Arte Urbana em Atibaia

Sangue novo nos rolês, conferimos quem faz acontecer nas artes urbanas na cidade de Atibaia, Rodolfo Ladini e Mayra Vasconcellos, não deixaram a peteca cair, mesmo depois de tantos artistas caminharem por este mundo, estes 2 produzem de forma extremamente artesanal.A arte de ambos tem ligação direta com DIY e o movimento Punk.

Atibaia é conhecida pelo cenário prolífico, graças a contribuição artística e o legado, que Matias Pícon deixou na cidade.Muitos aprenderam o ofício, do Silk-Screen ao Stencil, Stickers e Lambe-lambes espalhados, colorindo e caracterizando a paisagem urbana.Confiram a entrevista com a nova geração de artistas das ruas.

Links:
Mayra Vasconcellos
Rodolfo Ladini

Peixes Fritos – Histórias pra contar e um dedo de prosa conosco

Os garotos do Peixes Fritos acabaram de arrancar do forno, um debut com o título bem legal, Histórias Pra Contar é o álbum de estreia dos caras e conversamos um pouco com o Matheus, baixista da banda. 

Quando e de que forma surgiu o Peixes Fritos?

Nas férias de fim de ano de 2014 a gente começou a ensaiar! Mas a gente conta desde o dia 31/11 que foi nosso primeiro show no festival que organizamos aqui na cidade, o rock in pira!

A banda surgiu de composições trocadas entre o Yago e o Will, músicas levadas por sentimentos e rebeldia que compõem o primeiro álbum histórias para contar.

 Nossa primeira experiência com estúdio, carregada de vontade traz as músicas que representam justamente esse período onde foram compostas, com muito vigor e empolgação adolescente, cercadas por todas as influências da banda que engloba as vertentes do punk, flertes com grunge e o SKA e principalmente os anos 90 com um pouco de tudo nessa panela de comida do interior!

 

Porque o nome Peixes Fritos?

A gente se encontrava num impasse sobre o nome da banda, aí veio a ideia de por algo regional, e nossa cidade Piracaia tem o significado de peixe assado/frito e aí a gente só comprou a ideia de usar o nome da cidade! Hahaha

 

E o lance do Yago e o Will serem multi-instrumentistas, agrega na hora compor as canções?

Agrega demais, pois a gente não achou um batera e o nosso grande amigo Yago vem segurando essa onda desde lá! E ajuda na hora de montar as estruturas das composições, e o fato dos dois tocarem junto as músicas a muito tempo já deixam as músicas bem trabalhadas!

 

Principais influências do Peixes Fritos?

As influências principais vem de tudo que a gente teve acesso por Rádio ou TV, Offspring, Raimundos, NOFX, CPM22, Blink 182,T he Clash, Ramones

 

Dicas para os marinheiros de primeira viagem?

Acredito que para as bandas que tão começando agora, o melhor conselho é tentar construir dentro da sua cidade ou região um movimento e um intercâmbio de público e banda, que é o que a gente está tentando fazer por aqui! E também que nunca esperem por nada ou ninguém, que façam seus próprios roles e festivais!!

Fanpage do Peixes Fritos

 

Lucky Lupe – duo instrumental de Post-Rock direto de Portugal

Entrevista com David Ferreira, guitarrista/baixista da banda portuguesa Lucky Lupe.

LuckyLupe

1 – De onde vem o nome Lucky Lupe?

O nome surgiu de uma brincadeira, Lucky = Sorte (no início da banda e por falta de experiência com o nosso formato, era uma sorte acertar bem as gravações dos Loops, daí o Lucky), Lupe- em associação aos loops não queríamos que fosse tão obvio daí pensámos em Lupe que soa parecido com Loop 🙂

2 – Por que um duo?

Bom, um duo porque achamos que era o suficiente, eu toco o doubleneck de guitarra e baixo mais os synths e controlo os loops, e o baterista ficou com a bateria acústica e o SPDSX. O fato de serem só 2 também facilita no processo criativo no sentido que há mais espaço para a criatividade individual, numa banda de 4 ou 5 elementos já é muita gente a dar ideias ….

3 – Como foi o processo de gravação do EP?

Foi bem simples, fizemos uma pré-produção com todos os temas que queríamos gravar, fizemos uma espécie de “guias” e o baterista gravou primeiro as baterias, e depois gravamos o resto dos instrumentos, foi tudo feito em 2 dias no nosso estúdio, com o apoio de um amigo (Bruno Plattier) que tratou das captações, misturas e masterização)

4 – Como funciona ao vivo, já que é um duo e o som da banda é repleto de texturas e programações?

Se fores ver qualquer um dos nossos vídeos, vais reparar que é tudo tocado em real time, ou seja, não há nada pré-gravado ou programado, todos os sons são tocados na hora, ao vivo é só uma questão de estarmos MUITO bem ensaiados e com a cabeça e ouvidos no lugar 🙂 , é meio pesada a coisa principalmente para mim que tenho de me lembrar de todas as malhas, acertar todas as gravações nos loopstations, ter de me lembrar que pedais tenho de ligar/desligar, os sons dos synths, tocar bem as coisas e tentar divertir me um pouco, uma vez num show nosso no CCSP uma das bandas que tocou conosco veio falar comigo e a dizer qualquer coisa do tipo: Cara nesse seu trampo não dá para tocar chapado, foi uma grande risada porque é verdade, tens de estar totalmente focado na coisa, senão vai correr mal 🙂

5 – Fale-nos sobre as influências da banda?

As influencias são na verdade todo o nosso percurso enquanto ouvintes de música, e como músicos, seria injusto nomear uma ou outra banda, porque na verdade ao longo da nossa vida já escutamos tanta coisa que nos agradou e influenciou que se torna meio difícil dizer uma ou duas bandas ….

6 – Quais os planos do Lucky Lupe para 2016?

Os nossos planos são continuar a promover com shows o disco de estreia, saiu no Brasil dia 3 de dezembro de 2015 e em Portugal dia 7 de janeiro, é bem recente, além disto queremos acabar umas músicas novas para as gravar no decorrer de 2016, a nossa ideia será ter novo disco cá fora no final de 2016

7- Diz aí, 5 livros/HQ’s, 5 filmes e 5 discos favoritos que você levaria para uma ilha deserta?

Pergunta difícil… Bom, o Show do Jeff Beck no Ronnie Scotts de Londres é sem dúvida a melhor aula de guitarra que já assisti na vida, é de fato maravilhoso, levava esse DVD, depois levaria qualquer um dos 4 primeiros discos dos Van Halen (foi por culpa deles que comecei a tocar guitarra), levaria também um disco dos Police, um disco dos Kraftwerk, talvez o Substance dos Joy Division, um disco dos Rolling Stones, o Breezin do George Benson, o Nevermind dos Nirvana… acho q já passei a conta eheheh… levava aqueles clássicos que me marcaram….

8-Qual mensagem/conselho você deixaria aqui para bandas iniciantes?

Bom, o principal é fazerem musica porque gostam de fazer música, estar na música por amor á música e não porque querem ter sucesso ou ser famoso… Não desistir, fazer a música que gostam, e procurar aprender o mais possível, como? Escutando muita música!!!

Fanpage do Lucky Lupe

Canides – Indie Rock Gaúcho para vocês!

Canides Show

1-Antes de qualquer coisa, Canides é um nome curioso, conte-nos o motivo para ter escolhido este nome para banda?

A gente acha legal a pronúncia de “Canides”, uma variação de canídeos.

2-Indie Rock em português é bem legal, conte-nos por que escolheu a última rosa do lácio para cantar?

O português é o idioma que a gente domina e consegue se expressar melhor com ele. E achamos que a língua soa bem.

3-Qual foi o processo de composição para gravar o EP Azar de uma vida inteira?

O EP foi feito com uma canção bem antiga nossa, Azar de uma Vida Inteira, uma das primeiras que compomos como Canides, junto com 2 canções novas, “Rádio” e “Me Perdendo” (que a gente fez algumas semanas antes de entrar pro estúdio). O processo de composição num geral é bem parecido. O Alves (baterista) sempre escreve coisas muito legais e nos mostra, então o Felipe (guitarrista/vocalista) faz uma melodia que combine com a letra e leva pro ensaio. Daí o Borba organiza a música e tá pronta. A gente pegou as canções que achamos que mais fechavam com o que a gente queria no estúdio e botamos no EP.

 Azar de uma vida inteira

4-E que equipamento foi utilizado na gravação?

A gente usou o equipamento do Planta Estúdio de Gravação, um estúdio com equipamentos de alta qualidade, com uma mesa de som analógica que fez toda a diferença no resultado. A gente já tinha gravado nosso primeiro EP lá e ficamos muito amigos do produtor Felipe Prado, então decidimos continuar o que estava dando certo.

5-Vocês gostam de cachorros? Todas as capas possuem cachorros, é um lance meio Mudhoney?

A gente adora cachorro! As capas são desenhos de cachorro feitas pelo Alves (baterista) e referem ao nome da banda.

6-De que forma vocês estão divulgando o EP Azar de uma vida inteira?

Nós fizemos um show de lançamento em Canoas, onde a gente mora, e vamos fazer outro em São Leopoldo no dia 1/11, uma cidade que sempre nos acolheu muito bem. Além disso, alguns sites e blogs estão ajudando na divulgação, como o Duofox!

7- Diz aí, 5 livros/HQ’s, 5 filmes e 5 discos favoritos que você levaria para uma ilha deserta?

A gente vai falar só 3 de cada pra cada membro da banda falar 1.

Alves: livro: “O Guia do Mochileiro das Galáxias”; filme: “Rocky”; disco: “Famous Monsters” do Misfits.

Borba: acho que um livro que eu levaria seria “Os 100 Segredos das Pessoas Felizes”, o filme seria “Marley e Eu” e o disco provavelmente “On An Island” do David Gilmour.

Felipe: eu levaria o livro “Submarine” do Joe Dunthorne, “A Ilha Do Medo” seria meu filme e com certeza levaria o “Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not” do Arctic Monkeys.

8-Qual mensagem/conselho você deixaria aqui para bandas iniciantes?
De que forma podem produzir seus discos e divulgá-los?

Apenas que… Busquem conhecimento. E gravem com quaisquer recursos disponíveis, acreditem no seu trabalho. A gente começou gravando em casa sem saber direito como mexer nos programas. Era engraçado, mas frustrante. Isso fez a gente aprender muito sobre música e crescer como artistas.

Valeu pela entrevista, Duofox! Pedimos para que os leitores nos procurem na rede mundial de computadores, curtam a nossa página, assistam aos nossos vídeos no youtube e ouçam o nosso novo EP. A gente botou muito esforço nele e ficamos bem felizes com o resultado!

Links:

Transtorninho Records – Recife é experimental, Indie e Shoegaze

Poster

1-    Fale sobre Transtorninho Records, quando foi fundada e porquê Transtorninho?

