10 coisas que Rafael Crespo pode nos ensinar sobre rock independente

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Elroy

Quando ouvi pela primeira vez o Polara – Não use o termo, pensei “que som foda” como esta guitarra soa assim? Sem um “zilhão de notas” ou “sem afinações em C”. Não imaginava que Rafael Crespo assumira não só as baquetas (no início da banda), como depois as guitarras, que nos próximos discos ficaram incríveis. Tocava não só no Polara, como no Elroy e no Aspen. Na época que comecei ouvir o Polara, editava um fanzine chamado El Obrero, que corria o interior de SP, infelizmente não conseguia fazer resenhas de bandas, pela falta de acesso etc. Posso dizer que com esta entrevista, que nunca imaginei que poderia acontecer, sinto uma realização pessoal, entrevistei um guitarrista que é versátil e econômico, formador de opinião e que gravou inúmeras bandas que dispensa comentários como Garage Fuzz, Againe, Pin-ups etc.

1-Quem é Rafael Crespo?
Filho de Seu Wilson e Dona Marília, carioca de nascimento, paulista por afinidade. O resto são conjecturas.
2-Fale um pouco sobre sua iniciação musical, primeiro instrumento e as primeiras bandas?
Comecei querendo tocar bateria, mas acabei ganhando uma guitarra. Meus irmãos ouviam muito rock e eu cresci impregnado por essa cultura.

3-Lembro-me de ter lido numa Guitarplayer ou Cover guitarra (não me lembro ao certo) que você gostava muito do grunge e que inclusive gostava muito do Mudhoney?
Era Guitar Player. Foi umas das bandas mais influentes pra mim, e um dos melhores shows que já assisti.

4-Como funciona na prática, o Polara? Sei que o Carlinhos mora no sul, como vocês ensaiam e compõem?
Isso é um segredo jamais revelado. A gente fica enrolando o maior tempo possível sem fazer nada, até que um não aguenta e marca alguma coisa. Por hora, é só o que eu posso revelar.

5- Gosto muito do Elroy, inclusive tenho um k-7 do primeiro disco. Há possibilidade de vermos uma reunião?
Sim, já teve a reunião aliás. Fizemos uma música nova recentemente e em breve vamos gravar, deve rolar mais alguns shows.


6-Como é a rotina de trabalho na Spicy Record’s?
Hoje em dia não existe mais a Spicy Recs, mas enquanto existiu tinha uma rotina bastante extenuante. Consistia em, sair todos os dias em busca de aventura em diversão: Shows, festas, ensaios, bares, exposições, mostras, etc… enfim, nossa rotina era viver o mais intensamente possível cada dia, e lançar discos nos momentos de folga.

7-Fale sobre algumas bandas do selo?
O selo começou lançando o primeiro disco do Againe “Songs about week here, other places, other thoughts”, primeiro porque começava com a letra “A”, e nada melhor do que começar pelo princípio. Eu e o Carlos (guitarrista) dividíamos um apartamento, e eu ia sempre nos shows do Againe e nos ensaios, então era a banda mais próxima e natural que fosse o primeiro lançamento.

Depois veio o Garage Fuzz, que na real, quando fechei com o Againe, acabei fechando com o Garage também, pelos mesmos motivos, o Farofa era muito amigo e andávamos juntos, além de ser as duas bandas que eu mais gostava na época. Tendo lançado o Garage Fuzz, o Pin-Ups foi uma escolha natural também, além de conhecer a banda a muito tempo e ter acompanhado a trajetória deles desde o princípio, era muito amigo do Flávio (baterista) e da Eliane (guitarrista) e a Alê (baixo e vocal) era mulher do Farofa, logo éramos todos amigos, e sim, se quiser, pode chamar “da mesma panela”. E por aí vai…..

8- O Aspen ainda está na ativa?
Não, o Aspen foi um projeto que durou três anos e terminou a dois.


9- 5 livros, 5 filmes e 5 bandas?
– Livros :

1) o que eu vou escrever
2) On the Road – Jack kerouac
3) Fome – Knut Hamsun
4) Nove Historias – J.D. Salinger
5) O Vinho da Juventude – John Fante

– Filmes:

1) O Processo – Orson Welles
2) Acossados – Jean-Luc Godard
3) Era uma vez no oeste – Sergio Leone
4) Laranja Mecânica – Stanley Kubrick
5) Manhattan – Woody Allen

– Bandas:

1) Fugazi
2) Superchunk
3) Rolling Stones
4) The Who
5) Sonic Youth


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