Lee Ranaldo e Cidadão Instigado no MCI de SP

Cidadão Instigado

Tarde meio chuvosa deste último sábado 26/09, deu trégua para os 2 espetáculos da noite.
Primeiro a trupe de Catatau, o Cidadão Instigado, tocou canções do novo disco, chamado Fortaleza. Harmonias complexas, melodias que remetem a música e tradições nordestinas. Foi uma apresentação maravilhosa, com som redondo e na medida certa.

Lee Ranaldo

Lee Ranaldo

Lee Ranaldo no MCI

Lee Ranaldo

Lee Ranaldo na sequência, com Steve Shelley na bateria foi belo. Deixando de lado a nostalgia do Sonic Youth, sua banda The Dust é impecável. Acordes e melodias uníssonas, afinações abertas e delays no talo. Destaques para Off The Wall, Hammer Blows (numa versão elétrica e bem espacial) e Tomorrow never comes.

Grande show, com duas bandas ótimas, tocando em um espaço muito bonito.

Gorduratrans lança primeiro disco pela Bichano Records

gorduratrans

O gorduratrans é um duo carioca de shoegaze cantado em português, formado em junho de 2015 por Felipe Aguiar (guitarra e voz) e Luiz Felipe Marinho (bateria e voz). O primeiro disco da banda, “repertório infindável de dolorosas piadas”, lançado hoje, 27 de setembro, pelo selo carioca Bichano Records.

Gravado (com exceção da bateria), mixado e masterizado por eles mesmos no quarto do Luiz, na Baixada Fluminense, o álbum apresenta influências de cânones do shoegaze britânico, como Ride e My Bloody Valentine, somados a características de nomes fortes do underground brasileiro, dentre os quais se destacam a Ludovic e a Lupe de Lupe, principalmente pela atitude DIY.

As sete canções, que variam entre melodias lentas (“confusão”, “você não sabe quantas horas eu passei olhando pra você”) e agressivas (“sozinho e babaca”), têm como norte as complicações da juventude ao lidar com amores e relacionamentos que ficaram pelo caminho, mas que jamais foram esquecidos.

A instrumental “hércules quasímodo”, que soa como o J Mascis compondo a trilha sonora da Guerra de Canudos, abre espaço para “vcnvqnd”, que foi lançada como single em versão diferente da do álbum. A leveza angustiante do número final, “artes”, põe fim à agonia.

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Ugra Zine Fest 2015 – Material independente para todos!

Matias Pícon

Neste último sábado, 19/09, podemos prestigiar mais uma vez um rolê que vale muito a pena. A Ugra Zine Fest 2015 estava mais ampla e com mais material do que o ano passado.

“Uma evolução excelente” segundo Douglas Utescher, idealizador e organizador do evento.
Conversamos também com Marcio Sno, sobre a influência do fanzine na vida de adolescentes.
Sobre o poder de liberar a criatividade e aplicação desta em um material extremamente positivo tanto na educação quanto na evolução da molecada.
Outro selo muito bacana, a arte mictórica, marcou presença com fanzines falando sobre lambes e cartazes, porém o intuito deles é de tirar um sarro da arte, abaixo algumas máximas do fanzine arte mictórica:

El cartel

1-A arte é uma mentira
2-Urinar na arte é legal
3-A arte foi feita para gente zoar
4-Se o ópio do povo é a religião, o ópio da burguesia é a arte
5-Nunca leve a arte a sério
6-Desista da arte e vá alimentar um faminto
7-Lembre-se a vida é mais importante!
8-Arte mictórica é nada. Nós vamos mudar o mundo com nada

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Havia também fanzine Escape HQ, com uma banquinha repleta de material excelente, o jornal microfonia de João Pessoa dispensa comentários, sempre com material de primeira. Matias Picón e Xoxu exibiram uma banca colorida repleta de cartazes e pôsteres muito bonitos. No gods no masters, da galera do Tuna, estava com uma tonelada de material independente. Perfeito para os marinheiros de primeira viagem, que buscam informação sobre anarco-punk e feminismo.

No gods no masters

Evento maravilhoso, parabenizamos Douglas Utescher, todas as pessoas envolvidas, expositores, bandas, visitantes e aguardamos a próxima.

Ugra

Dentro da betoneira – Soco certeiro em forma de poema, de Thiago Cervan

Deixando um pouco de lado, agulhadas (não aquelas de acupuntura) e o sarcasmo presentes em seu primeiro livro Sumo Bagaço, Thiago Cervan literalmente, joga todas suas influências dentro da betoneira.

