2 livros de João Cabral de Melo Neto que você deveria ler

Neste volume encontramos 2 livros do grande poeta de Morte e vida Severina, João Cabral de Melo Neto, Vamos começar por, A escola das facas, considerado um clássico, foi publicado em 1980, apresentam 44 poemas que falam de Pernambuco.

Um misto de nostalgia dos coqueirais, canaviais, engenhos e figuras históricas. Com temáticas como: O rio, o sertão, o povo e o canavial. Além de citar seu primeiro contato com a literatura de cordel, ainda menino, quando lia as histórias em voz alta aos empregados do engenho. 

A ESCOLA DAS FACAS

O alísio ao chegar ao Nordeste
baixa em coqueirais, canaviais;
cursando as folhas laminadas,
se afia em peixeiras, punhais.

Por isso, sobrevoada a Mata,
suas mãos, antes fêmeas, redondas,
ganham a fome e o dente da faca
com que sobrevoa outras zonas.

O coqueiro e a cana lhe ensinam,
sem pedra-mó, mas faca a faca,
como voar o Agreste e o Sertão:
mão cortante e desembainhada.

Já em Auto do Frade, João Cabral de Melo Neto volta com um poema dramático, da mesma forma que foi consagrado em Morte e vida Severina, narra os instantes finais da vida de Frei Caneca , ou frei Joaquim do Amor Divino Rabelo, figura proeminente da Revolução Constitucionalista de Pernambuco, de 1824, é levado ao enforcamento, mas por desobediência de 3 carrascos, que se recusaram a executar a sentença, acabou sendo fuzilado. 

 “Que ninguém se aproxime dele./ Ele é um réu condenado à morte./ Foi contra Sua Majestade,/ contra a ordem, tudo que é nobre.”

“Veio andando calmo e sem medo, ar aberto de amigo, e brando./  Não veio desafiando a morte nem indiferença ostentando./ Veio como se num passeio, mas onde o esperasse um estranho”

“Padre existe é para rezar pela alma, mas não contra a fome.”

Um ótimo livro de poemas, se você ainda não conhece a obra de  João Cabral de Melo Neto, é um bom livro para iniciar a jornada, através do universo deste poeta incrível, boa leitura!!!

Diego Fernandes Escrito por:

Bebedor desenfreado de café e averso a picanha, Diego é desenvolvedor front-end e professor. É o fundador do Duofox. Na literatura não vive sem os russos Dostoiévski e Anton Tchekhov e consegue "perder" tempo com autores da terra do Tio Sam, Raymond Chandler e Melville. Acredita que a arte de maneira geral é a única forma de manter o ser humano pelo menos acordado, longe do limbo que pode levar a humanidade à Encruzilhada das Almas.

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