Top 10 Duofox – Os artigos mais lidos de 2016

Começando o ano com  the best of the beast aqui no nosso blog. Abaixo, o link para cada artigo, com breve citação. Esperamos que vocês gostem do Top 10 Duofox – Os artigos mais lidos de 2016.

1 – Edgar Allan Poe, ele é o número um do nosso blog, o artigo mais acessado vai para o autor do poema o Corvo.O artigo chama-se O Gato Preto, mitologia e misticismo na obra de Edgar Allan Poe 

Em um de seus contos mais populares, O gato preto , Poe traz à tona crenças obscuras que giram em torno de um felino negro, e que atormenta e traz diabólico infortúnio ao seu dono.

2 – Rafael Crespo, grande guitarrista, do Polara, Elroy, Aspen e Planet Hemp fica com a segunda posição de mais acessados de 2016 com o artigo, 10 coisas que Rafael Crespo pode nos ensinar sobre rock independente. 

Quando ouvi pela primeira vez o Polara – Não use o termo, pensei “que som foda” como esta guitarra soa assim? Sem um “zilhão de notas” ou “sem afinações em C”. Não imaginava que Rafael Crespo assumira não só as baquetas (no início da banda), como depois as guitarras, que nos próximos discos ficaram incríveis. Tocava não só no Polara, como no Elroy e no Aspen. Na época que comecei ouvir o Polara, editava um fanzine chamado El Obrero, que corria o interior de SP, infelizmente não conseguia fazer resenhas de bandas, pela falta de acesso etc. Posso dizer que com esta entrevista, que nunca imaginei que poderia acontecer, sinto uma realização pessoal, entrevistei um guitarrista que é versátil e econômico, formador de opinião e que gravou inúmeras bandas que dispensa comentários como Garage Fuzz, Againe, Pin-ups etc. 

3 – Stanley Kubrick arrasa com The Shining e ocupa a terceira posição com 8 Motivos para assistir O Iluminado de Stanley Kubrick 

Durante o inverno, um homem é contratado para ficar como vigia em um hotel no Colorado e vai para lá com a mulher e filho, contudo, o contínuo isolamento começa a lhe causar problemas mentais e ele vai se tornado cada vez mais instável e agressivo, ao mesmo tempo que seu filho passa a ter visões de acontecimentos ocorridos no passado dentro do hotel. 

4 – Na quarta posição, um artigo sobre cadernos?Isso mesmo!Daqueles onde vocês costumam anotar ideias, listas e até mesmo metas, desenhos etc.Sketchbook e Moleskine – Como anda o processo criativo? 

Sabe aquela ideia fantástica que você teve a noite, ou durante o trabalho, ou quem sabe durante uma conversa com os amigos? Pois então, a nossa mente às vezes nos prega peças e “aquela ideia” pode sumir “num piscar de olhos” se não colocarmos no papel. Quem é artista em geral – escritor ou desenhista – sabe disso. E nessa hora que contar com uma ferramenta simples, muitas vezes barata e preciosa garante que a sua ideia não vá para o ralo. 

5 – Na quinta posição, um pouquinho de português, não faz mal a ninguém, não é?
Figuras de linguagem, como entendê-las assistindo apenas um anúncio? 

Adorada pelos publicitários as figuras de linguagem mais utilizadas no dia a dia da profissão: são a rima, o ritmo, a aliteração e a paronomásia. 

6 – Sexto lugar vai para T. Rex da literatura brasileira, o imbatível Machado de Assis.
A semana – Crônicas escolhidas e a importância da obra de Machado de Assis 

Antes de qualquer coisa, haverá pessoas com o típico trauma de Ensino Fundamental e Médio dizendo primeiramente “Odeio livros de vestibular”. Logo em seguida haverá mais algumas pessoas dizendo que “Detesto o idiota do Machado de Assis, que escreveu aquele maldito livro chamado Dom Casmurro, que é chato pra cacete”. Então quebraremos aqui alguns paradigmas, reforçando porque você deve ler a obra do Machado de Assis. Aliás comecem pelas crônicas e contos, é caminho fácil e diversão garantida. 