Rapaz, a Transtorninho completou um ano esses dias, ou seja, foi fundada em meados de agosto de 2014. Eu e o Smhir começamos a morar juntos em Recife e sentíamos muita falta do rolê. Em Maceió (de onde a gente é) sempre ou quase sempre tocávamos. O Smhir fazia parte do Coletivo Popfuzz, que já foi um selo também. Eu toco em banda desde que tenho 14 anos. Ele também. Daí aconteceu que decidimos começar a fazer as coisas – o que foi algo de maneira bem natural. Simplesmente queríamos tocar e ver bandas do nosso estilo tocando, conhecer pessoas, espalhar nossa mensagem… Daí Danilo apareceu na nossa vida usando umas camisas de banda independentes no CAC (centro de artes e comunicação da UFPE – onde estudamos todos). Montamos o Amandinho com Jonnhy que tava instigado em aprender mais bateria e tudo virou uma coisa só. Amandinho, Transtorninho, e o que mais você disser no diminutivo.

2-    Como é o rolê de Recife, em termos de Indie e música experimental?

O rolê aqui na verdade é paia – como eu imagino que seja em muito canto por aí. Em termos de indie rock então… No independente estamos fazendo nossa parte e vendo que algumas pessoas estão se agitando, colando nos eventos, comprando CD, pegando zine… Tá funcionando. Apesar de não termos, por exemplo, um lugar fácil de fazer evento. A maioria dos bares não facilitam, lógico, cover dá dinheiro. Mas existem espaços legais que estamos descobrindo aos poucos, como o Casarão das Artes, que fica no centro. Aqui tem pessoas que tocam e fazem o rolê delas, mas não temos muito contato. Sei lá a gente gosta dos emo

3-    Como você viabiliza o selo numa época em que poucos compram discos?

Bem, vejo os discos como algo de valor simbólico mermo. Eu só compro disco de banda independente pra ajudar elas, mas se fosse outro produto – sei lá, um pôster – eu iria gostar mais. Penso assim, eu não uso mais CD pra nada, nem sei por que as pessoas usam. Só escuto música no computador e no celular. Apesar disso, continuamos fazendo discos – em tiragens limitadas, detalhadamente construídos, como algo mais afetivo mesmo, sei lá.

Fanzines

4-     Como funciona o trabalho no selo?

Encontramos bandas que acreditamos estarem dentro da ideia do selo, entramos em contato (ou elas entram conosco, como aconteceu recentemente com o Magic Crayon), subimos o disco delas no nosso Bandcamp, fazemos o mailing, a divulgação na internet e – quando é álbum cheio – fazemos os cd’s ou, por exemplo, ajudamos na produção – como aconteceu com o Empate, que compramos os CD’s antes deles existirem pra que eles pudessem existir. É isso

5-    Grande parte das bandas não cantam na última flor do lácio (português)? É uma característica do selo?

Ha ha eu nunca tinha ouvido essa expressão. Na verdade não, eu inclusive, diferentemente do Smhir, prefiro música em português. Não temos preconceitos. Música instrumental não é universal.

6-    Quais as bandas do selo, possuem mais destaque entre a galera, as que possuem um som mais indie, shoegaze ou as experimentais?

Velho, nosso disco mais baixado no bandcamp até hoje foi o do 151515 (projeto que coincidentemente é meu, retrato da minha adolescência, outra história), que é bem indie, lofizão. Depois temos nosso shoegazer favorito, o Cláudio Romanichen, com seu projeto Lindbergh Hotel.

7-    Fale um pouco sobre as bandas Nova MPB, Amandinho, Lindberg Hotel e Magic Crayon?

O Novampb é uma viagem maluca que se passa na cabeça do nosso amigo Smhir Garcia. Barulho, pop, springbreakers, noise, dream pop, reggae alagoano e muito mais tem nesse último disco dele.

O Lindberg, como eu disse, é o projeto do Cláudio, que apareceu em nossas vidas graças à grande rede de computadores – a internet! É um maluco que adora as coisas boas da vida que não machucam os outros, manja muito dos anos noventa, toca bem pra caramba e usa o som do carro pra mixar suas canções.

Amandinho é simplesmente “de nóis pra nóis” – a banda é formada pelas mesmas pessoas do selo e estamos sempre juntos e tentando arrumar shows. Gravamos nosso EP em casa com ajuda de poucos amigos, mixamos e masterizamos com um fone de ouvido e é isso aí. Existe.

Magic Crayon! Os caras surgiram do nada na nossa página, mandando o som. Curtimos, trocamos ideias, lançamos e é isso, os caras são 10 e vão lançar um disco cheio esse ano ainda se não me engano.

8-     Dicas para iniciantes, que pretendem gravar e viabilizar a distribuição de discos ou ep’s.

“Sejamos iniciantes juntos!” Acho que o mais importante é fazer – de qualquer jeito, de qualquer forma. Importantíssimo também é fazer do seu jeito. Críticas e sugestões são ótimas pra se conseguir fazer um trabalho melhor, mas às vezes é preciso não dar ouvido aos outros, colocar um fone que não tem grave nenhum, mixar usando a versão demo Audacity (nem sei se existe versão demo desse programa haha) e tentar colocar o máximo de sinceridade no som. A dica é: peça dicas, nos deem dicas, criem dicas, passem dicas e não desistam nunca. É isso!!

Transtorninho Records no Facebook
Transtorninho Records no Bandcamp

Leonardo Panço – Guitarras, cadernos e outras histórias

Panço
SCREAM & YELL

1-Quem é o Leonardo Panço?

Um gordinho do subúrbio do RJ que toca guitarra, faz discos que alguns amigos ouvem, livros que um pouco mais de amigos leem, gosta de tomar cerveja, viajar, mas tem medo gigante de avião e precisa tomar remédios pra voar. Mais ou menos isso.

