Avesso de Guilherme Moura – Espantando os demônios matutinos

A melhor coisa da vida é nocautear no primeiro assalto, de preferência com apenas um direto.Se tivéssemos esta postura todos os dias, em nossas batalhas diárias, seria muito mais fácil.Assim é o ensaio chamado Avesso, de Guilherme Moura, rápido e indolor, quando você se depara com o soco, já está na lona.

Sem clemência, é um chute na cara de várias personas non gratas no mundo em que vivemos.
Precisa de coragem e sangue-frio para arremessar tantas ideias e conceitos no ventilador.
Nos traz a tona Seul Contre Tous de Gaspar Noé, onde o protagonista vive sem se enganar, mesmo enfrentando milhões de problemas, encara vida sem medo das consequências.

Trechos, como o citado abaixo, passam uma ideia do que podemos encarar todos os dias:

“Não paro pra testemunha de Jeová. É estranho. Não faço as coisas pensando no meu próximo tijolinho no céu. É muita mesquinhez. Quero distância de tudo que exalta a castidade. Não vou louvar quem une burrice ao masoquismo. É melhor ficar calado e só observar.”

A busca pela sabedoria é solitária, e nesta caminhada, há muito ruído, de pessoas que vagam, sem almas e sem se importar com suas vidas:

“Não me importo em ser peça fora do que a sociedade idealiza. Tento não integrar o rebanho. Esse meio não permite o contato com a tristeza. É preciso estar feliz o tempo todo. Daí nascem os remédios e suas ilusões profiláticas. Daí vem a euforia, que a maioria das pessoas confunde com felicidade.”

Lutar contra a normalidade é para poucos, pois a normalidade arremessa toda criatividade no abismo do tédio:

“Uma vida de felicidade plena seria terrível. De onde viriam as inspirações? De onde viriam os alívios? Como o homem conheceria o corpo que habita se vivesse uma vida em contato exclusivo com a felicidade? Se estivesse sempre banhado em sensações agradáveis, o homem se faria um ser muito mais avarento do que já é.”

Avesso de Guilherme Moura é um caminho sinuoso, talvez tudo que gostaríamos de expressar ou de executar em nossas vidas, seria a falha no espelho.

Diego Fernandes Escrito por:

Bebedor desenfreado de café e averso a picanha, Diego é desenvolvedor front-end e professor. É o fundador do Duofox. Na literatura não vive sem os russos Dostoiévski e Anton Tchekhov e consegue "perder" tempo com autores da terra do Tio Sam, Raymond Chandler e Melville. Acredita que a arte de maneira geral é a única forma de manter o ser humano pelo menos acordado, longe do limbo que pode levar a humanidade à Encruzilhada das Almas.

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