Robson Helton e o reduto artístico de Bragança Paulista

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1-Quem é Robson Helton?

Um cara simples e tranquilo, completamente apaixonado por arte em diferentes gêneros, Ilustrador e designer, nascido em Bragança Paulista. Trata-se de mais um, que resolveu se aventurar no Universo louco das artes e não parou mais.

2-Qual foi o motivo que te impulsionou para trabalhar com design?

Sempre fui envolvido com desenho, no entanto, sabia o quanto era difícil viver disso numa cidade do interior, profissionalmente falando. Pensando dessa maneira, percebi que a arte digital era algo que me atraía muito. Foi aí que passei a me envolver com design, era uma maneira de fazer arte e conseguir ter um emprego rsrs.

3-E quando você percebeu que queria fazer arte?

Tudo começou com meu gosto pela ilustração, era algo que fazia o tempo todo desde muito novo, parecia uma criança doida, enquanto todos jogavam bola na rua, gostava de desenhar e também lia muitos quadrinhos, à partir daí fui cada vez mais me envolvendo com arte, percebi que era isso que eu queria para a minha vida.

Após já estar íntimo do desenho, também parti para o lado da música e depois do teatro. Senti que era dentro do campo da arte que deveria me encaixar, de todas as maneiras que conseguisse, porque era ali na arte, onde conseguia ver sentido para as coisas.

5-Você se considera um artista? Daqueles tipos esnobes de galeria, que colocam o indicador no queixo e faz pose de “fodão”?

Jamais. Tanto que eu acredito que poucos desses tipos são artistas de verdade. Nem sei se também posso me considerar artista, acho isso um tanto relativo. Existem pessoas que chamam meu trabalho de arte, mas também pode não ser aos olhos de outros indivíduos, e aí a gente pensa sobre o que faz o cara ser artista, ou qual é o tipo de trabalho que o torna artista, o que faz a gente cair numa discussão infinita.

Principalmente hoje em dia se vê muita gente que quer ter uma pose, como se a arte fosse um grande símbolo de status ou algo assim, acredito que o artista se forma de maneira natural e você pode chamar alguém de artista por diversos motivos, no entanto acho que o que faz o artista é a essência do seu trabalho e não ficar horas admirando um quadro branco buscando conceitos rebuscados, fazendo pose e tudo mais. Nada contra quem faz isso, mas acho que ser artista vai muito além do que a pessoa faz para parecer artista.

6-Quais são suas influências, tanto na arte como na música e aproveitando o barco, cinema também?

Nossa, são muitas! Além de ídolos incontestáveis como Salvador Dalí, por exemplo, também tenho alguns artistas que me inspiram mesmo fazendo uma arte diferente da minha, como Banksy, Naoto Hattori, Art Spiegelman, Matt Groening, entre tantos, tenho também influencias nacionais, como André Dahmer, Angeli, Laerte e essa galera dos quadrinhos de humor.

Na música sou muito influenciado pelo Rock progressivo e as bandas dessa fase mais psicodélica, mas ouço muita coisa, além de diferentes gêneros do Rock também me inspiro muito com Jazz e Blues. No cinema tenho como influência Tim Burton, mas também gosto muito de Stanley Kubrick, Hitchcock e Chaplin.

7-Quando e como você desenvolveu esse estilo de desenhar? Que por sinal é muito peculiar e mistura várias vertentes e estilos de arte.

Meu estilo sempre foi muito puxado para o Cartoon.O realismo e a simetria nunca funcionaram muito bem com meu traço, esse lance do desenho humorístico, dos exageros e traços espessos sempre me passaram um tipo de liberdade criativa onde eu conseguia desenvolver meus desenhos com naturalidade.

Foi nesse caminho que meu traço adquiriu determinadas características, essa coisa da possibilidade de fluidez sem a necessidade do simétrico, do reto, do “quadradão” dentro da ilustração me possibilitaram brincar com as linhas de uma maneira que eu me sinto bem.

Muitas vezes eu começo um desenho sem ter a mínima ideia de como ele vai ficar ou qual é o seu tema, mas isso faz as ideias se desenvolverem de forma mais natural e trabalhar nessa maneira me deixa muito a vontade.

