O longo Adeus de Raymond Chandler, um clássico policial

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Personagens sólidos e que convencem. Prosa envolvente. Cenário e clima que nos sufocam de diferentes maneiras. Descrições quase nunca desnecessárias e bom humor por parte do personagem principal. Estou falando de qualquer gênero de romance, menos de um livro policial, certo? Errado.

Desde que Dashiell Hammett deu liberdade para seus “irmãos” retocarem o gênero noir norte americano, deve ter se arrependido, pois eles, destacando apenas dois de grosso calibre, Ross Macdonald e Raymond Chandler, já foram suficientes para fazer o mestre, pai dos detetives modernos, revirar-se na sepultura.

Se fôssemos falar de tudo o que esses três nomes fizeram pela literatura policial moderna, ficaríamos um bom tempo colhendo as balas do chão, visto que os romances que eles produziram de 1940 até meados de 1960, mataram muitos outros autores do gênero e serviram para elevar o gênero policial a um nível nunca antes visto.

Chamo atenção aqui para um livro, que para muitos é considerado um dos melhores romances policiais do século XX. O longo adeus, de Raymond Chandler. A obra é o que podemos chamar, sem pretensão, de obra de arte policial.

Escrita num ritmo impossível de ser abandonada, a trama aborda temas sociais em que podemos enxergar principalmente questões sociais, de ambição, amizade e solidão, temas que podem ser facilmente encontrados em todos os sete romances e uma porção de contos que Raymond Chandler escreveu.

Seu personagem, o imortal Philip Marlowe, típico detetive durão e sentimental, desfila entre ricos e gangsters, tiras corruptos e mulheres lindas, além de bêbados e uma porção de gente real que não sabe mais o que fazer para sobreviver num mundo cada vez mais sem escrúpulos. O cenário, o sul da Califórnia, acaba se tornando, a cada virada de página, personagem indispensável na ambientação da trama.

O labirinto em que o leitor é jogado ao entrar em uma história como O longo adeus é realmente uma interessante e experiência única de leitura. Na fase em que escreveu o romance, Raymond Chandler cuidava de sua esposa, Cissy, que estava doente, e ele próprio enfrentava a irônica alergia ao papel e outras dificuldades, o que eleva ainda mais o nível de sua obra.

Entretanto, uma pergunta paira no ar, como um fio de fumaça dos cigarros de Marlowe.

Como Chandler, cercado de problemas que enfrentou na época, conseguiu que seus personagens desfilassem em um mundo vazio de esperanças, repleto de ganância, violência, recheado de mentiras e verdades em uma Los Angeles corrompida, lançar seus leitores num abismo de um dos maiores romances policiais já escritos?

Bem, essa pergunta o próprio autor poderia nos responder, se não tivesse nos dado um longo adeus em março de 1959.O que restou foram suas obras, que confirmam que o gênero policial após o longo Adeus, nunca mais foi nem será o mesmo.

Moagem Rock, o primeiro festival de muitos em BJP

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A frase acima representa o pensamento das bandas e pessoas que tocam e participam dos eventos alternativos em BJP

Mesmo com a chuva rápida de sábado, o Moagem Rock foi realizado com a cooperação dos organizadores e amigos. Os shows foram intensos e com ambiente intimista, deu-se caráter de uma “festa para amigos” com boa receptividade entre as pessoas que compareceram.

Os insaciáveis começaram a noite ao som erudito de flautas-doces e violão, tocando canções folclóricas alemãs e russas, mostrando uma musicalidade barroca no evento.

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Em seguida, sinestésico com som pós-punk, no entanto a sonoridade revela-se uma homenagem a bandas como Momento 68 e Violeta de Outono.

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Churumi com Crust sujo, irreverente e descompromissado com músicas chamadas “Sou banguela mas tenho patinete, Dona Maria e Cú na cabeça”, material radiotivo perdoense de primeira.

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Damiantoni e amigos, deu aula de como se deve fazer som instrumental de qualidade. Escaleta, guitarra e cajón na maior parte do tempo tocou Jobim, Jorge Ben, Radiohead, Luiz Gonzaga e Fagner.

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Sonora Scotch, simplesmente fechou a noite com chave de ouro, com uma pegada sludge e até as vezes math e post-rock, destruiram tudo, com sincronia e técnica excepcional, que só as canções do duo possuem.Em resumo grande noite e que venham outras.