Seguindo com sua estrutura poética influenciada pelo movimento construtivista e com um grande apelo visual, do qual sempre esteve em seu trabalho. Em dentro da betoneira, Thiago Cervan, puxa o freio, compõem com mais calma, sem a pressa do início, resultando numa escrita fluente, mesmo em aguas turvas e traiçoeiras do ativismo, onde muitos se contradizem, ele faz bonito.

Um pouco da candura do João Ubaldo aqui e pouco de João Cabral acolá, Thiago Cervan sempre buscou melhorar (através de suas buscas pessoais e interpessoais), do conhecimento de rua e do conhecimento de vida, dando um tom de voz, real a sua escrita.

Dentro da betoneira é com certeza, mais degrau na escadaria que todo escritor pena a subir. Inclusive muitos sucumbem, no entanto alguns conseguem continuar a subida.

Adquiram dentro da betoneira com Thiago Cervan e tenham uma ótima leitura e um pequeno detalhe, dá para matar o livrinho em 1 hora.

Um homem chamado Lobo, literatura argentina de primeira

Um homem chamado lobo

Galera Duofox, para vocês que acompanham nossas resenhas, talvez essa, em um tom mais pessoal possa causar estranheza, mas vamos lá.

Essa semana fui surpreendido por um livro que devorei em três dias. Vocês devem estar pensando, “Lá vem o Mrs. Felipe Terra com mais um escritor que adora hambúrgueres e beisebol.”

Errado.

Em uma de minhas andanças por praças empesteadas por pombos, bancas de jornal obscuras e mercadão municipal, dei de cara com um título que me chamou atenção. Um homem chamado Lobo, do argentino Oliverio Coelho. Estranhei o fato de o livro ser novo e custar menos de dez reais. Meti-o na mochila e comecei a leitura no mesmo dia.

Curioso com o livro, e com uma rápida pesquisa sobre o autor, até então desconhecido para mim, descobri que Oliverio Coelho é reconhecido como um dos mais importantes autores da nova geração da literatura latino americana. Isso me deixou ainda mais curioso.

Um homem chamado Lobo é uma história densa sobre a decadência humana, sobre um tema universal, porém, pouco explorado pela literatura, a relação pai-filho e acima de tudo, um drama sobre a esperança.

O romance conta a história de Sílvio Lobo, um inspetor da vigilância sanitária que com 40 anos, decide se aventurar num romance casual com Estela Durán, uma enigmática jovem bem mais nova, e que após alguns meses, acaba engravidando.

Filhos geram mudanças na vida de qualquer pessoa, principalmente se você, aos 40 anos perde o emprego, sua esposa o abandona com o garoto de um ano, sua mãe, talvez a única que poderia te acolher, parece odiá-lo desde o ventre, e de quebra, sua única forma prazer sexual é uma prostituta chamada Belém, com quem divide vez ou outra, um quarto num hotelzinho de uma estrela em uma Buenos Aires decadente, em plena ditadura.

Esse é apenas o começo da tragédia de Sílvio Lobo. Incapaz de aceitar o sumiço de Estela, e indignado por ter que cuidar do filho, desenvolvendo assim uma paternidade forçada, Lobo contrata um misterioso e místico detetive particular, um homem cujo passado ainda mais misterioso que o sumiço de sua esposa.

Os dois, unidos pelo desejo de encontrar Estela, partem numa labiríntica viagem pelas províncias fantasmas da Argentina, um país que nunca mais veremos como antes. Conhecem pessoas em que não devem confiar. Jovens mancas que adoram sexo selvagem e de quebra, são lançados numa teia de uma sociedade um tanto sinistra.

O resultado dessa busca por uma mulher que parece nunca ter existido culmina num final surpreendente, em que os personagens seguem página após páginas, definhando, chegando ao fundo do poço, uma condição que nos faz refletir sobre o que decisões precipitadas e o livre-arbítrio podem fazer com nossas vidas medíocres e sem graça.

Um homem chamado Lobo. Uma narrativa que impressiona pelo modo como é construída. Um livro que ora choca pelo brutalismo da linguagem, ora nos deixa completamente sensibilizados pela leveza com que são tratados os temas centrais.

Algumas passagens que destaco.

