Pin-ups e seu poder de sedução através da beleza e da imagem

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Se há uma coisa que todos ao homens adoram, sem dúvida é a beleza feminina.
Se existe uma forma de seduzir qualquer pessoa, é por meio da imagem. Somando estes 2 elementos o resultado só poderia ser delírio de soldados americanos e gerações de homens na década de 40.

Pin-up ou pin up girl (“garotas penduradas”) como eram chamadas, aos poucos alcançaram não só os corações como as fuselagens de aviões.
Para falarmos das pin-ups, temos que voltar um pouco atrás, no século 19, onde Alphonso Mucha e Jules Cheret precursores de cartazes com mulheres em poses sensuais, repleto de adornos, fios e florais, como mandava a etiqueta Art Nouveau.

Já no século 20, em 1920, artistas e impressores influenciados pelo Art Nouveau faziam calendários com silhuetas femininas, a partir deste ritual de pendurar ilustrações nas paredes que o nome pin-up surgiu.

Entretanto foi na década de 40 que as pin up girls chegaram ao ápice do sucesso, numa época cheia de tabus, onde mostrar pernas era uma atitude subversiva. Artistas davam forma através de pinturas, aliviando a vida de soldados que tentavam sobreviver na guerra. Betty Grable foi uma das mais populares dentre as primeiras “pin-ups”.

O principio da pin up girl era ser sensual e ao mesmo tempo inocente, não poderia ser vulgar, muito menos atrevida, apenas convidativa.Com traços sutis do Art Nouveau, eram deixados a mostra apenas algumas partes do corpo. Das ilustrações de papel ou pinturas, independente de ser rótulos de azeite ou calendários, as pin-ups logo ganharam apogeu ao serem encarnadas por atrizes como Betty Grable e Marilyn Monroe, ou fotografadas por modelos como Bettie Page.

Na década de 70 com ascensão da indústria pornográfica, o reino das pin-ups entrou em decadência, as pessoas não apreciavam mais os desenhos convidativos, já que possuíam revistas com fotos e filmes. Entretanto as pin-ups ainda são adoradas nos 4 cantos do velho mundo.

German Martinez : 10 motivos para você acompanhar o Raro Zine

German Martinez

German Martinez

1-Quem é German Martinez?

Simplesmente um cara apaixonado por música.

2-Como surgiu a ideia de criar um fanzine? Fale-nos sobre a escolha do formato, o que levou ser publicado desta forma(Fanpage)?

Surgiu pra propagar um pouco mais as bandas da região (e na verdade abranger todo o território e fora do país também) que na realidade são grandes amigos que fazem um bom trabalho e que nada mais justo divulgar mais…o plano de ser uma página no Facebook era alcançar o maior número possível de pessoas que se interessem pelo material divulgado, já que é uma ferramenta fundamental da música hoje em dia, e temos que usufruir dela.

3-Por quê o nome Raro Zine?

O nome foi inspirado num álbum de uma banda do meu país natal o Uruguai, que é “el cuarteto de nos”, do qual a capa é junção de quatro partes dos rostos dos integrantes formando um só, é a tradução seria algo como “esquisito”…

4-Você obtém algum lucro a partir do fanzine ou é apenas “for fun”?

Apenas por pura diversão…que acaba se tornando um trabalho, mas que é muito gratificante…


5-Como é feito as entrevistas, editorial e revisão? Você faz tudo sozinho?

Sozinho, sempre quis fazer algo do tipo, tinha engavetado inúmeros projetos de uma revista ou fanzine de formato físico, mas o empecilho de depender de muitas coisas, acabei pondo de lado e calhou que o ideal de disseminar a música através de uma página seria mais objetiva.

6-Existe alguém que você tenha muita vontade de entrevistar e ainda não rolou no Raro Zine?

Existem inúmeros pessoas que ainda acho que nem coloquei nos planos, mas citaria que gostaria muito o Clemente (Inocentes), Ariel (Restos de nada), em termos de referências nacionais que me influenciaram muito…e estrangeiros talvez o Hard ons (Austrália), que curto muito…

7-Conta aí aquela epopeia que rolou no show do Mudhoney, onde você esperou todos irem embora para conversar com os caras?

Foi algo muito emocionante era meu primeiro contato com uma banda estrangeira(cara a cara) e diria de renome, apesar de todo show ter sua história pra quem mora no interior e se desloca pra capital atrás de uma banda que gosta…a noite foi intensa; com abertura dos meus queridos amigos goianos do MQN, o Mudhoney fez um baita show..e ficar até a casa fechar seria algo obrigatório, então consegui entrar na área reservada que lá estavam eles, onde o inglês não saía e tive que me virar com o baixista que falava espanhol e os caras foram atenciosos e bem humorados, então foi histórico. ..rsrs

8-Em quais zines você encontrou inspiração ou referência?

Eu curtia muito na década de 90 revistas como a “Bizz” que me influenciaram no modo de escrever, depois surgiu a revista “Zero”, mas a que mais me influenciou foi com certeza a “Rock Press” que tinha um formato totalmente fanzine em preto e branco, entrevistas, resenhas e inúmeras informações extremamente válidas. No quesito fanzines tive acesso ao “maximum rock n Roll ” que era e continua sendo um excelente fanzine,

Mas existem fanzines excelentes por aí, é só procurar.

9-Você acredita que os blogs colaboraram para o decaída dos fanzines impressos?

Com certeza os blogs mataram um pouco dessa história, contribuíram para o desmantelamento de vários fanzines que acabam gerando um custo muito alto e acaba sendo bancado pelo idealizador; e não consegue retorno financeiro para as próximas edições. Os blogs também possuem seu valor porque existem pessoas muito bem informadas envolvidas nesses projetos, mas a opção virtual não supera o brilho e a importância do fanzine


10-Quais conselhos para os marinheiros de primeira viagem? Ainda tem uma molecada fazendo zine por aí, que mensagem você gostaria de deixar para eles?

A dica é que nunca desistam de forma alguma de expressar seus ideais, expor suas opiniões, divulgar música e arte, pois é um artefato artístico que jamais abandonaremos. .


11- Diz aí 5 discos e 5 Zines que uma pessoa tem que ouvir/ler antes de morrer?

Bom agora, esse é um assunto complicado (rs)
Vou começar pelos zines
1 Maximum Rock n roll
2 Hazlo tu Mismo
3 Poeira zine
4 Visual Agression Zine
5 Antimídia
Discos
1 Ramones – Ramones
2 Iggy Pop and the Stooges – Raw Power
3 The Hellacopters – High Visibility
4 Motosierra – xxx
5 Forgotten Boys – Gimme more

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rarozine@gmail.com

Manoel de Barros e seus 90% de reinvenção da poesia

Manoel de Barros

Nascido 19 de Dezembro de 1916, o grande poeta Manoel Wenceslau Leite de Barros, citado como da geração de 45 (Modernismo brasileiro), mas próximo das vanguardas europeias do inicio do século XX. Recebeu muitos prêmios literários, dentre eles dois Jabutis.

Homem viajado, solidificou sua cultura em suas andanças pelo mundo afora, viveu na Bolívia e no Peru, também em Nova York morou 1 ano, onde estudou pintura e cinema. É fã de carteirinha do Chaplin.

Morou metade de sua vida no Rio de Janeiro, onde se casou e formou-se em Direito (ou se preferir, esquerdo, pois não conseguia defender ninguém, “Não conseguiria defender meus clientes, sequer me defendia”). Só voltou para Corumbá (MS) na década de 60 e por lá ficou.

Pintores como Van Gogh ,Picasso, Miró, Chagall , Braque vieram a acrescentar liberdade  aos seus poemas. Logo se surpreendeu com a arte moderna, sendo esta bote salva-vidas da diferença. Sua poesia é alimentada por imagens, de quadros e de filmes. Amante do cinema de Federico Fellini, Akira Kurosawa e Luis Buñuel.

Seu primeiro livro  foi publicado na terra da Feijoada, há mais de seis décadas, chamado “Poemas concebidos sem pecado”. Foi feito artesanalmente por 20 amigos, numa tiragem de 20 exemplares e mais um, que ficou com ele.

A maior riqueza do homem
é a sua incompletude.
Nesse ponto sou abastado.
Palavras que me aceitam como sou – eu não aceito.

Não aguento ser apenas um sujeito que abre portas,
que puxa válvulas, que olha o relógio,
que compra pão às 6 horas da tarde,
que vai lá fora, que aponta lápis,
que vê a uva etc. etc.

Perdoai
Mas eu preciso ser Outros.
Eu penso renovar o homem usando borboletas.

Manoel de Barros

Atualmente o poeta é reconhecido mundialmente como um dos poetas mais originais do século e mais importantes da nossa nação. Guimarães Rosa, comparou os textos de Manoel Barros a um “doce de coco”. Outra comparação foi feita a São Francisco de Assis pelo filólogo Antonio Houaiss.

Grande parte de sua carreira literária (diga-se de passagem) aconteceu na surdina, sem alarde publicou inicialmente suas obras em pequenas tiragens artesanais.
“Sou muito orgulhoso, nunca procurei ninguém, nem freqüentei rodas, nem mandei um bilhete. Uma vez pedi emprego a Carlos Drummond de Andrade no Ministério da Educação e ele anotou o meu nome. Estou esperando até hoje“, conta.

