Charles Peterson – A fotografia da Ascensão de Seattle

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Nos anos 80, recém graduado na Universidade de Washington, Charles Peterson foi passar uma temporada em Seattle e acabou documentando cenas do cotidiano da cidade e de inúmeras bandas. Com sua câmera, passava grande parte de seu tempo em clubes onde as banda se apresentavam, fotografando seus integrantes e suas performances. Mas com este hobby, que até então, trazia apenas a vontade de fotografar por diversão, assim por dizer, acabou tornando-se emprego na Sub Pop.

Bruce Pavitt e Jonathan Poneman trouxeram para Seattle, um pequeno selo chamado Sub Pop que em pouco tempo se tornou uma máquina de caça-talentos. Soundgarden, Nirvana, Alice in Chains, Screaming Trees, Mudhoney, Pearl Jam, TAD e um trilhão de bandas excepcionais. Logo Charles Peterson, estava trabalhando no selo ao lado de figurões como Jack Endino.

Charles Peterson tornou-se conhecido por retratar a ascensão da cena grunge de Seattle do final dos anos 80 ao início dos anos 90. Sempre fotografou de forma natural e espontânea.
Sem poses forçadas, apenas o momento, documentando os atos sem pretensão. É desta forma, que sua fotografia destaca e nos leva ao cotidiano com outros olhos.

Confira o trabalho de Charles Peterson:

Ernest Hemingway – Crueldade e desesperança em prosa

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Para alguns, Ernest Hemingway foi e continua sendo um grande autor, famoso por sua prosa enxuta, diálogos marcantes e que revolucionou a arte da escrita.   Para outros, não passava de um ambicioso escritor que tentava alcançar o patamar de seus contemporâneos.

Pois bem, Ter e não ter, é um dos cinco mais lidos pelos fãs do velho “papa”, como era conhecido. Embora não seja tão aclamado quanto O Velho e o Mar e Por quem os Sinos dobram, Ter e não ter é um romance que surge quebrando em certos aspectos os padrões de prosa e enredos do autor.

Ao enveredar-se pelas páginas de Ter e não ter, o leitor mergulha no universo de Harry Morgan, personagem durão e decidido, cuja única motivação é sobreviver em meio ao caos social, a miséria e opressão política.

Em Ter e não ter, Harry Morgan, que narra somente o primeiro capítulo do livro, se mostra um sujeito oprimido em seu meio, obrigado a executar trabalhos e a enfrentar situações adversas para sustentar sua família.

Tão logo o livro começa, ele já se encontra em dificuldades, envolvido em um trabalho um tanto suspeito. E à medida que a trama avança, vemos que o fim do nosso “herói” não poderia ser outro.

Para quem está acostumado com o clima europeu nos espaços narrativos de Ernest Hemingway, seja bem-vindo a Key West, Flórida, local onde transcorre a maior parte da narrativa, em meio aos bares, ruelas portos.

O autor viveu na região, o que dispensa comentários a respeito das descrições. Ter ou não ter é de fato uma grande e triste história de amizades, desilusões, amores, crueldade e acima de tudo, de esperança. Na verdade, a esperança é talvez a única coisa que Harry Morgan ainda mantém viva até perder uma parte de seu corpo e com ela, a dignidade.

Uma história narrada de forma brilhante, onde o destino dos personagens é semelhante a um barco, à deriva, em meio a águas turbulentas. Nas palavras do próprio Hemingway, “estamos condenados a perder, portanto, devemos perder segundo nossos próprios termos. É o que nos resta.”

Ruin Porn: Tendência Fotográfica que gera polêmica

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Você já deve ter visto alguma foto de locais abandonados e tomados pela natureza, se você achou as fotos incríveis, não está sozinho. O movimento é uma tendência na fotografia, o Ruin Porn ou Ruin Photography, chame como preferir, no entanto, esta simples atitude de fotografar locais em ruínas vem causando certa polêmica.

Para entender melhor, primeiro vamos definir exatamente o que é: o Ruin Porn – termo creditado para o fotografo e escritor James Griffioen – tem o objetivo de focar o declínio urbano de estruturas deterioradas, indo contra a cultura da sociedade atual em que o novo é sempre melhor.