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Fábio Siqueira do Amaral e o Fantasma do condomínio

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Prestigiando a literatura paulistana, com mais um grande livro, quem nos dá o ar das graças, com uma ótima entrevista é o Fábio Siqueira do Amaral.
Formado na Escola de Arte Dramática – Universidade São Paulo.Escritor, poeta, ator talentoso e cantor com vozeirão de dar inveja aos cantores da época de ouro do rádio.

Dono de uma mente criativa e inquieta. Sempre escrevendo poemas, trovas, contos, crônicas e romances. Incansável, tem mais fibra que muitos jovens, costuma-se dizer que engana o tempo aos olhos de todos.

Escreveu os livros Os Eternos Clones, O Fascínio do Mal, Contos de Desencontros, Foi a Brisa ou o Luar, Ricos Poderosos Assassinos e o mais recente O Fantasma do condomínio, um livro de contos, bem escrito e sem enrolação, receita infalível para um grande livro.

Confira a entrevista  sobre sua nova obra, Fantasma do Condomínio, livro de contos que será lançado neste sábado 22/11 às 19h   na biblioteca municipal de Atibaia!!!

Moagem Rock, diversão com os amigos em BJP!

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Neste dia 22/11 às 18h, haverá um festival com bandas e músicos da região.Com intuito de estabelecer bandas e músicos que não possuem espaço para tocar (casas de show, bares e festivais) em Bom Jesus dos Perdões- SP.

Abaixo, segue pequeno release sobre as bandas e músicos que participarão desta edição do festival Moagem Rock.

Sonora Scotch

Garage Rock selvagem com pegada Sludge, duo veterano da cena Atibaiense.

Churumi

Crust Perdoense, duo que toca punk pesadão, cheiro de Nirvana com Sabbath, irreverentes e talentosos, completaram 5 anos de estrada, é a contaminação radioativa perdoense.


Damiantoni

Multi-instrumentista perdoense, toca teclado, escaleta, guitarra, violão, contrabaixo e ainda é cantor de primeira.

Os Insaciáveis

Trio de música erudita formado por 2 flautistas e um violonista, buscando em sonatas e peças barrocas, a essência musical para construção musical de cada um dos integrantes.

Sinestésico

Integrante da primeira banda de Punk Rock perdoense, Sujeira Orgânica, tocou em várias bandas de HC/ Punk Rock e Thrashcore de Atibaia-SP, acompanhado de sua guitarra e voz, embalado por Neil Young, Velvet Underground, Nirvana, Violeta de Outono e Momento 68, toca Folk/Pós-Punk em sua terra natal.


Moagem Rock

Sonora Scotch – Churumi – Os insaciáveis – Damiantoni – Sinestésico

dia 22/11/14 às 18h
Rua capital Manoel de Almeida Passos, 1397
Vila Industrial – Bom Jesus dos Perdões – SP

Navalha – Exposição de Matias Pícon na Choque Cultural

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A arte urbana tem sido utilizada em vários meios, em campanhas de marketing e publicidade, como arte “fora de galerias e museus”, a abordagem e aplicação tem sido inúmeras.
No entanto, há artistas que se destacam, não apenas através do artificio da técnica, mídias utilizadas ou experiência.

Se destacam, pois a arte faz parte da história pessoal, está encrustada em seu DNA e em sua existência. Matias Pícon respira, alimenta-se e dorme junto com Stencil Art, ele vive a Stencil Art, é impossível não perceber isto, mesmo numa primeira conversa com o artista.

Sua exposição individual chamada de Navalha, na Choque Cultural, demonstra um pouco do potencial e profissionalismo com que faz dele um gigante na Stencil Art. Criatividade e uma boa dose sarcasmo em suas obras é que pode se encontrar na exposição Navalha.

Mostra Navalha – Matias Pícon

Terça a sábado, das 11h às 18h
Até 23 dezembro de outubro.
das 11h às 18h | Grátis
Choque Cultural
Rua Medeiros de Albuquerque, 250
Vila Madalena – São Paulo
(11) 3061-4051

Confiram!

Douglas Utescher fala sobre fanzines e literatura independente

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1-Quem é Douglas Utescher?

