Salem, narração que carrega o melhor estilo King

O velho e bom Stephen King sempre acaba dando as caras por aqui. E essa semana temos mais uma bela indicação pra vocês.

Recentemente tive o prazer de pegar nas mãos um dos primeiros romances do mestre e o Mago do Maine não me decepcionou.

O escritor em um momento descontraído em sua residência no Maine

Salem, o segundo livro do King, publicado em 1975, logo após Carrie, a estranha, talvez não tenha recebido o devido valor, pois pelas pesquisas que fiz, muitos leitores, pelo menos no Brasil, surtam ao ler IT, O Iluminado ou a série Torre Negra.

Nada contra, isso é uma questão de gosto, claro, mas as narrativas mais antigas do autor merecem respeito e apreciação.

Narração num estilo que só o King tem 

A história que ele conta em Salem, em algumas traduções é possível encontrar alguns spoilers logo no título (busque a edição com o título Salem, ou Salem’s Lot, no original) então tome cuidado quando pegar uma edição pra ler.

Mas como ia dizendo, o livro tem uma trama muito boa. Numa cidade pequena do interior, uma enorme e abandonada mansão é comprada por um forasteiro um tanto peculiar.

Nesse meio tempo, chega à cidade um outro forasteiro. Se bem que não podemos considerar Ben Mears um cara de fora, pois ele viveu sua infância em Salem e nutre uma aversão e ao mesmo tempo um desejo pela mística da misteriosa mansão Marsten.

King em meados da década de 1980

O tempo transcorre tranquilo, aberto a paixões e relações abusivas entre alguns personagens de histórias paralelas que o King vai montando para preencher o romance.

É justamente no instante em que um garoto desaparece num bosque sem deixar rastros e um cachorro aparece pendurado no portão do cemitério da cidade, que as coisas tomam rumos obscuros.

Como uma cidade misteriosa se comporta e parece ganhar vida

Ao ler a história com bastante atenção, percebemos que o King tenta mostrar o quanto uma cidade pode ser omissa a tudo o que acontece entre suas ruelas e casas antigas.

Como as pessoas se preocupam mais com a vida dos outros do que com a própria vida. Típica cidade de interior, Salem vai ruindo a cada página que viramos. E mais e mais habitantes vão evaporando e nos intrigando ainda mais.

“Tinha uma mesa no corredor da frente com uma daquelas cúpulas de neve sobre ela, você sabe, não? Tem uma casinha dentro, e quando balançamos, cai neve. Coloquei-a no meu bolso, mas não saí. Queria provar que era corajoso. E subi até o quarto onde ele se enforcou.” Pág 52.

Homens e mulheres perambulam por bares, hospitais e casa dos amigos para jantares e churrascos, o problema é que a falsidade e perigo andam juntos, visitando um e outro. Esse é o clima que assola a cidade como um enorme nevoeiro.

Nunca queira estar em Salem, o silêncio pode ser perturbador, as pessoas mais ainda

E Ben Mears, um escritor disposto a escrever um romance sobre os pesadelos que o assombram, vai descobrir, ao lado de Susan Norton, uma linda garota que conhece na cidade, que cidadezinhas pequenas e adormecidas como Salem, nunca deveriam ser despertadas ou investigadas, pois os segredos que elas guardam deveriam apenas ficar assim, guardados e silenciosos.

Edição para ler sem enroscos com tradução.

E aproveitando o embalo do King, não deixe de conferir nosso podcast #abutres não ouvem jazz – Episódio 1, onde falamos um pouco mais sobre obras do King e sobre algumas passagens interessantes desse romance.

Boa leitura, abraço e até a próxima resenha.

Felipe Terra Escrito por:

Professor e amante da arte literária, atua na área da educação desde 2011. Viciado na música de Bach, Mozart e Chet Baker, e na literatura de Raymond Chandler, Ross Macdonald e Paul Auster. Ama escrever e acredita que poderia ler mais, porém, precisa dormir, infelizmente. Consegue passar horas jogando pôquer ou xadrez com os amigos. Degustar pizzas de queijo e bacon é um dos passatempos prediletos em horas de fome extrema.

seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *