The Caldo de Cana abraça o brega nos singles “Você Me Usou” e “Aliciando”

São Luís – Um encontro entre ritmos regionais e beats eletrônicos marcam a trajetória do The Caldo de Cana, duo musical criado em 2017, pelos músicos maranhenses Benedicto Lima e Felipe Costa Cruz – também conhecidos na cena musical maranhense como “Bené” e “Felipe Mestre”, respectivamente).

Com sua energia própria e uma inspiração em sonoridades regionais, a dupla está prestes a lançar o seu primeiro álbum de estúdio, previsto para o início do segundo semestre de 2020. Antes, porém, The Caldo de Cana antecipa ao público um pouco de sua mistura musical, tão característica do grupo, em seus primeiros singles da carreira: as dançantes “Você Me Usou” e “Aliciando”, já disponíveis nas principais plataformas de música digital.

Ambas composições de Benedicto Lima e Felipe Costa Cruz, as faixas ganharam um tom envolvente e cheias de calor – o que reforça a proposta pensada pela dupla ao projeto musical. “O propósito da The Caldo de Cana é justamente esse: de divertir todo mundo. De criar essa vontade de se mexer, abraçar, dançar, suar, beber, beijar, talvez chorar um pouco pra rir bastante logo depois”, pontua o compositor.  E acrescenta: “Tanto ‘Você Me Usou’ e ‘Aliciando’ se traduzem em uma simples, mas importante mensagem: ‘Curta esse momento. Aqui, agora. A vida é uma festa’”, reforça Felipe.

Adotando o estilo criado pela própria The Caldo de Cana de “Afrorróbaioquebeat” – uma mistura que vai do afrobeat ao forró, passando pelo baião e ritmos caribenhos, com espaço ainda para o folk, xaxado, brega, bolero e a techno-embolada –, os primeiros singles do grupo resumem bem a alma do projeto, criando uma energia ímpar para criar uma grande festa.

“A The Caldo de Cana foi criada em 2017 e logo no início já tínhamos algumas composições próprias. Queríamos fazer algo apenas autoral, e aí surgiu a ideia de levar em frente a banda, com esse objetivo. Começamos a compor muito, juntando mais composições as que já existiam. Assim nosso repertório foi ganhando corpo. E acabamos selecionando pra dupla as músicas que mais tinham a ver com a sonoridade que queríamos no momento”, afirma Bené.

“Você Me Usou” foi composta em 2016 e carrega, em sua melodia e suas referências, as memórias do município de Alcântara e das lembranças de grandes artistas brasileiros do brega, como Reginaldo Rossi, Altemar Dutra, entre outros.

Já “Aliciando”, feita em 2019, está entre as composições da dupla que foram criadas à distância – ambos trocando tanto letras quanto melodias por WhatsApp. “A princípio, era uma bossa nova e transformamos em brega. […] Bené veio pra São Luís e, em uma semana, terminamos a música. E já pensávamos com um formato brega”, analisa Felipe. A faixa, inclusive, foi premiada na edição 2019 do Festival Nacional de Música de Imperatriz (FMI), como Melhor Música.

“O som da The Caldo de Cana é essencialmente regional. Forró, baião, brega, xaxado, enfim, são muitas as sonoridades que buscamos contemplar e boa parte são dos ritmos populares característicos do ‘país’ Nordeste – às vezes, abordados de forma tradicional, às vezes cheios de experimentações ‘tropicodélicas’ e delírios sonoros diversos”, acrescenta Bené, que brinca: “Se soar bem e bater certo na cuca, entra no caldo (risos)”.

As faixas “Você Me Usou” e “Aliciando” antecipam o primeiro disco homônimo da The Caldo de Cana, que foi gravado na CASA LOCA, com produção de Adnon Soares (Casa Loca, Marcos Lamy, Gu7o, RAUCHOA, Bimbo, Soulvenir, Paulão, entre outros).

Itaú Cultural

Em 2020, o duo maranhense The Caldo de Cana esteve entre os 200 trabalhos selecionados no segundo edital da série Arte como respiro: múltiplos editais de emergência, do Itaú Cultural.

O edital, que tem o objetivo de acolher e apoiar os artistas sujeitos a atuar isoladamente e sem remuneração durante o período de recolhimento, selecionou o duo do Maranhão entre mais de 12 mil trabalhos inscritos.

Além da The Caldo de Cana, outros quatro artistas maranhenses foram selecionados. São eles: Banda Cena Roots, Jefferson Carvalho, Boi do Una e Dicy.

Felipe Costa Cruz

Felipe Costa Cruz ou “Felipe Mestre” é músico e compositor maranhense, atuante na cena musical do Estado do Maranhão há, pelo menos, oito anos. Teve suas primeiras músicas gravadas em 2013, pela banda de pop-rock Farol Vermelho. Entre as faixas feitas que foram gravadas pela banda, estão “Sem Noção”, destaque nas rádios locais em 2013 e “Quando Minha Vó Fugir de Casa”, single que ganhou videoclipe.

Após um hiato, “Felipe Mestre” voltou à cena musical maranhense, compondo em parceria com Tiago Máci, nos singles “Xote Dessa Moça” (2018) e “Diz Que Vai, Diz Que Vem” (2020), e também em “TQT” (2019), de Paulão (videoclipe da música saiu vencedor no Maranhão Na Tela 2019), “Cria” (2020), da banda Ventriloco e “Não Para” (2020) – esta última uma música de sua autoria, interpretada pela cantora e compositora maranhense Samile.

Além das parcerias já citadas, tem músicas compostas com Ari Sousa, Enom Silva, Geovane Chaves, Israel Costa, Jonas Magno, Lucas Ló, Rafael Camarão, Samarone, Totti Moreira, VINAA, entre outros artistas do Maranhão.

Benedicto Lima

Benedicto Lima, ou “Bené”, é radicado alcantarense e é um amante da música brasileira – em especial da nordestina –, a qual se dedica desde 2014. A partir de 2016, começou a se apresentar em bares da capital maranhense, com repertório que mistura músicas autorias com composições consagrados de artistas do Nordeste.

Em 2018, teve sua primeira música lançada “Xote Dessa Moça”, parceria com Felipe Costa Cruz e Tiago Máci, premiada no festival nacional de música Pé Vermelho. Em 2019, outra parceria foi lançada com Felipe Costa Cruz: “TQT”, dessa vez com colaboração de Paulão – a faixa é um dos singles de “Special Power”, mais recente álbum de estúdio de Paulão.

Outras parcerias também foram feitas em composições com outros músicos importantes da cena maranhense, como: Geovanne Rafael, Marcos Magah, Lucas Ló, Carlos Cuíca e Enom Silva.

Diego Fernandes Escrito por:

Bebedor desenfreado de café e averso a picanha, Diego é desenvolvedor front-end e professor. É o fundador do Duofox. Na literatura não vive sem os russos Dostoiévski e Anton Tchekhov e consegue "perder" tempo com autores da terra do Tio Sam, Raymond Chandler e Melville. Acredita que a arte de maneira geral é a única forma de manter o ser humano pelo menos acordado, longe do limbo que pode levar a humanidade à Encruzilhada das Almas.

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