Duo Dirty Grills traz distorções, representatividade e sarcasmos no EP Depressão Pós-Party

Jéssica Gonçalves (guitarrista e vocalista) e Mariel Maciel (baterista) são cirúrgicas na crueza e na sonoridade lisérgica que se espera de um duo, que é o caso da Dirty Grills em seu terceiro EP, Depressão Pós-Party. Guitarras abrasivas, urgência rítmica e vocais entre o canto, o grito e o deboche estão escancarados neste registro no Estúdio Aurora, em São Paulo, e agora disponível nas plataformas de streaming.

Ouça o EP aqui: tratore.ffm.to/depressaopospartyep

O duo catarinense, de Florianópolis, atração neste ano do tradicional Festival DoSol, apresenta quatro faixas eletrizantes, com muito fuzz, reverbs e batidas ríspidas em velocidade. Existe um senso urgente em comum entre as canções: aqui, o rock é frenético, cujas letras são recortes de várias questões do cotidiano e da vida em geral.

Para fãs de Bikini Kill, Heavens to Betsy e Huggy Bear, Depressão Pós-Party é uma versão contemporânea e nacional do que a histórica banda cravou lá atrás e, ainda hoje, é tão essencial.

Nestas canções, a Dirty Grills ataca igualmente, mas com sua própria e altiva personalidade, com bateria simultaneamente anárquica e firme, riffs aloprados e cativantes e vozes que passam pela provocação, pela fúria e pela interpretação teatral.

Essas referências também aparecem na maneira como Jéssica e Mariel conduzem a Dirty Grills, dentro da lógica DIY e com as decisões da banda nas próprias mãos e mentes: turnês agendadas, divulgações que amplificam suas músicas e uma estética despojada e natural.

É, aliás, onde o diálogo com o riot grrrl ganha um sentido que vai além da música: na Dirty Grills, duas mulheres ocupam o centro da criação e ampliam a presença feminina em uma cena ainda majoritariamente masculina.

Dirty Grills: gênese e trajetória

Jéssica e Mariel acumulam mais de 20 anos de atuação na cena independente catarinense. A Dirty Grills nasceu em 2021, durante a pandemia, reunindo experiências que cada uma havia desenvolvido em outros projetos.

Desse encontro veio um repertório de letras sarcásticas, no qual o grunge e o stoner convivem com a energia do punk e a crueza do garage.

A disposição para experimentar aparece agora na escrita de músicas em português, desafio assumido por Jéssica e Mariel na preparação de Depressão Pós-Party. A proposta, elas contam, é trabalhar com o idioma preservando o peso e a energia que caracterizam a banda.

As gravações deste EP aconteceram em 2025 no Estúdio Aurora, em São Paulo, dando sequência à colaboração com o selo responsável também pelo EP anterior.

É uma relação que começou com Dirty Grills, lançado em abril de 2024. Naquele mesmo mês, Chernoboy ganhou um videoclipe realizado pela Casagrito Produções, também na capital paulista.

Entre o primeiro e o terceiro EP, a discografia passou, assim, a incorporar o trabalho desenvolvido em São Paulo à atividade que Jéssica e Mariel mantêm a partir de Florianópolis.

Os shows ajudam a dimensionar a presença ao vivo da Dirty Grills. Psicodália, Maratona Cultural e Orquestra de Baterias de Florianópolis estão entre os eventos pelos quais o duo passou, além do Palco Primeira Classe feat. Tagima do Rock in Rio, em 2024.

No ano seguinte, as sessões do novo EP dividiram a agenda com o Congresso Bruxólico e o Não Tem Banda Com Mina Fest, em São Paulo. Já em 2026, elas tocaram no tradicional Bananada, em Goiânia.

Tem ainda pela frente o Festival DoSol, em Natal, no Rio Grande do Norte, em novembro, além de diversos shows principalmente pelas regiões Sul e Sudeste do Brasil.

Ficha técnica: Depressão Pós-Party EP

Músicas: Jéssica Gonçalves e Mariel Maciel
Produção: Carlos Eduardo Freitas
Gravação: Carlos Eduardo Freitas e Júlio Miotto (baterias), no Estúdio Aurora
Mixagem: Carlos Eduardo Freitas e Davi Rodriguez de Lima
Masterização: Davi Rodriguez de Lima
Créditos das fotos

Faixas
Depressão Pós-Party

  1. Superglue
  2. Toque de Recolher na Ilha
  3. Devido à Turbulência, o Serviço de Bordo Foi Cancelado

Dirty Grills nas redes

instagram.com/dirty.grills
linktr.ee/dirtygrillsband

Diego Fernandes Escrito por:

Bebedor desenfreado de café, Diego é desenvolvedor front-end e professor. É o fundador do Duofox. Na literatura não vive sem os russos Tolstói, Dostoiévski e Anton Tchekhov e consegue "perder" tempo com autores da terra do Tio Sam, Raymond Chandler e Melville. Acredita que a arte de maneira geral é a única forma de manter o ser humano pelo menos acordado, longe do limbo que pode levar a humanidade à Encruzilhada das Almas.

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