Ernest Hemingway e a elevação do conto moderno

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Na história da literatura poucos escritores tiveram uma vida tão colorida como Ernest Hemingway. Esse americano, de barba branca e rosto até mesmo simpático, ainda continua sendo um dos autores mais celebrados em todo o mundo.

Sua obra, para alguns críticos, nunca foi esquecida e nem poderia ter sido. Ernest Hemingway viveu em uma época única na vida de qualquer ser humano. Vivenciou os maiores conflitos bélicos da humanidade. As duas grandes guerras mundiais, numa delas até foi ferido em combate. Caçou leões na África, pescou imensos peixes ao redor do mundo, amava a “arte” chamada tourada, foi jornalista, apreciador do boxe e acima de tudo, amava a Literatura. Enfim, poderíamos citar inúmeras aventuras e dramas de Hemingway, que serviram de base para toda sua produção.

Hemingway era um homem extremamente sensível, e deixou isso claro em muitos de seus romances e atingindo o grau máximo em nos contos, que sem dúvidas são pequenas obras primas da escrita.

Alguns autores e críticos mais corajosos, afirmam que os contos de Hemingway chegam a superar seus romances. Gabriel García Márquez certa vez chegou a considerar Um Gato na Chuva, como “o melhor conto do mundo”. Notem que estamos falando da opinião de um dos maiores autores da Língua Espanhola e mundialmente conhecido, além é claro, de ter sido agraciado com o prêmio Nobel de 1982. Garcia Márquez devia saber o que estava dizendo.

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Em Um Gato na Chuva somos apresentados a uma “simples” narrativa de quase cinco páginas, originalmente publicada numa coletânea In Our Time (1925), um conto no melhor estilo “minimalista.”

Ao estudar a vida e obra de Ernest Hemingway, podemos perceber que ele era um autêntico mestre na arte de sugestionar. Em sua escrita, principalmente nos contos, Hemingway obriga o leitor a se entregar de corpo e alma. Faz com que tenhamos que deixar de lado nosso lado bruto de ser humano e deixar aflorar nossa mais íntima sensibilidade.

Um Gato na Chuva proporciona ao leitor um dos mais profundos e perturbadores retratos da fragilidade feminina.

No conto um casal americano hospeda-se em um hotel em alguma parte bucólica da Itália. O cenário que Hemingway descreve é perfeito para deixar qualquer casal ainda mais apaixonado. Os personagens têm aparentemente todos os motivos para serem felizes, mas não são.

A “névoa romântica” é transpassada por uma tensão que rodeia o casal durante todo o texto. O lado feminino é o que mais revela essa tensão, que podemos atribuir à chuva que despenca durante o conto e a um pequeno gato abandonado, que se encolhe lá fora, com medo da chuva.

Hemingway faz nesse conto um lindo esboço da alma feminina, mostrando a essência e temores de uma mulher que se decepciona com a indiferença do marido perante seus desejos, que se sente amparada pelo afável proprietário idoso do hotel, que a trata como uma verdadeira dama, a angústia pela falta de desejo do marido e a obsessão doentia dela em resgatar o pobre gato em meio à chuva.

Podemos atribuir o desejo de ter um gato como uma obsessão inconsciente do desejo maternal, à ausência de um filho que talvez nunca venham a ter.

Essas e outras interpretações, Hemingway nos permite através desse conto, sem dúvidas um dos mais famosos. Cabe ao leitor, após a leitura, abandonar o quarto e ir lá fora, na chuva, e procurar um gato que na verdade poderá nunca encontrar.

Marrapaz – Post Rock com brasilidade

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1-Fale um pouco sobre Marrapaz?

Nossa proposta desde o início sempre foi fazer algo sem nos prendermos a estilo, ou seja sermos livres. Com mensagens sempre positivas, tentamos através de nossas canções passar algo bom na escuta, algo verdadeiro de muito respeito e amor!

2-Quando Surgiu o Marrapaz?

Surgiu no final de 2014, nada de shows e sim processo de composição do nosso primeiro trabalho que foi “Namastê”, no início de 2015, lançamos oficialmente a ep juntamente com nosso primeiro show!

3-De onde vem esta mistura de post-rock com outros ritmos?