2-Você gosta deste lance de diário de bordo?

Olha, meu livro fez todo o sentido do mundo na época, gostei muito de fazer, de reler, espalhar, teve um certo pioneirismo eu acho, algum tipo de importância. Algumas pessoas lançaram livros parecidos depois. Cinco anos depois eu escrevi sobre uma tour dos Replicantes e esse texto ainda não saiu. Espero que saia no ano que vem, no máximo. Mas hoje eu não faria um outro nos mesmos moldes, acho que acaba se repetindo. Pelo menos eu me repetiria.

3-Por quê escrever em primeira pessoa?

No livro do Jason tinha tudo a ver, né. Uma experiência absolutamente muito pessoal. Já o Caras dessa idade já não lêem manuais, nem todo é na primeira pessoa, muitas coisas que são, na real são ficção, né. Mas é um pouco do meu estilo, eu acho.

 Jas0n

4-Fale um pouco sobre sua formação no jornalismo?

Rapaz, fui lá na faculdade, não me esforcei tanto assim, e um belo dia eu estava formado. De qualquer modo, bem antes disso eu já escrevia em zines, revistas, até jornal mesmo. Não queria ter um emprego fixo pra poder tocar, sair em tour, mas acabou acontecendo um convite, não pude recusar por estar na miséria na época, e lá se vão 14 anos empregado.

5-Qual a importância do livro Esporro para cena underground do Rio de Janeiro?

Ahahaha, muito pouca, eu acho. É meu livro menos vendido, fala de uma época muito específica, dois anos no geral. O alcance foi bem limitado.

6-Como foi o processo de composição do disco tempos?

Eu tenho essa ideia de um disco meu com vários cantores há muitos anos, mais de dez, antes de sair o (disco do) Probot do Dave Grohl, o solo do Slash, que são propostas parecidas, não? Mas tudo que eu fiz nesses anos todos foi para o Jason, então precisou eu sair de lá, esfriar e fazer outras coisas. Depois que saí, acho que a guitarra ficou na casa do Flock uns três meses e depois mais uns três na minha casa sem eu ter prazer. Tocava e achava chato, não curtia. Até que em algum momento foi voltando o prazer, os riffs foram aparecendo, fui tocando e montando as partes. Acho que no segundo semestre de 2010. E daí foi levando o tempo necessário pra amadurecer a vontade, achar que era um disco, que tinha faixas suficientes, que gostava dos riffs. Sempre tocando só quando tinha vontade, o que era essencial.

Então esse disco só existe porque foi todo composto no meu sofá do quarto dos fundos. Depois é que que levei pros três caras que tocaram as bases comigo para a gente arranjar. Isso tudo num tempo recorde de três dias. Os três também ex-Jason. O David (baixista), que gravou o quarto disco, o Fábio Brasil (bateria, hoje no Detonautas), que tocou no terceiro do Jason, em sete faixas, e o Pedro Schroeter (bateria) nas outras cinco faixas. O Pedro foi o cara da tour gringa de 2001, que ao final decidiu não voltar e que acabou morando dez anos na Suíça.

Tem a ver com angústia, ansiedade, neuroses. A vontade de registrar o que eu ia criando. Alguns desses riffs eu toquei quase que diariamente por dois anos até gravar. Tanto que em um dia a gente gravou um ensaio, passou tudo. Fiquei mais leve, sem aquilo de peso. Talvez se parasse ali, já teria até funcionado. Mas aí acabei achando que “ah, por que não fazer um disco? ” É capaz que vá gostar. E foi, sempre com as minhas regras de relaxamento, sem estresse, levando o tempo que fosse necessário. Então, do primeiro ensaio até sair foram 16 meses. Não teve pressão nenhuma.

 pitty

7-Como é seu processo de escrita? Como é seu workflow no dia a dia?

Não sei o que é um workflow, mas algo me diz que não tenho um. Escrevo quando acontece, às vezes não escrevo uma linha por seis meses. Nos últimos tempos escrevi praticamente nada exatamente porque preciso primeiro terminar o disco e o livro novos, é um trabalho gigantesco. Mais de um ano já. Então só vou conseguir escrever de novo quando isso for publicado.

8-5 discos, 5 filmes e 5 livros que você levaria para uma ilha deserta?

Cinco discos do momento então pra mudar um pouco, e não os clássicos.

  1. Impossível Breve da Jennifer Souza
  2. Real/Surreal e Éter, ambos do Scalene
  3. Nadir do Facada
  4. Eterno Treblinka – Looking for an answer

Filmes

  1. Quase famosos
  2. Warriors
  3. Pulp Fiction
  4. Relatos Selvagens
  5. Cidade de Deus

Livros – Praticamente nunca releio livros. Sempre priorizo um inédito, então capaz que não tenho os que eu li várias vezes. Alguns que marcaram muito foram Cartas na Rua do Bukowski e On The Road do Kerouac. Esses deram vontade de sair por aí de carona, tomando umas com um bloquinho e escrevendo as loucuras. Em menor nível foi o que eu fiz. Dois dos meus livros foram escritos em duas temporadas pela Europa, uma tocando e a outra viajando de lá pra cá, meio perdido mesmo. Foi bastante angustiante, mas enquanto experiência e inspiração, esses últimos 90 dias que geraram o ‘Caras’ foram essenciais. Penso sempre em refazer. Feliz Ano Velho marcou bastante também. E nos últimos tempos dois livros feitos por roqueiros gostei demais mesmo. O do Duff do Guns e o do Bob Mould. Cada um por seu motivo especial.

9-Dicas para marinheiros de primeira viagem.

