A Possível Banda e as “Noites de Insônia”

Esse final de semana temos por aqui a galera da Possível Banda, uma banda Atibaiana que está na estrada desde 2015.

Gabriel Takacs na bateria e percussão, João Gilberto no baixo, Ariê Natanael na guitarra, violão e canto e Tony Ferreira na guitarra e violão, compõe esse grupo que após muitos shows em bares, passou a ser aclamada pelo público de Atibaia e região.

Atualmente a banda não conta mais com o guitarrista Tony Ferreira, mas com o André Takacs nas guitarra e, ocasionalmente, nos teclados.

A Possível Banda tem por influência o rock’n’roll clássico, mas também se nutre do Jazz, Soul, Funk e MPB; suas letras tem cunho social e existencial. Confira a entrevista que os caras deram para o duofox.

1 – Antes de mais nada, estamos todos curiosos, por que o nome A Possível Banda e como nasceu a ideia da banda?

João: Após um tempo sem tocar, eu entrei em contato com o André, pedindo ajuda para encontrar músicos para uma futura banda; ele me indicou o Tony (guitarrista), o Arie (voz) e o Gabriel (Bateria).

Nos encontramos, começamos a ensaiar alguns covers e passamos a compor canções autorais. Como não sabíamos se ia dar certo ou não, o nome dos contatos estava salvo no celular com a alcunha de “Possível Banda”.

Aí ficou. Por volta de 2017, Tony se afastou da banda por conta de suas aulas particulares. Foi quando o próprio André assumiu as guitarras.

Gabriel: Achei muito bacana este nome no grupo de WhatsApp que o Joãozinho havia criado para mantermos contato e acho muito difícil dar nomes, conversamos pouco a respeito e por fim acabou ficando assim msm

2– Os covers, quais as preferências para tocar em shows?

João: Gostamos de tocar canções autorais, as quais conhecemos a mensagem. Ao tocar em bares e casas noturnas, nos agrada tocar artistas que nos influenciaram, tais como Tim Maia, Jimi Hendrix, Janis Joplin e afins.

Ariê: A preferência será sempre sons compostos por nós mesmos, mas como fazemos festas e bares, acabamos por colocar muito Tim Maia, Janis Joplin e clássicos do blues.

3 – Nas canções de autoria própria, quais as principais influências e como vocês conseguem absorver essas influências sem se tornarem apenas mais um grupo na cena musical?

João: Cada integrante da banda tem um gosto em particular, apesar de coisas em comum. Eu, em particular, sofro bastante influência das bandas de Soul, Jazz e Funk dos anos 60 e 70, bem como nas letras mais políticas e existenciais dos grandes músicos da MPB e de obras literárias, no que se refere às letras.

Ariê: Todos escutam muitas coisas nos mais variados estilos musicais, daí surge uma mistura que tem como resultado esse funk meio rock com base em blues…

4 – Conta pra gente um fato curioso/hilário/dificuldade que surgiu durante a gravação do clipe de Noites de Insônia? E quais as dificuldades de orçamento na hora de gravar as músicas de autoria própria?

João: O vídeo de “Noites de Insônia” saiu de maneira muito parecida com o que idealizamos. O diretor do vídeo, Sagaz um notório produtor de vídeos independentes na cidade) nos deu algumas sugestões, mas respeitou nossos pontos de vista.

A maior dificuldade, em termos de orçamento, é arrumar o dinheiro. Feito isso, a gente pensa no que a música quer passar e no que é viável e inviável para gravarmos.

André: sobre a dificuldade financeira, é muito difícil ganhar algum dinheiro tocando apenas as musicas próprias, sendo assim temos q tocar os covers para viabilizar o som autoral.

Ariê: Um fato curioso é que o clima estava propício para o significado da canção. Garoa, poucas pessoas na rua… Bem um clima de noite de insônia junto a uma certa melancolia.

5 –Vocês tem a pegada pro lado do blues e do rock. Como é enveredar por esses estilos de música sabendo que o Funk e Sertanejo insistem em abocanhar uma grande massa de seguidores?

João: Acredito que esse “abocanhar” depende muito daquilo que o público quer ouvir. Hoje em dia compreendemos que as pessoas podem gostar de música sem rótulos.

