Joyland de Stephen King – Bom e velho suspense com corações partidos

Stephen King

Não é de hoje que associamos o nome de Stephen King às horripilantes e instigantes histórias de suspense e terror. Mestre nesse tipo de narrativa, King surpreende não apenas pelo modo como constrói suas tramas, mas também pela variedade de temas e a forma como os aborda.

Em um de seus trabalhos mais recentes, King nos oferece uma narrativa um tanto peculiar. Uma história cheia de emoções e, por incrível que pareça, sem quase nenhuma gota de sangue. Joyland, publicado recentemente no Brasil, é um livro repleto de sentimentalismo, corações partidos, velhos rabugentos e suspense à moda dos parques de diversões macabros.

O universitário Devin Jones inicia um trabalho temporário em Joyland. Sua esperança é que o trabalho o faça esquecer de vez a namorada que partiu seu coração.

Durante os dias em que passa em Joyland, comendo hot-dogs, operando brinquedos enferrujados e vendendo muito algodão doce, Devin acaba conhecendo Rozie, uma velha vidente funcionária do parque, e que lhe revela coisas sinistras a respeito de seu futuro e sobre outra garota que entrará em sua vida. O único detalhe nas previsões Rozie, é que a outra garota, Linda Grey, foi vítima de um serial killer, e de acordo com os funcionários do parque e moradores da região, seu espírito ainda perambula pelos túneis do trem fantasma.

A sequência dessa história, no melhor estilo King, segue repleta de sonhos, descobertas, amores adolescentes e uma atmosfera que lembra muito os filmes de terror dos anos 70, em que tudo é maravilhoso até as luzes da roda-gigante se apagarem.

King ainda causa arrepios com vagões que se mexem sozinhos, velhos sinistros e sarcásticos e com o pequeno Mike, um garoto de 10 anos, que vive numa cadeira de rodas, tem uma doença misteriosa e tem o estranho hábito de falar com pessoas no além. E é através dele que Devin vai descobrir que não é tão gostoso trabalhar num parque de diversões onde uma garota foi assassinada.

A perfeição de Stephen King em contar histórias faz brotar uma espécie de hino à juventude. Joyland soa como uma fábula sobre amar e perder, sobre adolescência e velhice, mas acima de tudo, sobre aqueles que não tiveram a chance de passar por essas experiências pelo simples fato de terem conhecido a morte muito cedo.