Para conhecer melhor assista o documentário, Só dez por cento é mentira(2008)

“Noventa por cento do que escrevo é invenção. Só dez por cento é mentira”. Manoel de Barros

 

8 Motivos para assistir O Iluminado de Stanley Kubrick

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Você já se perguntou porque deve assistir o Iluminado de Stanley Kubrick antes de morrer?
Abaixo você vai entender melhor porque este filme é tão aclamado

The shinning

1-Vamos começar pelo início, a sinopse do filme.

Durante o inverno, um homem contratado para ficar como vigia em um hotel no Colorado e vai para lá com a mulher e seu filho. Porém, o contínuo isolamento começa a lhe causar problemas mentais e ele vai se tornado cada vez mais agressivo e perigoso, ao mesmo tempo que seu filho passa a ter visões de acontecimentos ocorridos no passado.

2-Diálogos tenebrosos!

Os diálogos são lentos e apresentam pausas entre eles. Não são ritmados, aumentando ainda mais o sentimento de isolação, visto que além do vento os únicos sons são das vozes dos personagens.

3-A imagética dá nuances espetaculares ao filme.

As “imagens não reais” são elementos que mostram qual o grau de loucura que cada personagem está exposto, desde as conversas que Jack tem com Lloyd, Grady, a mulher no banheiro, até as visões de Danny com as gêmeas, a mulher na banheira, a cena famosíssimas do elevador que abre as portas e jorra um rio de sangue que vai levando dos os objetos.

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4-Trilha sonora é de dar calafrios!

Esplêndida! A trilha sonora assustadora nos ambienta para o clima de “O iluminado”. A trilha consegue pontuar perfeitamente as cenas. A música é forte com uma cadência que vai aumentando a cada passo dos personagens, dando a impressão de que tudo é grande e intimidador, sobrando assim somente os personagens com elemento fraco e frágil. Também temos quando Danny passeia de triciclo pelo Hotel e alterna entre o alto barulho dos tacos de madeira e o silencio absoluto do tapete.

5-Enquadramentos e ângulos de filmagem que só poderiam ser do Stanley Kubrick.

Todos os planos são mostrados “The Shining”.

Grandes planos gerais: São identificados quando a família está indo para o hotel, onde mostra a estrada, as montanhas e carro, temos em outros momentos onde mostra a família admirando o hotel, em algumas cenas internas, no salão principal, apresentando a magnitude do ambiente comparado aos personagens.

Plano geral: aparece nas cenas, onde um funcionário do Overlook (Bill) apresenta o hotel aos Torrance, e algumas cenas onde o menino está sozinho pelos corredores. Temos a cena onde aparece as gêmeas no corredor pedindo para Danny brincar com elas.

Plano Médio: já não aparecem com muita frequência, esse plano se dão em diálogos no início do filme entre Jack e seu empregador, na conversa da família com o cozinheiro e outras cenas no decorrer do filme.

Primeiro plano: Esse plano é dedicado a Jack e as cenas de suspense enfatizando o terror crescente nos personagens. A cena onde Jack diz: “Here’s Jonnhy?” é a que pode expressar muitíssimo bem esse plano.

Plano de detalhe: não foi muito usado, pois a ideia principal era fazer o local intimidador, para tanto as tomadas deveriam mostrar sempre o Overlook como gigantesco comparado a “insignificante” família, o plano de detalhe fica para alguns poucos momentos onde Danny esta aterrorizado.

A angulação das cenas do corredor é baixa, apresentado a perspectiva já citada no “enfoque de câmera”; os movimentos de câmera são secos e lentos, apenas nas panorâmicas apresenta giros de câmeras, a câmera apenas acompanha o movimento do personagem mostrando assim a profundidade do campo. Em todo filme a câmera sempre compara a proporção dos personagens com hotel.

Vemos apenas uma cena onde a ação e câmera são acompanham, ao final do filme quando Danny corre no labirinto a câmera acompanha freneticamente a corrida, casando assim um desespero.

assassinato

6-O que dizer de um diretor que era fotógrafo? A fotografia só poderia ser estonteante.

Fotografia branca, limpa, reflete a loucura e o vazio de Jack, isolado naquele hotel. Kubrick utilizou muitas luzes nas enormes janelas para criar um visual que aumentasse esta sensação.

Com o passar do tempo e o aumento da loucura de Jack, a fotografia vai escurecendo, se tornando menos nítida, até finalmente se tornar fria, em tons azulados, com a neve atrapalhando completamente a visão, num reflexo do atordoado estado mental dele.

Os cenários coloridos e incrivelmente iluminados (tapetes e paredes coloridos, luminárias e janelas enormes e reluzentes) criam um ambiente intimidador e praticamente com vida. O tapete laranja, vermelho e marrom, em Danny brinca com carrinhos antes de ver a porta 237 aberta, tem um efeito hipnótico, nos levando pra dentro do quarto junto com ele quase que inconscientemente.

Outro exemplo é o banheiro onde Jack e Grady se encontram e tem um diálogo, que propositalmente é colorido em vermelho e branco, simbolizando o sangrento caminho que Grady influenciaria Jack a seguir. Na profundidade vemos a cena onde o diretor nos coloca na posição do garoto e, portanto, vulneráveis a qualquer perigo que possa aparecer.

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7-As personagens em busca do sonho americano.

Os personagens são pessoas comuns com anseios cotidianos: uma boa vida, um bom salário e um bom relacionamento entre eles.

Pensam de forma distintas, Wendy tem anseios de conseguir estabilizar seu relacionamento com o marido e ter maior aproximação do filho, é uma mulher vulnerável e fraca, não tem postura para se impor diante do marido, mas cria uma esperança de que o marido seja mais presente.

Jack, um tanto mais ambicioso e arrogante não tendo sucesso em seus projetos antigos anseia escrever um novo livro, não prioriza quais a necessidades de sua família.

Danny como uma criança introvertida, sente isolado e ao mesmo tem protegido em seu mundo, tem dificuldades de se enturmar com outras crianças, isso se formou pelas atitudes agressivas do pai.

8-Subjetividade é convidativa e explana de forma enriquecedora o trama psicológico

O filme é totalmente psicológico, aborda os anseios de uma família em busca da melhora de um convívio, acreditando que em lugar distante poderá haver mudança.

Mostra também o lado oculto de cada ser humano, a bestialidade que possuímos que por um momento nos escapa. E temos a crítica social ao modelo de uma família, aparentemente feliz e sem problemas (imagem apresentada por Jack a seu contratante (Sr. Ullmann).

jack

The shinning:

Matias Pícon : Tudo que você precisa saber sobre este artista

Matias pícon
Matias pícon
Fotos: Pedro Henrique Medeiros

1.   Um resumo de quem é Matias Picón.

Um cara de 32 anos que não se conforma em levar uma vida como os outros lhe disseram pra levar.

2.   Quais são suas principais influências?

Jogos de vídeo de 8 e 16 bits, música das mais variadas vertentes, filmes, futebol e rolês na rua. Meus amigos são minhas influências e meus artistas favoritos estão em páginas xerocadas. Raramente vou em alguma exposição, elas me deixam profundamente entediado.

3.   Como você desenvolveu seu estilo?

Fui evoluindo sempre dentro de um contexto gráfico, sendo influenciado pelo meu próprio estilo de vida, caminhando e observando, sempre prestando atenção a novas técnicas, fazendo o repertório aumentar a cada dia.

artista-duofox
Fotos: Pedro Henrique Medeiros

4.   Você já desenvolveu algum trabalho com mídias digitais (instalações, etc.)? Como foi a experiência? Pretende repetir?

Sim, faço muita coisa em digital, vários trabalhos que uso em publicações independentes, reproduções gráficas, capas de disco etc. etc., são geralmente feitos a mão e depois scaneados e tratados cada um conforme aos seus devidos fins. Também faço Vídeo Mappin, o que têm sido uma experiência gratificante e divertida.

5.      Além das exposições em SP, você participa também de exposições fora do país? Qual a receptividade?

Fiz em diversos lugares do mundo, em alguns estive presente nas aberturas em outros não, mas prefiro não estar, não tenho nem um pingo de paciência pra falar com as pessoas sobre meu trabalho e tals e tals, gosto mais de conversar sobre música, futebol e coisas da vida em um bar do que ficar em uma vernissage.

Stencil Art
Fotos: Pedro Henrique Medeiros

6.      Seu país origem é o Uruguai, como seu estilo é visto lá?

As pessoas gostam muito e se identificam com o que faço, de uns anos pra cá tenho feito diversas mostras, palestras e ações lá e a receptividade têm sido muito boa! Agora mesmo estou indo lá fazer um monte de coisas na galeria Pera de Goma.

7.     Hoje você vive da sua arte. Muitos artistas almejam o mesmo. Como é o fluxo de trabalho? Sempre o mesmo?

Nunca!! É uma montanha russa, às vezes ganho uma boa grana que dá pra pagar as contas comer bem e viajar, outras fico alguns meses vivendo de moedas que acho nas gavetas do meu quarto.

Grafitti
Fotos: Pedro Henrique Medeiros

8.   A arte funciona muitas vezes como uma válvula de escape. Você concorda com isso?

Concordo, sim, pra mim funciona muito assim a música, se fico muito tempo sem tocar começo a ficar nervoso e histérico.Com a criação visual já é diferente, acho que tenho uma relação saudável de dependência psíquica com a coisa, pois estou sempre criando, seja colocando pra fora ou absorvendo, é um processo bem legal que amo e ao qual dedico minha vida.

