Memórias do Subsolo – Fiódor Dostoiévski e a relação com a depressão

Dostoievski

Sou um homem doente…Um homem mau.Um homem desagradável. Creio que sofro do fígado.Aliás não entendo níquel da minha doença e não sei ao certo, do que estou sofrendo.Assim começa uma das primeiras obras existencialistas do mundo do grande escritor russo Fiódor Dostoiévski.

Uma novela curta,  que não recebeu muita atenção na época de seu lançamento. Raros, são os que foram capazes,  de compreender o caminho que esta novela levaria.

O narrador sem nome, o Homem do Subsolo, é um personagem diagnosticamente perturbado, como um homem doente, que sofre do fígado, amargo o tempo todo.Sente ódio de si mesmo, Fiódor Dostoiévski antecipa em memórias do subsolo, a teoria do complexo de inferioridade.

De certa forma, o homem do subsolo, se assim podemos chamá-lo, é masoquista, sente plena satisfação em sofrer. Defende o livre-arbítrio como poucos.

Ele ironiza Tchernichevski, para quem o mal era feito por falta de conhecimento, ou seja, um erro a quem a razão eliminaria assim que fosse disseminada. Levando a crer que tudo dependia da cultura e educação.

Parece ser complicado, a questão da polifonia em seus livros.Mas o que acontece são as situações que acabam por subverter as personagens, fazendo com que reflitam e tenham dificuldades para encontrar respostas em suas angústias. E o grande exemplo, ao menos em Memórias do subsolo, é que o homem do subsolo, fala desenvolto e acaba enforcado em suas próprias duvidas.E quanto mais ele vive, mas perdido fica. Pois são tantas incertezas e nenhuma resolução, que a desesperança, vai corroendo como ferrugem.

Livro curto, que recomendamos a todos que precisam refletir em algumas questões mais básicas sobre a vida, como deixar de postar um milhão de vezes no facebook, ou tirar selfies o dia todo.Temos um sol maravilhoso no planeta, uma lua excepcional, parques, estradas, museus, amigos e tantas outras dádivas, que são reais e que podem ser tocadas e experiencias que devem ser vividas.Pensem nisto!

A literatura onírica de Haruki Murakami

Haruki Murakami

Haruki Murakami

Para quem é amante da literatura, como nós do duofox, e que gosta de livros que mesclam o universo fantástico e uma boa atmosfera onírica, não será sacrifício devorar o livro que li esta semana.

Bem, o sujeito tem olhos puxados e adora jazz (Ele já foi dono de um bar de jazz, segundo minhas leituras sobre o cara). Estou falando de Haruki Murakami, esse autor nipônico que está sempre encabeçando a lista de possíveis ganhadores do prêmio Nobel.

O livro O Incolor Tsukuru Tazaki e seus anos de peregrinação é uma drama inquietante sobre amizade, esperança e busca de si mesmo. O personagem, que dá nome ao romance, passa por um grande trauma na adolescência ao ser excluído de um grupo de amigos sem explicação plausível. Depois desse acontecimento enigmático, Tsukuru tenta levar uma vida normal, estuda, trabalha em algo que realmente gosta, consegue se relacionar com algumas mulheres mais velhas, enfim, parece estar recuperado do choque. Entretanto, seu coração e alma ainda buscam respostas para o que realmente aconteceu no passado.

Impulsionado por Sara, uma mulher dois anos mais velha, e que ele ama profundamente, Tsukuru decide, após muitos conflitos internos, voltar ao passado e sai em busca de respostas. A narrativa de Murakami é simples e sem rodeios, e o drama de Tsukuru se transforma num thriller empolgante, recheado de mistério, uma atmosfera surreal, uma mistura de sonho com realidade. Perguntas sem respostas e lacunas na própria vida de Tazaki fazem com que ele mesmo se veja perdido em meio ao caos, não sabendo o que o aguarda em seu reencontro com os amigos que tanto amou e que o desprezaram.

