Deixei Ele Lá e Vim – Elvira Vigna, romance sobre transexualidade e conflitos por escolhas pessoais

entrevista Elvira Vigna para o "Um Escritor na Biblioteca. Curitiba, 07 de junho de 2011 Foto: Kraw Penas - Comunicação SEEC krawpenas@seec.pr.gov.br
Entrevista Elvira Vigna para o “Um Escritor na Biblioteca. Curitiba, 07 de junho de 2011
Foto: Kraw Penas – Comunicação SEEC krawpenas@seec.pr.gov.br

Carioca, Elvira Vigna já é um dos nomes da literatura brasileira, também é escritora, ilustradora e jornalista. Com linguagem coloquial e contemporânea em Deixei Ele Lá e Vim.  Shirley Marlone (narradora da história), vive de empregos temporários, de favores e casualmente de prostituição, sempre perdida entre divagações existenciais. Vive em um hotel no Rio de Janeiro, onde Shirley tem como amiga a gerente do restaurante, Mas neste meio tempo, de trivialidades e hóspedes tediosos, acontece uma série de fatos que mudam os planos da vida de Shirley, que pretendia mudar de cidade.

Depois de uma festa regada a drogas, bebidas e conversas na praia com amigas, o romance ganha rumos diferentes e tornar-se um romance policial, com a morte de uma personagem, Dô (Dorothy), Shirley é envolta de conflitos consigo mesma o tempo todo, sendo uma personagem que vive com uma espécie de alter ego. E estes conflitos poderiam ter sidos gerados por uma possível transexualidade, velada na história.

Talvez seja por isso que a Shirley não se enquadra, não consegue encontrar o seu lugar, mesmo ao conseguir um emprego de verdade e um relacionamento amoroso estável. Ao ver um filme sobre amizade e pensa em sua amiga Meire, ao contrário de seu namorado Tião, que sabe tudo sobre ela. Com a amiga, ela não precisa fingir, nem esconder a sua história. Ir embora e abandonar faz parte da vida de Shirley, da mesma forma que abandonar os conflitos e escapar de problemas em nossas vidas.

Adquira Deixei Ele Lá e Vim – Elvira Vigna na Top Livros e tenham uma ótima leitura.

6º Moagem Rock completa 1 ano de amizades, de shows e união

Dia 24/10, com um friozinho de dar gosto, que não demorou muito para ir embora, ficou para trás depois da primeira apresentação, que ficou a cargo do Damiantoni, que ensinou como fazer uma boa apresentação apenas com violão e voz, destaque para todos os covers do Radiohead.

Na sequência o Churumi, derrubou literalmente, todos os tonéis empilhados do local, com a nova pegada da banda, mais pesados do que nunca, abriram com um som instrumental destruidor. Coisa que só o mestre dos magos,  faz por vocês.

Churumi

A terceira banda, foi o duo Crasso Sinestésico, contando com Alessandro Kataoka na formação, mais rápido e viajado que nunca, o duo chamou a atenção com a nova sonoridade e caminhos trilhados. Ainda este ano rola um EP destes caras, aguardem que vem coisa boa por aí.

Crasso

Crasso Sinestésico

crasso3

 

Sinal Red já faz parte do time da casa, com New Metal engajado e extremamente pesado, música cristã com peso na região, é sinônimo de Sinal Red.

Sinal Red

 

The Lost Lions, conseguiu deixar a noite muito bonita, não só pelo stonner pesado e coeso, mas por ter iluminado e criado um cenário no 6º Moagem Rock, com projeções, fazendo com que show fosse algo maior, um espetáculo visual, em resumo foi um show à parte.
The Lost Lions

The Lost Lions

Desgraçado, monobanda do Marcio Christofoletti de Campinas, fez com que todos dançassem com o punk rock garageiro cheirando ao The Sonics, com Big Muff no talo, show lindo, até a peruca foi massa,hauhuh!!!

Desgraçado

Desgraçado

Para terminar a noite trincando a cabeça, Orgasmo de porco arremessou lutadores de sumô, com seu crossover velosíssimo, fazendo com que a roda de pogo fosse incendiada por caçadores de bruxas e adoradores do Nirvana, recitando Smell Like a Tenda Espírita.

Orgasmo de porco

Orgasmo de porco

Agradecimentos a todas as bandas, aos amigos, aos inimigos, aos cães e todas as outras formas de vida, concretas e abstratas, por realizar este festival, até a próxima.

Ordinaria Hit, Futuro e Deaf Kids no Show Beneficente da feira anarquista de SP

Domingo 19/10, noite com temperatura agradável e um ventinho gelado, com aquela cara de inverno maravilhoso. A feira anarquista é um evento que ocorre há quase uma década, reunindo material independente, fanzines, livros, discos e arte. Em resumo um evento que só acrescenta na vida de quem participa de alguma forma, a parte da feira rola um show beneficente, onde nesta edição tocaram Ordinária Hit, Futuro e Deaf Kids, não exatamente nesta ordem.

A primeira banda da noite foi o Deaf Kids, com Douglas ensurdecendo com seus vocais repletos de delay, reverberando em todo ambiente. Show incrível, o baterista é espetacular, extremamente técnico, enfim a banda é ótima e executa as canções visceralmente ao vivo.

Deaf Kids

Na sequência, o Ordinária Hit com um pós-punk experimental, escola do Fugazi, The Ex, Gang Of Four, estas bandas boas sabe? Sou fã de carteirinha desta banda e a terceira vez que assisto show deles. Impossível de não gostar dos acordes dissonantes e uníssonos da telecaster do João Riveros, Flávio Bá desenhando escalas tortas no baixo, João Branco tecendo as texturas para uniformizar a sonoridade e Rodrigo Rosa fazendo malabares com a bateria, com uma técnica de dar inveja, mantendo ritmo, acelerando e desacelerando nas alternâncias de tempo.

Ordinária Hit

Para fechar a noite o Futuro, banda formada por integrantes do Ordinária Hit e I Shot Cyrrus, tocando um HC com uma sonoridade bem peculiar, ressaltando o timbre de uma Rickenbecker, vocais femininos e linha de baixo marcante, fizeram também um grande show.

Agradecimento a organização da Feira Anarquista, por um evento tão bem organizado, as bandas que participaram e que venha a próxima 15 de novembro de 2015.

Futuro

Raro Zine Fest explica como tirar 10 na lição de casa!!!

Neste último dia 17/10, sabadão com ventinho legal e clima agradável, Rolou mais um Raro Zine Fest. A pedrada noturna começa com Deskraus, punk bonito, dispensa apresentações.Destaque para Desgraça, a mil  por hora e Banned in DC do Bad Brains, linda de morrer.O Deskraus está com uma sonoridade bem uniforme, então segura que esta banda tem muito para mostrar.Acompanhem os passos desta banda.
deskraus

Na sequência Thee Dirty Rats. Luis Tissot é meio alquimista, todos projetos que ele participa são bons.E este não poderia ser diferente, instrumental minimal, cigar box e muito fuzz, o que deixa qualquer som lindo e com aquele cheiro de mofo dos anos 60, showzaço.

thee dirty rats

O CHCL veio para rachar a casa Auá ao meio, com HC mágico, LP’s com captadores P90 e Big Muff, só poderia sair coisa boa com isto no SET. Tocaram as pauladas do disco espora, enfim festival muito bom, rodeado de amigos é diversão garantida, que venham as outras edições.
CHCL

Um grito de amor do centro do mundo de Kyoichi Katayama

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Para quem está acostumado a ler dramas e a ver filmes japoneses, Um grito de amor do centro do mundo de Kyoichi Katayama, é um ótimo livro. Confesso que me surpreendi ao ler esse pequeno e brilhante livro em apenas três dias. A narrativa de Katayama corre solta, sem distrações e com muitas reflexões sobre as dúvidas que povoam a cabeça de adolescentes do mundo inteiro.

O romance conta a história de dois jovens, Sakutarô e Hirose Aki. Ambos se conhecem ainda no ensino fundamental, numa escola da pacata cidadezinha onde vivem às margens do oceano. Narrado em 1ª pessoa, a trama é tecida em fragmentos. Ora futuros, ora passados.

Quem narra a história é Sakutarô, o jovem de dezesseis anos, que ao longo de sua existência entre a escola, a casa do avô e a sua casa, não aparenta conhecer mais nada além das fronteiras do povoado. Porém, a convivência com Aki, a garota mais linda e popular da escola, aumenta, e com ela, sua paixão, que depois acaba por se tornar um profundo e gigantesco caso de amor.

Sakutarô nos conta sobre sua infância e adolescência num ritmo leve e suave. O texto é repleto de reflexões sobre como os adolescentes enxergam o mundo e as questões primordiais da vida adulta. Como a vida e a morte, sobre amar e perder.

Essas reflexões se tornam ainda mais profundas quando Aki descobre que está  doente. A vida dos dois parece entrar num turbilhão. Os dias passam rápidos e tudo o que lhes resta é o amor. Entretanto, o que a vida reserva para os dois é algo maior.
Numa das passagens mais significativas do livro, Sakutarô está conversando com seu avô sobre a existência de um “paraíso”.

Meu avô, parecendo preocupado, comentou:
“Você é muito pessimista, não acha?”
“Não é de hoje que penso assim. Não entendo o motivo de inventarem essa coisa de outro mundo ou de paraíso.”
“Por que você acha que inventaram isso?”
“Para explicar a perda de pessoas amadas.
“Você acha?”
“O homem inventou o além e o paraíso porque muitas pessoas queridas morreram. Afinal, quem morre é sempre o outro; nunca é você, não é assim? É por isso que quem está vivo tenta resgatar seus mortos cultivando essas ideias.”

Vale destacar que, apesar de sabermos desde o começo o que acontecerá no final, Um grito de amor do centro do mundo não é um livro ruim, muito menos desanimador, mesmo por que, nada na história de Aki e Sakutarô surge por acaso. E o grande mistério sobre a vida e a morte pode habitar os mais singelos e obscuros cantos do coração humano.

Um grito de amor do centro do mundo de Kyoichi Katayama, um livro para adolescentes e adultos. Um romance comovente, sobre paixões e perdas, e acima de tudo, uma história em que o amor desafia a morte.

Canides – Indie Rock Gaúcho para vocês!

Canides Show

1-Antes de qualquer coisa, Canides é um nome curioso, conte-nos o motivo para ter escolhido este nome para banda?

A gente acha legal a pronúncia de “Canides”, uma variação de canídeos.

2-Indie Rock em português é bem legal, conte-nos por que escolheu a última rosa do lácio para cantar?

O português é o idioma que a gente domina e consegue se expressar melhor com ele. E achamos que a língua soa bem.

3-Qual foi o processo de composição para gravar o EP Azar de uma vida inteira?

O EP foi feito com uma canção bem antiga nossa, Azar de uma Vida Inteira, uma das primeiras que compomos como Canides, junto com 2 canções novas, “Rádio” e “Me Perdendo” (que a gente fez algumas semanas antes de entrar pro estúdio). O processo de composição num geral é bem parecido. O Alves (baterista) sempre escreve coisas muito legais e nos mostra, então o Felipe (guitarrista/vocalista) faz uma melodia que combine com a letra e leva pro ensaio. Daí o Borba organiza a música e tá pronta. A gente pegou as canções que achamos que mais fechavam com o que a gente queria no estúdio e botamos no EP.

 Azar de uma vida inteira

4-E que equipamento foi utilizado na gravação?

A gente usou o equipamento do Planta Estúdio de Gravação, um estúdio com equipamentos de alta qualidade, com uma mesa de som analógica que fez toda a diferença no resultado. A gente já tinha gravado nosso primeiro EP lá e ficamos muito amigos do produtor Felipe Prado, então decidimos continuar o que estava dando certo.

5-Vocês gostam de cachorros? Todas as capas possuem cachorros, é um lance meio Mudhoney?

A gente adora cachorro! As capas são desenhos de cachorro feitas pelo Alves (baterista) e referem ao nome da banda.

6-De que forma vocês estão divulgando o EP Azar de uma vida inteira?

Nós fizemos um show de lançamento em Canoas, onde a gente mora, e vamos fazer outro em São Leopoldo no dia 1/11, uma cidade que sempre nos acolheu muito bem. Além disso, alguns sites e blogs estão ajudando na divulgação, como o Duofox!

7- Diz aí, 5 livros/HQ’s, 5 filmes e 5 discos favoritos que você levaria para uma ilha deserta?

A gente vai falar só 3 de cada pra cada membro da banda falar 1.

Alves: livro: “O Guia do Mochileiro das Galáxias”; filme: “Rocky”; disco: “Famous Monsters” do Misfits.

Borba: acho que um livro que eu levaria seria “Os 100 Segredos das Pessoas Felizes”, o filme seria “Marley e Eu” e o disco provavelmente “On An Island” do David Gilmour.

Felipe: eu levaria o livro “Submarine” do Joe Dunthorne, “A Ilha Do Medo” seria meu filme e com certeza levaria o “Whatever People Say I Am, That’s What I’m Not” do Arctic Monkeys.

8-Qual mensagem/conselho você deixaria aqui para bandas iniciantes?
De que forma podem produzir seus discos e divulgá-los?

Apenas que… Busquem conhecimento. E gravem com quaisquer recursos disponíveis, acreditem no seu trabalho. A gente começou gravando em casa sem saber direito como mexer nos programas. Era engraçado, mas frustrante. Isso fez a gente aprender muito sobre música e crescer como artistas.

Valeu pela entrevista, Duofox! Pedimos para que os leitores nos procurem na rede mundial de computadores, curtam a nossa página, assistam aos nossos vídeos no youtube e ouçam o nosso novo EP. A gente botou muito esforço nele e ficamos bem felizes com o resultado!

Links:

Brooklyn , sem pai nem mãe de Jonathan Lethem, um turbilhão de vozes na literatura policial

Jonathan Lethem

Esqueça todos os detetives da literatura policial moderna que você conhece. Os métodos e as personalidades que conhecemos nesse gênero de literatura são quase sempre os mesmos. Por conta disso é que o americano Jonathan Lethem, autor de Brooklyn, sem pai nem mãe, decidiu inovar no que diz respeito a trama e personagem desse thriller policial.

Lionel é um sujeito pirado. Criado em um orfanato, sempre fora na infância e adolescência, motivo de bullying devido à sua doença, a Síndrome de Tourette, uma doença que se manifesta de diversas formas, entre elas, tiques compulsivos, gestos bizarros e o estranho hábito de beijar quem aparecer em seu caminho.

Após ser escolhido pelo pequeno e sorrateiro mafioso do Brooklyn, Frank Minna, Lionel sai do orfanato e consegue trabalho no seio da pequena organização criminosa de Frank, uma mistura de agência de detetives com equipe de segurança de magnatas do crime.

Em meio ao turbilhão de vozes que habitam constantemente o psicológico do protagonista, Lethem narra uma história de amizade, admiração e esperança.

Após a misteriosa morte de Frank Minna, Lionel é obrigado a cair novamente em sua solidão, lutar contra sua doença e ainda cumprir sua missão. Encontrar o assassino do único homem que lhe deu a oportunidade de viver em sociedade.

Jonathan Lethem é um ficcionista habilidoso e inventivo, pois cria personagens e situações que comumente não encontramos por ai. A grande questão que o livro aborda é se Lionel conseguirá ou não encontrar o assassino de seu grande “pai” ou se sucumbirá ao agravamento de sua doença.

Brooklyn , sem pai nem mãe de Jonathan Lethem, é um romance policial com pitadas inusitadas de humor, crítica social e acima de tudo, um romance humano, sobre a redenção de um homem que para a sociedade estaria condenado a viver para sempre no esquecimento, lutando contra as vozes em sua mente e o preconceito social.

Brooklyn, sem pai nem mãe, pode ser encontrado no site da toplivros, vale a penar entrar e comprar um exemplar. Literatura boa a um preço melhor ainda.

Avesso de Guilherme Moura – Espantando os demônios matutinos

A melhor coisa da vida é nocautear no primeiro assalto, de preferência com apenas um direto.Se tivéssemos esta postura todos os dias, em nossas batalhas diárias, seria muito mais fácil.Assim é o ensaio chamado Avesso, de Guilherme Moura, rápido e indolor, quando você se depara com o soco, já está na lona.

Sem clemência, é um chute na cara de várias personas non gratas no mundo em que vivemos.
Precisa de coragem e sangue-frio para arremessar tantas ideias e conceitos no ventilador.
Nos traz a tona Seul Contre Tous de Gaspar Noé, onde o protagonista vive sem se enganar, mesmo enfrentando milhões de problemas, encara vida sem medo das consequências.

Trechos, como o citado abaixo, passam uma ideia do que podemos encarar todos os dias:

“Não paro pra testemunha de Jeová. É estranho. Não faço as coisas pensando no meu próximo tijolinho no céu. É muita mesquinhez. Quero distância de tudo que exalta a castidade. Não vou louvar quem une burrice ao masoquismo. É melhor ficar calado e só observar.”

A busca pela sabedoria é solitária, e nesta caminhada, há muito ruído, de pessoas que vagam, sem almas e sem se importar com suas vidas:

“Não me importo em ser peça fora do que a sociedade idealiza. Tento não integrar o rebanho. Esse meio não permite o contato com a tristeza. É preciso estar feliz o tempo todo. Daí nascem os remédios e suas ilusões profiláticas. Daí vem a euforia, que a maioria das pessoas confunde com felicidade.”

Lutar contra a normalidade é para poucos, pois a normalidade arremessa toda criatividade no abismo do tédio:

“Uma vida de felicidade plena seria terrível. De onde viriam as inspirações? De onde viriam os alívios? Como o homem conheceria o corpo que habita se vivesse uma vida em contato exclusivo com a felicidade? Se estivesse sempre banhado em sensações agradáveis, o homem se faria um ser muito mais avarento do que já é.”

Avesso de Guilherme Moura é um caminho sinuoso, talvez tudo que gostaríamos de expressar ou de executar em nossas vidas, seria a falha no espelho.