Tuim faz alerta contra o retrocesso na música 1964

1964 é o título da música que o duo Tuim lança neste 1º de abril de 2021. Coincide, e este é o propósito, com o Brasil de 57 anos atrás, o dia do golpe, dia da derrubada da democracia, o dia em que o país iniciava mais uma idade das trevas – décadas depois monstruosamente reverenciada e copiada, como uma distopia.

Ouça nas plataformas digitais: https://links.altafonte.com/qy349k2.

1964 foi gravada na Toca do Bandido, no Rio de Janeiro, com produção de Felipe Rodarte. A música é disponibilizada nas plataformas digitais via selo Toca Discos.

Música de combate, de enfrentamento e com discurso aberto, sem soar panfletário, a 1964 de Felipe Habib e Paula Raia alerta que, apesar de parecer mentira, os horrores do passado ainda são temores do presente, além de exaltar uma desoladora verdade: o tempo parou, o futuro não chegou.

A composição nasceu em 2018, logo após as eleições presidenciais do Brasil naquele ano. A letra é de Paula, musicada por ela e Habib. 1964 é plural, como o golpe, como as tensões provocadas pelas consequências deste período. Tem a densidade da MPB e a potência do rock, usados ora com sutileza, ora de forma abrupta.

Cada palavra e expressões têm seu peso em 1964 – seja a música ou o golpe. “Voltei às pressas/Com as pernas presas/Pra avisar aos meus/Que a voz do povo/Não é a voz de Deus”, canta Paula e Habib com dramaticidade, numa crescente e um pouco de desespero, um grito que se prolonga com um solo de guitarra.

A versão de estúdio de 1964 chega ao streaming após o Tuim lançar Dia Santo, com participação da cantora sergipana Sandyalê. A próxima canção é Cantos, junto a Caio Prado. As três músicas se comunicam por meio de um discurso contra o regresso político e social no país, um posicionamento que Paula e Habib assumem enquanto indivíduos e banda.

Diego Fernandes Escrito por:

Bebedor desenfreado de café e averso a picanha, Diego é desenvolvedor front-end e professor. É o fundador do Duofox. Na literatura não vive sem os russos Dostoiévski e Anton Tchekhov e consegue "perder" tempo com autores da terra do Tio Sam, Raymond Chandler e Melville. Acredita que a arte de maneira geral é a única forma de manter o ser humano pelo menos acordado, longe do limbo que pode levar a humanidade à Encruzilhada das Almas.

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