O Gato Preto, mitologia e misticismo na obra de Edgar Allan Poe

 

blackcat-duofox

Reconhecido por suas narrativas de terror e mistério, Edgar Allan Poe foi poeta, contista e ensaísta do período romântico americano. O gênero que conhecemos hoje como “gótico”, jamais seria o mesmo sem a genial maestria de Poe em criar ambientes sombrios e que beiram ao desespero.

Em um de seus contos mais populares, O gato preto (The blackcat), Poe traz à tona crenças obscuras que giram entorno de um felino negro, e que atormenta e traz diabólico infortúnio ao seu dono.

Foco constante na obra edgariana, a história é narrada em 1ª pessoa pelo personagem anônimo e que se diz, desde o início da narrativa, um amante dos animais. Ao longo da narrativa, porém, o misticismo que envolve a figura de um animal, o gato preto, surge para atormentar seu dono, levando-o a adotar estranhos comportamentos.

O enredo aparentemente simplório do conto serve para ludibriar o leitor, que ao correr os olhos pelas páginas, acaba mergulhando em uma alucinante e perturbadora história, onde muitas vezes não é possível distinguir o que teria sido real, imaginação ou alucinação.

Poe seguia um rigoroso processo de criação, e acreditava que contos deveriam ser lidos em uma sentada. De fato não se pode negar que o Gato Preto é um desses contos.

Dois aspectos interessantes ficam por conta de duas questões, que surgem após a leitura do conto. Qual a razão de Poe escolher o gato preto como animal principal do conto, e por que lhe deu o nome de Plutão?

Primeiramente, parece clara a intenção de Poe em escrever um conto macabro e que envolvesse símbolos para instigar e prender o leitor. O dicionário de símbolos (Chevalier e Gheerbrant, 1998) apresenta-nos o gato preto como um animal “filho” das trevas, símbolo ligado também aos inúmeros disfarces das bruxas. Por olhos que brilham no escuro, e o modo sorrateiro e noturno, os gatos eram considerados sinais de azar e tudo de mal que ocorria era logo ligado a eles.

Quanto a Plutão, o gato preto do conto, pode ser relacionado à figura mitológica grega de Hades, o deus dos mortos. Segundo a mitologia, os gregos não pronunciavam seu nome maléfico, passando a chamá-lo de Plutão.

Poe era um grande poeta e dominava a arte de contar histórias com fundo sombrio e com forte carga de terror psicológico.

O Gato Preto, assim como toda a obra narrativa de Poe, se destaca principalmente pela forma romântica como é construída, nos oferecendo uma linguagem expressiva e obscura, envolta em uma névoa carregada de profunda melancolia e morbidez. Névoa essa que aos poucos foi abraçando o angustiado e perturbado Poe, que deixou o mundo de uma maneira triste e enigmática.

Créditos da imagem: The Black Cat – Mike Penn 2014

Felipe Terra Escrito por:

Professor e amante da arte literária, atua na área da educação desde 2011. Viciado na música de Bach, Mozart e Chet Baker, e na literatura de Raymond Chandler, Ross Macdonald e Paul Auster. Ama escrever e acredita que poderia ler mais, porém, precisa dormir, infelizmente. Consegue passar horas jogando pôquer ou xadrez com os amigos. Degustar pizzas de queijo e bacon é um dos passatempos prediletos em horas de fome extrema.

Um comentário

  1. Ana Paula Rodrigues dos Santos
    maio 26, 2016
    Responder

    como o primeiro gato preto foi assassinado

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *