Carcaju lança “Gole” – Primeiro single do álbum de estreia da banda paulistana

Com trajetória de plateias lotadas em shows recentes por Teatro da Rotina e Casa do Mancha, o quinteto alicerça sua obra em expertise instrumental e poética personalíssima

 
          Gravada no final do ano passado – em meio aos primeiros registros do disco que debuta nas plataformas digitais em setembro de 2018 -, “Gole” é uma faixa central na narrativa criada pela banda paulistana, que alinha a mulher, a cidade e a natureza como os temas de suas composições. Formado em 2015 por Claudia Nishiwaki Dantas (vocais, composições e synth), Felipe Rezende (bateria), Ivan Liberato (violão, composições e backing vocals), Pedro Canales (baixo) e Rodrigo Passos (guitarra e backing vocals), Carcaju tem a gênese de seu nome no mito da mulher sagrada que surgiu em diferentes lugares mundo como la loba, luz del abyss, rio abajo rio e amaterassu omikami. Na lenda, Carcaju (do húngaro Rozsomák) recolhe os ossos das lobas que morreram e entoa seu canto para curar o que está doente ou carece de restauração. Assim, as lobas renascem e saem correndo pela floresta em sua nova forma: de mulher.
 
          Focado em sua campanha de financiamento coletivo que acontece via Catarse até meados de agosto, o grupo lança “Gole” – escrita por Claudia, produzida pelo próprio quinteto e gravada no estúdio Submarino Fantástico – como o respiro que antecede a imersão exigida pela turnê do disco. Composta inicialmente como um presente para a musicista/mais que amiga Alexia Evellyn, “Gole” tem sua gênese no saber tradicional – considerado “de raiz” – e versa sobre a auto-descoberta, principalmente feminina. 
 
          “Entender-se em sua individualidade, mas também compreender-se como parte de um todo, numa grande teia regida pela mãe-terra (…), sendo que uma descoberta está intrinsecamente relacionada à outra”, explica Claudia. Tida pelo grupo como uma canção mântrica por evocar, além da terra, a água como outro elemento que fundamenta a vida, “Gole” aborda a auto-descoberta como um processo complexo e libertador. “Sempre falo de água nas músicas porque tem algo de místico e eu sou muito atraída por isso. A gente aceita a água porque já faz parte, mas é das coisas mais loucas que existem. Pra mim tem a ver com nascer, morrer, medo, fascinação, forças que o regem e que não são desse mundo. Sempre que penso no mar tem gente e coisa saindo transformada e também gente e coisa que entra e não volta nunca mais”, contextualiza a vocalista, que não deixaria de elucidar também como o processo se dá sobre a perspectiva feminina: “O meu descobrimento pessoal veio muito de entender o que/quem eu sou instintivamente, sem o filtro social que molda a mulher contemporânea. Eu acho que a coisa mais natural e primordial que a mulher ainda faz hoje é menstruar (ainda assim, sendo abafada com perfumes, absorventes de plástico e anticoncepcionais) e foi a primeira coisa que eu abracei, o que incitou toda minha busca. Nesse início compreendi que o ciclo feminino de uma mulher está relacionado ao de outra, está relacionado a fases da lua e ainda a mais mil outras coisas.”
 
          Com engenharia de som de Luciano Tucunduva, mixagem e masterização de Fernando Sobreira Rala , “Gole” tem sua concepção visual assinada pelas artistas plásticas Marina Malheiro, Alice Veríssimo e Beatriz Leite. Misto de guitarra elétrica distorcida contraponteada com o violão acústico, batuques brasileiros e linhas de baixo elaboradas, o grupo ressignifica o diálogo entre vanguarda, rock progressivo e cultura pop com levada sofisticada de magia ancestral.
 
Acompanhe:
•  Ouça (Apple Music, Bandcamp, Deezer, Google Play, iTunes e Spotify – http://hyperurl.co/gole-single