Grupo Lata Doida antecipa novo EP e reflete sobre a invisibilidade social durante a pandemia com o single “Da máscara que ninguém vê”

A inventividade do grupo Lata Doida transborda em “Da máscara que ninguém vê”, single e clipe que o projeto carioca revela para antecipar o lançamento de seu próximo EP. A faixa é uma impactante reflexão sobre aqueles que passam despercebidos diante das desigualdades amplificadas pela atual pandemia do coronavírus, e foi toda realizada utilizando instrumentos construídos pelos próprios músicos a partir do reaproveitamento de materiais. O single está disponível nas plataformas de streaming, e o clipe, no canal de YouTube do projeto.

Ouça “Da máscara que ninguém vê”: https://smarturl.it/DMQNV

Assista a “Da máscara que ninguém vê”: https://youtu.be/CXCF-bWCaCE

A composição propõe uma reflexão crítica do momento pandêmico. O projeto, que se inspira em nomes como Hermeto Pascoal, Uakti e Vissungo, utiliza-se de uma linguagem tanto periférica quanto contemporânea.

“‘Da máscara que ninguém vê’ nasce da vontade de trazer um olhar, sob a perspectiva local, a partir de uma pandemia global, para uma realidade periférica. Apesar da dificuldade de convívio social, o grupo, por uma necessidade de expressar um sentimento comum, reuniu elementos que traduzem a nossa identidade, tais como o passinho, beat box e a percussão melódica, que por fim foram amalgamados na construção da letra, sendo esta a última camada a ser criada”, revela Vandré, compositor e diretor do vídeo.

A banda é fruto de um projeto de música, luthieria e pesquisa em etnomusicologia, realizada há 11 anos no Ponto de Cultura Lata Doida, em Realengo. O grupo tem atuação intensa na cena alternativa carioca e em 2013 lançou o álbum “Experimental Funk Lata Doida”. O reconhecimento como Ponto de Cultura veio em 2014 e os integrantes passaram a criar instrumentos e sonoridades mais elaborados. Em 2016, gravaram uma releitura de “Bebê”, de Hermeto Pascoal, inaugurando uma série de regravações realizadas em seu próprio estúdio, entre elas “Refazenda”, de Gilberto Gil, e “Coisa nº 4”, de Moacir Santos. 

“Decidimos que voltaríamos ao projeto autoral, agora com mais maturidade, calos nos dedos… Daí veio a pandemia e no início achamos que seria impossível continuar. Mas estamos dando um jeito (sem quebrar o isolamento social) e em janeiro lançaremos um EP totalmente autoral, produzido no período pandêmico, de modo totalmente adaptado, ‘gambiarrado’, como é todo o nosso processo”, adianta Vandré.

“Da máscara que ninguém vê” é uma amostra da pluralidade dessa sonoridade, unindo elementos diversos que vão de beat box e passinho a ventilador e alfaia de galão. A faixa já está disponível para streaming e o vídeo, no canal de YouTube do Lata Doida.

 

Ouça “Da máscara que ninguém vê”: https://smarturl.it/DMQNV

Assista a “Da máscara que ninguém vê”: https://youtu.be/CXCF-bWCaCE

 

Ficha técnica
Confecção de máscaras e atuação – Vania Maria
Criança – Lisbela Marra
Marimba de cerâmica – Luís Carlos França
Passinho – Hórus Akin
Beat Box e gargalhada – David Bertolami
Ventilador – Marcos Boa Ventura
Alfaia de galão – Rafael Stwart
Voz principal – Vanielle Bethania
Segundas vozes – Vandré e Vanielle Bethania
Blown – Matheus Philip ( Phil )
Filmagem – Matheus Philip e Vandré 
Mixagem, masterização e edição de vídeo – Vandré
Arranjo – Banda Lata Doida 
Letra e música – Vandré 
Direção – Vandré

Letra
olhos trancados na tranca da sala 
por onde a gente pode ver
olhos que sobram 
boca tampada  
nada que se possa dizer 
olhos que sobram 
boca tampada  
silenciado e sem saber 
quando é que isso acaba  
se é que isso acaba 
quando é que a gente vai poder  
morrer só de fome, de tiro, de bala
agora eu quero saber  
da máscara que ninguém vê 
da máscara que ninguém vê  

 

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Diego Fernandes Escrito por:

Bebedor desenfreado de café e averso a picanha, Diego é desenvolvedor front-end e professor. É o fundador do Duofox. Na literatura não vive sem os russos Dostoiévski e Anton Tchekhov e consegue "perder" tempo com autores da terra do Tio Sam, Raymond Chandler e Melville. Acredita que a arte de maneira geral é a única forma de manter o ser humano pelo menos acordado, longe do limbo que pode levar a humanidade à Encruzilhada das Almas.

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