As várias formas para não dizer adeus de Lya Luft

Um dia desses me peguei lendo um livro de poesia da Lya Luft. Para não dizer adeus. Esse é o nome do livro curto, umas 130 páginas.

Depois da leitura de uma meia dúzia de poemas fiquei pensando no modo como ela nos faz enxergar as pequenezas da vida com palavras simples.

Lya nos joga na cara as razões pelas quais devemos olhar para nós mesmos e de como nos reconhecer como seres humanos falhos e errantes é fundamental para uma vida menos sofrível.

Lembro, agora, escrevendo esse pequeno texto reflexivo sobre minhas impressões que, a cada novo poema, eu sentia uma certa agonia.

Agonia por saber que o mundo está perdendo a poesia e a sensibilidade de encontrar, em cada linha nova, seja ela com rima ou não, a essência do que realmente é viver.

Em diversos poemas a escritora fala de despedidas, encontros e principalmente de valor à vida.

Depois que finalizei o poema intitulado Criança deitada na grama me pus a pensar se tudo o que temos ao nosso redor é de fato uma realidade dolorosa e que queremos transformar em uma realidade onírica ou se estamos rodeados de ilusões que se tornar realidade.

Ao ler o poema A Casa no mar, percebemos o quanto as lembranças sustentam novas vidas atuais. Paramos para refletir sobre o que o passado tem de especial e por qual razão devemos abraçá-lo cada dia mais. O passado é a melhor forma que existe de modificar o presente e quem sabe chegar ao futuro.

Enfim, ler esse livro em tempos de pandemia foi uma experiência construtiva. Talvez a leitura mais construtiva e proveitosa nesses dias tão ásperos. 

Revelação
Quando chegaste,
redescobri em mim inocência e alegria.
Removi a máscara que sobrava:
nada havia a esconder de ti,
nem medo – a não ser partires.
Supérfluas as palavras,
dispensada a aparência, fiquei eu,
sem prumo,
como antes da primeira dúvida
e do último desencanto.
Quando chegaste,
escutei meu nome como num outro tempo.
o meu lado da sombra entregou
o que ninguém via:
as feridas sem cura e a esperança sem rumo.
Começa a crer, por mim, que o amor é possível,
e que a vida vale a pena e o pranto
de cada dia.

Lya Luft no livro Para não dizer adeus

Felipe Terra Escrito por:

Professor e amante da arte literária, atua na área da educação desde 2011. Viciado na música de Bach, Mozart e Chet Baker, e na literatura de Raymond Chandler, Ross Macdonald e Paul Auster. Ama escrever e acredita que poderia ler mais, porém, precisa dormir, infelizmente. Consegue passar horas jogando pôquer ou xadrez com os amigos. Degustar pizzas de queijo e bacon é um dos passatempos prediletos em horas de fome extrema.

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