O Sono Eterno – O primeiro romance policial de Raymond Chandler

O sono eterno  foi o primeiro romance do Raymond Chandler publicado em 1939, que teve origem em uma mistura de contos dos quais foram escritos no início de sua carreira, das revistas de pulp fiction, como a Black Mask, em que Chandler foi colaborador, surgiu da obra de Dashiell Hammett, James M. Cain e outros.

Uma narrativa em primeira pessoa, que aliás é uma característica que Chandler sempre empregou em seus romances, que conta com seu detetive Philip Marlowe, um personagem tão fascinante quanto complexo: cínico, durão, mas com um lado generoso e sentimental, que viria a ser protagonista de muitas outras narrativas do autor.

O foco do enredo é chantagem, no entanto é um pouco “tortuoso” e pode deixar o leitor um pouco confuso para acompanhar. Mas na época em que escreveu o livro, Chandler se dizia pouco interessado em enredos. Muitas subtramas e inúmeros personagens, dão a impressão desta confusão. A cidade é extremamente corrupta e Chandler não economiza no pessimismo quanto ao destino nas grandes metrópoles americanas (o romance se passa no período da Depressão, nos anos 30).

Raymond Chandler

Trecho do livro:

“Havia duas pessoas na sala, mas nenhuma delas deu a menor atenção à maneira como eu entrei, ainda que somente uma delas estivesse morta.” (CHANDLER, 2009, p.37­)

Em o sono eterno, Marlowe é contratado por um velho general milionário e doente, que passa o dia envolto em um cobertor num orquidário úmido e escaldante. Pai de duas filhas lindas e complicadas, o velho general está sendo chantageado…

Uma das características mais interessantes do detetive Marlowe, é possuir princípios mesmo que imerso em um mundo totalmente corrupto. Que sempre corre em busca dos fatos, custe o que custar, por $25 e custos adicionais.

Eletrizante, este belo livro foi adaptado para o cinema sob o título À beira do abismo, com Humphrey Bogart e Lauren Bacall, um filme norte-americano de 1946, do gênero suspense, com roteiro de William Faulkner e Leigh Brackett. Setenta anos após sua primeira publicação, segue sendo um divisor de águas na história da literatura e da estética noir.

Diego Fernandes Escrito por:

Bebedor desenfreado de café e averso a picanha, Diego é desenvolvedor front-end e professor. É o fundador do Duofox. Na literatura não vive sem os russos Dostoiévski e Anton Tchekhov e consegue "perder" tempo com autores da terra do Tio Sam, Raymond Chandler e Melville. Acredita que a arte de maneira geral é a única forma de manter o ser humano pelo menos acordado, longe do limbo que pode levar a humanidade à Encruzilhada das Almas.

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