A mistura vem de diferentes influências que cada integrante tem, o Rock é a essência da banda mas não nos prendemos apenas nele, gostamos de por algo a mais, diferente… na Namastê existe influências diversas, reggae, mantra entre outros. Já em Maria, Teresa, Amém música nova de trabalho, colocamos algo mais brasileiro como as palmas e o canto no início que fazemos como uma espécie de ritual ou até mesmo celebração em nossos shows!

4-Falem sobre o processo de criação e gravação do EP Namastê?

Processo de criação da Namastê foi bem tranquilo, até então não iriamos sair tocando por aí sem um trabalho, então focamos em quatro músicas que iriam compor a mesma, nesta primeira ep escrevi as letras, Bom amigo foi uma que terminamos juntos, o restante do processo fizemos juntos, arranjos!

5- Como tem sido a receptividade do Marrapaz com o EP Namastê?

Namastê foi nossa saudação, está sendo surreal por termos pouco tempo e ter conseguido uma proporção de coisas bacana, um exemplo foi Instinto Natural ter tocado na Rádio Kiss, posso dizer que estamos extremamente felizes em saber que nossa mensagem está sendo bem aceita.

6- 5 livros, 5 filmes e 5 bandas?

– Livros: Na natureza selvagem, 2012 a era de ouro, Iluminando o caminho, A cidade do Sol e Pela bandeira do paraíso
– Filmes: Na natureza selvagem, Aconteceu em Woodstock, Kids, A praia e Patch Adams (O amor é contagioso)
– Bandas: Bob Marley, Novos Baianos, Thrice, Tim Maia, Incubus…

7-Qual mensagem/conselho você deixaria aqui para bandas iniciantes?

Estamos na casa dos iniciantes também se tratando de uma nova banda, porém cada um de nós tem uma história na música, uma mensagem que deixo é simples… Respeite o seu natural, isso tornará mais fácil todo processo restante.

Onde encontrar o Marrapaz:

Facebook

Instagram

Twitter

Youtube

E-mail:marrapazoficial@gmail.com

 

 

4º Moagem Rock – Festival com volume no talo!!!

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Neste último sábado, 23/05 o 4º Moagem Rock fez meio mundo pular e a Lecy Brandão ficar com inveja do público, se divertindo com poucos recursos e bandas sendo 100% true, sem palco, só gana e vontade de tocar. Aliás foi a edição das bateristas. Metade das bandas tinham mulheres nas baquetas. Uma grande novidade, pelos menos no interior de SP.

 

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Quem iniciou a noite, foi o Facka, indie rock bonito, formado por Matias Pícon e Daniela Grandi, fizeram a abertura do festival com guitarras repletas de delay, vocal limpo e bateria minimal.Com sonoridade na linha do Beat happening, Guided by voices e Silver Jews.

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Na sequência Crasso Sinestésico, com a garageira embalada ao beat da drum machine, além do setlist de sempre, canção nova chamada, A falta que você não faz e um medley da canção Meu caderno com Venus da banda sueca Shocking Blue.

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Foto por Fabiana Ramos

 

Continuando o barulho noturno no º Moagem Rock, aquele que a vizinhança gosta e até chega junto para participar. O Churumi com os clássicos Dona Maria, Sou baguela mas tenho patinete, Emo Black metal e um cover, G.E.D.N. do grande Leptospirose, .

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Deskraus foi a quarta banda, logo mostrou para o que veio.Com uma pegada de Punk Rock Old School e letras politizadas, alternavam canções e poemas com boa desenvoltura. Tocaram Kick out The Jams do MC5 e In my eyes do Minor Threat.

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Sonora Scotch fez uma das melhores apresentações que o Moagem já teve. Tocaram um setlist, composto pelo novo disco, El apocalipsis arruinó tu sueño de comprarte el auto cero kilómetro. Vocais com delay e guitarras com riffs direto da garagem mais suja de fuzz, fizeram do sábado perdido, um sábado que valesse a pena. Turbo Baby Turbo, Lluvia e Selva, foram os destaques deste duo alienígena.

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Para fechar a noite com chave de ouro, Sinal Red com New Metal de derrubar o vovô da cadeira de balanço.Com canções de temáticas sócio -culturais e cristãs, arrebentaram com riffs pesadíssimos e bateria de dar inveja. Contaram com a participação de Eder Takahama (Sonora Scotch) no baixo.