Não crio por nada além de ser o que amo fazer. Acho que as pessoas se preocupam demais em seguir uma carreira de artista, com o mercado de arte, de como as coisas funcionam e “o que pega”, e acredito que é por isso que têm tanta coisa vazia e obsoleta dentro das artes em geral.

Nunca curti quando as pessoas se referem a criação como produção, sei lá essa palavra me lembra mais uma fábrica de carros do que arte em si. “o que você têm produzido?” essa pergunta me irrita muito de parte das pessoas, me lembra a Produto, não a criação.

Um vez uma menina estava trabalhando dentro de uma oficina de pintura a qual fui visitar, ela me disse” você não queria estar aqui? produzindo? que delícia!!!!” para qual eu respondi “não sei o que é isso, produzir, é criar? ah sim! eu crio todo puto dia, não preciso entrar em um lugar específico pra fazer isso”

9.   Você acredita que as constantes expressões artísticas contemporâneas expressam o consumo em massa e apelos midiáticos?

Acredito que sejam influenciadas, assim como em toda a história da arte cada período foi influenciado pela sociedade em que vivia. Os anos que vivemos são de um total embolamento de coisas, nas quais não importa nada além do consumo rápido e descartável, e vivemos essa época. Tudo se reflete.

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Fotos: Pedro Henrique Medeiros

10. Atualmente você acredita que arte esta vulgarizada e empobrecida ou cumpre a função cultural do momento?

Olha, convivo com pessoas criativas, pessoas as quais me influenciaram a descobrir a criatividade dentro de mim e essas pessoas fazem coisas incríveis o tempo todo, e a visão de arte que tenho é essa, não posso te dizer de uma maneira geral, mas dentro deste mundo, ao qual chamo “red mundial de mutantes que lucha contra la mediocridad cotidiana” estamos muito bem, vivendo nossas vidas da forma mais intensa e sincera possível.

11.  Alguma ressalva?

Deixo aqui um abraço a você e ao Diego, que são pessoas maravilhosas que gosto muito, pessoas criativas que sempre estiveram ao meu lado e que fazem por valer nas suas vidas. Continuem criando e sendo vocês mesmos e apareçam no meu atelier, seja este onde for, pra tomar café e conversar sempre que quiserem!

Você pode encontrá-lo aqui:
https://www.facebook.com/matias.picon.50
http://matiaspicon.tumblr.com/
http://instagram.com/matiaspicon#
https://www.flickr.com/photos/matiaspicon/

Sonora Scotch:
http://sonora-scotch.bandcamp.com/

Fotos: Pedro Henrique Medeiros

3 lições sobre design que você pode aprender com Saul Bass

Antes de ser um dos pioneiros no Motion Design com grande destaque no mercado cinematográfico, Saul Bass foi um ótimo designer gráfico. Nascido no bairro de Bronx de Nova York em 1920, era um garoto criativo que desenhou assiduamente. Saul Bass estudou na Art Students League, em Nova York e no Brooklyn College com Gyorgy Kepes, um designer gráfico húngaro que havia trabalhado com László Moholy-Nagy em 1930 Berlim e fugiu com ele para os EUA. Kepes introduziu Bass estilo Bauhaus de Moholy.

Depois de estudar incansavelmente, trabalhando em empresas de design de Manhattan, Saul Bass trabalhou como designer gráfico freelancer ou “artista gráfico”, como eram chamados na época. Mudou-se para Los Angeles em 1946. Depois de ser freelancer, ele abriu seu próprio estúdio em 1950, trabalhando principalmente em publicidade até Preminger convidá-lo para projetar o cartaz para seu filme de 1954, Carmen Jones.

 

Mas o que mudou a vida criativa de Saul Bass foi O Homem do Braço de Ouro, que estabeleceu Saul Bass como um grande Motion Designer. Em 1958, vieram sequencialmente Vertigo, sua primeira sequência do título para Alfred Hitchcock, e logo depois outro de Hitchcock de 1959 North by Northwest,

Saul Bass posteriormente voltou ao design gráfico. Sua obra corporativa incluiu a elaboração de identidades corporativas de grande sucesso para a United Airlines, AT & T, Minolta, Bell Telephone System e Warner Communications. Ele também desenhou o cartaz para os Jogos Olímpicos de Los Angeles 1984.

 

Para conhecer melhor seus trabalhos:http://saulbass.tv/

Você escreve, gosta de cinema e é bom de leitura ? Leia agora!

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Diga-me com quem andas e eu te direi quem és (Adágio Popular)

       FÁBIO SIQUEIRA DO AMARAL, nascido em Palmital, Estado de São Paulo, aos 28 de outubro de 1943, ficando órfão de pai muito cedo, estudou em regime de internato nos antigos seminários das cidades de Rio Claro, Catanduva, Mirassol, no Estado de São Paulo, chegando até ao noviciado em São Paulo e Toledo, no Paraná.