7 – Sétimo Lugar vai para um francês, que mora no coração da equipe do Duofox, Victor Hugo.Por que ler Os Miseráveis de Victor Hugo é importante ?


Com personagens e enredo acima da média, conta a história de Jean Valjean, um homem muito azarado, com família numerosa, que foi condenado 20 anos a trabalhos forçados, por roubar pão, para dar de alimento aos seus sobrinhos. 

8 – Oitavo lugar vai para as pessoas que imaginam o microsoft excel, apenas como um software para criar planilhas. 10 incríveis obras de arte feitas no Microsoft Excel

Muitos conseguiram elevar o uso deste software de planilhas ( que a maioria de nós tenta evitar a todo custo ), a criação de obras de arte e recriações de nossos personagens favoritos de videogame, o Excel, finalmente foi utilizado para o bem, ahuhuhuh!!! 

9 – Nono lugar para os garotos e garotas, que sacodem atibaia com seus stickers, stencils, bombs e toda forma de arte, que espalham por esta cidade maravilhosa, Arte urbana em Atibaia 

Sangue novo nos rolês, conferimos quem faz acontecer nas artes urbanas na cidade de Atibaia, Rodolfo Ladini e Mayra Vasconcellos, não deixaram a peteca cair, mesmo depois de tantos artistas caminharem por este mundo, estes 2 produzem de forma extremamente artesanal.A arte de ambos tem ligação direta com DIY e o movimento Punk. 

10 – O décimo lugar, aquela dica básica sobre cores, que ninguém dispensa.
5 coisas que você precisa saber sobre as cores 

Não adianta dizer que laranja causa fome, vermelho energia, azul tranqüilidade e por aí vai.A ideia que temos de cor é culturalmente construída, ou seja, conforme aprendemos no decorrer de nossa vida que a laranja causa fome, somos induzidos por esse conceito. 

Agradecimentos de toda equipe do duofox, por nos acompanhar por mais um ano.

 

Trabalhe 4 horas por semana – Tim Ferriss

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Na correria do dia a dia, nos deparamos com a falta de tempo e o desgaste mental para executar todas as tarefas.Fato este, que todos acabam pensando o porquê de não possuirmos um dia com 48 horas.Mas Tim Ferriss, grande empreendedor, palestrante e escritor, criou uma forma de gerenciar muito eficaz, trabalhando apenas 4 horas por semana.

Como posso trabalhar apenas 4 horas por semana?

 

Claro que há um milhão de perguntas a respeito desta ideia de maluco, mas é possível trabalhar apenas 4 horas por semana e Tim Ferriss explica através de lições ao decorrer do livro.Se engana, quem acha que este livro é só para empreendores, se você é funcionário, também pode pensar em conceitos como micro-aposentadorias (ou poderíamos dizer, férias de meses em algum país ou estado diferente).

Algumas dicas do cara:

  • Comprar coisas só vale a pena se isso for útil para você otimizar a sua vida e o seu trabalho. Comprar por comprar não serve para nada. Só faz a gente trabalhar para pagar dívidas e se encher de objetos que não precisa.
  • Não é para ser o chefe nem o empregado, mas o proprietário.
  • Ganhar dinheiro para garantir segurança e contas pagas, mas também para realizar sonhos. O dinheiro só pelo dinheiro não leva a nada.
  • Ter mais qualidade e menos bagunça.
  • Não é para apenas se livrar do que é ruim, mas ir atrás do que realmente é bom para você.

Mais uma sequência de dicas do grande Tim Ferriss, mas desta vez de como tornar-se um expert sem ser um expert.