Fazer o que gosta é essencial e se dedicar também. Dinheiro pode ser consequência. Ou mesmo nem nunca chegar. Então faça o que quiseres, pois é tudo da lei.

Contato:leonardopanco@gmail.com
Confira o trabalho solo do Leonardo Panço

Bichano Records – O selo carioca para fãs de HC melódico e suas vertentes

Ovazio

1-Fale sobre a Bichano Records, quando foi fundada e porque possui este nome?

A Bichano ganhou vida no começo de 2014, após uma viagem à São Paulo em que fiquei na casa do meu amigo e guru do “do it yourself” Marcelo Mamaa (doppelgangers!, E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante). Eu já tava na pilha de começar um selo porque acompanhava o trabalho de pequenos selos da gringa, como a Driftwood Records, Too Far Gone Records, etc., especializados em lançar bandas pequenas em fita K7 e vinil. Eu pensava: “eu posso fazer isso também!”, aí o mamaa me deu o empurrão final para fundar a Bichano. O nome veio pra combinar com a imagem que queria usar de logo, o gatinho usando uma camisa do Title Fight criado pelo Guilherme Freitas.

2-Como é a cena no Rio de Janeiro? O Lê Almeida com Escritório costuma agitar por aí, não é?

Cara, aos trancos e barrancos a gente tem conseguido sobreviver. O Escritório, da Transfusão Noise Records simplesmente revolucionou o rolê por aqui. O Lê sempre abre o espaço pra nós e pra uma porrada de bandas novas do Brasil todo, sem ele muita coisa não aconteceria. Pra quem não sabe, o Escritório é um quartinho minúsculo no centrão da cidade, mas que é o lugar mais acolhedor da Terra, você se sente teletransportado pra Portland dos anos 90, onde tudo tava acontecendo.

Outros dois picos muito importantes são a Audio Rebel, casa lendária em Botafogo que já recebeu shows do Ian Mackaye (quando ele veio com o The Evens), Joe Lally (também do Fugazi), Gigante Animal, Polara, entre muitos outros; e o pessoal da Parte Cinza que organiza o “Tente Mudar o Amanhã”, evento com shows, palestras e exposições que acontece na Dona Vegana, uma lanchonete vegana também no centro da cidade. É ótimo assistir um show comendo um salgadinho vegan.

Ovazio
Ovazio no Escritório

3-Como é ter um selo na ativa em 2015? Há uns 15 anos já achávamos um ato heróico, atualmente deve ser muito mais difícil?

Bom, a Bichano funciona muito mais como um hobby do que como uma empresa. Quando dá pra fazer as coisas a gente faz. DIY é assim, tem dia que dá e tem dia que não dá. Mesmo assim, é um tanto difícil: não se vende mais CD como antigamente, fica mais difícil pagar certos investimentos que são o que viabilizam as coisas.

A galera de banda e de selo tá sempre tendo que se adaptar às mudanças desse mundo cada vez mais caro, acelerado e digital, tendo que pensar em soluções criativas pra se manter vivos (shows de rua, vender rango vegan nos eventos, fazer merch com camisa de brechó, etc.)

4-Como funciona o trabalho no selo?

A Bichano é composta apenas por mim, mas nada seria possível sem a ajuda e o apoio de dezenas de bandas, amigos e contatos espalhados literalmente pelo mundo. “A gente” tenta atuar em várias frentes no que diz respeito às artes independentes, mas nosso foco é mesmo em música, show e zine.

Eu tenho muitos amigos e amigas que tocam em algumas das minhas bandas favoritas, muitos dos nossos lançamentos se encaixam nessa categoria. Mas também rola de gostar demais de alguma banda do outro lado do país, que eu mal conheço as pessoas, e acabar entrando em contato pra saber se não gostariam de fazer parte do selo. Tem também o caso em que alguém que eu não conheço me envia uma banda maravilhosa que eu nunca ouvi falar, e é amor à primeira vista (como foi com os meninos da Memorial, de Curitiba).

Quanto aos shows, a gente tem uma rede de contatos bem extensa por todo o Brasil e até pela América Latina, então eu tento ao máximo colocar essas pessoas em contato. Isso funciona bastante quando uma banda sai em turnê e precisa de um show em algum lugar entre as cidades x e y, por exemplo.

Às vezes a gente faz show de bandas muito queridas, que sempre quisemos ver em nosso Estado, e passamos meses planejando toda a logística (como está sendo a turnê da Nvblado no sudeste), e às vezes é algo de oportunidade, como o show dos costa riquenhos da Overseas que vamos fazer na Audio Rebel numa segunda-feira de setembro: os caras vão acompanhar a turnê sul americana do Title Fight e precisavam de um show de dia de semana depois de tocarem com os caras em São Paulo num domingo.

Overseas

A gente pegou e fez. Quanto aos zines, qualquer pessoa que faça zine pode nos enviar físico ou digitalmente que vamos ter o prazer de copiar e distribuir nos shows em que montamos banquinha ou por correspondência.

Nvblado

5-E a coletânea Diários Emocionais, terá um quarto volume?

Vai ter sim. A “diários emocionais” começou por conta de um grupo sobre real emo no facebook, o mamaa (que eu já citei aqui) deu a ideia de compilar as bandas da galera do grupo e chamar de “diários emocionais” em homenagem às “emo diaries” que a Deep Elm Records costumava lançar.

A Bichano surgiu meio que pra fazer isso acontecer. Desde então, já foram 3 coletâneas só com bandas nacionais que estão ou estavam na ativa na época de lançamento, passeando pelo real emo, screamo, post-hardcore, hardcore melódico, post e math rock, folk, entre outros. Agora no começo de setembro vai sair a 4ª edição, com 20 músicas de 20 bandas que produziram algo em nosso país nos últimos meses (algumas delas inéditas).