Como na época, apesar de tantos anos de estudos, tais instituições religiosas não forneciam diplomas ou certificados, em 1962 viu-se obrigado a repetir a antiga quarta série ginasial no Colégio São José, em São José do Rio Preto. Em seguida, formou-se em contabilidade na Escola Técnica de Comércio Dom Pedro II, nessa mesma cidade.
escritor

Na ocasião, trabalhava de dia na inspetoria de uma grande companhia de seguros e estudava à noite. Sempre empregado mudou-se sozinho, e definitivamente, para a cidade de São Paulo.

Deixou, depois, o primeiro emprego e praticamente transferiu-se para outra companhia seguradora. Nesse novo trabalho fez carreira e galgou postos, chegando a ser gerente de produtos.

     Estudou Arte Dramática, na EAD-USP. Trabalhou em mais de cinquenta peças de teatro; chegou a gravar um disco com duas de suas composições e um CD (álbum duplo) com músicas de vários compositores.

Realizava tudo isso em suas horas de lazer.

Possuindo alguma renda e crendo ser possível viver dela, deixou o emprego e retornou aos bancos escolares na Faculdade de Filosofia e Teologia Nossa Senhora da Assunção.

Cursava com sucesso o segundo ano, quando estourou no Brasil o problema Collor. Com o dinheiro aprendido, sem mais recursos e tendo já certa idade, viu-se obrigado a procurar novo emprego.

Seus cabelos brancos davam exatamente o perfil da pessoa, que uma grande empresa francesa, fabricante de lentes progressiva, necessitava. Ele, porém, jamais estudara óptica, mas sem medo, atirou-se na nova oportunidade.

Em pouco tempo tornou-se o Consultor Técnico, atendendo e solucionando problemas de incontáveis pessoas que o procuraram confiantes. Foi nomeado Palestrante Oficial e Professor nessa mesma Multinacional.

Como tal, administrou aulas e palestras em várias universidades, faculdades, escolas, ópticas, hospitais e eventos especiais ligados à oftalmologia, nas Capitais e grandes cidades de todos os Estados do Brasil.

Procurando aprimorar e facilitar o conhecimento de seus alunos, escreveu e preparou diversas apostilas, esquemas, cursos e aulas, inserindo nestes trabalhos grande número de desenhos feitos à mão, dando, assim, muito maior clareza às suas já competentes explicações.

Viajou para os Estados Unidos e Europa. Sempre foi dedicado à arte, toca órgão sacro, e, como diz, arranha um pouco no violão. Ainda nas artes, desenha, pinta e compõe.
design-cultura-literatura

Lançado como romancista pela NAVEGAR EDITORA, editou “OS ETERNOS CLONES”,     “O FASCÍNIO DO MAL” e “CONTOS DE DESENCONTROS”, enfeixando sob esse título quinze diversificados contos ou novelas – como gosta denominá-los.

De forma independente publicou “FOI A BRISA OU O LUAR…”, apresentando aos leitores sua alma de trovador e poeta.

Retornou com novo romance, “RICOS, PODEROSOS, ASSASSINOS”, e, mais uma vez, fica comprovada a grande versatilidade e criatividade deste autor brasileiro. Sem a menor dúvida, Fábio Siqueira do Amaral posiciona-se como um dos melhores romancistas da atualidade.

1 – Na infância, qual foi seu primeiro contato com a escrita?

Nada me incentivou mais diretamente a entrar em contato com a escrita do que o cinema. Já naqueles primórdios da minha vida, aos 6 ou 7 anos, encantavam-me as histórias que via no cinema.

Infelizmente ou felizmente, só ver as imagens não me satisfazia. E os filmes não eram dublados, e como entendê-los? Havia os “letreiros”, hoje chamados “legendas”.
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Sem a leitura não era possível captar o filme. Restava-me aprender a ler; isso o fiz o mais rápido possível.  Depois veio o pior… Mesmo sabendo ler, as letras eram quase ilegíveis.

Precisava adivinhar… Comecei a sentar-me quase na primeira fileira das poltronas… Aí conseguia ler melhor… Porém… Essa visão melhor, ainda era muito falha…

As letras misturavam-se, desfocavam-se… O coitado do moleque era míope qual uma coruja e não sabia… Foi tomar consciência disso só na maioridade…

2 – E a literatura? Em que contexto apareceu na sua vida?

Lembro-me do primeiro livro que li: Iracema, de José de Alencar… E nessa época, com 10 para 11 anos, já estava no Seminário. Lembro-me também do livro Na Ilha de Java, que adorei.

