Meu sono não é mais o mesmo, acordei várias vezes à noite, num desses sobressaltos meu coração pulsava tanto que minha respiração estava pesada, o que havia sonhado?

O dia começou bem, um banho quente, contudo a sensação de cansaço me tomava.

Sai atrasada corri um bom trecho e me orgulhei, ainda tinha fôlego.

Quando cheguei ao ponto de ônibus, uma fila serpenteava a calçada. Uma longa cobra de pessoas com seus compromissos inadiáveis. O ônibus ia acolhendo um a um e cada vez mais todos se apertavam e espremiam as esperanças de não adiar o impreterível.

A possibilidade de perder os compromissos, atrasar em suas tarefas era insuportável para aguardar o próximo horário.

Os reféns da rotina, seguiam entrando até as portas do ônibus se fecharem e ele seguir tão obeso de seus reféns.

Havia apenas um caminho a seguir, ir trabalhar e cumprir com o combinado, se algo fugisse da rota tudo iria por água abaixo e o que restaria para os pobres e sob stress numa manhã de segunda-feira, era descontar a frustração no primeiro que se rebelasse em dizer qualquer coisa contrária as suas convicções.

Quantos caminhos temos nessa vida?

Quantos caminhos decidimos seguir?

Quantas possibilidades anulamos em prol da ideia de liberdade que nunca acontece?

Quantas vezes reduzimos nossas escolhas para camuflar no sofrimento e frustração?

Categorias: Ensaios

Diego Fernandes

Bebedor desenfreado de café e averso a picanha, Diego é desenvolvedor front-end e professor. É o fundador do Duofox. Na literatura não vive sem os russos Dostoiévski e Anton Tchekhov e consegue "perder" tempo com autores da terra do Tio Sam, Raymond Chandler e Melville. Acredita que a arte de maneira geral é a única forma de manter o ser humano pelo menos acordado, longe do limbo que pode levar a humanidade à Encruzilhada das Almas.

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