6-Quais as bandas do selo, possuem mais destaque entre a galera?

Bicho, não sei. Nós ajudamos a lançar o primeiro disco cheio da Parte Cinza, que é bem cultuada no rolê punk nacional. Aqui no Rio costumam pedir bastante show da galera do post-hardcore de São Paulo: We are Piano, Hollowood e Blues Drive Monster. Também tá rolando uma cena à la Gigante Animal em São Paulo que tá muito ativa, com a Raça e a Ombu. E a Nvblado, que estamos trazendo pela primeira vez ao sudeste agora em setembro e que vamos lançar o próximo disco, que é referência em real screamo no Brasil.

Parte Cinza
Parte Cinza
Parte Cinza
Parte Cinza
Ombu
Ombu na Audio Rebel (RJ) com a E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante

7-Dicas para iniciantes, que pretendem gravar e viabilizar a distribuição de discos ou ep’s.

APENAS FAÇAM! Se você gosta de alguma coisa que não é muito ativa/não tem aonde você mora, mete a cara e faz, senão ninguém vai fazer por você. Cria uma página no facebook, um bandcamp e já era. Tente colar nos shows, fazer amizades. Se não tiver nada disso na tua área, internet tá aí pra isso. E se precisarem de alguma coisa, podem sempre entrar em contato com a Bichano Records que vamos tentar ajudar ao máximo.

Bichano Records no Facebook
Bichano Records no Tumblr
Bichano Records no Bandcamp

Felipe Góes – Pintor brasileiro com estilo original e cores marcantes

duofox_MG_1880
Felipe Góes | Dissolução (Dilute) Solo exhibition
Central Galeria de Arte | Sao Paulo, Brazil October. 2014

1-Quem é Felipe Góes?

Sou artista visual, pintor.

 

2- De onde surgiu o gosto pela arte?

Sempre tive muito interesse por praticar desenho e pintura desde criança. Sou formado em Arquitetura na Universidade Mackenzie. Após a graduação, estudei história da arte com o Prof. Rodrigo Naves. Depois desse curso fiz uma viagem de estudo à Europa, para conhecer algumas cidades e entrar em contato com importantes Museus e coleções. Tive uma experiência muito forte quando pela primeira vez vi ao vivo uma serie de trabalhos do artista Mark Rothko, e decidi retomar a pintura.

 

3- Qual foi o motivo que te impulsionou para trabalhar com arte?

Depois dessa viagem, participei durante quatro anos de um grupo de estudo sobre pintura, orientado pelo Prof. Paulo Pasta. Nesse período comecei a participar de exposições coletivas, salões de arte e exposições individuais. As coisas foram se construindo, passo a passo, e ainda estão em construção.

 

4-Quais são suas influências, tanto na arte como na musica e no cinema?

As influências mudam com o tempo. Acredito que nos deixamos influenciar por pessoas e obras que de alguma forma podem colaborar com a construção de nossa própria obra. Tem um aspecto muito pragmático se pensarmos assim.

Pintores muito importantes para mim no Brasil são Volpi, Iberê Camargo e principalmente Guignard. Na pintura internacional sou fascinado pelo trabalho do Bram van Velde, Rothko, Matisse e Tuymans. Atualmente estou maravilhado pelos filmes do Andrei Tarkovsky e pela musica do Luis Gonzaga.

Mas as influências não se resumem somente a esses campos do conhecimento, tenho grande admiração por qualquer trabalho feito com paixão. Sou influenciado pela plasticidade do surfe de Gabriel Medina, pela obsessão de grandes empresários como Jorge Paulo Lemann, pela coragem de se reinventar de Pierre Fatumbi Verger, que nasceu na França viajou o mundo como fotografo, mas foi viver na Bahia e se converteu ao Candomblé. Admiro o matemático Artur Ávila, que prova que é possível ter ciência de ponta no Brasil, mesmo com a ausência de estrutura no país.

Por fim, uma grande influência é o Guimarães Rosa, que deixou uma marca importante na maneira de criar a partir do Brasil, de extrair algo do Brasil para a literatura que só poderia ser realizado aqui, não é apenas romance regionalista, mas também uma ambiciosa pesquisa de linguagem e poderosa criação artística. Obras como a de Guimarães Rosa não são apenas mais um livro na estante, sua obra está gravada em nosso sangue. Ser brasileiro não é a mesma coisa antes e depois de Guimarães Rosa, sua influência não atinge apenas aqueles diretamente ligados à literatura – críticos e escritores – mas assombra, como um fantasma, todos os campos de atuação na cultura brasileira.

 

5-De que forma e quando você desenvolveu seu estilo de pintura?

Penso que tenho um estilo de atuação no mundo, vivo uma contradição entre pensamentos metafísicos e o materialismo das coisas mundanas. Lidar com essa contradição me leva a uma obsessão pelo trabalho, é isso que tento pintar, mas nunca consigo, é sempre desastroso, mas é sincero.

Isso pode se manifestar visualmente de muitas maneiras, então ao invés de estilo de pintura, acho que podemos chamar isso de um problema primordial, algo parecido com sentir fome, você precisa comer para sobreviver, mas já que vai cozinhar, porque não fazer uma moqueca incrível? Acho que todos têm essa potência, mas muita gente prefere esquecer isso, viver uma vida mediana e comer pizza de micro-ondas.

 

6-Como é o seu fluxo de trabalho atualmente?