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Noite agradável e repleta de bandas e amigos, este foi o saldo do 4º Moagem Rock.Aguardamos ansiosamente o próximo, pois no caminho trilhado, apesar das dificuldades, sempre há uma luz. Que venha o próximo!!!!

 

Demian – A experiência que buscamos a vida inteira

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Na adolescência, existem tantas incertezas e caminhos turvos, que mal podemos escolhê-los, sem arrepender-se mais tarde. Demian do autor Herman Hesse, aborda estas incertezas e a busca de si mesmo como nenhuma outra obra abordou anteriormente.

De forma subjetiva, mostra vários problemas, dos quais não possuímos habilidades para resolver enquanto jovens, desprovidos de vivência e experiência. O livro conta a saga de Emil Sinclair, nascido num lar religioso, que ao passar do tempo, vai percebendo o quanto era diferente de sua família.

Que ao conviver com Franz Kromer (A ovelha negra da escola), começa a enxergar o mundo através de um outro ângulo, mais obtuso e cheio de malicia. Onde Kromer, aproveita de sua fragilidade para extorquir e chantagear Sinclair.

Neste meio tempo, que Sinclair conhece Demian, estranho e enigmático estudante, que ao tornar-se amigo de Sinclair, afasta Kromer e traz mais dúvidas e anseios a vida Sinclair. Como divagações filosóficas, existenciais e místicas. Demian faz com que Sinclair busque em si, um Eu adormecido, A dualidade, é o tormento de Sinclair. Luz, trevas, homem, mulher, com a evolução de seu transtorno e o aumento de sua sabedoria, Emil Sinclair descobre-se no meio de cacos de personalidade, que juntos formam o homem.

Em vários momentos da vida de Sinclair, Demian retorna de diversas formas em vários aspectos, logo este laço torna-se inquebrável até chegar ao máximo de envolvimento, onde os ensinamentos que adquiriu ao longo de sua vida, culminam em um final trágico.

Carregado de estudos filosóficos e psicológicos, Demian é uma grande obra, escrita por um dos maiores escritores, que muitos tentam copiar sem sucesso. Herman Hesse foi um grande conhecedor de Jung, Freud, Nietzsche e filosofia oriental. Seus livros refletem de forma universal, o humanismo e drama dos indivíduos neste planeta. Não foi à toa que recebeu o prêmio Nobel em 1946 com o Lobo da Estepe.

Trechos de Demian – Herman Hesse:

Não creio ser um homem que saiba. Tenho sido sempre um homem que busca, mas já não busco mas nas estrelas e nos livros: começo a ouvir os ensinamentos que meu sangue murmura em mim.

A vida de todo o ser humano é um caminho na direção de si mesmo.

E há muitos também que se embaraçam para sempre nesses obstáculos e permanecem a vida toda agarrados a um passado sem retorno, ao sonho do paraíso perdido, o pior e o mais assassino de todos os sonhos.

São muitos os caminhos pelos quais Deus pode nos conduzir à solidão e levar-nos a nós mesmos.

Felipe Góes – Pintor brasileiro com estilo original e cores marcantes

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Felipe Góes | Dissolução (Dilute) Solo exhibition
Central Galeria de Arte | Sao Paulo, Brazil October. 2014

1-Quem é Felipe Góes?

Sou artista visual, pintor.

 

2- De onde surgiu o gosto pela arte?

Sempre tive muito interesse por praticar desenho e pintura desde criança. Sou formado em Arquitetura na Universidade Mackenzie. Após a graduação, estudei história da arte com o Prof. Rodrigo Naves. Depois desse curso fiz uma viagem de estudo à Europa, para conhecer algumas cidades e entrar em contato com importantes Museus e coleções. Tive uma experiência muito forte quando pela primeira vez vi ao vivo uma serie de trabalhos do artista Mark Rothko, e decidi retomar a pintura.

 

3- Qual foi o motivo que te impulsionou para trabalhar com arte?

Depois dessa viagem, participei durante quatro anos de um grupo de estudo sobre pintura, orientado pelo Prof. Paulo Pasta. Nesse período comecei a participar de exposições coletivas, salões de arte e exposições individuais. As coisas foram se construindo, passo a passo, e ainda estão em construção.

 

4-Quais são suas influências, tanto na arte como na musica e no cinema?

As influências mudam com o tempo. Acredito que nos deixamos influenciar por pessoas e obras que de alguma forma podem colaborar com a construção de nossa própria obra. Tem um aspecto muito pragmático se pensarmos assim.

Pintores muito importantes para mim no Brasil são Volpi, Iberê Camargo e principalmente Guignard. Na pintura internacional sou fascinado pelo trabalho do Bram van Velde, Rothko, Matisse e Tuymans. Atualmente estou maravilhado pelos filmes do Andrei Tarkovsky e pela musica do Luis Gonzaga.

Mas as influências não se resumem somente a esses campos do conhecimento, tenho grande admiração por qualquer trabalho feito com paixão. Sou influenciado pela plasticidade do surfe de Gabriel Medina, pela obsessão de grandes empresários como Jorge Paulo Lemann, pela coragem de se reinventar de Pierre Fatumbi Verger, que nasceu na França viajou o mundo como fotografo, mas foi viver na Bahia e se converteu ao Candomblé. Admiro o matemático Artur Ávila, que prova que é possível ter ciência de ponta no Brasil, mesmo com a ausência de estrutura no país.

Por fim, uma grande influência é o Guimarães Rosa, que deixou uma marca importante na maneira de criar a partir do Brasil, de extrair algo do Brasil para a literatura que só poderia ser realizado aqui, não é apenas romance regionalista, mas também uma ambiciosa pesquisa de linguagem e poderosa criação artística. Obras como a de Guimarães Rosa não são apenas mais um livro na estante, sua obra está gravada em nosso sangue. Ser brasileiro não é a mesma coisa antes e depois de Guimarães Rosa, sua influência não atinge apenas aqueles diretamente ligados à literatura – críticos e escritores – mas assombra, como um fantasma, todos os campos de atuação na cultura brasileira.

 

5-De que forma e quando você desenvolveu seu estilo de pintura?

Penso que tenho um estilo de atuação no mundo, vivo uma contradição entre pensamentos metafísicos e o materialismo das coisas mundanas. Lidar com essa contradição me leva a uma obsessão pelo trabalho, é isso que tento pintar, mas nunca consigo, é sempre desastroso, mas é sincero.

Isso pode se manifestar visualmente de muitas maneiras, então ao invés de estilo de pintura, acho que podemos chamar isso de um problema primordial, algo parecido com sentir fome, você precisa comer para sobreviver, mas já que vai cozinhar, porque não fazer uma moqueca incrível? Acho que todos têm essa potência, mas muita gente prefere esquecer isso, viver uma vida mediana e comer pizza de micro-ondas.

 

6-Como é o seu fluxo de trabalho atualmente?

Acredito que a pintura não se faz somente enquanto estamos esfregando o pincel sobre a tela. As pausas são igualmente importantes, olhar para o que está sendo feito, deixar-se atravessar, pelo imprevisível, pelo inominável.

Levar isso as últimas consequências é assumir uma atitude de plasticidade com relação à vida, ou seja, a pintura não é feita somente no ateliê, mas também quando faço compras na quitanda, enquanto escolho flores para presentear minha esposa, em dar bom dia para o motorista do ônibus.

Não há como você ter uma obra ambiciosa, com profundidade espiritual e material, se você não leva sua vida com intensidade proporcional. A maneira como você vive e a sua pintura são inseparáveis.

 

7-Quais são as dicas para quem está começando, onde pode encontrar referências fora da internet (livros, revistas ou fanzines) e como poderia utilizar estas no dia a dia?

Sou muito jovem, então talvez não seja a melhor pessoa para distribuir conselhos. De qualquer forma, eu diria que o importante é trabalhar duro, vencer a preguiça e não se aproveitar dos obstáculos para justificar a inércia. Os obstáculos podem ser de ordem financeira, familiar, geográfica. É preciso buscar alternativas sempre.

Um exercício possível que lanço aqui é sugerir aos leitores irem imediatamente a qualquer biblioteca, sem saber o que vão ler. Isso pode mudar a sua vida.

Felipe Góes

Pesadelo Refrigerado – Ascenção e declínio da cultura norte-americana

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Ao voltar ao seu país de origem, Henry Miller depara-se com fragilidade social e cultural dos Estados Unidos, depois de anos morando na França, Henry Miller encontra um cenário desolador em seu país natal. Onde artistas, músicos e escritores passam fome.

É sobre esta pobreza espiritual e sociocultural, que o Pesadelo Refrigerado aborda com fluidez e acidez diabólica, ingrediente que  faz falta a muitos escritores contemporâneos, é uma obra excelente e de requinte.

Poucos pontos positivos foram levados em conta sua viagem aos Estados Unidos, talvez uma viagem de resgate, lembranças, desilusões e até mesmo saudade do lar. Alguns bairros salvaram-se de críticas, como Brooklyn por exemplo, que devido ao pluralismo cultural, foi um dos locais em que Henry Miller, encontrou pessoas de verdade, que viviam felizes, mesmo que desprovidas de recursos.

Outro ponto alto do Pesadelo Refrigerado, é influência dos imigrantes na cultura norte-americana, senão fosse os judeus, negros, russos, italianos, poloneses, irlandeses etc. A situação cultural do país seria desoladora. Pintores como John Marin, são destacados pela astúcia de pintar num país onde os criativos não são levados a sério, segundo o próprio Henry Miller.

“A América não é lugar para artistas: ser artista é ser um leproso moral, um desajustado econômico, uma obrigação social. Um porco alimentado a milho tem vida melhor que um escritor criativo, um pintor ou um músico.”

Em um país repleto de vendedores de 45 anos, com o órgão debilitados, devidos aos excessos, ainda é possível encontrar pessoas de bem e simpáticas seja no Brooklyn ou no Mississipi. Onde a maior parte das pessoas se encontram sendo marionetes do sonho americano, destruindo e corrompendo a própria família por dinheiro. Buscando a felicidade de modo platônico. Como uma luz fraca e sem função no fim do túnel.

“Almas não crescem em fábricas. Almas são mortas em fábricas – até mesmo as mesquinhas.”

Pesadelo refrigerado foi censurado por um bom tempo nos Estados Unidos, pois tomar um tapa na cara e sair ileso, são para os raros.Com escrita rápida e concisa Henry Miller mostra a verdade nua e crua, segundo sua ótica, sobre questões sociais, culturais e políticas, de um país que se mostra ao mundo como inabalável, no entanto é de extrema fragilidade.

  “Mas o homem branco americano (sem falar do indígena, do negro, do mexicano) não tem nem um fantasma de chance. Se ele tem qualquer talento, está condenado a vê-lo esmagado de uma forma ou de outra. O estilo americano é seduzir o homem por meio de propina e transformá-lo num prostituto.”

O Pesadelo refrigerado pode ser encontrado na Top Livros, tenham uma boa leitura!!!

Deskraus – Punk, arte e engajamento em Bragança Paulista

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1-Antes de qualquer coisa, qual a origem do nome da banda?

Quando nos juntamos para fazer um som, o nome da banda não foi uma das primeiras coisas em que pensamos. Mas, à medida que a coisa foi ficando séria, começamos a pensar em vários nomes. Queríamos um que expressasse mais ou menos o que somos, o que queremos, ideologicamente falando…Algo como Descaso Social, Desordem…até que depois de perdidos em tantas palavras, o Fê sugeriu “Skraus”, uma palavra que veio à mente dele de repente, sem significado algum. Então o Kadal sugeriu por o “Des” na frente, já que queríamos algo como “des” alguma coisa (rsrs). Então ficou Deskraus, que ao mesmo tempo que não significa nada, está relacionado a isso mesmo, não termos rótulos.

2-Como surgiu o Deskraus?

O Kadal e sua companheira Li, já faziam alguns experimentos musicais em casa, mas nada que engrenasse. Até que ele insistiu que ela pegasse a guitarra pra ele acompanhar com a bateria (hoje ele toca guitarra e ela bateria). E assim surgiram os primeiros riffs e a primeira música: Miséria. Isso foi em maio de 2014. Em junho chamamos o Fê para o baixo. Enquanto muitos assistiam aos jogos da Copa, aproveitamos o tempo ensaiando e criando. Entre julho e agosto convidamos a Fabiana para o vocal e assim sentimos que o Deskraus ficou formado.

3-As letras possuem temáticas como política e protesto, qual é a relação do Deskraus com o Punk?

Todos nós da banda, tivemos de algum modo, contato e simpatia com a cultura punk/libertária. Foi algo que fez parte de nossa formação mesmo enquanto seres sociais não conformados com as injustiças e contradições desse mundo. E hoje, ainda mais nos identificamos com as ideias libertárias, pois acreditamos que o mundo precisa de mais respeito às liberdades individuais.

