Ruin Porn: Tendência Fotográfica que gera polêmica

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Você já deve ter visto alguma foto de locais abandonados e tomados pela natureza, se você achou as fotos incríveis, não está sozinho. O movimento é uma tendência na fotografia, o Ruin Porn ou Ruin Photography, chame como preferir, no entanto, esta simples atitude de fotografar locais em ruínas vem causando certa polêmica.

Para entender melhor, primeiro vamos definir exatamente o que é: o Ruin Porn – termo creditado para o fotografo e escritor James Griffioen – tem o objetivo de focar o declínio urbano de estruturas deterioradas, indo contra a cultura da sociedade atual em que o novo é sempre melhor.

Já existem alguns sites e grupos especializados que trocam experiências e marcam encontros para ir fotografar as ruínas, a exemplo do Ruin PornAbandoned America e Architecture of Doom.

O fotógrafo Camilo José Vergara se especializou em fotografias urbanas e o declínio de estruturas, principalmente em áreas periféricas. Vergara visita o mesmo prédio diversas vezes ao ano, para complementar suas fotografias, ele faz o uso de entrevistas e pesquisas.

Os principais cenários são cidades que passaram por grandes ondas de industrialização ou profundas crises financeiras, muitas delas estão localizadas nos Estados Unidos ou Europa. Mostrando também o abandono e o descaso de alguns locais em países de primeiro mundo.

Então você pensa, qual a polêmica em torno desse tema?

Alguns críticos acreditam que essa prática torna a restauração ainda mais difícil, já que o movimento romantiza as fotos o que acaba criando um fetiche e não promove a mudança, no caso a própria restauração.

Por outro lado, os defensores, na maioria os próprios fotógrafos, afirmam que a prática promove o turismo nas regiões divulgadas nos blogs e sites. E rebatem as críticas dizendo que esta é a chance de aproximar o planejamento arquitetônico da restauração, ou seja, as obras também devem ser planejadas com o declínio de sua estrutura a fim de facilitar o seu restauro.

Para os mais otimistas, o movimento ainda pode ser um ato de preservação das estruturas dando a merecida atenção às ruínas e apontando as falhas arquitetônicas.

 

Diego Fernandes Escrito por:

Bebedor desenfreado de café e averso a picanha, Diego é desenvolvedor front-end e professor. É o fundador do Duofox. Na literatura não vive sem os russos Dostoiévski e Anton Tchekhov e consegue "perder" tempo com autores da terra do Tio Sam, Raymond Chandler e Melville. Acredita que a arte de maneira geral é a única forma de manter o ser humano pelo menos acordado, longe do limbo que pode levar a humanidade à Encruzilhada das Almas.

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