O Poço, por que esse filme nos causa tanta estranheza?

Assistir O Poço e continuar vivendo os dias naturalmente não é algo muito provável. A película do diretor espanhol Galder Gaztelu-Urrutia choca quem assiste e provoca nossas mentes com inúmeras críticas e mensagens implícitas.

O que é o Poço?

Uma prisão vertical que torna as pessoas vítimas de um sistema opressor e as leva aos níveis mais extremos de violência.

As pessoas que vão parar nessa prisão fizeram todo tipo de coisas, mas nem todas estão ali por coisas ruins, uns vão voluntariamente, como é o caso do personagem principal, Goreng, vivido pelo ator espanhol Ivan Massagué.

Ele está no andar 48 da prisão por algum motivo.

O espanhol Ivan Massagué, numa cena do filme, disponível na plataforma Netflix
O Poço é gigantesco e esconde segredos

Como a ideia é não dar spoiler vamos somente ao que você precisa saber para se surpreender. A prisão é dividida em níveis, andares que são ocupados por dois detentos que em geral não se conhecem.

Cada um tem o insano direito de portar algo que queira durante sua dolorosa estadia. Uns levam tacos de baseball, outros decidem por facas e os mais sensíveis, levam livros.

O longa-metragem que pode ser enquadrado como suspense, mas tem o lado visceral de um terror sangrento, apresenta cenas em que o drama permite reflexões sobre moralidade e religião.

Cada andar, que não passa de uma cela de concreto praticamente vazia, tem no centro um vão, chamado de poço. Por ali passa um elevador com comida, muita comida. As primeiras pessoas comem e o elevador desce.

Nada parece ser óbvio, e não é mesmo!

O que se segue é óbvio, e você nunca mais vai querer ouvir essa palavra depois de assistir ao filme.

As classes sociais ficam bem evidentes aqui. Quem está no topo da sociedade, come do bom e do melhor, quem está mais abaixo se alimenta das sobras.

O diretor do longa, Galder Gaztelu Urrutia

Tudo indica que o filme quer nos fazer refletir sobre o egoísmo humano e sobre as questões dos privilégios e desigualdades sociais. Pessoas que ocupam posições superiores desmerecem quem está abaixo delas. E vice e versa.

Os níveis mais baixos do poço podem facilmente representar os rejeitados e esquecidos pelo sistema.

Engraçado que em determinado ponto do filme você constata que a comida daria de fato para todos, mas a consciência e egoísmo do ser humano é tamanho que as pessoas do limbo, embaixo, nem sequer conseguem uma migalha.

Por que assistir esse filme?

É óbvio! Por que ele fala sobre nós todos e sobre nossas atitudes no cotidiano. O simples ato de não pensar no outro ou de se apropriar de coisas que não nos pertencem.

Fala sobre até que ponto uma pessoa chega para conseguir o que quer e as atrocidades de que é capaz para ser superior ao outro.

Se você assistiu ao filme e ficou confuso e com aquela sensação de que foi enganado e não entendeu nada, coloque sua visão ou alguma pergunta nos comentários para abrir uma discussão, adoramos debater filmes desse tipo.

Felipe Terra Escrito por:

Professor e amante da arte literária, atua na área da educação desde 2011. Viciado na música de Bach, Mozart e Chet Baker, e na literatura de Raymond Chandler, Ross Macdonald e Paul Auster. Ama escrever e acredita que poderia ler mais, porém, precisa dormir, infelizmente. Consegue passar horas jogando pôquer ou xadrez com os amigos. Degustar pizzas de queijo e bacon é um dos passatempos prediletos em horas de fome extrema.

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