4- Que relação estética ou conceitual do Deskraus com a arte?

A banda está Intrinsecamente relacionada com a arte, devido à nossa necessidade de expressar aquilo que sentimos e pensamos, então que seja pelas artes visuais, poemas e barulho.Acreditamos e apoiamos todas as formas de criação e produção da arte independente e de forma D.I.Y. (Do It Yourself = faça você mesmo).

5-Diz aí, 5 livros/HQ’s, 5 filmes e 5 discos favoritos que vocês levariam para uma ilha deserta?

Livros:

1984- George Orwell
Revolução dos Bichos, de George Orwell;
Laranja Mecânica – Anthony Burgess
A obra completa de Nietzsche
Sem tesão não há solução- Roberto Freire

HQ’s:

Sandman (Neil Gaiman)
V de Vingança (Alan Moore)
Wood & Stock Bob Cuspe (Angeli)
Rê Bordosa (Angeli)
Bob Cuspe (Angeli)

Filmes:

Terra e Liberdade
Tempos Modernos (Charlie Chaplin)
Nó que aqui estamos por vós esperamos (Documentário)
A Língua das mariposas
Tomates Verdes Fritos

Discos:

Dada (Discarga Violenta)
The Serenade is Dead (Conflict)
Alerta Antifascista/Ingobernables – Sin dios
In My eyes (EP) – Minor Threat
Kick out the jams – MC5

6- O que os fanzines representam para o Deskraus? Em termos de conteúdo, engajamento e educação.

Os fanzines são de suma importância, pois é através desses que temos acesso a verdadeira cultura alternativa, as pessoas com as quais nos identificamos e podemos assim divulgar o nosso trabalho assim como conhecer o que a galera anda produzindo e pensando. Temos um cenário muito rico e criativo que precisa desses elos (como os fanzines) para nos unir, proporcionando encontros, difundindo ideias e iniciativas únicas, que as mídias convencionais banalizam.

7-Qual mensagem/conselho você deixaria aqui para bandas iniciantes?

Apesar de a gente já ter tido outras bandas, essa também é uma banda nova, se pudermos dar um conselho, é se divirtam, façam com gosto e dedicação.

Fanpage do Deskraus

Maio Cultural 2015 – Olho Seco, Galinha Preta, Ranho e Lesão Corporal

Nesta última sexta-feira, 01/05 (dia do trabalho) foi iniciada as primeiras atividades do Maio Cultural em Bragança Paulista, que foi aberta por Lesão Corporal, banda de punk rock com pegada das bandas de Brasília dos anos 80, como Aborto Elétrico e Capital Inicial (fase inicial).

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Na sequência a Banda Ranho, também de Bragança Paulista, com forte influência do Thrash dos anos 80, derrubou tudo abaixo, “a última vez que recordo ter visto uma Stratocaster com Single Coil soando tão pesada, foi quando assisti o Elma tocando na Casa 30. Mas o Ranho surpreendeu, demonstrando técnica e coesão em suas canções.

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Na sequência o destaque da noite, direto de Brasília, O Galinha Preta, que conta com o arqui-inimigo, Frango nos vocais e efeitos, deu uma aula de como se faz um show excepcional. Tocaram clássicos como Padre Baloeiro, UNB, Urso Polar, Lactobacilos e Ninguém neste mundo é porra nenhuma, só para citar algumas canções. A banda Galinha Preta surgiu em 2002. Com um som direto, rápido e pesado remetendo as suas influências de Punk/Hardcore e Grindcore.

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E por último o headliner da noite, Olho Seco, comemorando 35 anos de estrada, dispensa comentários. Apesar de ter trocado a banda inteira, continua com som mais agressivo que nunca. Fábio liberou o microfone inúmeras vezes para que todos cantassem, parecia uma Gig punk das antigas. Botas, fuzis, capacetes, Que vergonha e Isto é Olho Seco, ensandeceram à todos que estavam ali, contando os segundos para ver o Olho Seco.

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Em resumo, noite divertida com os amigos, que os outros eventos sejam tão divertidos e que consigam agregar valores culturais a todos estes garotos e pessoas que participaram deste evento. Bragança Paulista está de parabéns como sempre.