De certa maneira, nós passamos da fase de considerar o público do Funk e Sertanejo como inimigos. Nosso problema (ao menos o meu) ainda é com a Indústria Cultural, com a possibilidade de ter de fazer concessões de tal forma a acabar perdendo nossa identidade.

Ariê: Isso é complexo… Tem a ver com a questão da cultura de massa, ou seja, arte com o intuito de vender pra uma grande quantidade de público.

Digo que é complexo, porque o próprio rock foi assim no início… O século XX transformou a arte nisso, algo palpável as massas… E hoje não consigo imaginar um mundo diferente. O triste são os ótimos artistas que existem e não conhecemos.

6 – Em conjunto, 4 filmes e 4 álbuns que vocês assistiriam e ouviriam sem parar até morrer.

João: Essa é uma pergunta muito difícil, mas vamos tentar. Acredito que um filme que se encaixa nesse quesito é ”Tempos Modernos”, do Chaplin. O livro “O Idiota’, de F. Dostoiévski é um deles. Talvez o disco Wish You Were Here”, do Pink Foyd. Mas a resposta a essa pergunta pode mudar, conforme o tempo passe.
Gabriel: Cara bem difícil isso mas o álbum seria o Polisenso do Forfun, já um filme não tenho não…
André: Um álbum, eu colocaria o Tudo Foi Feito Pelo Sol, dos Mutantes.
Ariê: Vou colocar um livro… Um filme, Farenheit 451 de François Truffaut. Um livro, A Metamorfose de Franz Kafka, um álbum, clube da esquina Milton Nascimento.

7 – Diz aí, 4 bandas ou cantores (as) que levariam para outro planeta se houvesse um apocalipse zumbi?

João: Muito difícil. Talvez levaria o Pink Floyd. Mas essa resposta também pode mudar.
Gabriel: Bem difícil mas acho que levaria A Possivel Banda hahaha
André: Sá e Guarabyra.
Ariê: Difícil um só… Mas levaria os Rolling Stones… Acho uma banda pra cima, positiva.

8 – Agora uma treta master. Dois gêneros musicais que vocês mandariam pro espaço se pudessem? E por que?

a) Gospel b) Pagode c) Axé d) Funk

João: Eu, particularmente, não mandaria nenhum. Se essa pergunta me fosse feita dez anos atrás, mandaria os quatro. Mas a gente muda, e a forma de ver as coisas também mudam. Talvez eu mandasse os executivos, donos de gravadoras e de rádios para o espaço.

Continuo a dizer que o grande problema é a Industria, que transforma o artista em algo que ele não é. E depois o abandona. A gente vê isso em todos os gêneros artísticos, seja no Rock ou nesses gêneros acima.

Gabriel: Eu assino embaixo do que o Joãozinho disse, hoje consigo extrair coisas bacanas de todos os gêneros musicais, sempre tem algo de bom para aprender.

Ariê: Acho que não mandaria nenhum… Mas eu tenho problemas com gêneros com o objetivo de doutrinação. Há músicas gospel que tem essa função, daí não é libertador, mas há gospel que são boas também…

9 – E para fechar, quais os objetivos da Possível Banda para o restante do ano pós pandemia?

João: Lançar o segundo EP, Juventude Roubada; tocar por aí; gravar (já tenho algumas coisas escritas para um próximo EP) e tomar uma breja com os amigos da banda.

Gabriel: Gravar e lançar nosso novo projeto e tocar muito, amo tocar com estes caras, eles são fodas

Ariê: Lançar o disco “juventude roubada”

 Clipe – Noites de Insônia

 

Disco e sons da Possível Banda (Veja o canal)

https://www.youtube.com/channel/UClxGltTrL-gbG6fhTddyG7w

Instagram: apossivelbanda2018
Facebook: @apossivelbanda

Felipe Terra Escrito por:

Professor e amante da arte literária, atua na área da educação desde 2011. Viciado na música de Bach, Mozart e Chet Baker, e na literatura de Raymond Chandler, Ross Macdonald e Paul Auster. Ama escrever e acredita que poderia ler mais, porém, precisa dormir, infelizmente. Consegue passar horas jogando pôquer ou xadrez com os amigos. Degustar pizzas de queijo e bacon é um dos passatempos prediletos em horas de fome extrema.

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