Entre riffs e slides, Malice aproxima stoner rock e blues em “Sob a Pele”

O stoner rock continua sendo uma das fundações da Malice, mas já não dá conta sozinho de definir o som da banda brasiliense. Em “Sob a Pele”, o grupo parte do peso que marcou sua primeira fase para incorporar de maneira mais evidente elementos do blues rock, especialmente por meio dos slides de guitarra e de uma dinâmica que alterna riffs diretos, atmosferas retrô e momentos mais intimistas.

A transformação acompanha a consolidação de Diego Castro na direção criativa da banda ao lado de Bia Nobre. Amigos desde a infância, os dois passaram a trabalhar juntos nas composições que dariam origem à nova fase da Malice e descobriram também uma escuta compartilhada do blues.

“O stoner e o blues acabam se mesclando de alguma forma. A gente incorporou muito slide de guitarra e isso ajudou a levar a sonoridade da Malice para outro lugar”, explica Diego. A incorporação do blues e do slide foi apontada pela própria banda como uma das diferenças centrais entre o trabalho de 2019 e o novo álbum.

Essa mudança já aparece de maneira evidente em “The Devil That You Know”. Com slide bastante presente e uma atmosfera retrô, a faixa apresenta uma das faces mais diretamente ligadas ao blues em Sob a Pele.

Em “Calibre”, uma composição mais antiga da Malice encontra nova roupagem justamente a partir dos slides de Diego. Escrita durante a pandemia, a música preserva a atmosfera de isolamento e perigo daquele período e cresce até um solo final que também abre espaço para a guitarra de Bia.

Já “Let It Burn” leva essa sonoridade a outro território com a participação de Cris Botareli, do Far From Alaska e Ego Kill Talent, na segunda voz e no lap steel. A faixa parte de um riff simples e pesado para construir uma atmosfera mais crua e sensual.

Mas a expansão de linguagem não acontece apenas dentro das guitarras. Em 15 faixas, Sob a Pele permite que a banda atravesse diferentes intensidades. “Uma Canção”, por exemplo, reduz o arranjo a piano e voz de Bia; “Seu Sangue É o Mar” assume contornos de canto de marinheiro; enquanto “Me Faz Queimar” aproxima refrão pop e elementos de country.

A quantidade de músicas também interferiu no processo. O projeto previa a criação de 15 composições e, segundo Bia, a necessidade de continuar produzindo levou a dupla para caminhos que talvez não surgissem espontaneamente.

“Ter que criar 15 músicas acabou sendo um exercício muito bom. Levou nosso processo para lugares em que talvez a gente não chegasse sem essa provocação. Eu gosto de pensar a criatividade dessa forma, tirando um pouco o peso do perfeccionismo”, afirma.

Produzido, mixado e masterizado por Ricardo Ponte, Sob a Pele tem Bia Nobre nos vocais e guitarras, Diego Castro nas guitarras e slide, Vinícius Arbués no baixo e Marcelo Melo na bateria.

Se o stoner permanece como raiz, o novo disco mostra uma Malice menos interessada em caber dentro de uma definição fechada e mais disposta a descobrir o que pode construir a partir dela.

OUÇA “SOB A PELE”:
https://www.submithub.com/link/malice-sob-a-pele

Malice
Bia Nobre — voz e guitarras
Diego Castro — guitarras e slide
Vinícius Arbués — baixo
Marcelo Melo — bateria

Produção musical, mixagem e masterização: Ricardo Ponte
Produção executiva: Raquel Fernandes
Fotografia: Thaís Mallon
Assessoria de imprensa: Anajú Tolentino

Diego Fernandes Escrito por:

Bebedor desenfreado de café, Diego é desenvolvedor front-end e professor. É o fundador do Duofox. Na literatura não vive sem os russos Tolstói, Dostoiévski e Anton Tchekhov e consegue "perder" tempo com autores da terra do Tio Sam, Raymond Chandler e Melville. Acredita que a arte de maneira geral é a única forma de manter o ser humano pelo menos acordado, longe do limbo que pode levar a humanidade à Encruzilhada das Almas.

seja o primeiro a comentar

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Este site utiliza o Akismet para reduzir spam. Saiba como seus dados em comentários são processados.