Conheça o Canal Código 137 do artista plástico e roteirista Magdiel

1-Quem é Magdiel?
Magdiel: Artista plástico, roteirista, entusiasta cultural, o pior estudante de linguística do mundo…

Abujamra: Isso é o que você faz, eu quero saber quem você é!
Magdiel: Um recifense pobre que faz coisas na internet.
Abujamra: Isso é de onde você venho. Quem você é?
Magdiel: Eu não sei, Abujamra — o entrevistado cai em prantos.
 
2-Como surgiu a ideia de criar um canal no youtube sobre cultura, entretenimento, gatos e discos voadores?
Na verdade o Código 137 é um blog que tenho já faz dez anos. Na época era “boom” dos blogs. Meus amigos me apresentaram como sendo uma nova rede social. Quando descobri que eram tipo seu próprio site pra falar sobre o que quisesse, foi aí que entrei nesse mundo pra abordar tudo o que eu gostava.
 
Desde cultura e entretenimento a gatos e discos voadores. Desde o princípio ninguém lia muito e sempre tive vontade de expandir pra outras mídias. Quando descobri os podcasts quis fazer um, mas não tinha recursos e só vim conseguir gravar tardiamente.
 

Também sempre quis fazer vídeos, porém demanda muitas coisas, recursos e saúde. Só vim começar a fazer mesmo agora por ser nesse momento em que aprendi a editar, tenho um computador que funcione, e uma vizinha que me fornece internet. Amanhã posso perder algum desses elementos e passar um bom tempo sem poder produzir.

3-Por quê o nome Código 137?
É a pergunta que mais me fizeram durante todos esses anos.

Já tentei criar uma historinha bacana e filosófica pro significado, mas não deu certo. A verdade é o seguinte, na saudosa época áurea da internet, onde não existia facebook (vocês acreditam nisso?), pra se criar login em qualquer coisa era preciso um nome e um número, não podia ser somente nem um nem outro.
 
A maioria usava o ano vigente ou o de nascimento. Eu usava 27, que é meu dia de aniversário, e meu inconsciente transformou em 137. É por isso que meu @ nas redes sociais é @137magdiel até hoje (na verdade porque já usaram o @magdiel). Quando criei o blog ele se chamava “Rock Heroes”, e eu achava esse nome horrível, além de especificar que o blog só falava sobre rock e super heróis. Então na busca por um nome neutro que poderia nomear um site sobre qualquer coisa, me venho a mente Código 137.

4-Como são feitas as entrevistas, editorial e revisão? Você faz tudo sozinho?
Pro canal, além do Ultramarx que faz as capas e dos vídeos, e da Xlôbs Casarisi, que narra os vídeo-ensaios, de resto tenho feito sozinho. E por conta dessa minha autonomia, o editorial segue meu gosto pessoal de estilo de música, até a preferência por bandas com mulheres na formação.
 
O lado bom do underground é que a galera é acessível, não tem a bossalidade do mainstream, alguns até são meus amigos, o que facilita muito o convite para as entrevistas. Eu simplesmente entre em contato me apresentando e apresentando o projeto, isso se a pessoa já não me conhecer, mando as perguntinhas básicas e espero elas me mandarem o vídeo.
 

Aí eu edito tudo, passo pro Ultramarx revisar (quando é vídeo-ensaio a Xlôbs revisa também), e já programo o vídeo.

5-Existe alguém que você tenha muita vontade de entrevistar e ainda não rolou no Código 137?

Uma infinidade de gente! Não dá pra especificar só alguns nomes. Já fiz várias entrevistas, tanto pro blog, quanto pra outros blogs que participei também, e desde sempre vou conhecendo gente nova. Então sempre vai ter gente pra entrevistar.
 

Magdiel

6-Em quais Blogs/zines/revistas você encontrou inspiração ou referência?
Meu blog favorito é o Cabeça Tédio! Fica aqui um pedido pra querida Carla Duarte voltar com o blog (peço muito a ela). Esse blog fala de punk feminista riot grrrl, que é um dos meus segmentos musicais favoritos.

Curto muito também o Leitor Cabuloso, a qual já participei em diferentes ocasiões. Amo muito o pessoal de lá.O Pausa Para um Café, da incrível Anna Schermak, que também tem um canal no youtube, admiro demais o trabalho dela.
 
E eu não podia esquecer do meu blog favorito da vida que é o Momentum Saga, o blog maravilhosa escritora e ídala, Lady Sybylla, que é dedicado a ficção científica e literatura (oi Sybylla, amo você).
Mas pro canal, cara. Vou te confessar que me inspirei nos vídeo-ensaios, embora eu não tenha paciência pra assistir a maioria deles.
 
Pois geralmente tentam danar filosofia no assunto e falam muito devagar, o que é muito bom, pois é tudo bem feito e analisado de uma forma que dá pra entender. Porém minha hiperatividade não me permite a apreciação. Os que me fisgaram foram o Meteoro Brasil, vulgo melhor canal da atualidade, o ReVisão, que faz um trabalho excelente, e o Playground Brasil, que foi quando eu olhei e pensei “eu quero fazer vídeo assim”.
 
Também acho válido por Minuto Indie na conta, pois me inspiro muito no que o canal se tornou nesses últimos tempos. Porém se me permitem recomendar, o melhor canal que tem sobre música atualmente é o Scena, que é um pacotão maravilhoso do underground. Por favor vão conferir.

7-Quais conselhos para os marinheiros de primeira viagem? Iniciantes na criação de conteúdo, que mensagem você gostaria de deixar para eles?
Na verdade faz dez anos  que eu ainda sou um marinheiro de primeira viagem. Em tudo. O que já vale como conselho, o aprendizado nunca acaba, você é sempre um aluno. Porém tem uns conselhos pontuais que acho essenciais pra todo mundo que quer começar qualquer coisa.
 
Faça porque você gosta. Todo mundo precisa de dinheiro, e ta massa fazer pra ganhar dinheiro, mas se tu não gostar do que tu faz antes de todo o resto, o resultado é vazio. 
Não liga pra algoritmo. Todo mundo quer alcance, mas moldar o conteúdo com esse objetivo só vai estragar teu rolê.
 
Faça no seu tempo, com o que você tem, do jeito que você acha que fica bom e bonito. Não se força a fazer as coisas de certa forma só por ser o que vende, o que gera acesso. Pensa que o teu conteúdo, a tua produção, é o teu coração, a tua alma. Como tu quer que as pessoas vejam teu coração e a tua alma?
 
8-Diz aí 5 discos, 5 livros e 5 filmes que uma pessoa tem que ouvir/ler antes de morrer?
Ninguém é obrigado a nada e pode morrer em paz sem se guiar nessas listas, porque o que faz as vida valer a pena é a forma como tu viveu ela.
Dito isto recomendo fortíssimo:
Discos:
  1. Grab The Gun, do The Organ
  2. Sunshower, da Taeko Ohnuki
  3. Futuro, da Diablo Angel
  4. Agora Tá Valendo, do Devotos do Ódio
  5. Máfia, do Ricto.
Livros:
  1. Ideias para adiar o fim do mundo, de Ailton Krenak
  2. Persépolis, de Marjane Satrapi
  3. Linha M, da Patti Smith
  4. A Saga Jogos Vorazes, da Suzanne Collins
  5. O Guia do Mochileiro das Galáxias, de Douglas Adams
Filmes:
  1. Borat, de Larry Charles
  2. Bacurau, de Juliano Dornelles e Kleber Mendonça Filho
  3. Holocausto Brasileiro, da Daniela Arbex
  4. Okja, do Bong Joon-ho
  5. A Vida em Preto e Branco, do Gary Ross
Esses são os que me venho pensar agora. Amanhã minha lista será diferente, depois de amanhã também, e assim vai.

9- Deixe uma mensagem para galera!  

É fácil falar “Do it yourself”, faça você mesmo. Mas muita gente tem energia pra começar o projeto mas não comida em casa, quer começar uma banda mas não tem dinheiro pra comprar instrumento e nem ninguém que empreste, assim como computador e outras coisas.
 
Mas minha mensagem é, se você quer muito fazer uma parada, não desista. Se tu não tem condições agora, por conta de material ou outras coisas, anota tudo o que tu quer fazer, deixa guardado, planeja, e se tiver o mínimo que dá, faz!  Mesmo não se achando capaz, achando que não escreve bem, que não toca bem, que não desenha bem.
 
Se você gosta e quer fazer isso, faz! Tenta, foda-se que você acha que não ta bom, tenta de novo e não desiste. Peça ajuda, converse com outras pessoas, aprenda. E mais importante, tenha paciência. Não queira nada na pressa de imediato. A hora de todo mundo chega.
 

Quem quiser conversar comigo adoro fazer amizades e interagir. Twitter e Instagram é nois. Abração pro pessoal da Duofox, esse blog maravilhoso, muito obrigado pela minha primeira entrevista na vida (tirando as de emprego), e principalmente muito obrigado a você que leu. Abração pra você Tamo junto.

Onde encontrar o Código 137?

 
Diego Fernandes Escrito por:

Bebedor desenfreado de café e averso a picanha, Diego é desenvolvedor front-end e professor. É o fundador do Duofox. Na literatura não vive sem os russos Dostoiévski e Anton Tchekhov e consegue "perder" tempo com autores da terra do Tio Sam, Raymond Chandler e Melville. Acredita que a arte de maneira geral é a única forma de manter o ser humano pelo menos acordado, longe do limbo que pode levar a humanidade à Encruzilhada das Almas.

2 Comentários

  1. agosto 5, 2020
    Responder

    Muito obrigado pela entrevista meu amigo! Amei muito <3

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