O Post-rock Válvulas Imaginárias lança “Ensejo”

Álbum 100% independente e gravado dentro do quarto, mostra também a nova face como produtor do já guitarrista e compositor.

Em meio ao turbilhão de acontecimentos que o mundo, e principalmente o Brasil, está passando, Fernando Lodi lança seu trabalho solo e totalmente autoral: “Ensejo”, primeiro disco do projeto intitulado Válvulas Imaginárias.

O país vive o isolamento social, e o álbum “Ensejo” também foi feito em isolamento. O trabalho, apesar de ter sido iniciado no ano passado, foi intensificado a partir da pandemia, quando Fernando Lodi focou 100% no projeto e conseguiu construir esse debut, todo produzido dentro do seu quarto.

Ano passado eu comecei a estudar como gravar, fui fazendo testes com algumas ideias que eu tinha na gaveta, que inclusive viraram músicas do disco e que mudaram bastante ao longo da gravação. Mas só esse ano as coisas começaram a pegar forma, e como eu fui aprendendo a gravar ao longo do processo, acabei demorando um pouco”, conta Fernando Lodi.

Ouça “Ensejo” aqui:
E foi assim, aprendendo ao poucos, que o Válvulas Imaginárias foi ganhou forma. Apesar de ter passado por várias bandas como guitarrista e baixista, foi a primeira vez que Lodi se colocou no lugar de produtor de um disco. Um ótimo aprendizado que contou com a colaboração de amigos com dicas sobre como realizar a gravação, mixagem e masterização da melhor forma. O músico ainda complementa: “Foi uma experiência legal, eu gostei de aprender aos poucos, fazer em casa me permitiu experimentar várias coisas por não ter um limite de tempo, além de não ter horário certo para gravar”.

A sonoridade de “Ensejo” é muito caracterizada pelo instrumental. Grande parte dos mais de 58 minutos do disco são assim, percorrendo pelo post-rock e math rock. É como se as bandas Sigmun (banda de Bandung, Indonésia) e Boraj (banda de Santiago, Chile) se juntassem para fazer uma música que misturasse o post-rock meio psicodélico com melodias clássicas suaves.

Fernando Lodi revela que para estimular suas composições, alguns artistas foram fundamentais: “American Football, Tycho, Bon Iver, Twinpines, Terno Rei, E a Terra Nunca Me Pareceu Tão Distante, Sigur Rós, Explosions in the Sky, Slowdive, Pink Floyd e Diiv. Tem muitos outros também, mas são o que ouvi a vida inteira que sempre ajudam e nos influenciam bastante”.

O projeto Válvulas Imaginárias traz essa forma experimental de conduzir os processos, e o disco “Ensejo” tem algumas peculiaridades também: De início percebemos que todos os nomes das canções são horários. O músico conta que cada título é do exato momento em que ele salvava o arquivo (com as ideias iniciais) pela primeira vez: “De certa forma não deixam de ser ensejos, que são momentos oportunos, nesse caso momentos oportunos para ter ideias”.

Boa parte das faixas começam com alguns barulhos que fazemos dentro de casa, a ideia foi passar a atmosfera de como foi gravar o disco, adicionando os sons de coisas que fazia durante as sessões de gravação e produção. A sétima faixa do disco, chamada “22h12”, possui diversos áudios de Whatsapp, mensagens que o músico recebeu dos amigos quando pedia “me manda um áudio falando qualquer coisa”. A decisão de incluir o elemento foi pelo desejo de que as pessoas que ele gosta fizessem parte do disco de alguma forma.

Sendo bem sincero, estou bem feliz com o disco, eu cheguei a um ponto de ter que parar, se não ficaria ajustando coisas nele pra sempre. Acho que consegui expressar boa parte da minha vontade como músico, de fazer um som que estava na minha cabeça, além de escrever letras sobre coisas que eu venho pensando e passando/passei”.

Encontre o artista:
https://linktr.ee/valvulasimaginarias

 

Diego Fernandes Escrito por:

Bebedor desenfreado de café e averso a picanha, Diego é desenvolvedor front-end e professor. É o fundador do Duofox. Na literatura não vive sem os russos Dostoiévski e Anton Tchekhov e consegue "perder" tempo com autores da terra do Tio Sam, Raymond Chandler e Melville. Acredita que a arte de maneira geral é a única forma de manter o ser humano pelo menos acordado, longe do limbo que pode levar a humanidade à Encruzilhada das Almas.

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