O universo paralelo dos fanzines de Márcio Sno

Falar sobre zines, sempre é uma satisfação sem fim, ainda mais quando se encontra um livro repleto de referências e dicas, como O Universo paralelo dos zines de Márcio Sno.

Histórias sobre o começo dos zines no Brasil, como fazer e de que forma distribuir, são capítulos extremamente divertidos e úteis para quem vai se enveredar na escrita de um zine, onde a mesma pessoa faz tudo; é editor, escritor, desenhista ou o “cara que faz colagens”, distribuidor e patrocinador.

O Universo paralelo dos Fanzines
Foto por Ugra Press

O ato de libertar textos, crônicas, contos, artigos e resenhas da gaveta, é inspirador.É força motriz que move qualquer zineiro, a gastar uma grana com correios, impressões e entre outros gastos, para que simplesmente seu zine seja lido por alguém.

Fora alguns relacionamentos que surgiram através da troca de correspondências, de zines que cruzaram o Brasil e trouxeram não só mais conhecimento, mas também laços entre zineiros.

Foto por Ugra Press
Foto por Ugra Press

Aliás é importante enfatizar, que os produtores de fanzines, acabam sempre ligados a profissões criativas, ou tornam-se jornalistas, designers, artistas gráficos, músicos, escritores e etc (segundo Márcio Sno).

Se você é zineiro ou vai enveredar por este caminho, adquira um exemplar para adquirir e complementar informações a respeito de fanzines e conhecer  mais zines; onde encontrar produtores, lojas e links, o livro é um bom investimento, para quem está na vibe de escrever e não teve o insight ainda, fica a dica.

Foto por Ugra Press
Foto por Ugra Press

“Faça você mesmo, faça pra entender, crie um mundo novo (Redson Pozzi)”

Para conhecer mais sobre o autor, assistam o documentário Fanzineiros do Século Passado – Capítulo 1 from Márcio Sno on Vimeo.

 

Deaf Kids, Hierofante, Sujeito a Lixo no Raro Zine Fest, colocando a Casa Auá abaixo

Sujeito a lixo

Mais um dia chuvoso, deste dezembro nublado, cinza, meio Seattle. A chuva não deu trégua e o som também não. Quem abre o jogo do Raro Zine Fest é o Hierofante de São Paulo, formado por 2/3 do Deaf Kids e 1/4 do Rakta, psicodélico, bonito e experimental.Som de chorar sem lenço. Perfeito.

Hierofante

Na sequência, os atibaienses do Sujeito a Lixo, com Thrashcore bonito, 2 vocais, Dimebag atibaiense (empunhando uma Dean linda), com um baterista que é o Midas da cena SP, é impossível não acertar. Conhecemos os caras há mais de 15 anos. Ver o Sujeito a Lixo, dispensa comentários, é como se pagasse a entrada para um filme, que você já sabe que é excepcional. Só entrar na dança e ouvir tudo caindo, incrível.

Sujeito a Lixo

Terceira banda da noite, Deaf Kids, é terceira vez que vimos este trio de Volta Redonda(RJ), neste ano. Pesadíssimo, com sonoridade peculiar, 3 pedais de delay, em alguns momentos, bate aquela saudade de ouvir o The Mind Is a Terrible Thing to Taste do Ministry, bonito para caramba.

Deaf Kids

Sickymind veio com Heavy tradicional, muito bem tocado. Vocais bem afinados e som coeso.

Sickymind

Deskraus, o show com a vibe mais positiva da noite, imbatível.Fabiana Ramos a frontwoman mais descolada da região, derrubou tudo com o vocal grave, característica marcante do Deskraus. Fernando, Alessandro e Li Passos, despedaçando tudo como um tanque de guerra. Apresentação mais bonita da noite, com os amigos, com uma chuva esplendorosa e bandas incríveis, mais uma vez parabenizamos o Raro Zine e as bandas, pelo evento.

Deskraus