Começou pela pergunta mais difícil! Mas vou arriscar: Douglas tem 37 anos, é casado com a Daniela e tem uma cachorra chamada Brigitte. Desde moleque nutre um interesse ativo e quase obsessivo por cultura torta. É especialista em fazer coisas que não são suas especialidades, por mera curiosidade ou por crer religiosamente na máxima punk do “faça você mesmo”.

2-Como foi tocar em bandas históricas, como Life is A Lie, No Violence e Araukana?

Foi muito bom tocar nestas bandas, apesar de nunca pensar nelas como bandas “históricas”. São bandas muito diferentes entre si, também. O Araukana começou como uma banda punk rock que foi sujando seu som com o passar do tempo e com a entrada de novos integrantes. Sempre toquei guitarra, então ser vocalista foi uma experiência nova e divertida, especialmente ao vivo.

O Life is a Lie foi a experiência musical mais marcante dentre as que já me envolvi. Tudo na banda era muito intenso e verdadeiro. A banda esteve ativa no decorrer de anos de muitas mudanças, crises e questionamentos para alguns de seus integrantes, e fazíamos questão que nossa produção refletisse esse caos.

Com o No Violence a situação era bem diferente. Eu era um grande fã da banda e tive a oportunidade de assumir uma das guitarras. Quando cheguei, a banda já tinha um bom tempo de estrada, já tinha seu próprio modus operandi. Mais ou menos como aconteceu alguns anos depois, quando entrei no Sick Terror.

3- Como surgiu a ideia de criar o Proteus Vulgaris?

Meu interesse pelas mídias impressas despertou muito cedo. Eu mal havia chegado aos 10 anos de idade e colecionava tiras de jornal (recortava as minhas preferidas e guardava em pastas), queria participar do jornal do grêmio estudantil, fazia revistinhas e vendia para os colegas da classe. Muito cedo também surgiu meu interesse por música, graças a um primo mais velho que tinha discos de bandas como Iron Maiden, AC/DC, Ramones e Garotos Podres.

Descobri os fanzines frequentando a Gibiteca Henfil (que na época ficava na Biblioteca Viriato Correa, na Vila Mariana) e lendo, precocemente, revistas como Chiclete com Banana e Animal. Os fanzines faziam a ponte entre tudo o que me interessava. Começar a fazer a minha própria publicação era um passo lógico.

4-Maximum Rock N’ Roll teve alguma influência na criação do Life?

Não. Se não me falha a memória, a primeira edição do Maximum Rock N’ Roll que tive a oportunidade de ler caiu em minhas mãos na época em que eu estava preparando a quarta e última edição do Life?.

Minhas influências diretas eram os zines brasileiros mesmo. Infernal Sanctum, Aaaargh, Putrid, Esquistossonoise, Nuclear Vomit, Distorção Alternativa e por aí vai.

5-Como você definiria a editora Ugra Press?

Ugra Press é um nome para muitas coisas. Nós publicamos livros e zines, temos uma loja virtual especializada em publicações independentes e também organizamos um festival anual chamado Ugra Zine Fest. O fio condutor para essas atividades é o que chamamos genericamente de cultura independente ou alternativa, ou seja, toda a produção artístico-cultural que escapa, questiona ou deliberadamente se opõe ao senso comum.

6- Como é feito o editorial, diagramação e revisão dos anuários? Você faz tudo sozinho?

Nas três edições já lançadas do Anuário de Fanzines, Zines e Publicações Alternativas eu contei com a colaboração de amigos para redigir parte dos textos (Leandro Márcio Ramos na primeira edição; Márcio Sno e Flávio Grão nas duas seguintes). Cada edição foi revisada por uma pessoa. Eu sou responsável pela edição e pela diagramação, além de escrever aproximadamente um terço das resenhas.

7-Você acredita que os blogs colaboraram para o decaída dos fanzines impressos?

Acho que o pior já passou. Houve um momento de euforia com a   internet, no início dos anos 2000, quando muitos editores decretaram a morte dos fanzines de papel e migraram para o mundo virtual. Aos poucos, porém, muita gente começou a perceber que os blogs não são melhores nem piores que os fanzines – são apenas diferentes. Cada mídia tem suas próprias limitações e vantagens. Cabe ao editor ter clareza de seus objetivos e decidir pelo suporte mais adequado.

8- Diz aí 5 discos, 5 Zines e 5 livros que uma pessoa tem que ouvir/ler antes de morrer?