Hoje em dia não me lembro do por quê. Parece-me que era uma história de aventuras, tipo Indiana Jones. Devorei também muitos outros livros, biografias de santos, a própria vida do Jesus, os evangelhos… Porém, os méritos do meu interesse pela literatura são do clérigo Alves.

Ele ainda não era padre. Era nosso professor de português. Sempre no final das aulas, quinze minutos ele dedicava a ler-nos, aos alunos é claro, um livro.

Foi assim que descobri Júlio Verne, Sherlock Holmes e outros autores ou personagens. E para completar, durante as principais refeições – almoço e janta – os seminaristas faziam leitura de algum livro.

Caso o leitor errasse uma palavra, o padre tocava uma campainha, igual a essas que são colocadas sobre os balcões de algum comércio para chamar o funcionário… Daquelas que você bate a mão e ela faz “plim!”

Eram sempre pré-selecionados dois leitores. Enquanto um almoçava ou jantava o outro lia, e vice versa. Por ter voz forte e pronuncia bem audível, eu era selecionado toda semana, às vezes até 3 ou 4 vezes. Nem preciso falar que isso despertava invejinha em alguns.

Mas não me lembro de ter ouvido alguma vez um “plim!” ou fui motivo de risos como quando alguém leu “Xícagô” no lugar de Chicago…

3 – Quando se deu conta de que queria ser escritor?

É claro que foi também no próprio Seminário. Eu gostava de escrever. Tinha as melhores notas em português.

Fazer redação era minha praia. Mas não pensava em ser escritor propriamente dito. Até hoje não sei se sou escritor e se me dou conta disso… Sou apenas alguém que gosta de escrever… inventar uma historia… buscar algo que se transforme em história. Poderá ser uma boa, medíocre ou péssima história…

Por sinal, no meu livro “Contos de Desencontros”, (página 55) publiquei o “O Pequeno Mentiroso”, o único texto que me restou da minha infância. Encontrei-o, por acaso, anos e anos depois, dobradinho, dentro de um vetusto dicionário. Essa historinha – bem bobinha – recebeu nota 100 (o máximo na época) e foi premiada com uma medalhinha de São Tarcisio que guardo até hoje.

Tinha naqueles velhos tempos, 11 anos… Dá para imaginar a euforia do garoto. 

4 – Que espaço a literatura ocupa no seu cotidiano?

Estou sempre lendo ou escrevendo. Gostaria de fazer isso todo o dia. Nem sempre me é possível. Tenho pensado muito em um novo romance, mas ainda está só no pensamento.

Tenho o começo dele e talvez o fim. Penso, entretanto, que jamais irei escrevê-lo. O assunto envolve tema muito preconceituoso. Não vale a pena ser boi de piranha…

5 – Dê um exemplo de boa e má adaptação cinematográfica de um livro.

Pergunta um tanto difícil de responder. Por gostar muito de cinema, raras vezes deixei de apreciar um filme.
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Li numa reportagem que o filme “Tubarão” (o primeiro é claro), foi muito mal adaptado… Li o livro e vi o filme: gostei de ambos. Outro caso refere-se ao filme “Os Assassinos”, baseado na obra de Ernest Hemingway.

Falaram também que o filme não tem nada a ver com o livro. Adorei o filme! O livro não li. Do Hemingway li apenas o “O Sol também se Levanta”. E o famoso “O Exorcista”? Li o livro e vi o filme: ambos me mataram de medo.

Vi e vejo muitas outras adaptações: Oliver Twist, Crime e Castigo, Germinal, Os Miseráveis, Ricardo III, Hamlet e uma infinidade de outros nomes. Bastará dizer que comprei coleções. Numa delas, chamada Grandes Livros no Cinema, tenho 25 títulos; noutra mais 25.

Penso ser um péssimo crítico ou não ter capacidade para criticar. Só uma coisa acrescento. Quem vê um filme apenas uma vez, realmente só viu o filme.

Agora com essa maravilha de DVDs podemos ver quantas vezes quisermos. Podemos parar a filme, colocá-lo no “quadro a quadro”. Analisar. Descobrir que quem fez a cena não foi o ator e sim um dublê. É assim que agora vejo os filmes. Ou melhor, não vejo apenas, estudo. 

6 – Quais são seus livros e autores prediletos?

Bem… Os meus livros são “Os Eternos Clones”, “O Fascínio do Mal”, “Contos de Desencontros”, “Foi a Brisa ou o Luar…” e o “Ricos, Poderosos, Assassinos”.

Agora, meus autores prediletos… Em primeiro lugar Jorge Amado, com toda coleção. Falo dele porque minha inspiração mais forte nasceu lendo suas obras.

Depois li tantos outros – romances, poesias, biografias – mas nomes não poderei citar. A coisa fica mais ou menos idêntica a da questão cinco.
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7 – Que tipo de literatura ou de autor é ilegível?

