Guantánamo Boy, um romance sobre intolerância e injustiça.

Anna Perera

Para quem gosta de livros com a temática igual à daqueles filmes baseados em fatos reais, trouxe algo que talvez possa interessar.Apesar de ser uma ficção, o romance Guantánamo Boy, da inglesa Anna Perera (Sim, não parece um nome God save the Queen, mas não é importante isso agora.), ganha contornos muito reais, pois aborda, além dos dramas conhecidos no oriente médio, temas recorrentes em nosso cotidiano social. A intolerância e a injustiça.

Guantánamo Boy é o primeiro romance para jovens da autora, entretanto, o livro é tocante mesmo para nós, leitores mais maduros. O livro conta a história de Khalid Ahmed, um adolescente de 15 anos que gosta de esportes, em especial o futebol, e como se espera, adora paquerar e sair para divertir-se com os amigos. Universo jovem que conhecemos tão bem.

Khalid vive num mundo cercado por assuntos que praticamente desconhece. Política, religião e diversos conflitos que parecem não fazer efeito algum sobre a vida de nenhum jovem em sua idade.
Inglês, mas filho de mãe turca e pai paquistanês, o imaturo Khalid sofrerá na pele os horrores e absurdos que cercam o mundo mulçumano numa época tão conflituosa, logo após o atentado que pôs abaixo as torres gêmeas em 11 de Setembro.

O pesadelo vivido por Khalid ganha proporções gigantescas e assustadoras quando, durante uma visita ao Paquistão, para rever parentes de seu pai, o adolescente cheio de sonhos e uma vida inteira pela frente é confundido com um terrorista da Al-Qaeda. E após ser sequestrado e torturado, vai parar atrás dos portões de Guantánamo, a famosa prisão americana em solo cubano. E é lá que, da mais cruel e dolorosa forma, Khalid vai conhecer e viver na pele o drama de pessoas que são tratadas sob condições desumanas, e onde nem mesmo a religião é respeitada. Um lugar onde o ser humano deixa de ser o que é. Leia um fragmento do livro:

Por um segundo, Khalid pensa ouvir uma porta de carro abrindo e fechando, mas era só a bandeja do jantar sendo empurrada para dentro da cela. Khalid olha de relance para aquela carne cheia de nervos, tomates aferventados e uma bola de arroz malcozido. Decide-se primeiro pela banana pequena, depois esfrega o braço com força, tentando fazer desaparecer as marcas vermelhas dos dentes. Agarrando-se às paredes, Khalid cambaleia até a porta, bate e chuta. Alguém grita seu número:
“256!”
A portinhola de metal é destravada e aberta, provocando um estrondo contra a grade. Khalid esmurra o corredor pelo buraco em forma de feijão, berrando e xingando. Dois minutos depois, guardas entram em sua cela e, com mãos ágeis, logo o prendem com as algemas. Khalid ergue a cabeça contundida.
“Obrigado!”, diz. Sentindo um estranho prazer ao ver seres humanos comuns, em vez dos monstros sombrios que povoam sua mente. Mesmo que sejam apenas os guardas, de repente Khalid se sente grato a eles.”

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