A narrativa cósmica de H.P Lovecraft

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“Quando visitei as colinas e os vales para medir o terreno da nova represa disseram-me que o lugar era amaldiçoado.” Essas são algumas das primeiras palavras do narrador anônimo de A cor que caiu do espaço, conto que marcou a trajetória de H.P Lovecraft rumo ao horror cósmico.

Escrito em 1927, o conto foi fortemente influenciado pela ficção científica que circulava na época. A forma de construção, no entanto, não abre mão da ambientação das histórias de terror tradicionais.

Nesse conto Lovecraft nos transporta para a região de Arkham, um vilarejo “comum” e que será palco de uma assombrosa história, envolvendo elementos do universo cósmico e memórias que o autor extraía de seus próprios pesadelos. O que se pode esperar é uma história que envolve o leitor desde as primeiras linhas.

Tudo começa quando um misterioso meteorito cai do céu nas terras da propriedade do fazendeiro Nahum Gardner, trazendo consigo uma bizarra coloração cromática que transformará para sempre a história do vilarejo e da família de Nahume de seus vizinhos.

O “descampado maldito”, como fica conhecido o solo afetado pela queda do bizarro meteoro, é na verdade apenas o início da tragédia, que vai se materializando em um crescente suspense que toma conta das páginas.

Animais começam a desaparecer enquanto outros surgem mortos e transfigurados. Por fim, a aberração cromática que a essa altura já tomou conta de quase todo o solo da fazenda, os filhos de Gardner começam a se comportar de maneira estranha.

Além de névoas que tingem a vegetação sem uma aparente explicação racional, um antigo poço, no terreno da fazenda, parece esconder muito mais do que simplesmente água.

Com seus contos e novelas arquitetadas de forma singular, H.P Lovecraft merece estar ao lado de Edgar Alan Poe e Stephen King como um dos nomes a encabeçar a lista de mestres da literatura de horror.

Felipe Terra Escrito por:

Professor e amante da arte literária, atua na área da educação desde 2011. Viciado na música de Bach, Mozart e Chet Baker, e na literatura de Raymond Chandler, Ross Macdonald e Paul Auster. Ama escrever e acredita que poderia ler mais, porém, precisa dormir, infelizmente. Consegue passar horas jogando pôquer ou xadrez com os amigos. Degustar pizzas de queijo e bacon é um dos passatempos prediletos em horas de fome extrema.

2 Comentários

  1. Sueli Villaça
    fevereiro 20, 2015
    Responder

    Gostaria de parabenizar pela crítica, pois escreveu com propriedade e lucidez.
    Gosto muito deste autor e concordo com sua visão sobre ele.
    Um abraço..estarei de olho nas próximas publicações!!

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