Já existem alguns sites e grupos especializados que trocam experiências e marcam encontros para ir fotografar as ruínas, a exemplo do Ruin PornAbandoned America e Architecture of Doom.

O fotógrafo Camilo José Vergara se especializou em fotografias urbanas e o declínio de estruturas, principalmente em áreas periféricas. Vergara visita o mesmo prédio diversas vezes ao ano, para complementar suas fotografias, ele faz o uso de entrevistas e pesquisas.

Os principais cenários são cidades que passaram por grandes ondas de industrialização ou profundas crises financeiras, muitas delas estão localizadas nos Estados Unidos ou Europa. Mostrando também o abandono e o descaso de alguns locais em países de primeiro mundo.

Então você pensa, qual a polêmica em torno desse tema?

Alguns críticos acreditam que essa prática torna a restauração ainda mais difícil, já que o movimento romantiza as fotos o que acaba criando um fetiche e não promove a mudança, no caso a própria restauração.

Por outro lado, os defensores, na maioria os próprios fotógrafos, afirmam que a prática promove o turismo nas regiões divulgadas nos blogs e sites. E rebatem as críticas dizendo que esta é a chance de aproximar o planejamento arquitetônico da restauração, ou seja, as obras também devem ser planejadas com o declínio de sua estrutura a fim de facilitar o seu restauro.

Para os mais otimistas, o movimento ainda pode ser um ato de preservação das estruturas dando a merecida atenção às ruínas e apontando as falhas arquitetônicas.

 

A Sangue Frio de Truman Capote, pioneiro no jornalismo literário!

  A literatura norte-americana para muitos “críticos”, pode parecer fora dos padrões de outras literaturas (européia e oriental), mas certamente estes julgamentos são, uma forma errônea de se pensar, visto que um número considerável de autores norte-americanos são mestre na arte da escrita. 

Quem foi Truman Capote? 

Truman Capote, um jornalista de Nova Orleans entra para o hall destes autores que fazem das palavras, uma arte, e no caso de seu livro mais famoso, A Sangue Frio, essa arte se torna ainda mais singular.
 

Capote era escritor sedento e exibicionista, dotado de uma memória que muitos apontam como absurda. Memória essa que em 1966, deu-lhe notoriedade com o lançamento de seu maior livro. O romance A Sangue frio.
 

A obra, classificada pelo próprio autor, como romance de não-ficção, traz uma reportagem de um dos crimes mais cruéis que o estado de Kansas já presenciou. Em 1959 a família Clutter, símbolo da bondade na cidade de Holcomb é brutalmente assassinada. A brutalidade e a forma como os crimes foram cometidos choca a população e a imprensa, e, ironicamente, desperta a atenção criativa de Capote.
 

Para contar essa trágica história, Capote utiliza de sua experiência e talento jornalístico e parte para a região da tragédia. Lá, munido de sua memória (afirmam estudiosos que ele não utilizava gravadores nem cadernos de anotações) e de seu poder de observação, Capote faz uma investigação, buscando informações preciosas e importantes para o entendimento de um crime que terminou para sempre com a tranquilidade da população local.

 

Truman Capote Portrait Session

Dick Hickock e Perry Smith, bandidos ou mocinhos?

O resultado dessa reportagem, feita pelo autor através de conversas com os moradores locais, policiais e com os próprios assassinos Dick Hickock e Perry Smith, é uma perfeita reportagem policial. A facilidade que Capote tinha de escrever e recriar a realidade impressiona. Ao longo das quase 450 páginas, o leitor é arrebatado por uma linguagem simples e direta, repleta de ação, descrições e crescente suspense, que não deixam o leitor frustrado em um só momento.
 

O mais curioso no talento de escrita de Truman Capote, é que “A Sangue frio” é um romance baseado em fatos veridícos. Porém, é construído com tanta perfeição que custamos a acreditar que algo tão cruel tenha sido contado de forma tão bela.

A Sangue Frio de Truman Capote, pioneiro no jornalismo literário!

Truman Capote Portrait Session

Truman Capote Portrait Session

 

A literatura norte-americana para muitos “críticos”, pode parecer fora dos padrões de outras literaturas (européia e oriental), mas certamente estes julgamentos são, uma forma errônea de se pensar, visto que um número considerável de autores norte-americanos são mestre na arte da escrita.

 

Truman Capote, um jornalista de Nova Orleans entra para o hall destes autores que fazem das palavras, uma arte, e no caso de seu livro mais famoso, A Sangue Frio, essa arte se torna ainda mais singular.

 

Capote era escritor sedento e exibicionista, dotado de uma memória que muitos apontam como absurda. Memória essa que em 1966, deu-lhe notoriedade com o lançamento de seu maior livro. O romance A Sangue frio.

 

A obra, classificada pelo próprio autor, como romance de não-ficção, traz uma reportagem de um dos crimes mais cruéis que o estado de Kansas já presenciou. Em 1959 a família Clutter, símbolo da bondade na cidade de Holcomb é brutalmente assassinada. A brutalidade e a forma como os crimes foram cometidos choca a população e a imprensa, e, ironicamente, desperta a atenção criativa de Capote.

 

Para contar essa trágica história, Capote utiliza de sua experiência e talento jornalístico e parte para a região da tragédia. Lá, munido de sua memória (afirmam estudiosos que ele não utilizava gravadores nem cadernos de anotações) e de seu poder de observação, Capote faz uma investigação, buscando informações preciosas e importantes para o entendimento de um crime que terminou para sempre com a tranquilidade da população local.

 

O resultado dessa reportagem, feita pelo autor através de conversas com os moradores locais, policiais e com os próprios assassinos Dick Hickock e Perry Smith, é uma perfeita reportagem policial. A facilidade que Capote tinha de escrever e recriar a realidade impressiona. Ao longo das quase 450 páginas, o leitor é arrebatado por uma linguagem simples e direta, repleta de ação, descrições e crescente suspense, que não deixam o leitor frustrado em um só momento.

 

O mais curioso no talento de escrita de Truman Capote, é que “A Sangue frio” é um romance baseado em fatos veridícos. Porém, é construído com tanta perfeição que custamos a acreditar que algo tão cruel tenha sido contado de forma tão bela.

Leituras, indicações e comentários sobre os 10 livros de 2014

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Abaixo as 10 melhores leituras deste ano:

1- O Estrangeiro – Albert Camus

O livro fala sobre indiferença na vida, sobre o impacto do torpor na vida dos amigos, namorada, parentes etc. O drama de Meursault roda em torno de um assassinato, que o faz refletir sobre sua condição como pessoa e o meio do qual faz parte. O torpor é o seu maior inimigo.
Nota: 10

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2- Holocausto Brasileiro – Daniela Arbex

O Holocausto brasileiro ceifou 60 mil vidas no hospital Colônia, o que você faria se fosse enviado a um manicômio? Por fazer bagunça na rua, enquanto criança, ou se tivesse epilepsia, fosse homossexual ou se ainda fosse esposa traída e esta seria a sentença mais justa por tal “pecado” ou tal “desagrado”, a sociedade, ser deixado a sorte no manicômio.
Nota: 10

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3- Fome – Knut Hamsun

Fome é um livro autobiográfico e serve de exemplo para quem almeja ser escritor .Knut Hansun mostra nesta obra que mesmo os escritores talentosos, têm que trabalhar excessivamente para conseguirem o seu lugar ao sol.
Após a leitura deste livro, a comida da qual você se alimenta diariamente, terá um sabor maravilhoso, pois para se escrever com um pedaço de lápis, é necessário abdicar da provisão diária e só conseguirá alimentar-se, caso consiga vender o manuscrito para um jornal.

Nota: 10

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4- A Tristeza Extraordinária do Leopardo-das-Neves – Joca Reiners Terron

O livro é narrado por um escrivão da polícia filho de um velho judeu, que está envolvido num caso misterioso, repleto de história secundaria que se interligam, como a da Senhora X contrata para cuidar da criatura, do taxista e seus rottweilers, a do entregador do mercado coreano, a dos colombianos que trabalham na loja do pai do escrivão e a mais interessante de todas, a saga do leopardo-das-neves que dá nome ao livro. Tudo isso se passa no Bom Retiro, bairro tradicionalmente colonizado por judeus e árabes. As descrições de Joca Terrón sobre o bairro são simplesmente perfeitas!!!
Nota: 10

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5- Sonhos de Bunker Hill –  John Fante

