Você escreve, gosta de cinema e é bom de leitura ? Leia agora!

Diga-me com quem andas e eu te direi quem és (Adágio Popular)

       FÁBIO SIQUEIRA DO AMARAL, nascido em Palmital, Estado de São Paulo, aos 28 de outubro de 1943, ficando órfão de pai muito cedo, estudou em regime de internato nos antigos seminários das cidades de Rio Claro, Catanduva, Mirassol, no Estado de São Paulo, chegando até ao noviciado em São Paulo e Toledo, no Paraná.

Como na época, apesar de tantos anos de estudos, tais instituições religiosas não forneciam diplomas ou certificados, em 1962 viu-se obrigado a repetir a antiga quarta série ginasial no Colégio São José, em São José do Rio Preto. Em seguida, formou-se em contabilidade na Escola Técnica de Comércio Dom Pedro II, nessa mesma cidade.
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Na ocasião, trabalhava de dia na inspetoria de uma grande companhia de seguros e estudava à noite. Sempre empregado mudou-se sozinho, e definitivamente, para a cidade de São Paulo.

Deixou, depois, o primeiro emprego e praticamente transferiu-se para outra companhia seguradora. Nesse novo trabalho fez carreira e galgou postos, chegando a ser gerente de produtos.

     Estudou Arte Dramática, na EAD-USP. Trabalhou em mais de cinquenta peças de teatro; chegou a gravar um disco com duas de suas composições e um CD (álbum duplo) com músicas de vários compositores.

Realizava tudo isso em suas horas de lazer.

Possuindo alguma renda e crendo ser possível viver dela, deixou o emprego e retornou aos bancos escolares na Faculdade de Filosofia e Teologia Nossa Senhora da Assunção.

Cursava com sucesso o segundo ano, quando estourou no Brasil o problema Collor. Com o dinheiro aprendido, sem mais recursos e tendo já certa idade, viu-se obrigado a procurar novo emprego.

Seus cabelos brancos davam exatamente o perfil da pessoa, que uma grande empresa francesa, fabricante de lentes progressiva, necessitava. Ele, porém, jamais estudara óptica, mas sem medo, atirou-se na nova oportunidade.

Em pouco tempo tornou-se o Consultor Técnico, atendendo e solucionando problemas de incontáveis pessoas que o procuraram confiantes. Foi nomeado Palestrante Oficial e Professor nessa mesma Multinacional.

Como tal, administrou aulas e palestras em várias universidades, faculdades, escolas, ópticas, hospitais e eventos especiais ligados à oftalmologia, nas Capitais e grandes cidades de todos os Estados do Brasil.

Procurando aprimorar e facilitar o conhecimento de seus alunos, escreveu e preparou diversas apostilas, esquemas, cursos e aulas, inserindo nestes trabalhos grande número de desenhos feitos à mão, dando, assim, muito maior clareza às suas já competentes explicações.

Viajou para os Estados Unidos e Europa. Sempre foi dedicado à arte, toca órgão sacro, e, como diz, arranha um pouco no violão. Ainda nas artes, desenha, pinta e compõe.
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Lançado como romancista pela NAVEGAR EDITORA, editou “OS ETERNOS CLONES”,     “O FASCÍNIO DO MAL” e “CONTOS DE DESENCONTROS”, enfeixando sob esse título quinze diversificados contos ou novelas – como gosta denominá-los.

De forma independente publicou “FOI A BRISA OU O LUAR…”, apresentando aos leitores sua alma de trovador e poeta.

Retornou com novo romance, “RICOS, PODEROSOS, ASSASSINOS”, e, mais uma vez, fica comprovada a grande versatilidade e criatividade deste autor brasileiro. Sem a menor dúvida, Fábio Siqueira do Amaral posiciona-se como um dos melhores romancistas da atualidade.

1 – Na infância, qual foi seu primeiro contato com a escrita?

Nada me incentivou mais diretamente a entrar em contato com a escrita do que o cinema. Já naqueles primórdios da minha vida, aos 6 ou 7 anos, encantavam-me as histórias que via no cinema.

Infelizmente ou felizmente, só ver as imagens não me satisfazia. E os filmes não eram dublados, e como entendê-los? Havia os “letreiros”, hoje chamados “legendas”.
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Sem a leitura não era possível captar o filme. Restava-me aprender a ler; isso o fiz o mais rápido possível.  Depois veio o pior… Mesmo sabendo ler, as letras eram quase ilegíveis.