A imagem desse corpo e o eco das palavras “tire a roupa” fecharam sua garganta. Esse organismo parecia desfigurado pela nudez: cintas-ligas incrustadas nas coxas, poços de celulite e camadas de carne crescida no quadril como uma pele dupla… Sentiu-a completamente mole, como se estivesse cheia de algodão… numa vagina cujos lábios sobressaíam minuciosamente texturizados, como a superfície de um caracol.
Dora reagiu, parecia não engolir a mentira, e até esboçou um gesto de zombaria, franzindo a boca.

“Há quanto tempo ela foi embora?”
“Eu a expulsei, já disse”, ele insistiu.
“Há quanto tempo essa criatura está sem sua mãe?”
Imediatamente, ele vislumbrou no emprego da palavra criatura um acesso de piedade e, portanto, a possibilidade de que ela, a partir desse dia, assumisse a responsabilidade pela criança.

Um homem chamado Lobo, literatura argentina de primeira linha. Uma história que simplesmente prende do começo ao fim. Leiam e tirem suas próprias conclusões. Um abraço e até logo menos.

Transtorninho Records – Recife é experimental, Indie e Shoegaze

Poster

1-    Fale sobre Transtorninho Records, quando foi fundada e porquê Transtorninho?

Rapaz, a Transtorninho completou um ano esses dias, ou seja, foi fundada em meados de agosto de 2014. Eu e o Smhir começamos a morar juntos em Recife e sentíamos muita falta do rolê. Em Maceió (de onde a gente é) sempre ou quase sempre tocávamos. O Smhir fazia parte do Coletivo Popfuzz, que já foi um selo também. Eu toco em banda desde que tenho 14 anos. Ele também. Daí aconteceu que decidimos começar a fazer as coisas – o que foi algo de maneira bem natural. Simplesmente queríamos tocar e ver bandas do nosso estilo tocando, conhecer pessoas, espalhar nossa mensagem… Daí Danilo apareceu na nossa vida usando umas camisas de banda independentes no CAC (centro de artes e comunicação da UFPE – onde estudamos todos). Montamos o Amandinho com Jonnhy que tava instigado em aprender mais bateria e tudo virou uma coisa só. Amandinho, Transtorninho, e o que mais você disser no diminutivo.

2-    Como é o rolê de Recife, em termos de Indie e música experimental?

O rolê aqui na verdade é paia – como eu imagino que seja em muito canto por aí. Em termos de indie rock então… No independente estamos fazendo nossa parte e vendo que algumas pessoas estão se agitando, colando nos eventos, comprando CD, pegando zine… Tá funcionando. Apesar de não termos, por exemplo, um lugar fácil de fazer evento. A maioria dos bares não facilitam, lógico, cover dá dinheiro. Mas existem espaços legais que estamos descobrindo aos poucos, como o Casarão das Artes, que fica no centro. Aqui tem pessoas que tocam e fazem o rolê delas, mas não temos muito contato. Sei lá a gente gosta dos emo

3-    Como você viabiliza o selo numa época em que poucos compram discos?

Bem, vejo os discos como algo de valor simbólico mermo. Eu só compro disco de banda independente pra ajudar elas, mas se fosse outro produto – sei lá, um pôster – eu iria gostar mais. Penso assim, eu não uso mais CD pra nada, nem sei por que as pessoas usam. Só escuto música no computador e no celular. Apesar disso, continuamos fazendo discos – em tiragens limitadas, detalhadamente construídos, como algo mais afetivo mesmo, sei lá.

Fanzines

4-     Como funciona o trabalho no selo?

Encontramos bandas que acreditamos estarem dentro da ideia do selo, entramos em contato (ou elas entram conosco, como aconteceu recentemente com o Magic Crayon), subimos o disco delas no nosso Bandcamp, fazemos o mailing, a divulgação na internet e – quando é álbum cheio – fazemos os cd’s ou, por exemplo, ajudamos na produção – como aconteceu com o Empate, que compramos os CD’s antes deles existirem pra que eles pudessem existir. É isso

5-    Grande parte das bandas não cantam na última flor do lácio (português)? É uma característica do selo?

Ha ha eu nunca tinha ouvido essa expressão. Na verdade não, eu inclusive, diferentemente do Smhir, prefiro música em português. Não temos preconceitos. Música instrumental não é universal.

6-    Quais as bandas do selo, possuem mais destaque entre a galera, as que possuem um som mais indie, shoegaze ou as experimentais?

