Bartleby e o tédio contemporâneo através de livros de colorir para adultos

O escrivão Bartleby, é uma novela em que Herman Melville trata sobre o ócio e seu peso na vida das pessoas. Passa-se em um escritório de advocacia em Wall Street.Onde o escrivão Bartleby, simplesmente se nega a desempenhar qualquer função que fosse solicitada, que não fosse a de fazer cópias de documentos. Dizia, “Acho melhor não”, simplesmente para não desencadear outras ações.

Turkey e Nippers, funcionários do escritório querem matá-lo, mas ficam inibidos, devido a educação e os modos, com que Bartleby trata com as pessoas e seus afazeres.
Turkey e Nippers revezavam-se com aporrinhações: um possuía ataques de irritabilidade de manhã enquanto o outro, de nervosismo a tarde.

Começa então a pernoitar no trabalho, logo depois, a morar dentro do escritório. O proprietário do escritório (advogado), vive um grande dilema, o de não expulsar violentamente Bartleby de seu estabelecimento. Mas ao longo da história, há de convencer-se que Bartleby sofre de alguma patologia.

Patologia, stress e pressão no trabalho, qual é a relação de tudo isto com livros de colorir?

E esta patologia, talvez seja este momento em que vivemos alucinadamente, sobre forte pressão no trabalho e no dia a dia. Repetindo funções milhares de vezes, como autômatos. Fazendo com que o humor e felicidade tornem-se conceitos obsoletos no mundo repleto de tecnologia e novos gadgets.Com isto, o mercado, com publicitários e uma boa jogada de marketing, ressuscitam o jurássico livro de colorir, utilizado principalmente na educação infantil, para que as pessoas possam livrar-se do stress, colorindo árvores, flores etc.

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Isso prova, que nunca deveríamos ter desistido de desenhar em algum momento da vida. Pois com desenho, podemos criar inúmeros mundos e cenários diferentes. Representar mesmo que de forma lúdica, o mundo em que vivemos. E se não há facilidades com desenho, pintura ou música. Há colagens, fotografia, serigrafia, xilogravura etc. Um mundo de possibilidades para sair do meio comum e divertir-se com algo fora do convívio diário. Caminhe com caderno no bolso (de preferência um que você tenha criado) e escreva suas ideias, poemas, contos, listas de supermercado, qualquer coisa.

Sobre a moda dos livros de colorir, o mais importante seria não esquecer a curiosidade e criatividade que possuímos enquanto crianças. Pois estes dois atributos, são imprescindíveis no trabalho, na vida e no aprendizado.

Diego Fernandes Escrito por:

Bebedor desenfreado de café e averso a picanha, Diego é desenvolvedor front-end e professor. É o fundador do Duofox. Na literatura não vive sem os russos Dostoiévski e Anton Tchekhov e consegue "perder" tempo com autores da terra do Tio Sam, Raymond Chandler e Melville. Acredita que a arte de maneira geral é a única forma de manter o ser humano pelo menos acordado, longe do limbo que pode levar a humanidade à Encruzilhada das Almas.

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