A construção de um expert: como se tornar um expert em 4 semanas

  1. Inscreva-se em duas ou três associações ligadas a RECEITA EM PILOTO AUTOMÁTICO I 131 área que você deseja que tenham um nome que soe como oficial. No seu caso, ela escolheu a Associação para a Resolução de Conflitos (www.acrnet.org) e a Fundação Internacional para a Educação de Gênero (www.ifge.org). Isso pode ser feito em cinco minutos na Internet com um cartão de crédito.
  1. Leia os três livros mais vendidos sobre seu assunto de interesse (pesquise o histórico das listas de mais vendidos no site do New York Times) e resuma cada um em uma página.
  1. Ministre um seminário gratuito de uma a três horas em uma universidade renomada próxima, usando cartazes para divulgar. Em seguida, faça o mesmo em braços locais de duas empresas conhecidas (AT&T, IBM, etc.). Diga à empresa que você ministrou seminários na Universidade X ou na Faculdade X e que é um membro dos grupos do passo 1. Enfatize que você está oferecendo esses seminários gratuitamente para adquirir mais experiência em falar em público fora do meio acadêmico e que não venderá produtos ou serviços. Grave os seminários de dois ângulos diferentes para poder usar as imagens em um futuro CD ou DVD.
  1. Opcional: Ofereça-se para escrever um ou dois artigos para revistas comerciais ligadas a sua área, citando o que você fez nos passos 1 e 3, para ganhar credibilidade. Se recusarem, ofereça-se para entrevistar um especialista conhecido e escrever a matéria – isso fará com que seu nome seja listado pelo menos como colaborador.
  1. Entre para o ProfNet, um serviço usado por jornalistas para encontrar experts para citar em matérias. Estabelecer RP é simples se você parar de gritar e começar a ouvir, Use os passos 1, 3 e 4 para demonstrar credibilidade e uma pesquisa on-line para responder a perguntas de jornalistas. Se feito corretamente, isso fará com que você apareça na mídia, de pequenos jornais locais ao New York Times e ABC News.

Tornar-se um expert reconhecido não é difícil, de modo que quero eliminar as barreiras. Não estou recomendando que alguém finja ser o que não é. Eu não poderia fazer isso! “Expert” é uma expressão midiática nebulosa e tão exageradamente usada quanto indefinível. Nos termos das modernas relações públicas, provas de expertise são afiliações em grupos, listas de clientes, créditos em textos e menções na mídia, e não pontos de QI ou ph. Ds. 

Trabalhe 4 horas por semana além de ser diversão garantida, é uma leitura leve e extremamente educativa, para empreendedores, empregados que estão de “saco cheio dos patrões”, pessoas que almejam viajar e sempre colocaram empecilhos, tais como filhos, empregos, preguiça ou falta de dinheiro.Boa leitura!!!

 

Georges Simenon, Sherlock Holmes à moda belga

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Embora tenha nascido em Liège, na Bélgica, em 1903, Georges Simenon deve ser considerado tão francês quanto Balzac, Victor Hugo ou Sartre. O próprio André Gide, na época de surgimento de Simenon chegou a apelidá-lo de o “Balzac de Liège”, tamanha a força de suas obras.

Berço literário da época, a França acolhia artistas de diversas partes do mundo, o que não foi diferente com o jovem Georges Simenon, que com 19 anos, resolveu se aventurar pelo país que usaria de laboratório literário para sua vasta obra.

Georges Simenon era um escritor prolífico.

 Segundo Pierre Assouline, biógrafo do autor, o belga escrevia horas a fio. Chegava muitas vezes a concluir um romance em apenas uma semana. Em uma passagem, produziu uma novela em pouco mais de 25 horas.

Ainda com relação ao seu processo criativo, cabe citar um fato curioso, que ocorreu quando a secretária de Simenon recebeu uma ligação do grande cineasta Alfred Hitchcock. A resposta dela ao grande mestre do cinema foi bem educada, algo como: “No momento ele está ocupado, acabou de iniciar um romance.” A resposta de Hitchcock foi ainda mais absurda. “Tudo bem, eu espero.”

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Os recursos narrativos de Simenon

Com relação aos recursos e elementos narrativos, Simenon não costuma inovar. Seus textos se assemelham muito com relação às tramas e cenários.

Em compensação, nada se iguala a capacidade de recriação de atmosferas, na análise psicológica e no estudo dos aspectos sociológicos das personagens.

Para um leitor já acostumado aos livros de Simenon, é possível perceber o estilo e sua habilidade em descrever sensações, construir diálogos enxutos, quase sempre os unindo a metáforas discretas.

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Maigret, Holmes ou Poirot?

Mas não há como falar da literatura de Simenon sem falar de seu personagem, o comissário de polícia, Jules Maigret, que foi o responsável por colocar Simenon num pedestal.

Diferente de seus “companheiros de profissão” Sherlock Holmes, de Conan Doyle e Hercule Poirot, de Agatha Christie, Simenon não fez de Maigret um gênio.

A figura de Maigret é a de um homem de verdade, e surge na cena policial como um personagem de oposição humanamente “real”, pois a vida que leva é realmente a de um homem socialmente comum. Ele tem uma esposa, algo raro na literatura policial, trabalha na polícia judiciária francesa, seguindo as regras da corporação, não costuma andar armado e muito menos tem agilidade para aplicar golpes de judô em algum criminoso.

Esse conjunto de aspectos faz de Jules Maigret um personagem único na literatura policial. A escola da literatura policial européia teve outros nomes e personagens que significaram alguma coisa dentro do gênero, porém, nenhum deles atingiu o patamar que Maigret.

A essência do mundo e o porn de Henry Miller

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Comparar a obra de Henry Miller (1891-1980) com a de outros escritores americanos chega a ser uma covardia.

Autor de romances, ensaios, relatos de viagens e considerado pela crítica como filósofo e crítico do mundo, Henry Miller extrapolou as formas e abalou a cena literária em uma época em que autores da estirpe de Hemingway ainda produziam.

Pode-se dizer que a história da literatura foi alterada com o surgimento do gênio Henry Miller, que enxergava o mundo como uma gigantesca bola de hipocrisia, e o tempo, como um tumor maligno que consumia o homem.

Marcado por uma época em que escrever era “fácil” e ter a obra reconhecida era uma árdua tarefa, sua obra foi severamente perseguida pelas autoridades de diversos países, a censura parecia sua sombra.

Mas qual o motivo de tanto alarde? Seus textos eram considerados imorais, obscenos e pornográficos.

Na realidade, Henry Miller era um escritor original. Possuía uma visão ampla do mundo, e seu pensamento com relação ao caráter humano era transparente, cru. Seus livros são verdadeiras autobiografias onde ele retrata o homem como um homem, na crueza do termo.

O seu reconhecimento como autor “pornográfico” surge pela exposição que faz de si mesmo. Narrar suas aventuras sexuais, artísticas e literárias, de forma direta e despida de qualquer pudor, chocava a muitos. Além do mais, durante grande parte da história da humanidade, o amor era tido como algo sublime, elevado ao mais alto grau de pureza, e misturá-lo ao sexo era o pior dos delitos.

Atualmente reconhecemos o direito do sexo unido ao amor e vice e versa. Henry Miller, porém, radicalizou ao tratar em seus textos, do sexo puro, sem uni-lo ao amor. Foi nesse ponto que o autor se jogou contra a sociedade e seus tabus.

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Suas obras mais conhecidas são os Trópicos de Câncer (1934) e Capricórnio (1939), onde Miller retrata diferentes fases de sua vida, e a trilogia da Crucificação Encarnada: Sexus (1949), Plexus (1953) e Nexus (1960), que são antes de tudo, verdadeiras obras de arte do pensamento moderno.

Em textos sempre de cunho autobiográfico e que abordam temas diversos, desde aventuras sexuais sem pudor a debates filosóficos e religiosos, Henry Miller mostra a razão pela qual, durante muito tempo, teve sua obra proibida também nos Estados Unidos. Mostra também, acima de tudo, por que é um dos mais polêmicos escritores que o mundo conheceu.

Moby Dick, uma metáfora da busca pela perfeição

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Pouco tempo antes de sua morte, em Setembro de 1891, Herman Melville não passava de uma névoa no universo literário americano. Segundo dados biográficos, poucas pessoas fora de seu convívio social tomaram conhecimento de seu falecimento. Entretanto, Melville, assim como Hemingway, Jack London e tantos outros escritores, teve uma vida marcada por aventuras e experiências únicas, que refletiram indiscutivelmente em sua obra.

