# Abutres não ouvem Jazz – EP22 – Cinema Brasileiro

 

O episódio de hoje está de esgotar as bilheterias. Só filmes brasileiros na lista sob o comando de Diego Fernandes, Tito Cepoline e Felipe Terra. O bom humor sempre desfilando em meio aos comentários dos filmes. Depois de ouvir esse episódio você só vai querer estourar um balde de pipoca, pegar um refri gelado e assistir toda a lista que separamos para vocês!!!

 

Notas sobre o episódio

Ao desembarcar no Brasil, em 19 de junho de 1898, o cinegrafista italiano Affonso Segretto teria filmado “Vista da Baía de Guanabara”, uma tomada de menos de 1 minuto que, apesar de nunca ter sido exibido, seria o primeiro filme captado no país.

Apesar de hoje diversos historiadores considerarem outros filmes como os primeiros realizados no Brasil, dia 19 de junho ficou marcado como o Dia do Cinema Brasileiro, celebrado desde os anos 70.

Já o primeiro filme de ficção nacional veio a acontecer em 1908, pelas mãos do brasileiro Antônio Leal. “Os Estranguladores”, com 40 minutos de duração, foi sucesso de bilheteria, tendo sido visto por mais de 20 mil pessoas em seu mês de estreia.

Nesta época, inclusive, foi quando houve o primeiro boom do cinema no país. Com o avanço da energia elétrica, que passou a ser gerada pela Usina Ribeirão das Lajes, no Rio de Janeiro, as salas de cinema multiplicaram-se. Somente em 1907, dezoito salas foram inauguradas. Era a “Bela Época” do cinema nacional, que durou até 1911, quando os filmes estrangeiros passaram a dominar o mercado.

Em 1929, foi exibida a comédia “Acabaram-se os Otários”, de Luiz de Barros, o primeiro filme brasileiro com som. Entre 1930 e 1931, o cinema nacional dá outro salto, já que os filmes estrangeiros esbarram na barreira da língua, com a chegada dos filmes falados. Fato que não durou muito, já que a população rapidamente se adaptou a ler legendas.
Cartaz convidando para o filme “Acabaram-se os Otários”

Desde então, o cinema nacional passou por diversos movimentos. Tivemos a chanchada, na década de 40, o cinema novo em suas diversas fases, que foi de meados dos anos 50 até os anos 70, o cinema marginal, as pornochanchadas, o cinema da retomada e o da pós-retomada, liderado por grandes títulos, como Cidade de Deus e Tropa de Elite.

Alguns Filmes:

O auto da compadecida (2000) – Guel Arraes

O filme mostra as aventuras de João Grilo e Chicó, dois nordestinos que vivem de golpes para sobreviver. Eles estão sempre enganando o povo de um pequeno vilarejo no sertão da Paraíba, inclusive o temido cangaceiro Severino de Aracaju, que os persegue pela região. Somente a aparição da Nossa Senhora poderá salvar esta dupla.

O conto adaptado de Ariano Suassuna flerta com o lúdico e o sarcasmo, a comédia ainda apresenta lições de moral com cunho bíblico, uma hibridação única que só poderia ocorrer no sertão brasileiro.

A obra recebeu o Grande Prêmio de Cinema Brasil nas categorias Melhor Diretor (Guel Arraes), Ator (Matheus Nachtergaele), Roteiro, Lançamento e ainda foi indicada a Melhor Filme neste festival e no Cartagena. Nos festivais internacionais o filme foi agraciado com o Prêmio da Audiência no Miami Brazilian Film Festival e a honra de Melhor Ator para Matheus Nachtergaele no Viña del Mar Film Festival.

Bicho de sete cabeças (2000) – Luiz Bolognesi

O relacionamento entre Wilson e seu filho Neto é cada vez pior. A situação entre os dois chega ao seu limite, até que o pai decide internar o filho em um manicômio, onde o rapaz enfrenta condições terríveis de tratamento.

A obra emblemática entra em voga nos debates dos cursos de Comunicação Social, Psicologia e Medicina, em um momento em que a internação compulsória foi legalizada e implica na “reabilitação” forçada de diversos dependentes químicos.

Neto era apenas um rapaz que gostava de usar maconha, que acaba preso em um lugar onde tenta fazer de tudo para se redimir do seu grande pecado: tentar se divertir de uma forma que contraria o pai.

O filme foi pré-selecionado para a 74ª edição do Oscar, em 2002, para concorrer na categoria Melhor Filme Estrangeiro. Além do destaque internacional no Brasil ele foi um dos grandes vencedores do 1º Grande Prêmio Cinema Brasil, levando para casa sete prêmios: Melhor Filme, Melhor Ator para Rodrigo Santoro, Melhor Direção, Melhor Roteiro e de Melhor Ator Coadjuvante para Othon Bastos.

Abril Despedaçado – 2001 – Walter Salles

Em 1910, em meio a Região Nordeste do Brasil, vive Tonho, um jovem de vinte anos de idade que é o filho do meio de uma família pobre de fazendeiros, a família Breves. Ele é o próximo membro dos Breves que deve matar e depois morrer em uma rixa de sangue contra um clã de uma família rival, os Ferreiras, a qual disputam terras com os Breves por várias gerações.

As duas famílias encontram-se sofrendo corriqueiramente uma série de assassinatos de seus membros, olho por olho, dente por dente. Elenco: Rodrigo Santoro, José Dumont, Rita Assemany, Ravi Ramos Lacerda, Luiz Carlos Vasconcelos, Flávia Marco Antônio.