Não leio livros de “autoajuda”, de ficção muito absurda ou de pregação de certos “apóstolos” ou “missionários”.

8 – Que livro os brasileiros deveriam ler com extrema urgência?

Em lugar de destaque, muitos e muitos brasileiros, deveriam ler a Cartilha ABC… É… Aquela da “A pata nada”, “A faca é de Fábio”… Saber ler é uma coisa muito importante.

Ler não é apenas saber pronunciar as palavras. Ler é procurar uma interpretação, atentar para as vírgulas, ponto e vírgula, reticências etc.

Sem a interpretação a leitura torna-se maçante e quase incompreensível. Só assim o brasileiro poderá ler o “Compêndio da Civilidade” e aprender como se comportar em todos os ambientes.

Essa era uma das matérias que tínhamos no Seminário: Civilidade. Só com isso muitas pessoas pegarão um carrinho no mercado e depois o colocará no devido lugar para outra pessoa.

Jamais o deixarão dentro do mercado, ou pior ainda entre os carros no estacionamento, cito isso apenas como um simples exemplo.

Tem muita gente lendo para citar nomes de autores famosos e se mostrarem cultas. Lendo por ler…E buscam autores estrangeiros, desses que para citarem o nome é preciso retorcer a boca.
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9 – Como formar um leitor em nosso país?

Acho que uma ótima medida seria acabar com a dublagem dos filmes… Aí vem a falação: e os cegos, como farão? Tudo bem!  Deixem a dublagem.

O que respondi nas primeiras perguntas, penso ser o suficiente para dar ideia de como formar leitores em nosso país. Tudo deveria começar em casa, com os pais. Hoje em dia os pais não têm mais tempo para os filhos.

Nas aulas os professores – não todos, creio eu – também não ligam muito para esses coitadinhos. E para o nosso ilustre governo – desgovernado – o importante é que a criança “passe de ano”.

Muitos e muitos diretores de Escolas exigem também isso. Pobre do professor que não compactuar com tais descalabros.

Se existe tanta ganância entre o povo, que tal instituir prêmios para aquela criança ou adolescente que – mediante concursos e frente a uma banca de examinadores – pudesse dissertar sobre o maior número de livros lidos durante um quadrimestre, mas ao mesmo tempo narrasse a trama, com os personagens principais da história lida…?

É claro que a classe do magistrado não iria aceitar tal pensamento; isso pelo simples motivo que os examinadores deveriam estar a par da história narrada. Não vejo outra saída a não ser os exemplos que deverão surgir em casa e nas próprias aulas, tal e qual o meu querido professor Alves fazia.

10 – Que defeito é capaz de destruir ou comprometer um livro?

Não sei se posso chamar de defeito. Mas o que torna um livro entediante é, em primeiro lugar, o número de páginas. Uma pessoa vai a uma estante e ao ver uma publicação volumosa, tipo mais de 500 páginas, já perde a curiosidade.

Com razão… Na maioria das vezes o autor deseja mostrar sua cultura e torna-se prolixo: protela o desenvolvimento da cena tal e qual essas novelinhas ridículas do tipo quando ela quer, eu não quero e ela corre atrás e desiste. Depois sou eu quem corre atrás dela e quando desisto, lá vem ela de novo… e assim aumentam-se os capítulos.

Já li alguns livros dessa espécie. O pior é quando o autor faz citações de frases noutros idiomas, sem tradução. Isso é querer chamar o leitor de idiota! Praticamente está dizendo: “Eu sei o que significa?

Como você não sabe, não tem cultura suficiente para ler o meu livro?!” Outra coisa que destrói e compromete um livro é o preço. As editoras deveriam agir com mais consciência. Mas, qual?!

No final são elas que ganham mais do que os autores. Existe também a falta de divulgação. Hoje em dia qual autor poderá fazer um comercial de sua obra num canal de televisão, em jornais, revistas ou qualquer outro meio de comunicação?
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Quanto gastará por isso? Procure saber quanto é o custo de um segundo na televisão. E a falta de livrarias é outro forte monstro destruidor da literatura.

Segundo uma informação, conta-se que na Argentina as livrarias brotam, muitas vezes duas numa mesma esquina. Aqui no Brasil, a palhaçada se acha gloriosa por ganhar títulos e taças no futebol… Lá eles também possuem taças e títulos.

A maior diferença é que eles são muito mais cultos do que nós. Não sei se isso é verdade. Conheci vários argentinos, de diversas idades. Nenhum deles se mostrou ignorante, bobalhão ou analfabeto.

 O Brasil precisa pensar menos com os pés e usar mais o cérebro. Um país se constrói com livros. Fugi um pouco da pergunta mas não faz mal, tudo vale como resposta.

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