Foi das inúmeras viagens a bordo de navios baleeiros que Melville fez nascer sua mais brilhante obra, e um dos maiores romances já escritos até hoje, que se destaca pelos temas que levam os leitores a uma série de reflexões filosóficas, religiosas e sobre a condição humana.

Obra prima da literatura norte americana, Moby Dick narra a trajetória do capitão Ahab e sua tribulação, a bordo do baleeiro Pequod, à caça da baleia branca, Moby Dick. O enorme cachalote branco, que domina as profundezas marítimas, é uma metáfora da busca pela perfeição, conhecimento e ponto central de diversos simbolismos. A longa epopéia pode ser lida como um grande documento filosófico e também um imenso relato da tragédia humana.

O capitão Ahab, que comanda o Pequod, é um personagem duro, profundo e cheio de heroísmo, mas sua obsessão e sede pela captura de Moby Dick o transformam em um homem ainda mais brutal e insano, e à medida que a narrativa avança vamos sendo apresentados a um dos mais intrigantes personagens da literatura mundial.

William Faulkner afirmou certa vez: “Moby Dick é um livro que eu gostaria de ter escrito.” Com grande veemência, Faulkner apontava Moby Dick como uma narrativa de tamanho descomunal. Tão grandiosa é a obra que, após sua leitura, boa parte dos leitores tende a se sentir exausto, como se tivesse acabado de enfrentar uma enorme baleia.

Não é risco algum dizer que a leitura de Moby Dick é obrigatória.

Embora seja um longo romance, beirando as 600 páginas, o embate entre o bem e o mal, o duelo entre o homem e a natureza, a luta entre filosofia e religião, a profunda amizade entre os marujos, a obstinação do capitão Ahab, e as discussões sobre a essência da vida, com certeza valem a pena quando nos deparamos com um dos maiores romances do século XIX.

O Holocausto Brasileiro, ceifou 60 mil vidas no hospital Colônia

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O que você faria se fosse enviado a um manicômio? Por fazer bagunça na rua, enquanto criança, ou se tivesse epilepsia, fosse homossexual ou se ainda fosse esposa traída e esta seria a sentença mais justa por tal “pecado” ou tal “desagrado”, a sociedade, ser deixado a sorte no manicômio.

Parece história de filme de terror? Não foi um filme de terror, foi o holocausto brasileiro, no período de meio século (entre 1930 a 1980) morreram mais de 60 mil pessoas, no antigo Colônia, hospital psiquiátrico em Barbacena – Minas gerais. Morreram através do descaso, de eletrochoques, lobotomia, tristeza, frio, fome e deixaram de ser pessoa, perdendo história, nome, lembranças, todo o conjunto cultural, intelectual e social que torna um indivíduo em alguém.

Hospital que foi construído na antiga fazenda da Caveira pertencente ao delator Joaquim Silvério dos Reis, para quem não se recorda, foi o responsável por entregar Joaquim da Silva Xavier (Tiradentes) a sentença de morte. Tantas coincidências, que fazem o Colônia tornar-se um pesadelo real e implacável, para as vítimas e para o que sobrou de suas famílias. Apenas 20% de seus pacientes possuíam deficiência mental, o restante eram presos políticos, filhas de fazendeiros que perderam a sua virgindade, alcoólatras e órfãos e tudo que a sociedade achasse que fosse má sorte ou empecilho para “Ordem e Progresso” de nosso país.

Estive hoje num campo de concentração nazista. Em lugar nenhum do mundo, prestigiei tragédia como esta ( Franco Basaglia – psiquiatra italiano)

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Banhos frios de madrugada, pessoas andavam nuas ou com trapos, sem amparo, comendo lavagem e até ratos, bebendo água do esgoto, dormindo em camas de capim, dormindo abarrotados, para se aquecer ou para morrer pisoteados com a superlotação. Até a Revista Cruzeiro tentou, mas não conseguiu mostrar os acontecimentos no Colônia, abafada pelo regime militar, conseguiu pouco êxito com o artigo e as fotos.

