a Fazer Versos Suportáveis
8)    Contos Maus
9)    Ardências
10)    Como Vencer Concursos Literários

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The Biggs e Framboesas Radioativas no 13º Festival de Bragança Paulista

duofox-the-biggs

duofox-framboesasMais uma tarde brilhante no 13º Festival de Bragança Paulista, com as bandas Framboesas Radioativas e The Biggs .O show foi aberto pelos donos da casa, as Framboesas Radioativas, com seu Power pop colorido, guitarras com riffs secos e uma cozinha de dar inveja, levaram bem descontraídas um setlist de aproximadamente 30 min.
duofox-the-biggs

Na sequência, The Biggs esmagou os ouvidos dos desavisados, com garage rock de qualidade, Flávia Biggs, Mayra Biggs e Brown Biggs. A Flávia e Mayra tocavam numa banda que gosto muito, Dominatrix. Mas tenho que me desculpar, The Biggs é uma banda com uma sonoridade mais rica e sinceramente são 3 amigos tocando, é uma vibe muito positiva, que poucas banda possuem. Onde os 3 sorriem e fazem brincadeiras entre si, isso é para poucos. Inclusive a Mayra, desceu no meio da galera e continuou tocando baixo, foi algo muito legal de se ver numa banda que possui 18 anos de estrada. Aquela sujeira do MC5 com um Noise do Sonic Youth. Resumindo, banda incrível, que espero ter o privilégio de ver mais 1 milhão de vezes.