Acredito que a pintura não se faz somente enquanto estamos esfregando o pincel sobre a tela. As pausas são igualmente importantes, olhar para o que está sendo feito, deixar-se atravessar, pelo imprevisível, pelo inominável.

Levar isso as últimas consequências é assumir uma atitude de plasticidade com relação à vida, ou seja, a pintura não é feita somente no ateliê, mas também quando faço compras na quitanda, enquanto escolho flores para presentear minha esposa, em dar bom dia para o motorista do ônibus.

Não há como você ter uma obra ambiciosa, com profundidade espiritual e material, se você não leva sua vida com intensidade proporcional. A maneira como você vive e a sua pintura são inseparáveis.

 

7-Quais são as dicas para quem está começando, onde pode encontrar referências fora da internet (livros, revistas ou fanzines) e como poderia utilizar estas no dia a dia?

Sou muito jovem, então talvez não seja a melhor pessoa para distribuir conselhos. De qualquer forma, eu diria que o importante é trabalhar duro, vencer a preguiça e não se aproveitar dos obstáculos para justificar a inércia. Os obstáculos podem ser de ordem financeira, familiar, geográfica. É preciso buscar alternativas sempre.

Um exercício possível que lanço aqui é sugerir aos leitores irem imediatamente a qualquer biblioteca, sem saber o que vão ler. Isso pode mudar a sua vida.

Felipe Góes

Deskraus – Punk, arte e engajamento em Bragança Paulista

deskraus-duofox

1-Antes de qualquer coisa, qual a origem do nome da banda?

Quando nos juntamos para fazer um som, o nome da banda não foi uma das primeiras coisas em que pensamos. Mas, à medida que a coisa foi ficando séria, começamos a pensar em vários nomes. Queríamos um que expressasse mais ou menos o que somos, o que queremos, ideologicamente falando…Algo como Descaso Social, Desordem…até que depois de perdidos em tantas palavras, o Fê sugeriu “Skraus”, uma palavra que veio à mente dele de repente, sem significado algum. Então o Kadal sugeriu por o “Des” na frente, já que queríamos algo como “des” alguma coisa (rsrs). Então ficou Deskraus, que ao mesmo tempo que não significa nada, está relacionado a isso mesmo, não termos rótulos.

2-Como surgiu o Deskraus?

O Kadal e sua companheira Li, já faziam alguns experimentos musicais em casa, mas nada que engrenasse. Até que ele insistiu que ela pegasse a guitarra pra ele acompanhar com a bateria (hoje ele toca guitarra e ela bateria). E assim surgiram os primeiros riffs e a primeira música: Miséria. Isso foi em maio de 2014. Em junho chamamos o Fê para o baixo. Enquanto muitos assistiam aos jogos da Copa, aproveitamos o tempo ensaiando e criando. Entre julho e agosto convidamos a Fabiana para o vocal e assim sentimos que o Deskraus ficou formado.

3-As letras possuem temáticas como política e protesto, qual é a relação do Deskraus com o Punk?

Todos nós da banda, tivemos de algum modo, contato e simpatia com a cultura punk/libertária. Foi algo que fez parte de nossa formação mesmo enquanto seres sociais não conformados com as injustiças e contradições desse mundo. E hoje, ainda mais nos identificamos com as ideias libertárias, pois acreditamos que o mundo precisa de mais respeito às liberdades individuais.

4- Que relação estética ou conceitual do Deskraus com a arte?

A banda está Intrinsecamente relacionada com a arte, devido à nossa necessidade de expressar aquilo que sentimos e pensamos, então que seja pelas artes visuais, poemas e barulho.Acreditamos e apoiamos todas as formas de criação e produção da arte independente e de forma D.I.Y. (Do It Yourself = faça você mesmo).

5-Diz aí, 5 livros/HQ’s, 5 filmes e 5 discos favoritos que vocês levariam para uma ilha deserta?

Livros:

1984- George Orwell
Revolução dos Bichos, de George Orwell;
Laranja Mecânica – Anthony Burgess
A obra completa de Nietzsche
Sem tesão não há solução- Roberto Freire

HQ’s:

Sandman (Neil Gaiman)
V de Vingança (Alan Moore)
Wood & Stock Bob Cuspe (Angeli)
Rê Bordosa (Angeli)
Bob Cuspe (Angeli)

Filmes:

Terra e Liberdade
Tempos Modernos (Charlie Chaplin)
Nó que aqui estamos por vós esperamos (Documentário)
A Língua das mariposas
Tomates Verdes Fritos

Discos:

Dada (Discarga Violenta)
The Serenade is Dead (Conflict)
Alerta Antifascista/Ingobernables – Sin dios
In My eyes (EP) – Minor Threat
Kick out the jams – MC5

6- O que os fanzines representam para o Deskraus? Em termos de conteúdo, engajamento e educação.

Os fanzines são de suma importância, pois é através desses que temos acesso a verdadeira cultura alternativa, as pessoas com as quais nos identificamos e podemos assim divulgar o nosso trabalho assim como conhecer o que a galera anda produzindo e pensando. Temos um cenário muito rico e criativo que precisa desses elos (como os fanzines) para nos unir, proporcionando encontros, difundindo ideias e iniciativas únicas, que as mídias convencionais banalizam.

7-Qual mensagem/conselho você deixaria aqui para bandas iniciantes?

Apesar de a gente já ter tido outras bandas, essa também é uma banda nova, se pudermos dar um conselho, é se divirtam, façam com gosto e dedicação.

Fanpage do Deskraus

Dirijo – Hardcore de primeira direto de Campinas

rarozinefest-dirijo-duofox

rarozinefest-dirijo-duofox

1-Porque o nome Dirijo?