Velho, nosso disco mais baixado no bandcamp até hoje foi o do 151515 (projeto que coincidentemente é meu, retrato da minha adolescência, outra história), que é bem indie, lofizão. Depois temos nosso shoegazer favorito, o Cláudio Romanichen, com seu projeto Lindbergh Hotel.

7-    Fale um pouco sobre as bandas Nova MPB, Amandinho, Lindberg Hotel e Magic Crayon?

O Novampb é uma viagem maluca que se passa na cabeça do nosso amigo Smhir Garcia. Barulho, pop, springbreakers, noise, dream pop, reggae alagoano e muito mais tem nesse último disco dele.

O Lindberg, como eu disse, é o projeto do Cláudio, que apareceu em nossas vidas graças à grande rede de computadores – a internet! É um maluco que adora as coisas boas da vida que não machucam os outros, manja muito dos anos noventa, toca bem pra caramba e usa o som do carro pra mixar suas canções.

Amandinho é simplesmente “de nóis pra nóis” – a banda é formada pelas mesmas pessoas do selo e estamos sempre juntos e tentando arrumar shows. Gravamos nosso EP em casa com ajuda de poucos amigos, mixamos e masterizamos com um fone de ouvido e é isso aí. Existe.

Magic Crayon! Os caras surgiram do nada na nossa página, mandando o som. Curtimos, trocamos ideias, lançamos e é isso, os caras são 10 e vão lançar um disco cheio esse ano ainda se não me engano.

8-     Dicas para iniciantes, que pretendem gravar e viabilizar a distribuição de discos ou ep’s.

“Sejamos iniciantes juntos!” Acho que o mais importante é fazer – de qualquer jeito, de qualquer forma. Importantíssimo também é fazer do seu jeito. Críticas e sugestões são ótimas pra se conseguir fazer um trabalho melhor, mas às vezes é preciso não dar ouvido aos outros, colocar um fone que não tem grave nenhum, mixar usando a versão demo Audacity (nem sei se existe versão demo desse programa haha) e tentar colocar o máximo de sinceridade no som. A dica é: peça dicas, nos deem dicas, criem dicas, passem dicas e não desistam nunca. É isso!!

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Joyland de Stephen King – Bom e velho suspense com corações partidos

Stephen King

Não é de hoje que associamos o nome de Stephen King às horripilantes e instigantes histórias de suspense e terror. Mestre nesse tipo de narrativa, King surpreende não apenas pelo modo como constrói suas tramas, mas também pela variedade de temas e a forma como os aborda.

Em um de seus trabalhos mais recentes, King nos oferece uma narrativa um tanto peculiar. Uma história cheia de emoções e, por incrível que pareça, sem quase nenhuma gota de sangue. Joyland, publicado recentemente no Brasil, é um livro repleto de sentimentalismo, corações partidos, velhos rabugentos e suspense à moda dos parques de diversões macabros.

O universitário Devin Jones inicia um trabalho temporário em Joyland. Sua esperança é que o trabalho o faça esquecer de vez a namorada que partiu seu coração.

Durante os dias em que passa em Joyland, comendo hot-dogs, operando brinquedos enferrujados e vendendo muito algodão doce, Devin acaba conhecendo Rozie, uma velha vidente funcionária do parque, e que lhe revela coisas sinistras a respeito de seu futuro e sobre outra garota que entrará em sua vida. O único detalhe nas previsões Rozie, é que a outra garota, Linda Grey, foi vítima de um serial killer, e de acordo com os funcionários do parque e moradores da região, seu espírito ainda perambula pelos túneis do trem fantasma.

A sequência dessa história, no melhor estilo King, segue repleta de sonhos, descobertas, amores adolescentes e uma atmosfera que lembra muito os filmes de terror dos anos 70, em que tudo é maravilhoso até as luzes da roda-gigante se apagarem.

King ainda causa arrepios com vagões que se mexem sozinhos, velhos sinistros e sarcásticos e com o pequeno Mike, um garoto de 10 anos, que vive numa cadeira de rodas, tem uma doença misteriosa e tem o estranho hábito de falar com pessoas no além. E é através dele que Devin vai descobrir que não é tão gostoso trabalhar num parque de diversões onde uma garota foi assassinada.

A perfeição de Stephen King em contar histórias faz brotar uma espécie de hino à juventude. Joyland soa como uma fábula sobre amar e perder, sobre adolescência e velhice, mas acima de tudo, sobre aqueles que não tiveram a chance de passar por essas experiências pelo simples fato de terem conhecido a morte muito cedo.

O violino de Auschwitz, ótima leitura para o fim de semana

Maria

Para quem gosta de filmes e histórias sobre a Segunda Guerra Mundial, O violino de Auschwitz, da espanhola Maria Àngels Anglada é uma ótima pedida.

Essa bela e rápida narrativa tem início após um concerto de homenagem a Mozart, em que dois amigos, músicos e violinistas se esbarram e dão início a um curto diálogo. Durante esse encontro, o que mais chama atenção, é o enigmático e belo violino, de traços rústicos, e que produz um som quase divino. Curioso, devido ao som do instrumento ser superior aos demais, o personagem central, cujo caráter é construído em pequenos fragmentos, parte em busca de mais informações sobre o misterioso violino. A partir daí, conheceremos a vida de Daniel, um prisioneiro dos campos de concentração nazista.

Através do relato comovente de Daniel, construído numa linguagem simples e ágil, o romance nos faz recordar as provações sofridas pelos presos dentro dos cruéis sistemas prisionais de Hitler.

Daniel é um jovem construtor de violinos, e tem à sua volta a fome, a violência e o ódio nazista. A princípio, sufocado pelo regime destruidor da war machine alemã, Daniel realiza todo tipo de trabalho que os soldados do campo lhe impõem, sem questionar.

Porém, numa noite, um comandante do campo, que aprecia música e conhecido por seu extremo sadismo, descobre o talento de Daniel e lhe propõe um desafio peculiar. Construir um violino superior ao lendário Stradivarius.

Diante da proposta, que não poderia recusar, o humilde artesão se lança de corpo e alma na construção do instrumento. O que Daniel não se dá conta nessa empreitada, é que sua vida depende de uma absurda e doentia aposta. Caso consiga construir um violino extraordinário, será poupado. Caso contrário, será entregue ao “médico-cirurgião” do campo para experiências em que a maioria dos prisioneiros falece em condições desumanas e de grande sofrimento.

O violino de Auschwitz é uma história curta, que pode ser lida numa tarde. Porém, a brevidade dessa narrativa engana, pois fará com que o leitor perceba como o amor à arte, a persistência e a esperança, podem transformar a vida de uma pessoa.

O violino de Auschwitz pode ser comprado no site da Toplivros, confira.

As penas do oficio: ensaios de jornalismo cultural de Sérgio Augusto

As penas do oficio

As penas do oficio

Sérgio Augusto é uma das referências no jornalismo cultural nacional, na labuta desde os 18 anos, onde começou no jornalismo como crítico de cinema, no jornal Tribuna da Imprensa. Passou por inúmeras publicações que vão de Jornal do Brasil, O Globo, Veja, IstoÉ, O Cruzeiro, Correio da Manhã, Pasquim, Opinião; além de ter esculpido a Revista Bravo!.

Em As penas do oficio, Sérgio Augusto partilhou ensaios de vários momentos na Revista Bravo! Com a verve de filologista, destrincha temas como no ensaio, As penas do oficio, que trata de temas relacionados ao trabalho do escritor ao longo de várias épocas, de formas, acessórios entre outras maluquices de escritores , Voltaire por exemplo: adorava utilizar o dorso nu de suas amadas como mesa, Truman Capote, Mark Twain e Stevenson, gostavam de escrever na horizontal (deitados).No entanto Benjamin Franklin e Victor Hugo costumavam escrever pelados.Já Hemingway era apegado ao lápis, Nélida Piñon só escrevia com uma caneta Mont Blanc e papel especial entre outras peripécias de inúmeros escritores.

Sergio Augusto

Em o Capitão da notícia, ensaio em que fala sobre Joel Silveira, no front italiano em 1945 cobrindo a guerra contra o nazifascismo. No ensaio O Kafka do gibi, exalta Art Spiegelman, criador de Maus (caso não tenha lido, leia já!) como sucessor de Will Eisner.Além de vencedor do Pulitzer, Art Spiegelman foi capista e desenhista da revista The New Yorker.

O sábio vitoriano, fala a respeito de Aldous Huxley, como foi um escritor prolífico, em 69 anos de vida produziu 47 livros. Mesmo com cegueira progressiva diagnosticada aos 16 anos, não foi empecilho para escrever Admirável Mundo Novo, As portas da Percepção, A ilha e Contraponto. Caso tenha o desejo de ler bom jornalismo, no sentido denotativo, adquira o seu exemplar, por apenas R$5,00 na TOP Livros.