O porquê de todas as coisas – A brevidade da vida nos contos de Quim Monzó

A literatura espanhola sempre nos deu livros brilhantes, não apenas romances, mas narrativas curtas também.

Outro dia apanhei numa pilha de descarte um livro chamado O porquê de todas as coisas, do cronista, romancista e tradutor catalão Quim Monzó. Apesar de ser um cara conhecido em solo espanhol e em outros países, eu nunca tinha ouvido falar dele.

Esse livro de contos me surpreendeu primeiro pelo título e depois pela forma como foi construído. Os contos são breves e falam sobre tudo. Amor e morte, sobre a brevidade da vida, conflitos entre os sexos, relações abusivas, oportunidades não aproveitadas, remorso e uma porção de coisas com as quais todos nós, algum dia, vamos nos deparar.

Quim Monzó
O catalão, Quim Monzó, escreve para quem tem pressa. Para aqueles que amam boas histórias num curto espaço de tempo.

É um livro curioso ao extremo. As tramas formam um labirinto e deixam o leitor incomodado com a rapidez e fluidez das histórias.

Quim Monzó possui uma escrita muito semelhante a muitos autores brasileiros, como Rubem Fonseca, Plínio Marcos e Dalton Trevisan, rápidos no gatilho e na construção de desfechos.

Uma coisa que me deixou encantado foi o modo como Monzó decidiu abordar os dilemas e pensamentos masculinos e femininos nos contos desse livro.

Ele fala de comportamentos femininos e masculinos com uma agressividade velada e ao mesmo tempo explícita. Isso não é fácil e nem é para qualquer um.

As pessoa que vivem as narrativas do livro

Os personagens, tanto masculinos quanto femininos, são obrigados a aceitar o mesmo dilema, a mesma sina, a de que nem sempre podemos combater o destino, o tempo e, principalmente, não se pode entender o porquê de todas as coisas nesse mundo tão conflitante e destruidor.

Alguns contos como Ciclo Menstrual, por exemplo, é um belo conto que fala sobre como muitos romances começam e terminam sem que se tenha a chance de repensá-los.

Fala também de como devemos ser intensos em nossas relações e nos mostra como o amor é uma grande dança aleatória de sentimentos e emoções.

Esse é apenas um dos muitos contos desse livro que todo mundo que adora contos deveria ler. É na real muito bom mesmo.

Nós do Duofox somos suspeitos em dizer isso, adoramos boas histórias curtas. E é por isso que passamos aqui para indicar um esse livro para vocês! Esperamos que gostem. Boa leitura e até a próxima

Felipe Terra Escrito por:

Professor e amante da arte literária, atua na área da educação desde 2011. Viciado na música de Bach, Mozart e Chet Baker, e na literatura de Raymond Chandler, Ross Macdonald e Paul Auster. Ama escrever e acredita que poderia ler mais, porém, precisa dormir, infelizmente. Consegue passar horas jogando pôquer ou xadrez com os amigos. Degustar pizzas de queijo e bacon é um dos passatempos prediletos em horas de fome extrema.

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