Discos:

Napalm Death – From Enslavement to Obliteration
Impaled Nazarene – Ugra Karma
Neurosis – Souls at Zero
IRM – Oedipus Dethroned
Fields of the Nephilim – The Nephilim

Livros:

Emile Cioran – Breviário de Decomposição
Jean Paul Sartre – A Náusea
Albert Camus – A Peste
Fiodor Dostoievski – Notas do Subsolo
Dino Buzzati – O Deserto dos Tártaros

Zines: Se para discos e livros já foi um sufoco escolher apenas 5, para zines é impossível. Mas se eu tivesse que citar apenas um, provavelmente seria a 5ª edição de um zine da Croácia chamado Fecal Forces. Esse zine caiu na minha mão por acaso, numa troca que fiz em meados dos anos 90 com um cara da Holanda, e foi de longe o zine que mais reli na vida. Inteiramente feito no esquema recorta-e-cola, ele trazia uma tonelada de informações, textos muito inteligentes e pontos de vista bastante incomuns, numa combinação inusitada de anarquismo, satanismo, paganismo, liberação animal, fetichismo, metal, punk, música industrial, cinema e quadrinhos. Rachou minha cabeça quando li pela primeira vez e me impulsionou a correr atrás de dezenas de coisas que até então eu desconhecia completamente.

 

9- Quais conselhos para os marinheiros de primeira viagem? Ainda tem uma molecada fazendo zine por aí, que mensagem você gostaria de deixar para eles?

Mergulhe de cabeça. Faça algo que lhe dê satisfação, algo que você tenha orgulho de ter criado. Não existe certo ou errado no meio dos zines e as possibilidades temáticas e estéticas são incontáveis, então há todo um universo aí para ser explorado.

Onde encontrar Douglas Utescher:
https://twitter.com/ugrapress
https://www.facebook.com/ugrapress
https://www.facebook.com/douglas.utescher
http://ugrapress.webstorelw.com.br/
http://ugrapress.wordpress.com/

Desenhos Realistas a Lápis de Monica Lee

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Artista da Malásia, Monica Lee decidiu se tornar um ilustradora após 12 anos de trabalho na arte digital.
Com um lápis, ela desenha incríveis ilustrações detalhadas e realistas de meninas sardentas, homens e animais barbudos.
“Eu gosto de me desafiar com retratos complexos, especialmente as pessoas com sardas ou barba”, diz Lee, que muitas vezes começa a partir de retratos fotográficos para criar desenhos aparentemente idênticos.
Ela é inspirada na obra de Marteline Nystad, Dirk Dzimirsky e Paul Cadden.

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Confira mais trabalhos aqui:http://instagram.com/zephyrxavier
Este artigo foi adaptado do original, “Realistic Pencil Portraits Drawings”, do Fubiz.

Ratos e Homens de Steinbeck , simplicidade e reflexão

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A breve narrativa de John Steinbeck impressiona pela simplicidade e profundidade. As poucas páginas de Ratos e Homens (1937) nos transportam ao mundo esperançoso de Lennie e George, dois amigos que viajam errantes em busca de trabalho, passando de fazenda em fazenda em busca de alguns míseros trocados. A amizade deles é fiel, embora sejam diferentes. George é vivo, pequeno e inteligente, o outro, grande, forte e com sinais de retardo mental.

A obra aborda a amizade profunda entre esses dois homens. Ao mesmo tempo, exibe uma visão de um Estados Unidos pós recessão cheio de preconceito,  indiferenças, conflitos, oportunismo e pobreza. Todos os personagens no livro são pessoas humildes, trabalhadores de uma fazenda.

A visão de Steinbeck sobre a sociedade rural da época era profunda. Com simplicidade na escrita, vai tecendo uma narrativa onde os diálogos, aparentemente simples, nos fazem refletir sobre a amizade, esperança e valores do ser humano que sonha com algo melhor.

O leitor que se arriscar pelas páginas, não conseguirá mais abandonar a leitura. Além da esperança dos personagens, a maior esperança acaba sendo a do leitor, que da primeira a última página, anseia para que tudo de certo na triste e sofrida vida dos amigos Lennie e George. Ratos e homens, uma história de esperança, amizade, tristeza e solidão. Um livro que vale cada momento de leitura.