Figuras de linguagem, como entendê-las assistindo apenas um anúncio?

More eyes, less surprises. Mitsubishi Pajero.
More eyes, less surprises. Mitsubishi Pajero.
Advertising Agency: Africa, São Paulo, Brazil
Creative Directors: Sergio Gordilho, Flavio Waiteman, Humberto Fernandez, Rafael Pitanguy
Art Director: Bernardo Romero
Copywriters: Ricardo Dolla, Rafael Pitanguy
Photographer: Platinum FMD, Paulo Mancini
Published: Novermber 2010

Mas o que é essa tal da figura de linguagem?
São recursos usados pelo falante para realçar a sua mensagem.
Podem relacionar-se com aspectos semânticos, fonológicos ou sintáticos das palavras afetadas. É muito usada no dia-a-dia das pessoas, nas canções e também é um recurso literário.(fonte: http://pt.wikipedia.org/wiki/Figura_de_linguagem)

Alguns exemplos:

  • Minha vida era um palco iluminado (…) (metáfora)
  • Já disse mais de um milhão de vezes! (hipérbole)
  • As velas do Mucuripe / vão sair para pescar.1 (Metonímia)
  • O Presidente da República faço saber que o Congresso Nacional decreta e eu sanciono a seguinte Lei (…) (silepse)
  • O único sentido oculto das coisas é elas não terem sentido oculto nenhum. (paradoxo)
  • Ouviram do Ipiranga as margens plácidas (…) (hipérbato)

Por que as figuras de linguagem são tão usadas em anúncios e peças publicitárias?

Adorada pelos publicitários as figuras de linguagem mais utilizadas no dia-a-dia da profissão: são a rima, o ritmo, a aliteração e a paronomásia.

Porém, a rima foi a figura de linguagem mais utilizada no início da publicidade brasileira. Seu uso se dava graças à facilidade de memorizar que ela acrescentava a frase. Ainda hoje, sua eficácia é percebida, pois a rima continua sendo muito utilizada em anúncios e peças publicitárias.

No início do século XX, surgiu, no Brasil, a necessidade de criar anúncios que atraíssem o público com maior eficácia. Entretanto, não havia profissionais especializados em publicidade. Logo, para suprir essa necessidade, os poetas invadiram o mercado da propaganda como os profissionais pioneiros da redação publicitária (REIS, 2006).

Alguns poetas que participaram dos textos publicitários em suas épocas foram: Casimiro e Abreu, Emilio de Menezes, Hermes Fontes, Guimarães Passos, Basílio Viana, Lopes Trovão, Monteiro Lobato, Bastos Tigres e Olavo Bilac, que, de todos, foi o que mais contribuiu para a publicidade brasileira.

Essa participação dos poetas popularizou e diferenciou a propaganda nacional do formato utilizado pelo resto do mundo. Nos Estados Unidos, por exemplo, as mensagens publicitárias eram secas, com o único intuito de vender (REIS, 2006).

Alguns exemplos de figuras de linguagem:

Ah! Venham fregueses!
E venham depressa!
Que aqui não se prega           
Nem logro, nem peça.
(Café Fama de Casimiro de Abreu)

 

Aviso a quem é fumante
Tanto o Príncipe de Gales
Como o Dr. Campos Sales
Usam Fósforo Brilhante.
(Fósforo Brilhante de Olavo Bilac)

 

Se é Bayer, é bom.
(Bayer de Bastos Tigre)

Como no  anúncio da ZAP Imóveis, site de anúncios do Grupo Estado. Do ponto de vista da redação publicitária, ele abusa das figuras de linguagem: a metáfora, na “casa” do pássaro sendo comparada às nossas casas, como se nós fossemos pássaros; e a prosopopeia, por utilizar animais irracionais como protagonistas racionais, falando e agindo como seres humanos.

Apesar da utilização das figuras de linguagem ser assídua na publicidade, elas foram muito bem empregadas, com um texto e uma produção criativos, marcantes e simpáticos. Veja abaixo:

Ficha Técnica:

FILME
Título: João
Cliente: Zap SA Internet
Produto: Imóveis
Agência: NBS
Diretor de Criação: Pedro Feyer e André Lima
Criação: Cássio Faraco e Giuliano Cesar
Atendimento: Alexandre Grynberg, Ana Coutinho e Beatriz Molinari
Planejamento: Gisela Toledo, Rodrigo Néia e Vitor Amos
RTV: Bia Traldi
Aprovação Cliente: André Molinari, Eduardo Schaeffer e Glaucia Tacaoca
Produtora: Sentimental Filmes
Direção: Camila Faus
Direção de Fotografia: Ted Abel
Atendimento Produtora: Wander Damiani
Montagem / Edição: Rami Aguiar
Produtora de Áudio: Panela

Diego Fernandes Escrito por:

Bebedor desenfreado de café e averso a picanha, Diego é desenvolvedor front-end e professor. É o fundador do Duofox. Na literatura não vive sem os russos Dostoiévski e Anton Tchekhov e consegue "perder" tempo com autores da terra do Tio Sam, Raymond Chandler e Melville. Acredita que a arte de maneira geral é a única forma de manter o ser humano pelo menos acordado, longe do limbo que pode levar a humanidade à Encruzilhada das Almas.