8-Como é o seu fluxo de trabalho atualmente? Como é a rotina do trabalho, seria mais uma dia de porre ou como fazer um viagem para Machu Picchu? Trabalha como Freelancer ou para algum estúdio?

Atualmente trabalho em uma agência de publicidade como diretor de arte mas também atuo como freelancer na área de ilustração, naturalmente é necessário seguir uma rotina extremamente frenética e dinâmica para conciliar tudo e chegar nos devidos resultados.

É muito corrido, mas é uma correria que me agrada, é muito café o dia todo para manter a energia e o modo “multitask” sempre ativado, mas não vejo essa rotina como algo que me prejudica, está mais como “fazer uma viagem para Machu Picchu” mesmo, pois é uma rotina que circunda o mundo das ideias e quando estamos sempre criando algo a nossa mente vai longe e não deixa tempo para as características negativas dessa rotina.

9-Quais são as dicas para quem está começando, onde pode encontrar referências fora da internet (livros, revistas ou fanzines) e como poderia utilizar estas no dia a dia?

Existem muitas maneiras de buscar referências, a internet deixou tudo muito cômodo mas tem muita coisa boa fora da internet que é muito válida para qualquer processo criativo, eu recomendo visitas a brechós e sebos, sempre acaba-se encontrando um livro bacana ou aquelas revistas MAD bem das antigas que tinham um conteúdo tão peculiar e interessante. Além disso, sugiro para quem está começando, que visite ambientes que tenham fanzines sendo distribuídos, para ficar por dentro dos conteúdos regionais, os artistas próximos de nós também tem muito a nos ensinar.

10-Diga alguns sites, livros, bandas e filmes que você tenha visto, lido ou ouvido atualmente?

Atualmente tenho lido muitas tirinhas online, sempre me interessei e a internet deixou o acesso a esse material mais prático, é aonde perco um bom tempo na internet, fora isso eu gosto de estar sempre pesquisando sobre Design e arte, tem uma revista online ótima que se chama Obvious [www.obviousmag.com.br] que eu gosto muito, e o site ideafixa [www.ideafixa.com.br] também tem muito conteúdo interessante, estou sempre visitando estes e similares.

Quanto a livros tenho lido algumas coisas do Jack Kerouac e o mestre Charles Bukowski, a companhia de teatro que faço parte fará um curta baseado em um conto dele e é muito bom estar sempre com a referência fresca.

Na música atualmente tenho ouvido muito indie rock, eu demorei para aceitar completamente as bandas e gêneros “novos”, até pouco tempo atrás eu só ouvia coisas de 80 para trás, mas hoje em dia tenho conhecido muitas bandas legais que são de décadas mais recentes.

Em questão de cinema estou mais atualizado com animações independentes, tem muita coisa boa perdida por aí, já o filme mais recente que me marcou foi Donnie Darko, do diretor Richard Kelly, fazia tempo que eu não via um filme e ficava pensando horas nele depois e issoaconteceu nesse caso.

11-Dicas para marinheiros de primeira viagem?

Para quem está iniciando nessa área, sugiro em primeira instância naturalidade, é importante também estar sempre disposto a absorver as coisas e tomar tudo como repertório, tudo que a gente vê como conteúdo online, livros, revistas, filmes e músicas são coisas que vão compor a nossa visão de mundo, e a partir disso é que as ideias se desenvolvem dentro de um projeto artístico.

É importante saber também que as nossas referências podem estar em todo lugar, o mundo todo é uma grande galeria com muitas obras de arte acontecendo o tempo todo, é só questão de lançar um olhar mais demorado sob algumas coisas, isso ajuda muito.

Além disso eu recomendo que o cara tenha a humildade, saiba aprender e ensinar, é importante que o indivíduo saiba que a arte não é um ambiente acima do normal, cheio de pessoas cultas, intelectuais e com todo tipo de conhecimento tomando chá com dedinho levantado em um galpão com pilares dourados.

Nada disso, a arte é algo que está muito mais próximo de nós, de todos nós, e isso é algo necessário para se ter consciência. Basicamente sugiro isso e que o cara se envolva completamente com o que está fazendo, todo processo artístico só acontece quando o artista se vê totalmente dentro daquilo que ele está criando, pois o artista não consegue afetar ninguém, se ele próprio não for afetado pelo que faz.

Para conhecer um pouco mais sobre o Robson