Precisava adivinhar… Comecei a sentar-me quase na primeira fileira das poltronas… Aí conseguia ler melhor… Porém… Essa visão melhor, ainda era muito falha…

As letras misturavam-se, desfocavam-se… O coitado do moleque era míope qual uma coruja e não sabia… Foi tomar consciência disso só na maioridade…

2 – E a literatura? Em que contexto apareceu na sua vida?

Lembro-me do primeiro livro que li: Iracema, de José de Alencar… E nessa época, com 10 para 11 anos, já estava no Seminário. Lembro-me também do livro Na Ilha de Java, que adorei.

Hoje em dia não me lembro do por quê. Parece-me que era uma história de aventuras, tipo Indiana Jones. Devorei também muitos outros livros, biografias de santos, a própria vida do Jesus, os evangelhos… Porém, os méritos do meu interesse pela literatura são do clérigo Alves.

Ele ainda não era padre. Era nosso professor de português. Sempre no final das aulas, quinze minutos ele dedicava a ler-nos, aos alunos é claro, um livro.

Foi assim que descobri Júlio Verne, Sherlock Holmes e outros autores ou personagens. E para completar, durante as principais refeições – almoço e janta – os seminaristas faziam leitura de algum livro.

Caso o leitor errasse uma palavra, o padre tocava uma campainha, igual a essas que são colocadas sobre os balcões de algum comércio para chamar o funcionário… Daquelas que você bate a mão e ela faz “plim!”

Eram sempre pré-selecionados dois leitores. Enquanto um almoçava ou jantava o outro lia, e vice versa. Por ter voz forte e pronuncia bem audível, eu era selecionado toda semana, às vezes até 3 ou 4 vezes. Nem preciso falar que isso despertava invejinha em alguns.

Mas não me lembro de ter ouvido alguma vez um “plim!” ou fui motivo de risos como quando alguém leu “Xícagô” no lugar de Chicago…

3 – Quando se deu conta de que queria ser escritor?

É claro que foi também no próprio Seminário. Eu gostava de escrever. Tinha as melhores notas em português.

Fazer redação era minha praia. Mas não pensava em ser escritor propriamente dito. Até hoje não sei se sou escritor e se me dou conta disso… Sou apenas alguém que gosta de escrever… inventar uma historia… buscar algo que se transforme em história. Poderá ser uma boa, medíocre ou péssima história…

Por sinal, no meu livro “Contos de Desencontros”, (página 55) publiquei o “O Pequeno Mentiroso”, o único texto que me restou da minha infância. Encontrei-o, por acaso, anos e anos depois, dobradinho, dentro de um vetusto dicionário. Essa historinha – bem bobinha – recebeu nota 100 (o máximo na época) e foi premiada com uma medalhinha de São Tarcisio que guardo até hoje.

Tinha naqueles velhos tempos, 11 anos… Dá para imaginar a euforia do garoto. 

4 – Que espaço a literatura ocupa no seu cotidiano?

Estou sempre lendo ou escrevendo. Gostaria de fazer isso todo o dia. Nem sempre me é possível. Tenho pensado muito em um novo romance, mas ainda está só no pensamento.

Tenho o começo dele e talvez o fim. Penso, entretanto, que jamais irei escrevê-lo. O assunto envolve tema muito preconceituoso. Não vale a pena ser boi de piranha…

5 – Dê um exemplo de boa e má adaptação cinematográfica de um livro.

Pergunta um tanto difícil de responder. Por gostar muito de cinema, raras vezes deixei de apreciar um filme.
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Li numa reportagem que o filme “Tubarão” (o primeiro é claro), foi muito mal adaptado… Li o livro e vi o filme: gostei de ambos. Outro caso refere-se ao filme “Os Assassinos”, baseado na obra de Ernest Hemingway.

Falaram também que o filme não tem nada a ver com o livro. Adorei o filme! O livro não li. Do Hemingway li apenas o “O Sol também se Levanta”. E o famoso “O Exorcista”? Li o livro e vi o filme: ambos me mataram de medo.

Vi e vejo muitas outras adaptações: Oliver Twist, Crime e Castigo, Germinal, Os Miseráveis, Ricardo III, Hamlet e uma infinidade de outros nomes. Bastará dizer que comprei coleções. Numa delas, chamada Grandes Livros no Cinema, tenho 25 títulos; noutra mais 25.

