Rubem Fonseca o maior escritor policial do Brasil

seminarista-rubem-fonsecaJá li inúmeros livros do Rubem Fonseca, se fosse para ficar indicando roubaria um bom bocado da atenção das pessoas, aliás Rubem Fonseca dispensa apresentações. Sem dúvida é o melhor escritor policial brasileiro, é imbatível sem sombra de dúvidas. A atmosfera urbana da forma que é descrita em seus contos e romances é muito difícil de plagiar ou tentar reproduzir de alguma maneira, isso faz dele um escritor único.

José foi expulso do seminário por comportamento sexualmente extravagante, se é que podemos utilizar tal expressão. Seus amigos o chamariam de Zé, se ele tivesse amigos. A não ser por dois ex-colegas — um de seminário, outro de sinuca — que não via há tempos, não havia ninguém. Seus trabalhos são encomendados por um indivíduo conhecido como Despachante — ele diz quem é o freguês, me dá as coordenadas e eu faço o serviço.

No dia seguinte, não lê os jornais para não saber do caso e nem saber nada sobre sua vítima, que sempre leva um tiro na cabeça — li em um livro de medicina que a morte é instantânea e sem dor.

Larga tudo por uma paixão, Kirsten, abdica de bens materiais, como se sua amante fosse uma santa enviada para salvá-lo, mas não dura muito tempo, o passado volta à tona com força e sua antiga profissão é um fantasma importuno.

Sou conhecido como o Especialista, contratado para serviços específicos. O Despachante diz quem é o freguês, me dá as coordenadas e eu faço o serviço. Antes de entrar no que interessa – Kirsten, Ziff , D.S., Sangue de Boi – eu vou contar como foram alguns dos meus serviços.

O último foi na véspera do Natal. O Despachante deu-me um endereço e disse onde encontrar o freguês, que estava dando uma festa para um monte de gente. Bastava chegar com um embrulho de papel colorido que eu entrava na casa.

O Despachante era um cara magro e alto, muito branco, louro, e estava sempre de terno preto, camisa branca, gravata preta e óculos escuros. Ele me pagava bem.
“O freguês está vestido de Papai Noel e tem uma berruga no rosto ao lado direito do nariz.”

Sempre odiei, desde criança, esses papais-noéis fazendo Ô! Ô! Ô! Sei que o ódio é um surto de insanidade, como disse Horácio, Ira furor brevis est, mas ninguém está livre dele. Vesti uma roupa alinhada, peguei uma caixa vazia e fiz um enorme embrulho de presente.
Coloquei sob a camisa a minha Beretta com silenciador e toquei a campainha da casa do freguês. Para sorte minha quem abriu a porta foi o Papai Noel. “Entra, entra”, ele disse, “feliz Natal!””Faz Ô! Ô! Ô! pra mim”, pedi, enquanto constatava a berruga ao lado do nariz.”Ô! Ô! Ô!”, ele fez. Dei um tiro na sua cabeça.

Sempre dou um tiro na cabeça. Com esses coletes novos à prova de bala, aquela técnica de atirar no terceiro botão da camisa para furar o coração pode não funcionar.

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