Arturo Bandini é um “ajudante de garçom, sem igual”, “Eu tinha algo mais a oferecer a meus fregueses além da habilidade de garçom, porque eu também era escritor”. Arturo Bandini achava-se genial e por incrível que pareça era genial na sua ingenuidade: “Um dia este fenômeno tornou-se conhecido, depois que um fotógrafo bêbado do Los Angeles Times sentou no bar e bateu várias fotos minhas… No dia seguinte havia uma reportagem de destaque anexada à fotografia do Times”. Clássico de John Fante!
Nota: 10

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6- Boca de Ouro – Nelson Rodrigues

Depois da morte de Boca de Ouro, famoso bicheiro que teria mandado substituir
todos os dentes por próteses de ouro, a reportagem policial traz três visões de Boca de Ouro através de sua ex-amante, Dona Guigui.
A cada versão, dependendo do estado emocional e psicológico da mulher, surge um novo Boca de Ouro, ora criminoso, ora  valente e as vezes, até amável.
Boca de ouro é uma tragédia carioca em três atos escrita por Nelson Rodrigues em 1959.
Nota: 10

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7- O Longo Adeus – Raymond Chandler

Personagens que cometem assassinatos sem escrúpulos, sem cobiça, apenas por desespero. O crime é uma consequência na história, das relações, das dores. Todos os personagens ou perderam alguma coisa ou jamais encontraram o que procuravam. Philip Marlowe é apenas um “detetive barato”, praticamente sem clientes e que tem o estranho hábito de ajudar as pessoas em troca de nada, se mete em uma trama da qual muitos se dão mal. Excepcional!
Nota: 10

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8- O Processo – Franz Kafka

O Processo  é um romance do escritor Tcheco Franz Kafka, que conta a história de Josef K., personagem que acorda certa manhã e sem motivos conhecidos, é preso e sujeito a longo e incompreensível processo por um crime não revelado. Atmosfera em torno trama é de que nada escapa do sistema, não importa qual sistema seja. Mesmo que a verdade esteja com você, a história prova que o condicionamento a um padrão, imposto pela sociedade ou por um grupo de pessoas, é mais importante que qualquer coisa.

Nota: 10

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9- Factótum – Charles Bukowski

Rodando pelas ruas de Los Angeles sem rumo, durante a Segunda Guerra Mundial enquanto não consegue ganhar dinheiro com a sua verdadeira paixão, a escrita, Henry Chinaski se vê como só mais um cara num mundo cada vez mais louco e doentio. Trabalhando em vários lugares, como gráficas, depósitos e restaurantes o nome faz jus a história, pois Factótum é um “indivíduo que se julga ou se mostra capaz de tudo fazer ou resolver”. Excelente!
Nota: 10

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10-  A arte de escrever bem – Dad Squarisi e Arlete Salvador

Um livro teórico extremamente prático, complicou né? Ensina como utilizar a língua portuguesa com muitos exemplos reais extraídos de jornais e revistas, facilitando o entendimento das lições contidas na obra. O livro é bem-humorado, a didática é simples, o que torna a leitura descontraída e muito eficaz na aplicação. É um ótimo guia de referência, leitura rápida (menos de 100 páginas), mas de alta qualidade e praticidade para utilização diária.
Nota: 10

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4ª Mostra dos alunos de Artes Visuais da FAAT

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No dia 29/11/14 ocorreu a abertura da 4ª mostra dos alunos de artes visuais da FAAT, com inúmeros trabalhos realizados em diversas mídias. Esculturas, arte pictórica, fotografia, desenhos e vídeo instalações. Acompanhamos todas as outras edições e esta foi realizada em uma casa, ao contrário das edições anteriores. Apesar do tamanho restrito, havia muitos trabalhos interessantes, tornando o problema do espaço irrelevante.

 

A iniciativa da Prof.ª. Maria Inês Ruas Vernalha, do Prof. Edson Beleza e da Prof.ª Marta Alvim em realizar uma mostra de artes dos alunos da FAAT, prova que muitos possuem talento de sobra e com alguma prática, podem participar de grandes exposições em salões de SP.
Destaque para as obras de Daniel Willians, Thiago Leme, Francine de Oliveira, Samantha Brambilla e Thaís Amorim, que venham outras edições.