# Abutres não ouvem jazz – EP6 – Charlie Parker e Art Blakey

O fritador do saxofone Charlie ‘Bird’ Parker e colossal baterista Art Blakey estão nesse 2° episódio da nossa série sobre as grandes lendas do jazz.

No comando do papo, as duas raposas velhas, Felipe Terra, Diego Fernandes e o grande parceiro Tito do Sujeito.

Pra quem já curte jazz ou pra quem está chegando agora, vale a pena cada segundo do podcast, pois é uma história e um disco melhor que outro.

Se ajeita, mete o fone de ouvido e vamos nessa sem improviso!

Fique por dentro de mais detalhes sobre Charlie Parker e Art Blakey

Art Blakey ganhou varios prêmios na carreira. Foi introduzido no Hall da Fama do Down Beat Jazz (em 1981),no Grammy Hall of Fame (em 1998 e 2001) e recebeu o Grammy Lifetime Achievement Award em 2005. Ele foi introduzido no Modern Drummer Hall da fama em 1991.

As gravações com Thelonius Monk, em 1947 são consideradas sessões históricas, pois além de ser o debut de Monk como líder, marca o período pré-excursão à África, onde Blakey exala sua potência e originalidade na forma de tocar e compor as notas de bateria do disco.

Art Blakey adotou vários instrumentos africanos após sua visita ao continente em 1948–1949, incluindo bater na lateral da bateria e usar o cotovelo no tom para alterar a sonoridade.

Mais tarde, organizou sessões de gravação com vários bateristas, incluindo alguns músicos e peças africanos. Um exemplo disso é o disco The African Beat, de 1962, disco solo. Este disco é uma mistura de jazz americano com ritmos tradicionais e cores tonais na percussão africana.

O álbum apresenta composições de músicos africanos e americanos, todos baseados em aspectos musicais da Africa Ocidental, em especial a Nigéria. Sua marca imitada no mundo todo hoje, com o fechamento forçado do chimbal a cada segunda e quarta batida, faz parte de seu estilo desde 1950–1951, quando ele retornou da sua viagem.

O chamado Bebop, essa nova cena, que Charlie Parker e Art Blakey ajudaram a criar, nasceu e se tornou febre após as as greves dos músicos 1942-1944.

De acordo com Mary Lou Willians, pianista famosa também por excursionar com Blakey durante esse período, foi um resultado de um grande esforço dos músicos negros em criar algo novo original e de difícil acesso aos brancos.

Segundo a visão dela, de Monk e de tantos outros músicos daquela época, os líderes de bandas brancos assumiram a cena swing em meados de 30, desbancaram os negros e fizeram muito dinheiro com ela.

Isso se deu em decorrência da dominação racial existente na época e também, por falência e má administração de músicos negros, que a certa altura daquela cena, se viram falidos e obrigados a vender suas obras e composições a cantores e bandleaders brancos.

Um exemplo disso aconteceu com Fletcher Henderson que nos anos 30 vendeu boa parte do seu material ao Benny Goodman, que viria a se tornar o Rei do Swing daquela época. E o bebop era o resgate de uma cena, e de um estilo que sempre pertenceu aos negros.

O disco mencionado como The Big City pelo nosso amigo Diego Fernandes, na verdade se chama The Big Beat, e foi lançado em 1960. É o primeiro disco lançado após o boom causado pelo incrível Moanin. O grupo manteve o núcleo de conterrâneos no line up, trocando somente o saxofonista, e a sonoridade deste disco esta espetacular. Vale a audição!

Des femmes Disparaissent de 1958 e Les Liaisons dangereuses (Dangerous Liaisons) de 1959, foram os dois filmes franceses que conta com trilha sonora da banda de Art Blakey, o Jazz Messenger´s

Os discos de Charlie Parker que o nosso amigo Tito se referia e não lembrava o nome, pra indicar são esses abaixo:

The Immortal Charlie Parker – gravações de 1944 e o The Genius of Charlie Parker – gravações de 1945 – ambos com Miles Davis (ate então novinho e franzino, bem no começo da carreira) e Dizzy Gillespie compondo o Line Up e lançados pela Savoy Records no ano de 1956 – lançamentos póstumos.

Trilha sonora
Charlie Parker – Koko
Charlie Parker & MIles Davis – Milestones
Art Blakey – its only a papermoon

Felipe Terra Escrito por:

Professor e amante da arte literária, atua na área da educação desde 2011. Viciado na música de Bach, Mozart e Chet Baker, e na literatura de Raymond Chandler, Ross Macdonald e Paul Auster. Ama escrever e acredita que poderia ler mais, porém, precisa dormir, infelizmente. Consegue passar horas jogando pôquer ou xadrez com os amigos. Degustar pizzas de queijo e bacon é um dos passatempos prediletos em horas de fome extrema.

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