Rarozine Fest traz a nata instrumental para BJP

Neste último sábado 23/04, rolou o Rarozine Fest no Zebra só com a nata do instrumental aqui do estado de São Paulo. Começando pelo Grande Ogro, que sentou o braço com Post-Rock de primeira qualidade, muitas dissonância e tempos quebrados, é daquelas bandas que cada segundo vale a pena.

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O Mais Valia chutou o pau da barraca, literalmente.Som coeso, bateria com marcações incríveis, baixo fazendo harmonia e melodia com perfeição e a guitarra é um caso a parte.Quem não conhece corre que no bandcamp tem, banda linda de Jaú, esperamos ver mais vezes por aí. Notinha para não passar o evento despercebido.Agradecimentos ao German Martinez e Daniel Caribé por fazer este evento acontecer.Até a próxima.

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Memória de minhas putas tristes – Gabriel Garcia Marquez

Se você fosse um jornalista, culto, apreciador de arte, música e que estivesse próximo de completar 90 anos.Qual seria o seu desejo? Acredito que ninguém pensaria em algo inusitado.Talvez um bolo de frutas, parentes reunidos ou até mesmo um dia numa praia ensolarada.

O protagonista de Memória de minhas putas tristes, de Gabriel Garcia Marquez, vai mais longe, ao desejar uma garota virgem.Mesmo com uma saúde de ferro aos 89 anos, isso seria o presente mais inusitado, mas Rosa Cabarcas, amiga do nosso caro jornalista, consegue tal façanha.mesmo sendo dona de bordel, não foi tarefa das mais fáceis encontrar uma garota virgem para um velho.Que na primeira noite, não conseguiu absolutamente nada.Pois Degaldina, assim como ele a chamava, estava quase sempre adormecida.

E nesta trama onde amor tornou-se mais importante que diferença de idade, desenrola a história narrada em primeira pessoa.Que apesar de não ter agradado aos críticos, é um grande pequeno livro.Um dos grandes arcos de Memória de minhas putas tristes, de Gabriel Garcia Marquez, é um assassinato que acontece no bordel, levando a relação entre os personagens ao extremo.Alguns temas são abordados com frequência, entre eles a idade, juventude, solidão e amor.

O jornalista sempre pagou por sexo, a vida toda frequentou bordéis.Pois assim achava mais conveniente.O destino então pregou-lhe uma boa peça.Confiram Memória de minhas putas tristes, de Gabriel Garcia Marquez.

Abaixo um trecho desta pérola do Gabu:

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No ano de meus noventa anos quis me dar de presente uma noite de amor louco com uma adolescente virgem. Lembrei de Rosa Cabarcas, a dona de uma casa clandestina que costumava avisar aos seus bons clientes quando tinha alguma novidade disponível. Nunca sucumbi a essa nem a nenhuma de suas muitas tentações obscenas, mas ela não acreditava na pureza de meus princípios.

Também a moral é uma questão de tempo, dizia com um sorriso maligno, você vai ver. Era um pouco mais nova que eu, e não sabia dela fazia tantos anos que podia muito bem estar morta. Mas no primeiro toque reconheci a voz no telefone e disparei sem preâmbulos:

– É hoje.

Ela suspirou: Ai, meu sábio triste, você desaparece vinte anos e volta só para pedir o impossível. Recobrou em seguida o domínio de sua arte e me ofereceu meia dúzia de opções deleitáveis, mas com um senão: eram todas usadas. Insisti que não, que tinha de ser donzela e para aquela noite. Ela perguntou alarmada: Mas o que é que você está querendo provar a si mesmo? Nada, respondi, machucado onde mais doía, sei muito bem o que posso e o que não posso.

Ela disse impassível que os sábios sabem de tudo, mas não tudo: Virgens sobrando neste mundo só os do seu signo, dos nascidos em agosto. Por que não encomendou com mais tempo? A inspiração não avisa, respondi. Mas talvez espere, disse ela, sempre mais sabichona que qualquer homem, e me pediu nem que fossem dois dias para revirar o mercado a fundo. Eu repliquei a sério que numa questão dessas, e na minha idade, cada hora é um ano. Então não tem jeito, disse ela sem o menor fiapo de dúvida, mas não importa, assim é mais emocionante, merda, deixa que eu telefono em uma hora.

[Memórias de minhas putas tristes – Garcia Marquez]

Enquanto Agonizo de William Faulkner há mais de 80 anos perturbando gerações

Calma lá… não é bem isto o que o título quer dizer. Enquanto Agonizo de William Faulkner, tem uma história tão intensa e dramática que perturba qualquer ser humano com um pouco de consciência e bom senso.

William Faulkner foi um dos expoentes na recriação de cenários decadentes no sul dos Estados Unidos, mostrando tanto as batalhas diárias, quanto o lado mais negro e mesquinho de pessoas reais que habitam lugares insólitos, distantes do resto do mundo.

O poderio bélico de William Faulkner é devastador, mesmo através da polifonia dos personagens, ele consegue levar o leitor até a última página com maestria.Numa intensidade, capaz de impossibilitar o abandono de qualquer um de seus livros.

William Faulkner

Mas deixando a conversa de lado, Enquanto Agonizo segundo Harold Bloom tem um dos melhores começos:

De todos os romances americanos do século XX, o que tem o começo mais brilhante é Enquanto Agonizo… o começo pressagia a originalidade do livro que mais surpreende de seu autor.(Harold Bloom)

Enquanto Agonizo de William Faulkner, foi publicado em 1930, se passa no sul dos Estados Unidos e narra a “Epopeia dos Bundren”, uma família desestruturada e paupérrima, que percorre um longo percurso para enterrar a Matriarca da família, Addie Bundren.

Cada um com suas respectivas deformações psicológicas e patológicas, tentam a todo custo realizar o ultimo pedido de Addie Bundren, ser enterrada em Jefferson, sua terra natal, ao lado dos seus parentes. Anse, o marido, leva os filhos Jewel, Darl, Cash, Dewey Dell e Vardaman nesta empreitada complexa e repleta de desavenças, por inúmeros motivos banais.

Com um final incrível, de deixar com o queixo caído, este pequeno grande romance, com cara de novela, vale cada página.Os capítulos são divididos, por cada personagem e suas respectivas visões a respeito desta viagem, que mudará o rumo da vida de toda a família.

“Minha mãe é um peixe”.(p.75) VARDAMAN.

Vale lembrar que a história não é linear, como som e fúria, é uma leitura dura.Mas que ao terminar vale a pena.Fica a dica, leiam Enquanto Agonizo de William Faulkner.

7º Moagem Rock ou banquete de Platão?

Sábado, 09/04/04 noite agradável embora estivesse rolando um rodeio em uma cidade vizinha.Rodeio sabe? Aquele lance que um pífio senta em cima de um touro e detona o animal sem motivo aparente, existem pessoas e pessoas…Mas voltando ao 7º Moagem Rock, houve uma intervenção radioativa auto denominada sopa de papelão.Os caras do Churumi, do time da casa, tocando vários covers de requinte.Bom gosto regado ao bom-humor que só estes caras possuem.Bonito de se ver.

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Na sequência, Deskraus chutando o balde cheio d’água, com toda ferocidade que uma banda punk deve ter.Com performance mágica, destaque para Fabiana Ramos, frontwoman bragantina, destruiu com performance e carisma de sempre. A nova formação é o puro creme do milho.Não deu para ir no 7º Moagem Rock? O Rarozine Fest é 28/05 na Casa Auá em Bragança Paulista, acompanhem os passos desta banda.

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Fotos por Beatriz Martins
deskraus
Fotos por Beatriz Martins
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Fotos por Beatriz Martins

 

A terceira banda da noite, foram os garotos do Peixes Fritos, diretamente de Piracaia, com uma sonoridade entre o Grunge e o Punk Melódico.Riffs ganchudos, baixo bem marcado e bateria correndo como trem descarrilhado. Dispensa comentários, fizeram um show com muita gana.

peixes

peixes fritos

Albatroz, banda esquisita com as figurinhas carimbadas de Bom Jesus dos Perdões, é a mescla do Crasso Sinestésico com Churumi, tocando Fast HC/ Power Violence, com partes cadenciadas na vibe do Black Sabbath, som de louco.Encontrado apenas aqui na Seattle brasileira.Dia 28/05 prometem levar o Jason Voorhes na Casa Auá para tocar o terror.

Albatroz
Fotos por Beatriz Martins
Diegão
Fotos por Beatriz Martins

Fechando este rolê maravilhoso, o 7º Moagem Rock em um restaurante, coisa fina meus caros.My Silent God, um duo que foi sem dúvida, o destaque da noite.Meio death/grind/New Metal e sei lá o quê, detonou com um som brutal, com partes cadenciadas.Deixando a plateia sem o queixo, pois a mandíbula já havia caído faz tempo.Em resumo, bandas incríveis e que venha o próximo.Agradecimentos ao Daniel, proprietário do restaurante, as bandas e as pessoas que compareceram, a Beatriz Martins por ceder as fotos, ao German Martinez pelos vídeos e todos que fizeram este lance acontecer.

mysilentgod

Boom Boom Kid e Aquëles no Bar do Zé

Aquëles
Aquëles

Sexta 01/04, dia da mentira, noite agradável, prometia ser incrível e logo  começou com AQUëLES, um power trio de Campinas/SP formado em setembro de 2010 e que faz uma mistura endiabrada de hardcore/punk/garage. A formado por Eduardo (vocal/guitarra), Zazá (baixo) e José Felipe (bateria) lançou em 2014 o disco “Um Dedinho de Prosa, Dois Dedinhos No Cu”.

O disquinho com 18 canções que chutam a boca com os dois pés, fazendo aquela sopa de ritmos influenciada por bandas como Leptospirose, Muzzarelas, Merda, Os Pedrero etc. Letras bem-humoradas mas que não deixam de lado a forte crítica social. Apresentação contou com participações especiais, cover do Ramones, L7 etc. Banda linda de morrer.

Boom Boom Kid
Boom Boom Kid

Na sequência a trupe do Nekro incendiou palco, Boom Boom Kid mandou uma torrente com canções antigas e um maremoto com canções do Fun People, como Bad Influence, Vientos, Animo, Si pudiera, foi um show divertidíssimo. Com direito ao Nekro surfando no papelão e mandando beijos, dançando e tocando chocalhos como sempre faz. Showzaço!!!!