Penso ser um péssimo crítico ou não ter capacidade para criticar. Só uma coisa acrescento. Quem vê um filme apenas uma vez, realmente só viu o filme.

Agora com essa maravilha de DVDs podemos ver quantas vezes quisermos. Podemos parar a filme, colocá-lo no “quadro a quadro”. Analisar. Descobrir que quem fez a cena não foi o ator e sim um dublê. É assim que agora vejo os filmes. Ou melhor, não vejo apenas, estudo. 

6 – Quais são seus livros e autores prediletos?

Bem… Os meus livros são “Os Eternos Clones”, “O Fascínio do Mal”, “Contos de Desencontros”, “Foi a Brisa ou o Luar…” e o “Ricos, Poderosos, Assassinos”.

Agora, meus autores prediletos… Em primeiro lugar Jorge Amado, com toda coleção. Falo dele porque minha inspiração mais forte nasceu lendo suas obras.

Depois li tantos outros – romances, poesias, biografias – mas nomes não poderei citar. A coisa fica mais ou menos idêntica a da questão cinco.
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7 – Que tipo de literatura ou de autor é ilegível?

Não leio livros de “autoajuda”, de ficção muito absurda ou de pregação de certos “apóstolos” ou “missionários”.

8 – Que livro os brasileiros deveriam ler com extrema urgência?

Em lugar de destaque, muitos e muitos brasileiros, deveriam ler a Cartilha ABC… É… Aquela da “A pata nada”, “A faca é de Fábio”… Saber ler é uma coisa muito importante.

Ler não é apenas saber pronunciar as palavras. Ler é procurar uma interpretação, atentar para as vírgulas, ponto e vírgula, reticências etc.

Sem a interpretação a leitura torna-se maçante e quase incompreensível. Só assim o brasileiro poderá ler o “Compêndio da Civilidade” e aprender como se comportar em todos os ambientes.

Essa era uma das matérias que tínhamos no Seminário: Civilidade. Só com isso muitas pessoas pegarão um carrinho no mercado e depois o colocará no devido lugar para outra pessoa.

Jamais o deixarão dentro do mercado, ou pior ainda entre os carros no estacionamento, cito isso apenas como um simples exemplo.

Tem muita gente lendo para citar nomes de autores famosos e se mostrarem cultas. Lendo por ler…E buscam autores estrangeiros, desses que para citarem o nome é preciso retorcer a boca.
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9 – Como formar um leitor em nosso país?

Acho que uma ótima medida seria acabar com a dublagem dos filmes… Aí vem a falação: e os cegos, como farão? Tudo bem!  Deixem a dublagem.

O que respondi nas primeiras perguntas, penso ser o suficiente para dar ideia de como formar leitores em nosso país. Tudo deveria começar em casa, com os pais. Hoje em dia os pais não têm mais tempo para os filhos.

Nas aulas os professores – não todos, creio eu – também não ligam muito para esses coitadinhos. E para o nosso ilustre governo – desgovernado – o importante é que a criança “passe de ano”.

Muitos e muitos diretores de Escolas exigem também isso. Pobre do professor que não compactuar com tais descalabros.

Se existe tanta ganância entre o povo, que tal instituir prêmios para aquela criança ou adolescente que – mediante concursos e frente a uma banca de examinadores – pudesse dissertar sobre o maior número de livros lidos durante um quadrimestre, mas ao mesmo tempo narrasse a trama, com os personagens principais da história lida…?

É claro que a classe do magistrado não iria aceitar tal pensamento; isso pelo simples motivo que os examinadores deveriam estar a par da história narrada. Não vejo outra saída a não ser os exemplos que deverão surgir em casa e nas próprias aulas, tal e qual o meu querido professor Alves fazia.

10 – Que defeito é capaz de destruir ou comprometer um livro?

Não sei se posso chamar de defeito. Mas o que torna um livro entediante é, em primeiro lugar, o número de páginas. Uma pessoa vai a uma estante e ao ver uma publicação volumosa, tipo mais de 500 páginas, já perde a curiosidade.

Com razão… Na maioria das vezes o autor deseja mostrar sua cultura e torna-se prolixo: protela o desenvolvimento da cena tal e qual essas novelinhas ridículas do tipo quando ela quer, eu não quero e ela corre atrás e desiste. Depois sou eu quem corre atrás dela e quando desisto, lá vem ela de novo… e assim aumentam-se os capítulos.

Já li alguns livros dessa espécie. O pior é quando o autor faz citações de frases noutros idiomas, sem tradução. Isso é querer chamar o leitor de idiota! Praticamente está dizendo: “Eu sei o que significa?

Como você não sabe, não tem cultura suficiente para ler o meu livro?!” Outra coisa que destrói e compromete um livro é o preço. As editoras deveriam agir com mais consciência. Mas, qual?!

No final são elas que ganham mais do que os autores. Existe também a falta de divulgação. Hoje em dia qual autor poderá fazer um comercial de sua obra num canal de televisão, em jornais, revistas ou qualquer outro meio de comunicação?
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Quanto gastará por isso? Procure saber quanto é o custo de um segundo na televisão. E a falta de livrarias é outro forte monstro destruidor da literatura.

Segundo uma informação, conta-se que na Argentina as livrarias brotam, muitas vezes duas numa mesma esquina. Aqui no Brasil, a palhaçada se acha gloriosa por ganhar títulos e taças no futebol… Lá eles também possuem taças e títulos.

A maior diferença é que eles são muito mais cultos do que nós. Não sei se isso é verdade. Conheci vários argentinos, de diversas idades. Nenhum deles se mostrou ignorante, bobalhão ou analfabeto.

 O Brasil precisa pensar menos com os pés e usar mais o cérebro. Um país se constrói com livros. Fugi um pouco da pergunta mas não faz mal, tudo vale como resposta.

Site:http://fabiosiqueiradoamaral.com.br/
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Diego Fernandes Escrito por:

Bebedor desenfreado de café e averso a picanha, Diego é desenvolvedor front-end e professor. É o fundador do Duofox. Na literatura não vive sem os russos Dostoiévski e Anton Tchekhov e consegue "perder" tempo com autores da terra do Tio Sam, Raymond Chandler e Melville. Acredita que a arte de maneira geral é a única forma de manter o ser humano pelo menos acordado, longe do limbo que pode levar a humanidade à Encruzilhada das Almas.

5 Comentários

  1. abril 4, 2014
    Responder

    É bom ver que em Bom Jesus dos Perdões ainda existem pessoas capazes de resgatar o que há de bom nessa vida. A gente vai percebendo, que no meio desse mundo cheio de exigências, o que nos vale são as coisas mais simples. E mesmo que não haja incentivo das partes que poderiam intervir nessas questões, tem gente que produz, pela simples razão de produzir, de se expressar. Eu não conheço o Fábio. E penso, quantos Fábios temos escondidos por aí? Sempre que eu me deparo com situações assim, em surpreendo positivamente. E como diria Rubem Alves parafraseando Adélia Prado:Não precisamos de faca e queijo, o que a gente quer, é fome! E isso , me parece que o Fábio tem de sobra

    • Diego Fernandes
      abril 4, 2014
      Responder

      Isso porque você ainda não viu quantos concurso literários ele venceu, dispensa comentários…

  2. abril 6, 2014
    Responder

    Que bacana.. estava reportagem. Adorei. Bom Jesus dos Perdões, tem um ilustre escritor – Fábio Siqueira do Amaral (sem dúvida)
    Parabéns Produção.
    Priscila Mello

    • Diego Fernandes
      abril 6, 2014
      Responder

      Priscila teremos mais artigos do Fábio por aqui, acompanhe-nos…

  3. Myrthes Neusali Spina de Moraes
    abril 10, 2014
    Responder

    Se eu tivesse que definir, em uma única palavra as obras de Fábio Siqueira do Amaral, com certeza eu diria: criatividade
    É impossível descrever qual é seu melhor trabalho. literário. As publicações e participações em coletâneas e livros onde aparecem amostragens da história literária de Fábio reafirmam sua importância.
    Difícil, é não se deixar seduzir pela magia de seus livros. São contagiantes! As narrativas, as tramas e suspenses são bem entrelaçados. Aos poucos, o ator, escritor e poeta foi ganhando espaço no trovadorismo tornando-se um exímio trovador, classificando-se em concursos.
    Levando a arte e a cultura ao alcance de todos, Fábio nada mais quer, que alimentar e conscientizar novos talentos a importância e o padrão da qualidade literária.
    Todavia, o que mais me encanta é sua simplicidade natural. É para mim, mais que amigo, é um irmão e protetor nos momentos difíceis.
    Parabéns Diego, pela sua entrevista,revestida de tantas verdades,tornando Fábio ainda mais conhecido no meio literário e presenteando os leitores com uma instigante viagem ao universo deste brilhante escritor.

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