Por que ler toda a poesia de Paulo Leminski?

O que dizer sobre este poeta incrível? Um poeta que quebrou paradigmas no vasto campo da arte poética. No Livro Toda Poesia é uma compilação de vários livros de Paulo Leminski, além de materiais póstumos.Sua obra discorre vários temas: o amor, a vida, alegrias, medos, tristezas e o cotidiano.

Paulo Leminski nasceu em Curitiba, em 1944. Foi poeta, romancista, tradutor, compositor, biógrafo e ensaísta. Dono de uma forma peculiar de escrever, utilizando  (trocadilhos, brincadeiras, ditados populares e influência do haicai), gírias e  palavrões como ferramentas de escrita. Em sua trajetória, Leminski aproxima-se de Augusto de Campos. Essa aproximação rende a participação na Revista Invenção, onde publicará seus primeiros poemas.  

Conhecido pela linguagem coloquial, irreverência e por ser direto, Leminski foi um dos representantes da Poesia Marginal, também denominada de Geração Mimeógrafo. Além das influencias dos poetas modernas como Mallarmé e Rimbaud. Era apaixonado pela cultura japonesa, Leminski era exímio no haikai – poema curto de três versos.

Por que ler toda a poesia de Paulo Leminski? Além da construção poética excepcional, Leminski é imprescindível com a objetividade dos temas de seus poemas, tornando a leitura rápida, fácil e prazerosa. Um livro para ter na mochila, na bolsa, no seu celular ou em qualquer outro lugar que tenha fácil acesso. É aquele livro para ler no parque, no ponto do busão e no busão, a caminho de casa, do trabalho etc. Fica a dica e boa leitura!!!!

Um bom poema
leva anos
cinco jogando bola,
mais cinco estudando sânscrito,
seis carregando carregando pedra,
nove namorando a vizinha,
sete levando porrada,
quatro andando sozinho,
três mudando de cidade,
dez trocando de assunto,
uma eternidade, eu e você,
caminhando junto

Leminski

Aviso  aos náufragos
Esta página, por exemplo,
não nasceu para ser lida,
Nasceu para ser pálida,
um mero plágio da ilíada,
alguma coisa que cala,
folha que volta pro galho,
muito depois de caída.

Nasceu para ser praia,
quem sabe Andrômeda, Antártida,
Himalaia, sílaba sentida,
nasceu para ser última
a que não nasceu ainda.

Palavras trazidas de longe
pelas águas do Nilo,
um dia, esta pagina, papiro,
vai ter que ser traduzida,
para o símbolo, para o sânscrito,
para todos dialetos da Índia,
vai ter que dizer bom dia
ao que só se diz ao pé do ouvido,
vai ter que ser a brusca pedra
onde alguém deixou cair o vidro.
Não é assim que é a vida?

Lápide 1 – Epitáfio para o corpo

Aqui jaz um grande poeta.
Não deixou escrito.
Este silêncio, acredito,
são suas obras completas.

Lápide 2 – Epitáfio para alma

Aqui jaz um artista
mestre em desastres

Viver
com a intensidade da arte
levou-o ao infarte

deus tenha pena
dos seus disfarces

A teus pés e a poesia marginal de Ana Cristina Cesar

 

Diego Fernandes Escrito por:

Bebedor desenfreado de café e averso a picanha, Diego é desenvolvedor front-end e professor. É o fundador do Duofox. Na literatura não vive sem os russos Dostoiévski e Anton Tchekhov e consegue "perder" tempo com autores da terra do Tio Sam, Raymond Chandler e Melville. Acredita que a arte de maneira geral é a única forma de manter o ser humano pelo menos acordado, longe do limbo que pode levar a humanidade à Encruzilhada das Almas.

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