Dona Iracema e seu ensaio sobre a morte em tempos de pandemia

A Orangeira Music lança nas plataformas digitais o novo single da banda baiana Dona Iracema, intitulado ‘Canto Velório’. A música, que fala do delicado e difícil momento de dar adeus às pessoas queridas, funciona também como um ensaio sobre a morte em tempos de pandemia.

Ouça aqui: https://musequal.ffm.to/canto-velorio-donairacema.

Canto Velório é a última parte, o último capítulo, a última canção do próximo disco, Velório, escolhida como primeiro single para apresentar a
ideia central do disco de uma maneira sutil e, ao mesmo tempo, arrebatadora.

A Dona Iracema é uma banda que preza, sobretudo, pela sinceridade em suas obras. Em Canto Velório, não se contiveram em abaixar as distorções, deitar as baquetas e abrir o peito para falar de um assunto tão sensível.

Aqui, o despojado e enérgico caatincore da Dona Iracema (mistura única da banda, que mistura hardcore e rock/metal com baião, forró e axé) dá lugar à cantos e melodistas intimistas, às vezes um literal canto de velório.

A música tem participação de André T, Sammliz, Rejane Ayres e Enzo Camurça.

A banda, com base na cidade de Vitória da Conquista, fala sobre a concepção de ‘Canto Velório’ e do disco, ‘Velório’, em meio a um turbilhão de emoções.

“Quando nos reunimos para começar a construir o disco, não imaginávamos que passaríamos por tudo isso, e todos sentimentos que nos assolariam nesse período, nesse sentido, transformamos todo nosso luto, toda a nossa saudade, todo nosso medo, em uma homenagem à todas as vítimas que não puderam ter seu último adeus, sem uma despedida digna, sem o seu velório”.

Velório será lançado ainda em 2021 pela Orangeira Music e Ruffo.

O projeto tem apoio financeiro do Estado da Bahia através da Secretaria de Cultura e da Fundação Cultural do Estado da Bahia (Programa Aldir Blanc Bahia) via Lei Aldir Blanc, direcionada pela Secretaria Especial da Cultural do Ministério do Turismo, Governo Federal.

Diego Fernandes Escrito por:

Bebedor desenfreado de café, Diego é desenvolvedor front-end e professor. É o fundador do Duofox. Na literatura não vive sem os russos Tolstói, Dostoiévski e Anton Tchekhov e consegue "perder" tempo com autores da terra do Tio Sam, Raymond Chandler e Melville. Acredita que a arte de maneira geral é a única forma de manter o ser humano pelo menos acordado, longe do limbo que pode levar a humanidade à Encruzilhada das Almas.

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