Infelizmente foram ceifadas inúmeras vidas, historias e pessoas que tinham o direito de viver dignamente, aos que desejam conhecer mais adquiram Holocausto Brasileiro e lembrem-se de que “não moramos num país tropical abençoado por Deus”.

Livro Holocausto Brasileiro  de Daniela Arbex

Rubem Fonseca o maior escritor policial do Brasil

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seminarista-rubem-fonsecaJá li inúmeros livros do Rubem Fonseca, se fosse para ficar indicando roubaria um bom bocado da atenção das pessoas, aliás Rubem Fonseca dispensa apresentações. Sem dúvida é o melhor escritor policial brasileiro, é imbatível sem sombra de dúvidas. A atmosfera urbana da forma que é descrita em seus contos e romances é muito difícil de plagiar ou tentar reproduzir de alguma maneira, isso faz dele um escritor único.

José foi expulso do seminário por comportamento sexualmente extravagante, se é que podemos utilizar tal expressão. Seus amigos o chamariam de Zé, se ele tivesse amigos. A não ser por dois ex-colegas — um de seminário, outro de sinuca — que não via há tempos, não havia ninguém. Seus trabalhos são encomendados por um indivíduo conhecido como Despachante — ele diz quem é o freguês, me dá as coordenadas e eu faço o serviço.

No dia seguinte, não lê os jornais para não saber do caso e nem saber nada sobre sua vítima, que sempre leva um tiro na cabeça — li em um livro de medicina que a morte é instantânea e sem dor.

Larga tudo por uma paixão, Kirsten, abdica de bens materiais, como se sua amante fosse uma santa enviada para salvá-lo, mas não dura muito tempo, o passado volta à tona com força e sua antiga profissão é um fantasma importuno.

Sou conhecido como o Especialista, contratado para serviços específicos. O Despachante diz quem é o freguês, me dá as coordenadas e eu faço o serviço. Antes de entrar no que interessa – Kirsten, Ziff , D.S., Sangue de Boi – eu vou contar como foram alguns dos meus serviços.

O último foi na véspera do Natal. O Despachante deu-me um endereço e disse onde encontrar o freguês, que estava dando uma festa para um monte de gente. Bastava chegar com um embrulho de papel colorido que eu entrava na casa.

O Despachante era um cara magro e alto, muito branco, louro, e estava sempre de terno preto, camisa branca, gravata preta e óculos escuros. Ele me pagava bem.
“O freguês está vestido de Papai Noel e tem uma berruga no rosto ao lado direito do nariz.”

Sempre odiei, desde criança, esses papais-noéis fazendo Ô! Ô! Ô! Sei que o ódio é um surto de insanidade, como disse Horácio, Ira furor brevis est, mas ninguém está livre dele. Vesti uma roupa alinhada, peguei uma caixa vazia e fiz um enorme embrulho de presente.
Coloquei sob a camisa a minha Beretta com silenciador e toquei a campainha da casa do freguês. Para sorte minha quem abriu a porta foi o Papai Noel. “Entra, entra”, ele disse, “feliz Natal!””Faz Ô! Ô! Ô! pra mim”, pedi, enquanto constatava a berruga ao lado do nariz.”Ô! Ô! Ô!”, ele fez. Dei um tiro na sua cabeça.

Sempre dou um tiro na cabeça. Com esses coletes novos à prova de bala, aquela técnica de atirar no terceiro botão da camisa para furar o coração pode não funcionar.

A volta da Verdurada em grande estilo

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     pogoDepois de um grande hiato de mais de um ano a Verdurada volta quebrando tudo.
Aliás o meu hiato de Verdurada é um pouco maior, a última que pude ir foi em 2008, onde tocaram Leptospirose, Ataque Periférico e DFC, DER e não consigo lembrar das outras bandas.
Fora a organização do coletivo Verdurada que é impecável e invejável, senti falta do Soy Burger que era vendido, aliás fui seco para comprar, mas infelizmente não foi vendido nesta edição, pois frequento a Verdurada desde 2002.