Primeiramente gostaríamos de agradecer ao Diego, Duofox, pessoal de Bom Jesus dos Perdões pela oportunidade, pelo contato, e pela amizade que está sendo criada. Dirijo segundo dicionário é o ato de conduzir, de coordenar a realização, seria coisas do tipo, “Vai rapaz, segue em frente”. Dirijo é uma palavra Indígena e Metropolitana ao mesmo tempo, o que casa algumas vezes com nossa personalidade. Além daquela coisa que hoje em dia existem várias bandas batizadas com nome estrangeiro. Nós somos Brasileiros, não vemos muitas bandas “gringas” com nomes em Português.

2-Como surgiu o Dirijo?

Oficialmente a banda se integrou por volta de Novembro de 2011.

Sempre aos Domingos rolavam aqueles ensaios sem compromisso na casa do Nê (baterista) aquela coisa de tocar por gostar de fazer um som e etc. Até então não tínhamos um Baixista, era só Tuco (guitarra) Cabs (guitarra) e Nê (bateria). Com base nisso foram surgindo aqueles primeiros Riffs, aquelas ideias de fazer virar uma música. O Cabs (guitarra) estudava na faculdade com o Biagio. Chamamos ele para “assistir” a um ensaio nosso e futuramente o rapaz veio a se tornar nosso Baixista. O conjunto musical nunca mudou de formação.

3-Sobre o entrosamento das guitarras e da cozinha da banda, vocês ensaiam com frequência?

Na banda existe aquele Livre Arbítrio, democracia. Ensaiamos conforme a disponibilidade de cada meliante. Normalmente ensaiamos duas vezes por semana devido aos compromissos extras de cada um, trabalho, faculdade, estudos, pós-graduação etc…porém estamos sempre tentando compensar quando deixamos de ensaiar, ou seja, o número de encontros aumenta. Mas a ideia é ensaiar cada vez mais, rola uma Cobrança Positiva de todos, o que é bom. Da para ver que todos se empenham legal. Intercalamos os ensaios no Estúdio com Ensaios “Acústicos” onde sentamos para criar/estudar/aperfeiçoar as músicas e sentir/ver como elas estão ficando.

4-Falem sobre o processo de criação e gravação do EP crie este hábito?

As músicas presentes nesse EP meio que foram as nossas primeiras composições. E como toda banda, queríamos ter um disquinho “físico”, nas nossas mãos, mostrar para as pessoas, distribuir por ai, enfim…Gravamos no Estúdios MB, localizado no condado de Barão Geraldo em Campinas, onde moramos. Gravamos com o nosso digníssimo amigo e parceiro Matheus Fattori (que toca na bela banda Lisabi). Uma experiência muito boa e gratificante gravar suas próprias músicas, uma espécie de Orgulho ver aquelas ideias se transformando em um disquinho…é meio que viciante. Estamos para lançar nosso Segundo EP, com mais 5 faixas, não muito inéditas pois já tocamos em nosso set. Mas em breve estará ai, disponível para download grátis, aquela coisa toda…

5- Como tem sido a receptividade do EP crie este hábito?

Acho que tem sido legal, não sei (haha), muitas pessoas têm nos falado críticas produtivas/construtivas sobre este EP. Claro que não é do agrado de todos, ainda bem. Serve de lição. Conseguimos sair em algumas matérias por ai das internet’s da vida. Saímos em alguns blogs como o do Rarozine, Nada Pop, alguns Zines de cidades por ai, além de algumas Coletâneas também, junto com outras bandas amigas nossas. Enfim, está sendo legal estar nesse meio musical com vários amigos e pessoas que correm juntos e envolvidos.

6- 5 livros, 5 filmes e 5 bandas?

– Livros:

Manifesto do Partido Comunista
Mais Pesado Que O Céu
Previsivelmente Irracional
Nunca Fui Santo
Caso dos 10 Negrinhos

– Filmes:

Clube Da Luta
Medo E Delírio Em Las Vegas
Os Infiltrados
Star Wars
O Abutre

– Bandas:

Led Zepellin
Nofx
Jimi Hendrix
Fugazi
Motorhead

7-Qual mensagem/conselho você deixaria aqui para bandas iniciantes?

Nunca deixe de tocar, se for o que realmente você quer, nunca pare. Nunca deixe que pessoas que não sabem o que é essa vida, acabarem com a sua vontade/sonho. Está repleto de pessoas que não entendem sobre “O que é ter uma banda”, e sempre acabam te criticando ou querendo ditar alguma regra que não é da importância deles, portanto não deixe que esses desavisados chatos sejam um empecilho no seu caminho. F*da-se eles, passa por cima, atropela mesmo. Nunca deixe de acreditar que você pode ir mais longe. Existe o amanhã. Ter Banda não é um campeonato onde uma é melhor que a outra, e vice-versa. Ter banda é a união, é onde todos se erguerem juntos e fazem acontecer. A união faz a força. Faça você mesmo, o lema clichê, que é a mais pura verdade. Muito Obrigado Diego Fernandes, todo o pessoal da Duofox, obrigado pela oportunidade, obrigado por abrir essa porta, tamo junto sempre, novos amigos, novas amizades. Esperamos nos encontrar em breve. Grande Abraço!!

DIRIJO.

Arthur Tuco – Guitarra/Voz
Alexandre Biagio – Baixo/Voz
Felipe Cabs – Guitarra
Ricardo Nê – Bateria

Dirijo Fanpage

Dirijo no Soundcloud



Coletânea Nada Pop: Heróis da Nação Falida

Nada Pop: 100 Álbuns de 2014 que você precisa conhecer

Coletânea: Attack – Brazilian Hardcore 2014