Turvo: guandu lança seu segundo álbum com gravações analógicas

Turvo vem ao mundo dia 17 de setembro de 2026 e consolida a estética lo-fi da banda, proposta pelo primeiro disco NO-FI (2025). Com gravações feitas em fita cassete em uma Tascam 4-track, guandu apresenta novas canções, por vezes aconchegantes, por outras, densas e dissonantes. Apesar da sonoridade lo-fi, guandu traz um projeto mais equilibrado que o anterior, com vozes mais aparentes, riffs de guitarra em diálogo e exploração de ritmos diversos. O termo slowcore brasileiro não diz respeito a referências específicas, mas ao jeito que a banda compõe. O andamento lento, as duas guitarras limpas, a ausência de baixo, as vozes sussurradas, a introspecção, e as letras com contexto brasileiro. 

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No processo analógico, as texturas e a imprevisibilidade são inevitáveis. E são essas características que formam a identidade da banda. Como referência de produção, existem diversas bandas e artistas indie dos anos 80 e 90, como Fellini, Duster, Daniel Johnston, e também os trabalhos da Transfusão Noise Records, idealizada por Lê Almeida/Oruã. Em outubro de 2025, guandu abriu o show do Codeine no City Lights (SP), banda precursora do que veio a ser definido como slowcore. Todos estes artistas citados trabalharam com fita cassete e tiveram posturas ou atitudes musicais autênticas, que influenciam a banda.

Novamente Marina Mole integra as participações do disco. Em NO-FI, ela canta a música “otimista” e compõe “mais um dia”. Em Turvo, aparece com o doppelgängermenos um dia”, uma música que até lembra a primeira, mas com uma faceta muito mais densa e sombria. A segunda faixa do álbum conta com o violino drone de Aluno Predileto, vulgo para Guilherme Paz, multi-instrumentista da banda carioca gueersh. A faixa conta com camadas de guitarra e violinos psicodélicos, letra reflexiva e sussurrada, tudo como se fosse uma música dos Rolling Stones desacelerada.

Além disso, a faixa “fantasmas” conta com o baixo e a voz de omar, multi-instrumentista que toca na Aygam e na Manobra Feroz (junto com cleozinhu). Essa faixa é extremamente lenta, começando com uma calma exagerada, passando por um momento de tensão e euforia, para desembarcar numa parte estranhamente tranquila. Assim como em outros momentos do álbum, ela explora modulações como tremolo, fuzz, pitch alterado, elementos em reverse, típico de fita cassete, etc. 

Véspera e cowboy foram os singles do álbum. As duas faixas transmitem o lado mais romântico do trabalho, que no geral, possui diversas facetas: poesia minimalista, drum machines, vinhetas curtas, rimas e batidas que lembram hip hop. Tudo com identidade analógica, tentando criar unidade através de elementos que a princípio parecem ser dissonantes.

Sobre a banda
guandu é uma banda de São Paulo que faz gravações caseiras em fita cassete, com influências de slowcore. É formada por Caique Lima (bateria), cleozinhu (voz e guitarra) e João Corte (voz e guitarra). Em 2024 lançaram seu primeiro EP planos em cima de planos e em junho de 2025, seu primeiro álbum intitulado NO-FI, disco experimental que brinca com a baixa fidelidade da gravação analógica e conta com participação de Marina Mole em duas músicas. Ao longo da carreira, se apresentaram na capital paulistana, no Rio de Janeiro e em Curitiba, abrindo para bandas como Codeine, Oruã, Gueersh, entre outras. 

Diego Fernandes Escrito por:

Bebedor desenfreado de café, Diego é desenvolvedor front-end e professor. É o fundador do Duofox. Na literatura não vive sem os russos Tolstói, Dostoiévski e Anton Tchekhov e consegue "perder" tempo com autores da terra do Tio Sam, Raymond Chandler e Melville. Acredita que a arte de maneira geral é a única forma de manter o ser humano pelo menos acordado, longe do limbo que pode levar a humanidade à Encruzilhada das Almas.

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