O Homem do Ano – 2003 – José Henrique Fonseca

O Homem do Ano é um filme brasileiro de 2003, de gênero drama, dirigido por José Henrique Fonseca e com roteiro baseado no romance O Matador, de Patrícia Melo, adaptado para o cinema por Rubem Fonseca. A história se passa na Baixada Fluminense.

Dois amigos fazem uma aposta, o que acaba transformando um deles – Máiquel, um homem comum – em um assassino respeitado por bandidos e pela polícia, e em herói na cidade, ao mesmo tempo em que é amado por duas mulheres.

Proibido Proibir – 2006 – Jorge Durán

Algo inesperado acontece quando um casal de namorados e o melhor amigo tentam ajudar uma paciente do Hospital Universitário a rever os filhos que não a visitam há muito tempo. Elenco: Caio Blat, Maria Flor, Alexandre Rodrigues, Edir Duqui.

O Cheiro do Ralo – 2007 – Heitor Dhalia

O proprietário de uma loja de penhores usa sua ganância para se sustentar e fazer certos jogos perversos. Mas tudo muda quando ele conhece uma garçonete e começa a perder o controle de sua vida equilibrada. Com Selton Mello e história do Mutarelli

Estômago – 2007 – Direção Marcos Jorge

Raimundo Nonato mudou-se para a cidade grande na esperança de ter uma vida melhor. Trabalhando como faxineiro em um bar, ele descobre que seu talento é mesmo na cozinha.

Raimundo transforma o bar em um sucesso e acaba sendo contratado para trabalhar em um restaurante italiano da região como assistente de cozinheiro. A cozinha italiana é uma grande descoberta para Raimundo, que agora tem uma casa, roupas melhores, relacionamentos sociais e um amor, a prostituta Iria.

2 Coelhos – 2012 – Afonso Poyart

Após um grave acidente de carro, no qual uma mulher e seu filho são mortos, Edgar (Fernando Alves Pinto) é indiciado, mas consegue escapar da prisão graças à influência de um deputado estadual, Jader Kerteis.

Logo em seguida ele parte para uma temporada em Miami, Flórida, nos Estados Unidos. Dois anos depois, Edgar retorna para a cidade de São Paulo com um elaborado plano em que pretende atingir tanto o deputado Jader (Roberto Marchese) que o ajudou, ele é considerado símbolo da corrupção política, quanto o Maicon (Marat Descartes), um criminoso que consegue escapar da justiça graças ao suborno de políticos influentes. Instigado, Edgar resolve colocar seu plano em prática e se aventura em busca de redenção ao colocar criminosos e corruptos em rota de colisão. Elenco: Fernando Alves Pinto, Alessandra Negrini, Caco Ciocler, Marat Descartes, Thaíde, Thogun, Robson Nunes

O Filme da Minha Vida – 2017 – Selton Mello

Serras Gaúchas, 1963. O jovem Tony Terranova (Johnny Massaro) precisa lidar com a ausência do pai, que foi embora sem avisar à família e, desde então, não deu mais notícias ao filho.

Tony é professor de francês num colégio da cidade, convive com os conflitos dos alunos no início da adolescência e vive o desabrochar do amor. Apaixonado por livros e pelos filmes que vê no cinema da cidade grande, Tony faz do amor, da poesia e do cinema suas grandes razões de viver.

Até que a verdade sobre seu pai começa a vir à tona e o obriga a tomar as rédeas de sua vida.Traz no elenco Johnny Massaro, Bruna Linzmeyer, Vincent Cassel, Bia Arantes e Selton Mello. O filme é baseado no livro Um Pai de Cinema do chileno Antonio Skármeta.[2]

Bacurau – 2019 – Kleber Mendonça Filho, Juliano Dornelles

Os moradores de um pequeno povoado do sertão brasileiro, chamado Bacurau, descobrem que a comunidade não consta mais em qualquer mapa. Aos poucos, percebem algo estranho na região: enquanto drones passeiam pelos céus, estrangeiros chegam à cidade.

Quando carros se tornam vítimas de tiros e cadáveres começam a aparecer, Teresa, Domingas, Acácio, Plínio, Lunga e outros habitantes chegam à conclusão de que estão sendo atacados. Falta identificar o inimigo e criar coletivamente um meio de defesa.
Elenco:Sônia Braga, Udo Kier, Bárbara Colen, Thomás Aquino, Silvero Pereira, Karine Teles.

Trilha sonora usada nesse episódio
Mabafu – Bahía Aleman

# Abutres não ouvem Jazz – Ep21 – I Shot Cyrus

# Abutres não ouvem ouvem jazz – EP20 – A arte narrativa de Hemingway e Melville

# Abutres não ouvem Jazz – Ep19 – Músicas para ouvir na quarentena IV

 

Felipe Terra Escrito por:

Professor e amante da arte literária, atua na área da educação desde 2011. Viciado na música de Bach, Mozart e Chet Baker, e na literatura de Raymond Chandler, Ross Macdonald e Paul Auster. Ama escrever e acredita que poderia ler mais, porém, precisa dormir, infelizmente. Consegue passar horas jogando pôquer ou xadrez com os amigos. Degustar pizzas de queijo e bacon é um dos passatempos prediletos em horas de fome extrema.

seja o primeiro a comentar

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *