O Gato Preto, mitologia e misticismo na obra de Edgar Allan Poe

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The Black Cat – Mike Penn 2014

Reconhecido por suas narrativas de terror e mistério, Edgar Allan Poe foi poeta, contista e ensaísta do período romântico americano. O gênero que conhecemos hoje como “gótico”, jamais seria o mesmo sem a genial maestria de Poe em criar ambientes sombrios e que beiram ao desespero.

Em um de seus contos mais populares, O gato preto (The blackcat), Poe traz à tona crenças obscuras que giram entorno de um felino negro, e que atormenta e traz diabólico infortúnio ao seu dono.

Foco constante na obra edgariana, a história é narrada em 1ª pessoa pelo personagem anônimo e que se diz, desde o início da narrativa, um amante dos animais. Ao longo da narrativa, porém, o misticismo que envolve a figura de um animal, o gato preto, surge para atormentar seu dono, levando-o a adotar estranhos comportamentos.

O enredo aparentemente simplório do conto serve para ludibriar o leitor, que ao correr os olhos pelas páginas, acaba mergulhando em uma alucinante e perturbadora história, onde muitas vezes não é possível distinguir o que teria sido real, imaginação ou alucinação.

Poe seguia um rigoroso processo de criação, e acreditava que contos deveriam ser lidos em uma sentada. De fato não se pode negar que o Gato Preto é um desses contos.

Dois aspectos interessantes ficam por conta de duas questões, que surgem após a leitura do conto. Qual a razão de Poe escolher o gato preto como animal principal do conto, e por que lhe deu o nome de Plutão?

Primeiramente, parece clara a intenção de Poe em escrever um conto macabro e que envolvesse símbolos para instigar e prender o leitor. O dicionário de símbolos (Chevalier e Gheerbrant, 1998) apresenta-nos o gato preto como um animal “filho” das trevas, símbolo ligado também aos inúmeros disfarces das bruxas. Por olhos que brilham no escuro, e o modo sorrateiro e noturno, os gatos eram considerados sinais de azar e tudo de mal que ocorria era logo ligado a eles.

Quanto a Plutão, o gato preto do conto, pode ser relacionado à figura mitológica grega de Hades, o deus dos mortos. Segundo a mitologia, os gregos não pronunciavam seu nome maléfico, passando a chamá-lo de Plutão.

Poe era um grande poeta e dominava a arte de contar histórias com fundo sombrio e com forte carga de terror psicológico.

O Gato Preto, assim como toda a obra narrativa de Poe, se destaca principalmente pela forma romântica como é construída, nos oferecendo uma linguagem expressiva e obscura, envolta em uma névoa carregada de profunda melancolia e morbidez. Névoa essa que aos poucos foi abraçando o angustiado e perturbado Poe, que deixou o mundo de uma maneira triste e enigmática.

Toulouse Lautrec – Litografia carregada de amarelo e laranja

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Toulouse Lautrec (1864-1901), foi um pintor brilhante e um dos precursores do uso da pintura na publicidade, até então não muito utilizada para esta finalidade, devido à dificuldade de meios para reprodução. Destratado pelos pais, devido ao problema nas pernas, Toulouse Lautrec era anão com 1,35m, mesmo sendo herdeiro da grande fortuna de seus pais. Foi extremamente infeliz com sua condição física, motivo de chacota em todos os círculos sociais onde percorria.

Niilista convicto, sentia-se inferiorizado por não atingir as expectativas do pai, vivia alcoolizado e alimentava-se precariamente,  faleceu precocemente aos 36 anos de sífilis e alcoolismo. Toulouse Lautrec achou morada ao lado de gigolôs, prostitutas, dançarinas de cabaré que  abusavam de sua generosidade.

Litografista de mão cheia, deixou um acervo aproximadamente 1000 quadros a óleo, 5000 desenhos, 275 aquarelas e 363 cartazes e gravuras no período de 1888 a 1896.Toulouse Lautrec conhecido pelo pôster Moulin Rouge de 1891 entre obras, foi revolucionário do design gráfico e não só deu vida aos personagens reais de suas telas e pôsteres, como ajudou a definir o rumo do Art Nouveau.

Art Chantry – O artista gráfico grunge

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Art Chantry é um designer gráfico natural de Seattle, conhecido por seus cartazes em alto contraste e baixa tecnologia. Influenciou e continua influenciando inúmeros designers gráficos, com sua técnica analógica e formas de pensar layouts. Art Chantry foi pioneiro no uso de erros, erros de impressão estão por toda parte em seus cartazes.

Chegou à fama em Seattle, pela primeira vez no The Rocket e, em seguida, através de seus cartazes de bandas grandes e pequenas, incluindo Nirvana, Gang of Four, Hole, The Sonics e etc.
Utilizando estiletes, máquinas de xerox e fotografias, fez com que cartazes de bandas underground se tornassem peças de arte.

“Eu não amo o computador como uma ferramenta de design”
Art Chantry

Confira os trabalhos de mais um artista de Seattle no duofox :

SL40 – O Gospel mais barulhento da cidade!!!

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1-Antes de qualquer coisa, quem é Flávio Hubner?

Um cara basicão que se cansou de tentar provar algo para os outros e hoje é muito mais feliz vivendo o underground mais underground que existe, e que nunca abandou a veia roqueira que pulsa forte no seu coração aliado á uma nova ideologia pirante que é servir a Jesus Cristo.

2-Como foi tocar em tantas bandas de rock e depois converter-se ao protestantismo?

Foi insano velho!
Assim que me converti, e tive oportunidade de começar a tocar na igreja, tive que lidar com uma novidade, que era não tocar chapado (muito comum na minha vida toda), fora o som que também era muuuito diferente do que eu estava acostumado a tocar…

Mas aos poucos, aprendi a impor um pouco do meu “eu-rocker” nos sons que a gente tocava na igreja, o que as vezes acho que influenciou geral o pessoal do ministério, e tudo começou a ter uma levada mais rocker, graças a Deus que minha igreja nunca teve esse tipo de preconceito com som…

Sempre tive a oportunidade de tocar nos cultos de jovens também, onde o Rock predominava e eu podia descer a mão gostoso

No fim, trouxe comigo tudo de bom que aprendi nas bandas “lendárias” de B.J.P (como Sei lá, Sujeira Orgânica, Caminhão de Lixo, Victor Von Doom e Falha-Humana) …

Outro lance legal de tocar na igreja, é que me aperfeiçoou muito como multi-instrumentista, onde aprendi bastante tocando baixo, teclado, Viola e Ukulele, além de umas coisitas de bateria…

3-Quando surgiu o SL40 e qual foi o intuito de formar uma banda gospel com o som tão peculiar

Nem acho o som tão peculiar se olharmos pelos olhos do mundão, mas pelo lado “gospel” (odeio esse termo) é sim diferente, pois nunca vi Stoner Rock Gospel… HAHAHA. Chega até a soar conflitante…

Mas a banda surgiu de um sonho antigo, de logo que me converti, mas não tinha nego de pegada pra tocar esse tipo de som…

Graças a Deus, o Joamir (Station Freedom, Alfradky) se converteu e o sonho começou a andar, pois começamos a gravar material com ele cantando e tocando bateria e eu fazendo todo o resto…

Por fim, ele desencanou de cantar e o Wallace (Embrião Collacto) que já estava nessa doideira de seguir Jesus a mais tempo, entrou na parada que ficou redondamente insana!!!

O nome da banda veio de um Salmo muito especial e que descreve muito do que Deus tem feito com a gente…

4-Como e quando você descobriu este lance de gravar em casa?

Cara, minhas primeiras gravações foram em K7, com tudo estourando e rachando ao mesmo tempo…

Depois usando uma mesa e dois gravadores, consegui gravar em dois takes, no primeiro soltava um loop de bateria e tocava o baixo, no segundo tocava guitarra e cantava…

Quando consegui meu primeiro PC (tinha 10 gb de HD) logo corri atrás de um programa leve para começar a gravar…

Depois disso, nunca mais voltei para o ambiente analógico, mas sempre misturo analógico com digital (para a música não perder a vida e a essência) usando prés valvulados, consoles analógicos, equalizadores, etc…

5-E que equipamento você utiliza para gravação?

Atualmente, tenho usado o REAPER rodando no Windows 7 com plug-ins Waves e T-Racks…

Tenho me surpreendido com um simulador de amplis valvulados chamado Bias Desktop… Acho que chegamos a um nível de tecnologia que o VST quase se iguala ao original, pois outro dia fiz testes comparando o som dele com o meu Alien Rocket 30 microfonado com um Shure SM57 e o Bias Desktop detonou!!!

Fora que ali você tem sons consagrados de Marshall, Fender, Soldano, Peavey, ENGL, etc… Tudo prontinho

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6-Quando será lançado um EP ou disco completo do SL40?

Estamos acertando detalhes para começar as gravações, mas ainda esse ano sai o primeiro álbum independente…

7-O que você acha das bandas que vieram de raízes protestantes, como Kings of Leon e Paramore?

Até onde eu sei, todos os líderes dessas bandas são filhos de pastores, assim como o pessoal do Creed e a Katy Perry…

Bom, são pessoas que creio que em algum momento de suas vidas foram iluminadas por Cristo, o porquê de talvez jogarem isso fora, caberá a elas explicar no dia do julgamento…

A bíblia diz que a boca fala aquilo do que o coração está cheio, acho que por isso o conteúdo das minhas letras mudaram tanto, mas não tenho o menor preconceito com bandas que escolhem o caminho tradicional…

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8-Diz aí, 5 livros/HQ’s, 5 filmes e 5 discos favoritos que você levaria para uma ilha deserta?

Livros

Bíblia Sagrada (O único livro que vc pode ler sempre na presença do Autor)
Mais perto de Deus – escrito por Erwin W. Lutzer (foooda)
Mais que um Carpinteiro – Josh McDowell e Sean McDowell
Watchmen – por Alan Moore e Dave Gibbons
Batman- O Cavaleiro das Trevas por Frank Miller

 Filmes

Matrix
A Sombra e a Escuridão
Prometheus
Gladiador
Deus não está morto

 Discos

Rodolfo Abrantes – R.A.B.T (Rompendo as barreiras do Templo)
Pink Floyd – The Dark Side of the Moon
Smashing Pumpkins – Siamese Dreams
Resgate – Ainda não é o ultimo
Palavrantiga – Esperar é Caminhar

9-Qual mensagem/conselho você deixaria aqui para bandas iniciantes? De que forma podem produzir seus discos e divulgá-los?

Velho, hoje em dia não aprende a fazer pré-produção somente quem não quer ou não tem o dom para a coisa, pois a internet tem material ilimitado para quem quer começar…

Mas um lance legal, é respeitar os profissionais da área quando quiser um som mais profissa e enxergar isso como um investimento em algo que você ama, no caso a sua música…

Já vi muita banda tentando se produzir com resultados desastrosos (claro que existem exceções), mas temos que colocar na cabeça que existe a “cadeia alimentar” que é um ciclo, assim alguém compõe, alguém toca, alguém grava, alguém produz, etc.

Mas acho legal a galera tentar meter a mão na coisa…



Facebook: Flavio Hubner

A narrativa cósmica de H.P Lovecraft

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“Quando visitei as colinas e os vales para medir o terreno da nova represa disseram-me que o lugar era amaldiçoado.” Essas são algumas das primeiras palavras do narrador anônimo de A cor que caiu do espaço, conto que marcou a trajetória de H.P Lovecraft rumo ao horror cósmico.

Escrito em 1927, o conto foi fortemente influenciado pela ficção científica que circulava na época. A forma de construção, no entanto, não abre mão da ambientação das histórias de terror tradicionais.

Nesse conto Lovecraft nos transporta para a região de Arkham, um vilarejo “comum” e que será palco de uma assombrosa história, envolvendo elementos do universo cósmico e memórias que o autor extraía de seus próprios pesadelos. O que se pode esperar é uma história que envolve o leitor desde as primeiras linhas.

Tudo começa quando um misterioso meteorito cai do céu nas terras da propriedade do fazendeiro Nahum Gardner, trazendo consigo uma bizarra coloração cromática que transformará para sempre a história do vilarejo e da família de Nahume de seus vizinhos.

O “descampado maldito”, como fica conhecido o solo afetado pela queda do bizarro meteoro, é na verdade apenas o início da tragédia, que vai se materializando em um crescente suspense que toma conta das páginas.

Animais começam a desaparecer enquanto outros surgem mortos e transfigurados. Por fim, a aberração cromática que a essa altura já tomou conta de quase todo o solo da fazenda, os filhos de Gardner começam a se comportar de maneira estranha.

Além de névoas que tingem a vegetação sem uma aparente explicação racional, um antigo poço, no terreno da fazenda, parece esconder muito mais do que simplesmente água.

Com seus contos e novelas arquitetadas de forma singular, H.P Lovecraft merece estar ao lado de Edgar Alan Poe e Stephen King como um dos nomes a encabeçar a lista de mestres da literatura de horror.

Moagem Rock 2, o festival DIY de Bom Jesus dos Perdões

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Com um sol vindo do Oriente Médio, neste último sábado 10/01/15, aconteceu o Moagem Rock 2, festival de bandas foi realizado com a cooperação dos organizadores e amigos.

O festival começou com o duo, Crasso Sinestésico, tocando pós-punk com influências Folk, tocaram sons como Construção, Esquecer e um cover do Garappa, Dores Mudas.

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Em seguida, o Power trio SL40, Grunge pesado e arrastado, lembrando bandas como TAD, Soundgarden e Alice In Chains com um pequeno detalhe, é um Power trio de música Gospel. Grunge Gospel existe? Existe e aqui em Bom Jesus dos Perdões, logo menos entrevista com eles aqui no Duofox. Destaque para excelente Maranata.

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Na sequência o noise experimental de Animal Cracker, projeto capitaneado por Matias Pícon do Sonora Scotch, juntando eletrônico com analógico.

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Os insaciáveis, trio de música erudita, tocaram canções medievais e do folclore alemão e russo. Colorindo a noite, com a alegria da música barroca.
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Churumi com seu Crust radioativo, contaminados pelo líquido altamente tóxico do lixão da antiga Moagem, estes caras não só detonaram, como fazem parte da organização deste lindo festival, para conhecer mais, clique aqui.

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Ranho, Thrash maroto e bonito, feito pela molecada cria da Escola Jardim Elétrico, do nosso amigo Quique Brown, só poderia ser excepcional, a banda destruíu tudo em menos de 20 minutos.

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Sonora Scotch, dispensa comentários, com seu Sludge garageiro à Uruguaia, servido com Shoyu brasileiro, como diz um amigo uruguaio, “bandaza”, ouça no duofox.

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No final ainda rolou Jam Session com Marcelo Freitas, Diego Fernandes, Matias Pícon, Angelo Antonio, Eder Takahama e cia. Noite bonita, com trovões, conversas, amigos e música boa.

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Caim de José Saramago – um romance do velho testamento

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Não é sacrilégio ou exagero dizer que José Saramago é o deus da polêmica.
Há quem enxergue em sua obra um excesso de exibicionismo, em que ele explicita sua visão contra certos aspectos, não só religiosos, mas também políticos e sociais.

Exibicionista e polêmico ou não, certo é que Saramago foi premiado com o Nobel em 1998, por real mérito, devido a tudo o que apresentou em suas obras.A obra Caim, publicada em 2009, traz novamente a visão saramaguiana sobre a religião, onde o autor reconta à sua maneira, a conhecida história de Caim, o primeiro homicida que o mundo conheceu.

Em Caim, Deus, que durante quase toda a narrativa aparece grafado com letra minúscula, é apresentado por Saramago como um ser Divino cruel e que parece não ter controle sobre sua própria criação.

Do outro lado, temos um Caim forte e vigoroso que, mesmo após matar seu irmão, Abel, ainda se sente no direito de irar-se e discutir com Deus a respeito de sua conduta criminosa. Logo após a expulsão de Adão e Eva do paraíso, Caim surge na história sob a forma de guia, conduzindo o leitor através de passagens bíblicas conhecidas, como as de Abraão, Jó e Noé.

Por meio delas, Saramago nos obriga a refletir acerca do poder e existência de Deus. O embate entre Criador e criatura é o fio condutor de toda a narrativa.Um das passagens mais interessantes da narrativa surge logo após o assassinato de Abel, em que Deus, passeando para ver suas “criaturas”, encontra Caim e o questiona.

“Que fizeste com teu irmão, perguntou, e caim respondeu com outra pergunta, Era eu o guarda-costas de meu irmão, Mataste-o, Assim é, mas primeiro culpado és tu, eu daria a vida pela vida dele se tu não tivesses destruído a minha.”

Esse trecho é apenas o começo da peregrinação de Caim pelo mundo, onde nunca sabemos se Deus virá para salvar ou condenar seus filhos.

Os Irmãos Karamázov de Fiódor Dostoievski: Clássico Russo

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Ganância? Mesquinhez ? Luxúria?

Sentimentos que 100% dos seres humanos sentem vergonha de assumir e fazem questão de esconder.Esta é a temática abordada no romance Irmãos Karamázov de Fiodor Dostoievski, um livro  de 870 páginas, repleto de nuances e personalidades perturbadas.

Com diálogos engenhosos  a cada página somados a escrita de um dos melhores romancistas russos.Só poderia resultar em clássico universal. Fiódor Dostoievski (1821 – 1881) foi um dos maiores romancistas da literatura russa, considerado como o fundador do existencialismo.

Os Irmãos Karamázov, descreve a estranha relação entre o palhaço mesquinho Fiódor Pávlovitch Karamázov e seus três filhos , Dmitri Fiódorovitch, Ivan e Aliksiêi (Aliócha). A narrativa poderosa e concisa, consegue prender o leitor com detalhes de grandes personagens, suas frustrações e seus conflitos filosóficos, as certezas existenciais e as atitudes de cada um dos filhos, que se confrontam com o pai, que leva uma vida desregrada e repleta de luxúria.

Conflitos entre  personalidade e o temperamento de cada um deles, ocasionam uma guerra, aliados a rudeza e singularidade do pai. A pouca inteligência e brutalidade de Dmitri, a sabedoria atormentada de Ivan e a pureza de Aliócha, travam duros confrontos, com escrita impecável durante toda a obra.

Entre tantos personagens peculiares, destaque para figura de Fiódor Karamázov, abaixo um de seus pensamentos e no qual o personagem é bem representado:

“Na imundície é que é mais doce: todos vivem, só que às escondidas, enquanto eu sou transparente. Pois foi por essa minha simplicidade que todos os sujos investiram contra mim. Já para o teu paraíso Aleksiêi Fiódorovitch, não quero ir, fica tu sabendo e para um homem direito é até indecente ir para o teu paraíso, se é que ele existe mesmo. A meu ver, a pessoa dorme e não acorda mais, descobre que não existe nada; lembre-se de mim se quiserem e se não quiserem o diabo que os carregue. Eis minha filosofia – Fiódor Pávlovitch Karamázov”.