Calibre 22 – A ferocidade dos contos de Rubem Fonseca

Existem leituras rápidas que são feitas no sacrifício. Às vezes por vontade de querer aparecer, outras por vontade de mostrar que somos leitores, ou então, por receio de ter mais um livro inacabado na estante.

Largar um livro pela metade é algo que não deve nos envergonhar enquanto leitores. Ler é um ato de prazer, é como transar, se não está legal, melhor deixar pra outra hora.

Essa semana li um livro de contos do Rubem Fonseca, puta que pariu. Livro bom pra cacete! Esse você lê rápido pois é obrigado. Espere, não estou forçando a barra usando palavrões e escrevendo um texto corridão para me aparecer, mas é que a escrita do cara é igual vírus, contagia.

Não tem narrativa ruim nesse livro

O que eu quero aqui é só dizer que o livro Calibre 22, publicado em 2017, é na certa um dos livros de contos dele que mais curti. Já está na minha lista de melhores.

Os contos apresentam aquela pegada de sempre, rápidos, sem floreios, uma pancada seguida de outra, repleto de marginalidade e sangue no olho.

Nesse livro temos corpos aos montes, matadores de aluguel, sujeitos homofóbicos morrendo para pagar seus pecados, mulheres que adoram foder com a vida dos sujeitos que tem muito ou pouco dinheiro.

A narrativa urbana do Rubão nos sufoca e vai tomando proporções gigantescas a cada nova história. Somos levados a perceber que nós somos, muitas vezes, parte dos enredos. Estamos aprisionados entre as linhas.

Os contos envolvendo putas, velhos machistas e situações de decadência colocam o ser humano no patamar mais podre de sua existência. Somos forçados a compreender e refletir sobre inúmeros temas sociais.

Quais contos valem mais a pena? Todos!

Não vou destacar contos desse livro falando da trama. Só vou lançar a brava, como dizem os jovens da geração tik tok e sei lá mais o quê. Apenas leiam, O outro, Cibele, Gastronomia, O morcego, o mico e o velho corcunda e por fim, o conto maior que dá nome ao livro, Calibre 22.

Rubem Fonseca estava bem velho quando escreveu essas pérolas. Tem texto para todos os apetites, mas não se engane, Rubem Fonseca estava, e ainda continua (ele não morre) em plena forma literária.

Não espere encontrar suavidade, afinal, Rubão tem base, o filho da puta tem base, e se você leu um conto dele chamado O Desempenho, vai entender o que quis dizer. Caso contrário, bem, melhor caçar outro autor pra ler. Boa sorte, espero que não encontre!

Rubem Fonseca o maior escritor policial do Brasil

Amálgama – Rubem Fonseca

 

Felipe Terra Escrito por:

Professor e amante da arte literária, atua na área da educação desde 2011. Viciado na música de Bach, Mozart e Chet Baker, e na literatura de Raymond Chandler, Ross Macdonald e Paul Auster. Ama escrever e acredita que poderia ler mais, porém, precisa dormir, infelizmente. Consegue passar horas jogando pôquer ou xadrez com os amigos. Degustar pizzas de queijo e bacon é um dos passatempos prediletos em horas de fome extrema.

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