Two Internet Ghosts – SP Synthwave

1-Quando e como surgiu a ideia de montar o Two Internet Ghosts?

Pedro: Em 2017 decidimos criar um novo projeto, Matheus precisava de um vocalista e eu de algo novo depois de entrar numa pausa com minha ex-banda agora projeto solo, Purple Narcissus. Matheus já tinha outras experiências na música com a Gulag e a An Internet Ghost, que foi o molde para a criação do Two Internet Ghosts. Em nosso segundo show adotamos o Vítor Marsula que é um grande amigo nosso e também toca com a Molodoys, aí Two Internet Ghosts virou Three, mas mantivemos o nome para não dar confusão.

2-Muito massa esta sonoridade pós-punk, como vocês chegaram neste rolê de música eletrônica?

Pedro: Sempre fomos fãs dessa sonoridade, particularmente do industrial. Nós tínhamos projetos que envolviam sintetizadores ou música eletrônica antes e suponho que esse BOOM de revival da cultura do synthwave fez a gente se inspirar mais. Alguns artistas como Xeno & Oaklander e Throbbing Ghistle inspiraram bastante a gente no início da banda assim como os mais clássicos e pop como New Order que já conhecíamos. Uma das melhores coisas que posso agradecer aos meus pais foi terem me apresentado esse tipo de música.

3-Vocês têm tocado em muitos lugares?

Pedro: Temos novos projetos em mente para nossa agenda mas tem sido um ano movimentado até, o pessoal da Print TV que é um grupo (ou desgrupo) tem organizado bastante evento. Já tocamos no Lourdes, Plu-Bar, Matilha Cultural e alguns outros lugares que me fogem o nome agora. Um dos desafios é levar o som para a rua e tocar em público a mais pessoas poderem nos alcançar.

4-Quanto a questão de equipamento, qual a solução para tocar sem grana?

Vítor: No nosso caso, temos sorte pois a formação da banda facilita um pouco, pois tirando os instrumentos e afins, não precisamos nos preocupar se o local possui bateria, amplificadores de baixo, guitarra e etc, e geralmente o backline de todos os lugares já resolve o que precisamos. Talvez num futuro, se o número de sintetizadores aumentar, precisemos só arranjar alguma mesa própria e um monte de réguas de tomadas.

Pedro: Vamos gravar novos singles nesse semestre usando equipamentos novos, mas acima de tudo acho que independentemente do quão nova é a ferramenta, usar ela eficientemente é a chave.

5-Dando continuidade, como gravar um bom material sem grana? No velho esquema DIY?

Vítor: Dependendo do tipo de música que você faz, de início você pode gravar tudo – demos, EPs, singles -, em casa se tiver como montar um estúdio simples, num momento posterior, acredito que conseguir investir para gravar num estúdio legal vale a pena.

Pedro: Normalmente compomos nos synths e organizamos os MIDI no Ableton, aplicando efeitos, e mixando tudo com os vocais. Compor com sua própria voz sempre é de graça e com o aumento da pirataria pode-se achar tantos programas de produção hoje em dia…. não incentivando a pirataria, mas para quem não tem tanto recurso para investir (como nós) é a solução né. O resto é experimentação e alguns estudos, feedbacks são ótimos para melhorar, se atentar a outras pessoas e o que elas fazem também.

6-Como vocês produziram o clip da canção Mr. Lawrence?

Pedro: Produzimos durante 6 meses por conta de falta de tempo e dificuldade técnica, fizemos graças à ajuda de amigos que participaram, como o pessoal da Bratz House e os que compareceram a primeira gravação regada de comida barata, vinho químico e cerveja paga no meu VR. Editamos sozinhos. Foi pesado conciliar as outras obrigações da época com o processo de edição, mas de todos os trabalhos em vídeo que eu já produzi sinto que esse foi o melhor.

7-Diz aí, 5 livros/HQ’s, 5 filmes e 5 discos favoritos que vocês levariam para uma ilha deserta?

Pedro: Livros eu levaria Orlando da Virginia Woolf, Só Garotos da Patti Smith, a Autobiografia da Angela Davis, A Idade da Razão do Sartre, e “Em Plumas” do Woody Allen já que passei a odiar ele depois da adolescência e precisaria de algo para queimar na fogueira. Discos provavelmente Hounds of Love da Kate Bush, The Fame Monster da Lady Gaga, The Ape of Naples do Coil, Homogenic da Bjork e Diamond Dogs do Bowie. Filmes fico bem em cima do muro mas acho que seria sensato dizer que vou precisar de Todo Mundo em Pânico 2 para não enlouquecer, também levo Suspiria, A Estrada Perdida, Hellraiser e o Quinto Elemento.

Matheus: Livro eu levaria O Processo do Kafka, filme seria o Possessão do Zulawski e album levaria o Ape of Naples do Coil.

Vítor: Livro escolho O Fim da Infância do Arthur C. Clarke, filme levo Synecdoche, New York de Charlie Kaufman e álbum seria Clara Crocodilo do Arribo Barnabé

8-Qual mensagem/conselho você deixaria aqui para bandas iniciantes? De que forma podem produzir seus discos e divulgá-los?

Vítor: Além do “Siga seus sonhos e faça o que você gosta”, queria dizer que se organizar e aprender a cuidar da gestão da banda é extremamente importante, principalmente se você quer levar a carreira da banda à sério. Aprenda a mexer com orçamento e a fazer gestão de custos, organizar uma agenda, buscar entender seu público, e, principalmente, se valorizar. Voltando ao “faça o que você gosta”, se esse tipo de trabalho não é algo que você ou alguém da banda saiba ou se sinta confortável fazendo, não há problema nenhum em chamar alguém para dar uma força nisso.Para divulgar, é bom ter integração boa nas redes sociais, e, infelizmente, se preparar para investir um pouco em anúncios.

Ouça o Two Internet Ghosts: