A essência do mundo e o porn de Henry Miller

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Comparar a obra de Henry Miller (1891-1980) com a de outros escritores americanos chega a ser uma covardia.

Autor de romances, ensaios, relatos de viagens e considerado pela crítica como filósofo e crítico do mundo, Henry Miller extrapolou as formas e abalou a cena literária em uma época em que autores da estirpe de Hemingway ainda produziam.

Pode-se dizer que a história da literatura foi alterada com o surgimento do gênio Henry Miller, que enxergava o mundo como uma gigantesca bola de hipocrisia, e o tempo, como um tumor maligno que consumia o homem.

Marcado por uma época em que escrever era “fácil” e ter a obra reconhecida era uma árdua tarefa, sua obra foi severamente perseguida pelas autoridades de diversos países, a censura parecia sua sombra.

Mas qual o motivo de tanto alarde? Seus textos eram considerados imorais, obscenos e pornográficos.

Na realidade, Henry Miller era um escritor original. Possuía uma visão ampla do mundo, e seu pensamento com relação ao caráter humano era transparente, cru. Seus livros são verdadeiras autobiografias onde ele retrata o homem como um homem, na crueza do termo.

O seu reconhecimento como autor “pornográfico” surge pela exposição que faz de si mesmo. Narrar suas aventuras sexuais, artísticas e literárias, de forma direta e despida de qualquer pudor, chocava a muitos. Além do mais, durante grande parte da história da humanidade, o amor era tido como algo sublime, elevado ao mais alto grau de pureza, e misturá-lo ao sexo era o pior dos delitos.

Atualmente reconhecemos o direito do sexo unido ao amor e vice e versa. Henry Miller, porém, radicalizou ao tratar em seus textos, do sexo puro, sem uni-lo ao amor. Foi nesse ponto que o autor se jogou contra a sociedade e seus tabus.

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Suas obras mais conhecidas são os Trópicos de Câncer (1934) e Capricórnio (1939), onde Miller retrata diferentes fases de sua vida, e a trilogia da Crucificação Encarnada: Sexus (1949), Plexus (1953) e Nexus (1960), que são antes de tudo, verdadeiras obras de arte do pensamento moderno.

Em textos sempre de cunho autobiográfico e que abordam temas diversos, desde aventuras sexuais sem pudor a debates filosóficos e religiosos, Henry Miller mostra a razão pela qual, durante muito tempo, teve sua obra proibida também nos Estados Unidos. Mostra também, acima de tudo, por que é um dos mais polêmicos escritores que o mundo conheceu.

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