# Abutres não ouvem jazz – EP14 – Charles Mingus x Dexter Gordon


Os episódios da nossa série sobre jazz continuam a todo vapor. Dessa vez falaremos sobre Charles Mingus e Dexter Gordon, dois músicos com carreiras agitadas e de temperamentos peculiares.

Felipe Terra, Tito Cepoline e Diego Fernandes exploram os discos e contam sobre a vida desses instrumentistas que tem lugar garantido na playlist de qualquer pessoa que curte jazz.

MAIS CURIOSIDADES SOBRE DEXTER GORDON

Na década de 80, a última em vida, Gordon recebeu prêmios e homenagens:

O governo dos EUA o homenageou com uma Comenda do Congresso:
Dexter Gordon Day in Washington DC, e também a National Endowment for the Arts pelo conjunto e contribuição de sua obra.

Foi eleito o Músico pela DownBeat do ano de 1980
Foi incluído no Jazz Hall of Fame no ano de 1980

Existe um catalogo vasto de Gordon pelo selo dinamarquês StepleChase, que foi o principal onde o musico trabalhou durante os seus 14 anos (1962 – 1976) de Europa. Incluindo discos de estúdio, mas principalmente compilações ao vivo.

Ao menos 16 discos são ao vivo, gravados em apresentações diversas, em países europeus diversos entre os anos de 1965 e 1966 e 1975

MAIS CURIOSIDADES SOBRE CHARLES MINGUS

Em 1956, antes do lançamento considerado o “primeiro” grande disco como líder – Pithecanthropus Erectus – ele já havia lançado outros 8 discos, a grande parte pelo seu selo, a Debut Records.Confira a lista abaixo:

* Strings and Keys (duo with Spaulding Givens) (1953, Debut)
* Charles Mingus Octet (1953, Debut)
* Mingus at the Bohemia (1956, Debut)
* The Charles Mingus Quintet & Max Roach (1956, Debut)

E também como sideman, pelo seu selo, temos uma bela lista:
* Jazz at Massey Hall (Live -The Greatest Jazz Concert Ever) (with Charlie Parker) (1953, Debut) – esse foi o primeiro e mais icônico disco.
* Introducing Paul Bley (with Paul Bley) (1953, Debut)
* The Fabulous Thad Jones (with Thad Jones) (1955, Debut)
* Blue Moods (with Miles Davis) (1955, Debut)

De todas as suas obras, a música – ” Goodbye Pork Pie Hat “- do disco Mingus Ah Um – provavelmente teve o maior número de gravações.
A música foi tocada por artistas de jazz e não jazz, como Jeff Beck , Andy Summers , Eugene Chadbourne e Bert Jansch e John Renbourn.

Weird Nightmare: Meditations on Mingus é um álbum tributo de Hal Willner gravado em 1992 e contém interpretações avassaladoras de algumas canções de Mingus. Artistas do quilate de Keith Richards , Henry Rollins e Dr. John fizeram parte desse disco.

Elvis Costello gravou “Hora Decubitus” (de Mingus Mingus Mingus Mingus Mingus ) em My Flame Burns Blue (2006)

Sua autobiografia mencionada no podcast se trata do livro Beneath the Underdog: His World as Composed by Mingus
Mingus escreveu ela ao londo dos anos 60 e foi publicada em 1971.

A autobiografia de Mingus também serve como um insight sobre sua psique, bem como suas atitudes sobre raça e sociedade. Inclui relatos de abuso nas mãos de seu pai desde tenra idade, sendo intimidado quando criança, sua saída de um sindicato de músico branco e lutando contra a desaprovação enquanto era casado com mulheres brancas e outros exemplos de dificuldades e preconceito.

“O Homem Irritado do Jazz”. Esse foi seu apelido que ele levou durante toda a sua carreira. Sua recusa em comprometer sua integridade musical levou a muitas erupções no palco e fora dele, brigas com outros músicos e demissões.

Embora respeitado por seus talentos musicais, Mingus era temido por seu temperamento ocasionalmente violento no palco, que às vezes era dirigido aos membros de sua banda e outras vezes ao público.

Ele era fisicamente grande, propenso à obesidade (especialmente em seus últimos anos) e, segundo muitos relatos de quem vivei de perto a história, costumava ser intimidante e assustador ao expressar raiva ou desagrado.

Trilha Sonora
Charles Mingus – Bird Calls
Charles Mingus – A Colloquial Dream
Charles Mingus – Los Mariachis
Charles Mingus – Ysabel’s Table Dance
Dexter Gordon – Denmark 1967

Felipe Terra Escrito por:

Professor e amante da arte literária, atua na área da educação desde 2011. Viciado na música de Bach, Mozart e Chet Baker, e na literatura de Raymond Chandler, Ross Macdonald e Paul Auster. Ama escrever e acredita que poderia ler mais, porém, precisa dormir, infelizmente. Consegue passar horas jogando pôquer ou xadrez com os amigos. Degustar pizzas de queijo e bacon é um dos passatempos prediletos em horas de fome extrema.

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