Mas valeu esperar o jantar que nunca havia conseguido esperar, por questões de transporte e local para ficar, já que somos do interior de SP. Sem estender muito, o novo espaço é bem legal e tem estrutura para uma galera.

O Set de bandas foi o ponto alto do festival, começando pelo Werewolf com seu som NY anos 80, empolgou pelo carisma e pela galera que cantavam as letras junto com o vocalista.


Na sequência Under Bad Eyes, que trouxeram de Curitiba-PR HC Old School com vocal melódico, tirando as pausas entre cada música, foi um ótimo show, com instrumental impecável.

Uma das estrelas da noite tocou em seguida, O Deserdados, com quase 20 anos de banda, iluminou o evento com seu Punk 77, carismáticos, repletos de energia (de fazer inveja a muita banda de moleques com 20 anos), ainda sim finalizaram com The Jam- In the City e Cólera – Somo vivos, que foi sensacional, com todos cantando em Coro.


Rolou também uma palestra do Movimento Passe Livre sobre a onda de protestos que aconteceram recentemente em nosso país.

Depois da palestra, avistamos  a estrela mais brilhante no céu, Sírius, da constelação de Cão Maior, esta estrela foi O Cúmplice, Já esperava muito do show, mas foi além do que imaginava, foi perfeito, é uma banda que faz uma junção de metal com HC sem soar o mais do mesmo, incrivelmente técnico, com viradas de bateria pesadíssimas, harmonias dissonantes muito bem construídas, repletas de texturas que remetiam ao Pink Floyd com Syd Barrett. O vocal do Marcelo incrivelmente compassado e conciso, sem dúvida foi ápice da noite.

Para finalizar o Punch da Califórnia derrubou a casa com seu Powerviolence extremamente furioso e agressivo, já estava com saudade das rodas que só existem na verdurada, Stage Dive ,Moshs e o pogo bonito que só sXe sabe fazer.

Apesar de ter falado sobre o Jantar anteriormente, o jantar foi excelente, fechando a noite com chave de ouro, espero que a Verdurada tenha vida longa e que possa voltar ao evento ainda inúmeras vezes. Agradecimentos ao coletivo Verdurada, por organizar um dos eventos mais bacanas de SP.

Punch destruindo com seu Powerviolence na Casa 30

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Punch na Casa 30 03/06/14

Ontem foi dia de encontrar os amigos das antigas Andrezinho (Sujeito a Lixo), Matias Picón (Sonora Scotch e Ateliê Espacial), German Martinez (Raro Zine) e Digão (vulgo Bactéria, lenda viva do Punk bragantino) e assistir o show do Punch (USA) na Casa 30.

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O Punch é uma banda de powerviolence vegan feminista (ufa…) com uma combinação de velocidade, agressividade e letras políticas o Punch descarrilha qualquer trem com extrema facilidade.Show de HC numa sala 4×4 sempre é uma surpresa e este não foi diferente.
Muito peso, velocidade e certas pausas, que lá no final do túnel, remetem ao Fugazi.
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Parabéns ao esforço da galera da Casa 30 por abrir espaço para bandas como (o Punch, Elma, Test entre outras) tocarem, no meio de tantas casas de shows fechando em São Paulo, é sempre legal vermos, quem ainda arregaça as mangas e faz a coisa acontecer, mesmo no interior de SP, onde tudo é mais difícil.

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Afórmula de fazer simplesmente rock brasileiro

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duofox-aformulaFazendo Rock com levadas swingadas, a banda Afórmula do Rio de Janeiro, mostra um som bem desenvolto e sem pretensão para rótulos, formada por Gustavo Peçanha – Baixo e Vocal, Roberto Crespo – Guitarra e Vocal e Salles Casagrande – Bateria, o power trio segue numa pegada funkeada, porém com riffs ganchudos com certeza são alunos da escola do Hendrix, James Brown e por aí vai, confiram o som destes caras: